theosophos:boehme:mal
BEM E MAL
BRINTON, Howard. The Mystic Will. Based on a Study of the Philosophy of Jacob Boehme. New York: The Macmillan Company, 1930
CAPÍTULO VII — BEM E MAL
-
A filosofia de Boehme é considerada valiosa apenas na medida em que contém a base para a ética, tendo como único objeto mostrar como levar uma vida boa.
-
A advertência é repetida continuamente de que seus livros não visam satisfazer a curiosidade intelectual.
-
A teoria sozinha não pode captar seu significado; apenas aqueles que experimentaram o renascimento na luz podem entendê-lo.
-
Os leitores são instados a seguir os voos da alma de Boehme, não os de sua caneta.
-
Quem não busca ser um homem novo nascido em Deus não deve se envolver com seus escritos.
-
Todos dizem “mostre-me o caminho para a revelação do bem”, mas a própria pessoa deve se tornar o caminho.
-
Não se pode aceitar muito literalmente as afirmações de Boehme sobre sua intenção exclusivamente prática, pois ele certamente atribuía algum valor à teoria.
-
A tensão perpétua entre teoria e prática é a força motriz por trás de sua filosofia da vida.
-
O problema fundamental em termos éticos é se Boehme baseia sua ética em sua metafísica ou sua metafísica em sua ética.
-
Indaga-se se ele dá uma explicação racional do bem e do mal com base na estrutura do universo ou se determina a natureza do universo por meio da observação do bem e do mal em sua própria experiência de vida.
-
O racionalista tende a basear sua ética em sua metafísica, fazendo com que o mal seja menos mau e o bem menos bom.
-
O monista racionalista não pode deduzir tanto o bem quanto o mal de uma única teoria sem apagar as distinções essenciais entre eles.
-
O voluntarista tende a basear a metafísica na ética, agindo sob a suposição de que alguns valores são absoluta e fundamentalmente melhores do que outros.
-
O mesmo desacordo entre teoria e prática surge em conexão com o problema do livre-arbítrio.
-
O sentimento que acompanha todo ato de vontade é um sentimento de liberdade, assumindo que é determinado apenas por si mesma.
-
O racionalista não pode conceber um ato livre, pois todo efeito tem sua causa, negando assim a existência do livre-arbítrio.
-
O psicólogo moderno não encontra lugar para a vontade em seu laboratório ou em sua lógica.
-
Indaga-se se Boehme é um monista racional que torna o bem e o mal relativos ou um voluntarista irracional que aceita a distinção entre bem e mal como última.
-
Boehme está ciente da dificuldade envolvida em cada posição, mas acredita ter encontrado uma solução.
-
Em suas obras anteriores, Boehme é predominantemente irracional e voluntarista, deixando a origem do mal nas profundezas insondáveis da vontade sem fundo.
-
Quando pressionado, ele se refugia na lenda da queda de Lúcifer, afirmando que a batalha com Lúcifer foi “Deus contra Deus”.
-
Tal afirmação não remove o dualismo, pois é um dualismo de Luz e Trevas dentro do próprio Deus, completamente inexplicável e irremediável.
-
Quando a ideia ocorre a Boehme de que o mal, sendo o princípio do movimento e do combustível da vida, deve ter sido criado por Deus, ele acusa o diabo de lhe dar um ponto de vista diabólico.
-
Aqueles que dizem que Deus criou o mal e que sua vontade é que alguns homens se percam ajudam a aumentar as mentiras do diabo.
-
É da essência da diabreria pensar que o mal serve a um bom propósito, pois essa teoria reverte o verdadeiro processo evolutivo.
-
Parece que Boehme às vezes cede à tentação e assume o próprio ponto de vista do diabo ao racionalizar o mal.
-
Deus introduziu-se com sua santa palavra na natureza e na criatura, também na dor e no tormento, na luz e nas trevas, para que seu poder eterno fosse distinguível e perceptível.
