Cristo
Segundo o “DICIONÁRIO INTERNACIONAL DE TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO” de Coenen & Brown, o Christus é a forma latina do grego Christós, que por sua vez é na Septuaginta e no NT o equivalente grego do aramaico meshiah. Por sua parte esta palavra corresponde ao hebreu mashiah e designa a alguém que foi solenemente ungido para desempenhar um cargo. A forma helenizada de meshiah é messias, que, no caso de Iesous, se faz declinável agregando um sigma final. Além do mais o termo messias aparece no NT grego somente duas vezes e somente em Jo 1 e Jo 4; nas duas vezes, é traduzida por Christós pelo mesmo evangelista e se referem a Jesus de Nazaré. […] O termo grego vem de chrien, estender suavemente (sobre algo), untar, verbo que quando se emprega fora do NT é necessário indicar mais concretamente a “matéria” com que se faz.
Entendemos, neste caso, que nessa unção de Deus que se oferece para cada um de nós enquanto filho de Deus, o unguento, a “matéria”, que se estende suavemente sobre cada um de nós é justamente Jesus, etimologicamente “Deus salva”. Jesus é deste modo o exemplo que devemos adotar, a imitação de Cristo é a verdadeira extensão de Jesus, “Deus salva”, como o unguento de Deus, que nos salva.
Frithjof Schuon, Forma e substância nas religiões
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A perspectiva islâmica sobre a figura de Jesus Cristo (Issa), conforme exposta no Alcorão, delineando seus atributos e missão específicos.
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A condição de Cristo como sendo sem pai humano, análoga à de Adão, estabelecendo uma origem sobrenatural.
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Sua ligação indissolúvel com a Virgem Maria, enfatizando seu nascimento milagroso.
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Seu estatuto de figura incompreendida, conforme a frase «as trevas não a compreenderam», justificando a necessidade de uma síntese final representada pelo Islã.
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Sua condição de peregrino perpétuo, simbolizada pela afirmação «o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça».
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Seus atos milagrosos de curar os enfermos e ressuscitar os mortos, demonstrando seu poder divino.
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Sua identidade como Selo da Santidade (Khâtam al-wilayah), representante máximo ou manifestação direta do esoterismo sob os aspectos do amor e da sabedoria.
O desafio hermenêutico representado pela menção no Alcorão de um Cristo que confirma a Torá e anuncia um outro Profeta.-
A estranheza e a aparente falta de persuasão desta perspectiva para o cristão.
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A simplicidade e estranheza da letra do texto corânico como expressão de uma geometria espiritual subjacente que deve ser compreendida em seu princípio e decifrada em seu conteúdo.
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A dificuldade particular que o Islã representa para a perspectiva cristã, dado que o Alcorão combina uma perspectiva diferente com um simbolismo muito próximo.
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A natureza providencial dos mal-entendidos resultantes, pois cada religião deve ser o que é, assim como cada indivíduo é um ser humano singular.
A doutrina crucial de que toda Revelação é «verdadeiro homem e verdadeiro Deus», análoga ao «verdadeiro ego e verdadeiro Si mesmo».-
Esta analogia como explicação para as divergências superficiais que emergem da Unidade subjacente. A compreensão de uma Revelação como um «meio de salvação» ou upaya, um «miragem celeste» extraído da Substância cósmica ou samsárica, portanto de Maya*. A inclusão deste sentido na Shahadah* islâmica e na noção das duas naturezas de Cristo, exemplificada em sua afirmação: «Por que me chamas bom? Ninguém é bom senão Deus.»
A metáfora das diferentes medidas para o Infinito e a função do esoterismo.-
A comparação das teologias a diferentes sistemas de medida, como uma espiral e uma estrela, nenhum sendo o outro.
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A função do esoterismo de englobar as medidas que o exoterismo necessariamente exclui.
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A natureza qualitativa e essencial da gnose, que é independente do conhecimento de fatos externos ao seu quadro tradicional.
As diferentes perspectivas cristã e islâmica sobre Cristo, simbolizadas pelo «raio» e pelo «círculo concêntrico».-
A perspectiva islâmica, baseada na descontinuidade «Criador-criatura», simbolizada pelo círculo concêntrico.
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A perspectiva cristã, baseada na continuidade metafísica, simbolizada pelo raio, aplicada exclusivamente a Cristo. A aplicação hindu deste princípio de continuidade a todos os Avatares* e, de modo diferente, a toda a criação.
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A combinação esotérica do «círculo» com a «cruz», independentemente do contexto religioso.
Os três aspectos da mensagem de Jesus (Seyyidna Aissa) no Alcorão, correlacionados com o tempo e com dimensões espirituais.-
A confirmação do passado: sua confirmação da Torá.
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A oferta para o presente: o dom de uma refeição celestial, identificada com a Eucaristia.
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A previsão do futuro: o anúncio de «um Mensageiro cujo nome é Ahmad».
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A correlação do ternário passado-presente-futuro com o ternário exterior-centro-interior, chave para a compreensão esotérica de sua mensagem.
