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Homilia 15

ORIGENES et al. Homilies on Numbers. Downers Grove, Ill: IVP Academic, 2009.

  • A homilia 15 sobre Números 22:31-41 e 23:1-10 trata da profecia de Balaão, abordando a complexidade de seu caráter, que é apresentado nas Escrituras tanto como censurável quanto como louvável, e a natureza de suas profecias sobre Cristo e o povo de Israel.
    • O texto questiona por que Balaão é registrado ora como censurável, por insistir em ir ao rei contra a vontade de Deus, oferecer sacrifícios a demônios e dar conselhos que levaram o povo à idolatria e à sedução por mulheres midianitas.
    • Por outro lado, Balaão é considerado louvável quando a palavra de Deus é posta em sua boca, quando o Espírito de Deus vem sobre ele e quando profetiza sobre Cristo, abençoando Israel em termos místicos.
    • A diversidade de características de Balaão torna difícil determinar definitivamente seu caráter, especialmente quando ele mesmo deseja morrer entre os justos e o Senhor testifica sobre ele por meio do profeta Miqueias.
  • A discussão sobre o Espírito de Deus é aprofundada, distinguindo como ele age em diferentes contextos, como na profecia de Balaão e em outros personagens bíblicos.
    • Cita-se que o Espírito de Deus vem sobre Balaão, mas também sobre juízes e mensageiros de Saul, e como o Espírito Santo e o espírito maligno operam em Saul e Davi.
    • Essas referências mostram que a expressão “o Espírito de Deus veio sobre ele” pode parecer comum, mas é analisada em seus diversos usos nas Escrituras.
  • A profecia de Balaão é interpretada como uma representação do caráter dos escribas, fariseus e seus semelhantes, com uma análise detalhada de suas palavras e significados simbólicos.
    • Balaão é chamado da Mesopotâmia, “a terra entre os rios”, e dos “montes do oriente”, que são contrapostos aos montes santos de Jerusalém e à verdadeira luz do Oriente, que é Cristo.
    • O texto distingue entre a maldição contra Jacó e a “super-maldição” contra Israel, indicando que ataques espirituais se intensificam conforme a pessoa progride na fé e busca ver a Deus.
    • A boca de Balaão estava cheia de maldição e amargura, mas Deus pôs sua palavra em sua boca, embora seu coração ainda estivesse cheio de desejo por recompensas, o que o levou a aconselhar Balak a fazer os israelitas tropeçarem.
  • É feita uma análise sobre a natureza da maldição divina, contrastando-a com a proibição apostólica de amaldiçoar, explicando que Deus amaldiçoa com justiça, enquanto os humanos não devem fazê-lo por ignorância ou por vício.
    • Cita-se que o Senhor não amaldiçoa Jacó nem Israel, mas amaldiçoa a serpente, a terra, Caim e aqueles que fazem imagens esculpidas, além de amaldiçoar os ímpios no Evangelho.
    • O apóstolo Paulo ordena “abençoai e não amaldiçoeis” para remover o vício da linguagem insultuosa, não para anular a verdade do julgamento divino, que está oculta aos homens.
  • A razão pela qual Deus não amaldiçoa Israel é explicada: Israel está colocado em montes altos, levando uma vida exaltada e árdua, que Deus contempla e compreende, referindo-se ao Israel espiritual e ao tempo futuro de salvação.
    • A frase “do cume dos montes o verei, e das colinas o entenderei” é interpretada como referência à vida celestial e à ressurreição, distinguindo entre ver Jacó (corpos) e entender Israel (espíritos e almas).
    • O povo de Israel é descrito como “habitará só” e não será “contado entre as nações”, o que se cumpre no verdadeiro Israel espiritual, que não se mistura com as demais nações.
  • A questão de quem pode “contar o pó de Jacó” e “numerar a multidão de Israel” é atribuída apenas a Deus, que conhece o verdadeiro Israel interior, em contraste com a contagem externa e carnal.
    • A contagem do povo, ordenada por Deus em Números, produz um número consagrado, mas contar por conta própria, como fez Davi, é contra a lei e resulta em punição.
    • Deus, que “conta a multidão das estrelas” e produziu tudo com “medida, número e peso”, é o único que pode rastrear a semente de Jacó e contar as famílias de Israel.
  • A profecia de Balaão sobre sua própria alma e semente é discutida, indicando que ela não se cumpriu literalmente em sua pessoa, mas terá cumprimento no Israel espiritual e naqueles que creem em Cristo.
    • A frase “que minha alma morra entre as almas dos justos” se cumprirá quando Balaão (simbolicamente) receber a fé de Cristo, morrendo com os justos por meio do batismo.
    • A declaração “e que minha semente seja como a semente dos justos” pode referir-se aos magos do oriente que adoraram Jesus, ou, mais amplamente, àqueles que são justificados em Cristo pela fé, seja da circuncisão ou da incircuncisão.
    • A conclusão é que ninguém deve se gloriar na antiguidade ou na novidade, mas cada um deve testar sua própria obra, tendo glória em si mesmo, em Cristo Jesus, a quem pertence a glória e o poder para sempre. Amém.
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