-
Se o mal na vontade contrária não fosse proveitoso, Deus, o único Deus eterno, não o suportaria, mas o aniquilaria.
-
O mal serve para a manifestação da glória de Deus e é uma ferramenta de Deus para tornar o bem imaginável, pois se não houvesse mal, o bem não seria conhecido.
-
Se não houvesse fogo da ira, não poderia haver fogo da luz, e o amor eterno estaria oculto, pois não haveria nada que pudesse ser amado.
-
Nesses casos, Boehme é um racionalista que se esforça para explicar todas as coisas, concluindo que o mal é útil.
-
Em relação ao problema da liberdade e da individualidade, encontra-se a mesma alternância entre pontos de vista ético e metafísico.
-
O Boehme ético vê o homem como um indivíduo livre para escolher a luz ou as trevas.
-
O Boehme metafísico vê o homem como o campo de batalha de forças de luz e trevas.
-
Para Boehme, existe um mundo de vontades separadas, quer por nenhuma razão, quer por uma razão.
-
Se for por nenhuma razão (posição mais frequente), toda vontade se divide em vontades separadas, como os ramos de uma árvore.
-
Uma vontade, como uma força, não poderia existir sem outra vontade ou força para se opor a ela.
-
Às vezes, Boehme é racional ao declarar que Deus delibera e decide criar vontades próprias independentes para se manifestar.
-
O problema da origem da individualidade apresenta tantas dificuldades quanto o problema de mantê-la uma vez originada.
-
O homem renascido funde sua vontade com a Vontade Divina, mas mantém sua individualidade, embora se torne um instrumento perfeito do Divino.
-
A analogia é feita com o sol que dá sua tintura à essência metálica, gerando o ouro; assim também a alma e a divindade coexistem sem se identificar.
-
A Deidade não é a natureza, mas a vontade para a natureza, manifestando-se através da natureza da alma.
-
Como o ferro e o fogo, a alma e a Deidade são mudadas em uma e, no entanto, permanecem duas.
-
Através de uma linguagem altamente figurada, Boehme tenta navegar entre o individualismo e o monismo, preservando tanto a ética quanto a metafísica.
-
Encontram-se dois pontos de vista aparentemente inconsistentes na filosofia de Boehme: um dualismo que vê o mal como um poder sombrio contra Deus e um monismo racionalista que explica o mal como estando em Deus.
-
Às vezes, Boehme confunde as duas teorias porque não vê como sair da dificuldade.
-
Mais frequentemente, ele percebe que sua filosofia é baseada na interação de dois tipos opostos de conhecimento: Vernunft e Verstand.
-
A Vernunft resulta em um racionalismo superficial que vê Deus como o criador deliberado do mal, onde o mal aparece como bem.
-
O Verstand, a experiência mística da vida, vê Deus como totalmente bom, triunfante sobre o mal.
-
A vida existe ao superar essa contradição real entre metafísica e ética, entre monismo racionalista e voluntarismo dualista.
-
A teoria central na filosofia de Boehme é o renascimento da alma das trevas para a luz, um evento de significado ético.
-
O renascimento marca o estágio no processo evolutivo em que uma natureza física não ética se divide em momentos éticos apresentados em uma experiência de valor.
-
Após descobrir esse dualismo ético, a vida renascida o supera subordinando o mal ao bem.
-
A alma está na quarta forma da natureza, onde a luz e as trevas se dividem, sendo o ponto neutro, o Abismo, a Liberdade Eterna.
-
Para agir, a vontade deve primeiro se separar da vontade universal e se tornar egoísta, visando o particular mau.
-
Para ser aliviada de sua dor, a alma deve abandonar o egoísmo e se reunir com o Absoluto de onde veio, um ato de resignação nascido da fé irracional.
-
Após passar pelo Absoluto, a alma retorna ao mundo dotada do ponto de vista do Absoluto.
-
O particular não é mais uma fonte de dor, sendo harmonizado com o universal.