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A interpretação esotérica do «Mensageiro que virá depois de mim» como o Logos transcendente e imanente, o «Profeta interior» ou o Intelecto.
A interpretação comum muçulmana e a interpretação esotérica do «Mensageiro Ahmad».-
A interpretação comum que identifica Ahmad com o Profeta Muhammad.
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O enquadramento do Islã no ternário monoteísta como «conhecimento» ou «gnose», em contraste com o «amor» do Cristianismo e a «ação» do Judaísmo.
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O nome Ahmad como o «nome celeste» do Profeta, apontando para uma realidade supra-histórica e interior.
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A identificação do «Paracleto» ou «Espírito da Verdade» com este princípio intelectual e interior, que assiste os crentes na ausência da presença física de Jesus.
A análise linguística e simbólica dos termos «Parakletos» e «Ahmad». A leitura muçulmana de Perikletos («Ilustre») em vez de Parakletos*. A conexão etimológica e simbólica com o nome Ahmad, derivado da raiz hamida* («louvar», «exaltar»). A interpretação alternativa como Faraqlit, baseada na raiz faraqa («separar», «discernir»), ligando-o a Al-Furqan, um nome do Alcorão, através do método nirukta*.O significado de Jesus como «Selo da Santidade» (Khâtam al-wilayah) e sua missão para os Filhos de Israel. A assimilação do Profeta do Islã ao «Espírito da Verdade» devido à sua representação da perspectiva da gnose, expressa na Shahadah*.-
A identificação deste Espírito com o Intelecto, o «Interior», como órgão de Conhecimento e dimensão do Infinito, o «Reino de Deus que está dentro de vós».
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A missão de Jesus para os Filhos de Israel, entendida tanto no sentido literal como na extensão paulina, envolvendo uma missão purificadora e esotérica. Seu papel como Selo da Santidade para os fiéis da Torá, de jure*.
A noção de uma «sabedoria aissaouïana» (hikmah issawiyah) no Islã, caracterizada por sua tridimensionalidade.-
A expressão «Selo da Santidade» indicando que a mensagem de Cristo é um tipo de mensagem, abrindo espaço para uma sabedoria cristológica dentro do Islã.
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O esquema tridimensional da sabedoria aissaouïana: O acordo com a Verdade «antecedente» e primordial (Religio Perennis).
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A oferta de um alimento celestial (maná, ambrosia, néctar).
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A abertura do caminho para a «Profecia imanente», ou seja, a santidade e a gnose.
A aplicabilidade universal deste esquema a toda Revelação, atendendo a uma necessidade de causalidade e compreensão das estruturas espirituais.Antonio Orbe: Cristologia Gnóstica
O Cristo total é também o Homem total, o único grande Anthropos, com a própria unidade do Filho. Se o Filho é um, e um também é o gênero humano, nos desígnios de Deus a última e mais profunda unidade do gênero humano está em sua comunhão com o Filho, na comunhão do Espírito paterno. Os homens não são chamados à unidade pessoal com o Pai, mas sim à henotes ou unidade espiritual com Ele, fisicamente comunicável à carne.
Percebe-se sem grande discorrer que o centro do homem, na maioria das noções e em todas as noções históricas (b)…(f) (v. Noções do Homem), é Cristo. Exemplar futuro para o homem animal de Gen 2,7 e paradigma real, já cumprido, para o homem do NT; destinado a realizar-se, enfim, na presença do Pai. A recapitulação humana, total, foi histórica em Cristo redivivo. E prefigurava, ao mesmo tempo, o que havia de cumprir-se em Cristo cabeça e nos justos, seus membros. No grande corpo (místico) dos predestinados, a imagem de Deus é o Filho; a semelhança divina, o Espírito Santo, e o Homem, todo o gênero humano que tem por cabeça a humanidade de Jesus. A imagem e semelhança de Deus afeta o gênero humano não por recapitulação na humanidade de Cristo, mas por extensão homogênea do Espírito paterno a todos e a cada um dos predestinados.
Doravante, o homem já deificado esquece o dinamismo da espécie humana, para incrementar com a fé, esperança e amor — todas as quais perseveram nas alturas, segundo Irineu — a vida do Espírito. O 'factus' adquiriu a qualidade do 'infectus', como o Pai. Concluído o tempo da economia, começa a eternidade, na qual Deus e os homens farão vida comum, em incorrupção e imortalidade. Até esse momento transcorreu a história, superando uma noção com outra, sem jamais abandonar a linha horizontal, a partir do homem psíquico (Gen 2,7). O aparecimento do Salvador não interrompe a linha. Com Ele emerge o Homem ideal, primícias dentre os mortos, impulsionando o gênero humano, no mesmo sentido linear de antes, em direção ao cumprimento do Cristo total, que aguarda seu termo no fim dos tempos. Realizado o Homem-Deus no corpo da Igreja, corpo também do gênero humano predileto de Deus, cessam os dias da criação e começa o repouso, que já não é história e sai do marco da semana (= Hebdômada) para entrar no Senhor.
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