TEOLOGIA
TEOLOGIA (theologia): segundo os Padres gregos, este termo não se refere ao exercício de uma atividade discursiva relativa às coisas de Deus, mas sim ao grau superior da ciência ou do conhecimento espiritual (gnosis). Trata-se de uma iluminação (photismos) que conduz ao conhecimento da Santíssima Trindade, ao estado de impassibilidade da oração perfeita, ao diálogo silencioso com Deus. A esse estado, o intelecto humano só chega por meio de um dom gratuito do Espírito, além de ouvir a palavra: somente essa iluminação capacita a falar das coisas de Deus. A liturgia grega, nesse sentido, chama de “teólogo” o ladrão que foi crucificado com Jesus, porque na Cruz ele o reconhece como o Senhor, sendo misteriosamente instruído pelo Espírito a respeito da gloriosa identidade do Crucificado. Teologia significa também, simplesmente, o mistério trinitário, o mistério da vida de Deus em Deus, e, neste caso, contrapõe-se à economia, termo que se relaciona com os mistérios da encarnação, da morte e da ressurreição de Cristo. Versão em inglês da Philokalia
Muito mais que o estudo sobre Deus e doutrinas religiosas, através de pesquisa acadêmica, significa a participação ativa e consciente na percepção de realidades do mundo divino — em outras palavras, a realização (i.e. realizar = tornar real) do conhecimento espiritual. Ser um teólogo no pleno sentido, portanto, pressupõe o alcance de um estado de quietude e apatia, em si um compromisso de oração pura e sem distração, requerendo assim dádivas concedidas a poucos.
Pequena Philokalia
Teólogo: aquele que, tendo se purificado e tendo ultrapassado as “contemplações dos seres”, contempla Deus.
Paul Vulliaud
É de conhecimento vulgar que o termo “theologoa” foi comumente empregado na Antiguidade. Os gregos designavam sob o nome de “primeiros” ou “antigos teólogos” seus poetas, tais como Hesíodo, Homero, etc. É neste sentido mesmo que Orígenes CONTRA CELSO emprega a expressão archaioi theologoi aplicando-a a Pitágoras. Philon diz que Moisés “teologiza” quando conta a história da criação.
João Evangelista foi chamado theologikotatos, teologíssimo, por um autor que sabia tão bem o grego literário e vulgar, Teofilacte. Mas como devemos entender Gregorio de Nazianzo, dito o “Teólogo”, quando adverte (Disc. 38): “Não é da teologia que vai tratar, é da economia”. De fato, o termo técnico de teologia é sinônimo de trindade e de divindade. Photius, que não ignorava a língua grega, declara (Epist 34) que “se se admite na teologia três naturezas, é cair no politeísmo…”, o que significa: se se admite na trindade três naturezas…
Gregorio de Nissa (Contra Eunom., IV) diz: “São João Evangelista anunciou o mistério da teologia”. Esta expressão significa o “mistério da divindade de Jesus Cristo”.
Em definitivo os Padres opõem sempre a “teologia”, quer dizer a divindade de Jesus Cristo, à “economia”, quer dizer a sua humanidade. Pode-se se dar conta agora, de uma maneira positiva, porque o apóstolo São João foi denominado o Teólogo. Sabe-se que theologein significa “divinizar” alguém, quer dizer “confessar sua divindade”.
Paul Evdokimov: IMAGO DEI; A MULHER E A SALVAÇÃO DO MUNDO
São Fócio, patriarca de Constantinopla (+ 891), traduz o espírito da tradição patrística ao dizer: “Deus, em seu parecer pré-eterno, decide depositar no homem o logos para que o homem aborde, em sua própria estrutura, o enigma da teologia”. Por sua criação à imagem do Deus uno e trino, o homem coloca-se como vivo enigma teológico; torna-se o lugar teológico por excelência.
Michel Henry: FILOSOFIA DA CARNE
Filosofía y teología no compiten entre sí, se presentan como dos disciplinas diferentes. La diferencia radica en aquello que la teología toma como punto de partida, más aún: en el objeto mismo de su reflexión, las Escrituras, es decir, textos que se consideran sagrados. «Sagrados» no quiere decir que hablan de lo sagrado, de Dios, sino que provienen de El, que son su Palabra. Se trata, pues, bajo todos los puntos de vista, de una Palabra de Verdad. Esa es la ventaja decisiva de la teología: fundamentarse en esa Verdad que se da como absoluta. Si la teología se funda inmediatamente sobre la Palabra de Dios, ello se debe precisamente a que esta Palabra es la de la Verdad.