-
Um bom ato nasce, reconciliando o mal da particularidade com a bondade vazia da universalidade.
-
O particular mau não é abolido, mas ocultado, pois toma seu lugar apropriado em um todo orgânico maior.
-
Um bom ato começa com o particular mau, passa pelo universal vazio e termina em uma vida que dota o particular limitado de um valor universal.
-
O mundo escuro conhecido pela razão não é mau em si; o mal é um desenvolvimento interrompido e surge apenas quando o renascimento não ocorre.
-
Boehme descobre que são necessárias duas filosofias: uma para conhecer o mundo e outra para levá-lo a sério.
-
A primeira é uma filosofia racional, e a segunda é uma fé para se aventurar no desconhecido.
-
A primeira é a realidade definida, apontando para a realidade; a segunda é a realidade experimentada.
-
A definição é um tipo inferior de experiência, subjetiva e que deve ser cumprida pelo objetivo.
-
Cristo não veio para abolir a lei subjetiva, mas para cumpri-la.
-
A vida é um processo pelo qual um monismo racionalista passa continuamente para um dualismo voluntarista.
-
O mal é o desenvolvimento interrompido e também pode ser definido como egoísmo.
-
O egoísmo é uma recusa em reconhecer uma relação com os outros devido a uma origem comum.
-
Toda vontade que entra no próprio sangue e busca o fundamento de sua forma de vida se separa do mistério.
-
Se todas as coisas que trouxeram a vontade à vida fossem reconhecidas como suas mães, e sua substância fosse mantida em comum, a ganância, a inveja, a discórdia e uma vontade contrária não surgiriam.
-
A ética de Boehme, como toda ética mística, frequentemente parece ignorar esse fato, tornando-se uma ética de resignação aparentemente puramente individual.
-
A resignação é apenas o pré-requisito para relações sociais adequadas.
-
A bondade surge quando todos os desejos particulares são fases da vontade em um sistema harmonioso.
-
Nenhum relato das discussões éticas de Boehme deve omitir suas figuras vívidas e pitorescas, como a análise da queda de Lúcifer.
-
O pecado de Lúcifer foi uma vontade de completa independência de Deus, causando sua queda e a de suas legiões.
-
Deus cria um novo mundo a partir do mundo caído através das sete formas, cada uma operando em cada um dos sete dias da criação.
-
Adão é criado para tomar o lugar do anjo caído, casado com a Virgem Celestial, mas ele coloca sua imaginação na matéria e cai.
-
A Virgem o deixa, e ele acorda para encontrar Eva, pecando ao comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal.
-
O mundo agora é o campo de batalha entre as trevas e a luz, o Diabo e Deus.
-
A Virgem dá à luz um Filho, Cristo, o segundo Adão, e Deus se torna encarnado no homem para que o homem seja salvo.
-
Boehme aceita a história da queda, criação e redenção não apenas como um fato literal, mas também como um símbolo do processo evolutivo.
-
Lúcifer caiu da unidade para a pluralidade, da harmonia para a discórdia, do espírito para a matéria.
-
O pecado primordial foi a existência, a individualidade, uma vontade separando-se do todo.
-
Após a queda, este mundo do tempo no Terceiro Princípio surgiu como uma evolução temporal em direção ao bem.
-
Independência e individualidade são finalmente transcendidas, não obliteradas, através do processo mundial.
-
Cristo tipifica o homem regenerado através de quem uma nova unidade surge.
-
Ao dar primazia à vontade sobre o intelecto, o sistema de Boehme torna extremamente difícil definir a natureza do sumo bem.
-
A essência da vontade é a atividade proposital gerada pela necessidade, levantando a questão de como se pode ter a atividade como um objetivo final.
-
Boehme responde chamando o estado perfeito de “jogo”, onde a vida se expressa em sua plenitude e tem valor intrínseco.
-
O jogo usa a natureza como um meio, visando indiretamente à pura alegria da atividade.
-
A pura alegria da atividade é apenas um ponto a ser ultrapassado, pois o prazer se transforma em desejo.
-
O “jogo” de Boehme significa que a vida não consiste apenas em tensão, tendo seus momentos de equilíbrio e vitória.
-
Quando Boehme fala da vida de Deus como ela é em si mesma, ele a refere como “jogo”.
-
No céu, as sete qualidades são descritas como brincando umas com as outras.
-
Adão deveria ter se contentado em brincar com a natureza no Paraíso.
-
Adão caiu quando esse jogo se tornou um negócio sério, ou seja, quando a natureza foi transformada em um fim em vez de um meio.
-
O único pecado é subordinar-se a objetos naturais e servi-los.
-
A única virtude é subordinar objetos naturais ao espírito e fazê-los servi-lo.
-
O homem que não é servo da natureza não depende dela para seu prazer.
-
Passagens como essas podem levar à crença de que Boehme defendia a indiferença estóica, mas seu uso da palavra “jogo” como fim inclui e aprova o gozo estético.
-
A resignação é apenas uma estação no caminho, onde o homem quebra a individualidade como um vaso no qual está aprisionado.
-
Antes, ele era escravo da forma externa; agora, ele é livre, nascido de dentro da voz falante de Deus.
-
O homem autoafirmativo que dominaria a natureza torna-se seu servo; o homem resignado descobre a liberdade e governa a natureza de dentro.
-
Essa vida superior, alcançada por meio da dor, luta e resignação, é a sétima forma da natureza: a união perfeita da vontade e da ideia.
-
Boehme situa-se entre Schopenhauer (cujo objetivo é a negação completa da vontade) e Nietzsche (cuja meta é a afirmação completa da vontade).
-
Uma distinção foi feita anteriormente entre uma ética imanente “deste mundo” e uma ética transcendente “do outro mundo”.
-
A ética “deste mundo” é a ética da alma “imaginando-se” no ternário inferior ou escuro, derivada da natureza física.
-
Aqui, a alma assume as formas e cores da natureza, sendo uma vontade-natureza egoística e combativa.
-
A vontade autoafirmativa não pode existir sem uma vontade oposta, nunca atingindo satisfação e estando sempre em dor.
-
Uma ética “deste mundo” derivada da natureza é combativa, pessimista e egoística.
-
A ética “do outro mundo” é descoberta em um ato que transcende a natureza, mas é aplicada a ela.
-
A nova ética que transcende a lei da natureza é a ética do Sermão da Montanha.
-
Quando Cristo disse “não resistais ao mal”, ele quis dizer “não imagineis no ternário inferior”, não coloque sua atenção no mal.
-
Imagine no ternário superior, coloque sua atenção no bem, e o mal desaparecerá.
-
O amor é a imaginação criativa que, ao ignorar o mal, manifesta o bem, pois “a imaginação faz substância”.
-
Ao viver no reino interiormente, tende-se a criá-lo exteriormente, tornando-se um canal para a luz divina.
-
Boehme frequentemente aplica essa doutrina da imaginação criativa também a objetos naturais.
-
Em resposta à pergunta de um discípulo sobre como obter poder sobre a natureza, o mestre afirma que se quiser governar externamente sobre todas as criaturas, está em uma forma bestial e em um domínio externo e transitório.
-
Se abandonar esse caminho externo, estará na suprassensualidade e governará sobre todas as criaturas no fundamento a partir do qual foram criadas.
-
Poucos hoje concordariam com isso, especialmente se for aplicado à natureza física.
-
No entanto, há um sentido em que a doutrina de Boehme pode ser justificada: o mundo é criado e recebido, pois em todo conhecimento há um elemento ativo e um passivo.
-
O homem, ao unir-se à vontade de Deus, cria como Deus cria, por meio do poder da vontade e da imaginação.
-
O significado ético dessa doutrina aplicada à natureza pode ser esclarecido pela teoria das sete formas aplicada à evolução da vida orgânica.