La filosofía resulta entonces singularmente desprotegida e indigente; se encuentra en su comienzo en una situación errática, sin saber qué es la Verdad, ni cómo conducirse para llegar hasta ella. Lejos de estar en posesión de un comienzo seguro de sí mismo, se encuentra prisionera de la aporía. Debe partir en busca de un punto de partida verdadero sin saber desde dónde partir para dar con la suerte de su hallazgo, sin saber, en el caso de tener esta suerte, cómo reconocerlo con certeza. La duda universal de Descartes se hace eco del escepticismo antiguo del que surgió el platonismo. La genialidad de Descartes consistió en descubrir en esta misma duda el comienzo buscado y, a una, la Verdad misma como residiendo en ese comienzo y con la seguridad de que le es propio. Verdad y comienzo son una sola cosa, igual que en lá teología. La Verdad está en el comienzo si se admite que éste ha de prescindir de toda justificación anterior y diferente de él, si debe ser él mismo su propia prueba, ser él mismo aquello Verdadero de lo que se dice: Verum índex sui. En suma, una verdad que no depende de ninguna otra, esa Verdad absoluta de la que parte y de la que habla la teología.
¿Se dirá entonces que en filosofía el hombre encuentra el fundamento del que hay que partir en virtud de una reflexión que arranca de sí mismo y de su propio pensamiento, mientras que, en el caso de la teología, la exégesis se apoya en un contenido dogmático que nos viene del exterior? A la autonomía de la primera se opone la heteronomía de la segunda, lo que es suficiente para desvalorizarla, para hacer de ella objeto de una creencia y, por consiguiente, de una posible increencia, incluso una leyenda, en lugar de la Verdad capaz de fundarse a sí misma, capaz de ser, con la investidura de tal, Razón, la única Razón verdadera cuya justificación interna y autonomía constituyen la dignidad del hombre.
Frithjof Schuon. Forma e substância nas religiões
* O drama das teologias, consistindo na incompatibilidade de seu sublimismo simplificador com a ideia de Maya no grau divino, ou da Relatividade divina.
A redução das teologias a corrigir os impasses de seu voluntarismo fundante com expedientes filosóficos, providenciais na medida de sua oportunidade psicológica para uma coletividade.A dificuldade no Sufismo, onde a mais alta metafísica se mistura inextricavelmente com a teologia, que a turva com suas confusões habituais sobre a “Toda-Poderosa”.A possibilidade alternativa de a sapiência aprofundar a teologia, inculcando-lhe luzes libertadoras.* A autocondenação das teologias à quadratura do círculo, por assumirem a contradição de serem metafísicas sentimentais.
A ignorância da diferenciação das coisas em aspectos e pontos de vista, operando com dados arbitrariamente rígidos cujas antinomias só se solucionam além dessa rigidez artificial.A operação com tendências sentimentais, o “pensar piedosamente”.A análise do Cristianismo: a vontade de admitir uma diferenciação na Unidade e a vontade igualmente impéria de não admitir praticamente que se trate de uma diferenciação, como se quisesse forçar as três dimensões do espaço em uma só.A análise do Islame: um unitarismo teimoso que se choca com a existência e diversidade do mundo, conflito que não existiria se o unitarismo fosse metafísico, transparente e flexível.A comparação entre a certa dispersão no objeto de culto no Cristianismo e o excesso de centralização no Islame, em um plano onde ela não pode se impor.A crítica ao zelo que substitui o pensamento pela virtude e a verdade pelo heroísmo, reconhecendo-se, contudo, a normalidade e normatividade de uma atitude devocional para uma intelectualidade equilibrada.A dificuldade de colocar cada coisa em seu lugar na humanidade patética da “idade do ferro”.A compreensão de que uma alma cheia de piedade é capaz de pensar com desprendimento, em perfeita harmonia com a piedade.