-
Em um enxame de moléculas, cada uma segue um curso independente, resultando em confusão (mundo escuro, primeiras três formas).
-
Deixe cada parte “imaginar-se” no todo, e a influência do todo desce para as partes em guerra, resultando em vida (mundo da luz).
-
A compulsão mecânica externa é substituída pela influência do organismo inteiro de dentro.
-
O organismo resulta de uma imaginação criativa das partes que simultaneamente forma e se submete ao todo.
-
O cientista que vê o organismo de fora o vê no mundo escuro, com cada parte operando por meio de leis mecânicas rígidas.
-
O cientista não pode encontrar diferença em uma molécula dentro de um corpo orgânico, mas através de seu conhecimento da vida pode entrar em união mística com a vida que estuda.
-
Essa união mística permite que ele veja a vida operando não por meio de força mecânica, mas por meio do amor.
-
O amor é a imaginação criativa que produz o mundo da luz, entendendo como cada parte se submete ao espírito invisível e não mecânico do todo.
-
De forma semelhante, o místico pode entrar em união com a vida interior do universo e encontrar cada parte funcionando em todo o plano divino.
-
No clarão da luz na quarta forma da natureza, as partes em guerra são harmonizadas pela Vontade Una, e uma vida superior emerge.
-
A teoria de Boehme sobre a manifestação do mundo da luz por meio do poder da imaginação criativa recebe sua confirmação mais impressionante quando aplicada às relações humanas.
-
A experiência mostra que, se um homem é tratado como um objeto natural, ele tenderá a se comportar como tal.
-
Se ele é tratado como alguém em quem a vontade-divina do amor está se manifestando, ele tenderá a corresponder às expectativas.
-
A doutrina do caráter duplo da vontade (ativa e passiva) e da existência (externa física e interna espiritual) revela seu caráter fundamentalmente ético.
-
Uma visão puramente científica do homem o vê como matéria controlada externamente, devendo ser abolido se for um incômodo (ética relativa do mundo escuro).
-
Ao colocar a atenção no mundo da luz no próximo homem, move-se internamente pelo amor, vendo-o como um objeto espiritual de valor infinito.
-
O diabo de Boehme não é como o de Milton, um príncipe poderoso; sua força é a aparência, pois todo conhecimento é aparência no mundo escuro.
-
A solução não é lutar contra o mal, mas ignorá-lo; a oposição lhe dá a única força que ele tem.
-
O amor parece fraco, mas é realmente forte, rendendo-se à ira para que possa se tornar amor.
-
Se o amor é manifesto e a força oculta, então a força é a matéria do amor e, embora externamente fraco, o amor é internamente forte.
-
Assim, o amor é “internamente poderoso, externamente formal”.
-
A virtude do Amor é o Nada, mas seu poder está através de todas as coisas; quem o encontra, encontra nada e todas as coisas.
-
Os escritos de Boehme são permeados por um profundo senso de solidariedade orgânica da humanidade, expressa na figura frequente de uma árvore com muitos ramos.
-
Somos todos galhos de uma única árvore, e nenhum galho deve dizer “eu sou a árvore”.
-
Como uma bela flor cresce da terra áspera, declarando o poder da terra, assim também todo homem que nasce de novo se torna a imagem certa de Deus.
-
O livro foi escrito para aqueles que estão brotando no lírio justo no reino de Deus.
-
A seiva, o sabor e a essência são compartilhados com os galhos e ramos companheiros na árvore do paraíso.
-
Tal ética mística, embora fale de abnegação, não é uma fuga do mundo, mas uma dedicação a um Deus que procura se encarnar nos homens.
-
Por essa razão, Boehme se opõe à guerra, pois a guerra é justificada apenas no nível inferior da existência.
-
Toda guerra surge da natureza do mundo escuro: orgulho, inveja, cobiça e ira são seus quatro elementos.
-
Nenhum cristão guerreia, e nenhum soldado herdará o reino de Deus enquanto for soldado.
-
Embora Deus tenha ordenado que os israelitas lutassem, foi Jeová, a Deidade natural selvagem e escura, o Deus da ira, quem comandou a guerra.
-
Deus, na medida em que é chamado Deus, não deseja guerra, pois, de acordo com o segundo princípio (da luz), ele é apenas bom e doador.
-
Boehme tem pouca confiança em Moisés como intérprete da Deidade.
-
A alma sensível de Boehme sofreu muito com as guerras religiosas de seu tempo, e ele não tem palavras fortes o suficiente para o clérigo militarista.
-
Pergunta-se como alguém pode servir a Cristo segurando em uma mão o cálice de Cristo e na outra a espada da vingança.
-
Cristo não enviou seus apóstolos para lutar e fazer guerra, dando-lhes a espada do espírito.
-
Em seu pacifismo, Boehme não vai tão longe quanto Tolstói.
-
Resumindo sua atitude, ele afirma que se deve ser um líder para o reino de Deus, acendendo o irmão com amor e mansidão.
-
A mansidão e a paciência vão para a má consciência do homem perverso, levando-o ao arrependimento.
-
Não se deve deixar de se defender contra um assassino ou ladrão, mas diante da injustiça, deve-se expor a falta com uma boa luz.
-
À ética de Jacob Boehme fala em termos inequívocos ao materialismo científico moderno e à crença no valor supremo do domínio da natureza.
-
Por mais poderosa que a ciência seja, Boehme a atribui ao mundo das trevas se não for cumprida pelo conhecimento místico.
-
Existem dois sistemas de categorias: um racional e científico, o outro ético e místico (os mundos escuro e claro de Boehme).
-
Se o mundo é racionalizado, a ética desaparece (bem e mal se tornam relativos).
-
Se o mundo é construído de acordo com a ética, a ciência desaparece (ela não pode reconhecer a liberdade).
-
Ética e ciência precisam uma da outra; sem ética, a ciência não teria objetivo; sem ciência, a ética evaporaria como mera forma sem conteúdo.
-
A única saída é abandonar a ambição de reduzir todas as coisas a um único sistema e reconhecer o dualismo fundamental de Boehme como irredutível.
-
O dualismo deve ser perpetuamente superado, embora nunca abolido, com as trevas em contínuo processo de serem subordinadas à luz.
-
Derivar ideais de um estudo objetivo da natureza é enfrentar o caminho errado e fazer um fim do que deveria ser um meio.
-
Olhando para a natureza, o homem encontra-se o instrumento passivo de forças cósmicas indiferentes.
-
Boehme exorta os místicos a enfrentar a luz, onde a vontade se torna a realidade suprema e a natureza o instrumento passivo.
-
O homem descobre que, embora teoricamente impotente, praticamente pode dominar a natureza.
-
Nas asas da vontade e da imaginação, pode-se perfurar o mundo dos sentidos para a Vida subjacente.
-
Deve-se ser tanto cientista quanto místico para conhecer tanto a verdade quanto a vida.
-
Boehme explicaria que o atraso no progresso ético em relação ao desenvolvimento científico se deve a termos “imaginado” no ternário inferior.
-
Os ideais foram derivados da natureza (meio), não do espírito (fim).
-
Na intoxicação com o progresso material, tornamo-nos escravos da natureza, adorando a ferramenta e tornando-a um fim em si mesma.
-
O valor infinito da vida humana foi esquecido e subordinado à realização material.
-
Descobrir e manter a verdadeira relação entre natureza e espírito não é tarefa fácil.
-
Não se pode dizer que a filosofia de Boehme tenha totalmente sucesso, mas é o próprio cerne dessa filosofia que a filosofia sozinha não pode resolver o problema.
-
Como profeta, ele pede que se faça uma aposta da fé.
-
/home/mccastro/public_html/cristologia/data/pages/theosophos/boehme/mal.txt · Last modified: by 127.0.0.1
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
