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Homilia 13

ORIGENES et al. Homilies on Numbers. Downers Grove, Ill: IVP Academic, 2009.

A vitória sobre Sihon, o rei infrutífero e orgulhoso, e a posse de sua terra figuram a derrota do diabo e o domínio de Cristo e de sua igreja sobre o mundo.

  • Sihon caiu “pela matança da espada”, e essa espada é a Palavra de Deus, que é viva, eficaz e mais penetrante do que qualquer espada de dois gumes, sendo também a espada do Espírito.
    • O apóstolo Paulo afirma que a “palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que qualquer espada de dois gumes”, e que a “espada do Espírito” é a “palavra de Deus”.
  • Os filhos de Israel tornaram-se senhores de toda a terra de Sihon, desde Arnom até Jaboque, sendo Arnom a “maldição” que marca o início do reino do diabo e Jaboque a “luta” que marca o seu fim.
    • Todo aquele que deseja sair do reino do diabo encontrará uma luta contra seus ministros, mas se lutar e vencer, não será mais cidade de Sihon, mas cidade de Israel, como aconteceu com o patriarca Jacó.
  • Israel, entendido como o Israel em Cristo, e não o Israel na carne, habita em todas as cidades dos amorreus, que são as igrejas de Cristo espalhadas por todo o mundo.
    • Cada pessoa foi primeiramente uma cidade do rei Sihon, dominada pela loucura e arrogância, mas quando o forte foi atacado e derrotado, e seus bens saqueados, tornou-se cidade de Israel, desde que a árvore infrutífera seja cortada e o rei orgulhoso seja derrubado.

A principal cidade do reino de Sihon, Hesbom, que se traduz como “pensamentos”, é incendiada e destruída, mas deve ser reconstruída pelos que falam em figuras, ou seja, pelos profetas e pela lei.

  • O domínio do diabo reina principalmente nos pensamentos, pois do coração procedem os maus pensamentos, e por isso a cidade de Hesbom é necessariamente queimada com o fogo que o Salvador veio lançar sobre a terra.
    • O Senhor disse que do coração procedem os maus pensamentos, assassinatos, adultérios, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias, e que são estas coisas que tornam o homem impuro.
  • Os “enigmatistas”, que são os que falam figurativamente, como a lei e os profetas, dizem: “Vinde a Hesbom, para que seja edificada”, indicando que a cidade de Sihon, outrora caída e queimada, deve ser reconstruída.
    • Quando um pagão que vive na ignorância religiosa tem seus dogmas pagãos derrubados pela palavra de Deus, os filhos da igreja reconstroem em seu coração pensamentos bons, sentimentos piedosos e o ensino da verdade.

A guerra contra Og, rei de Basã, que se traduz como “torpeza moral”, e cujo nome significa “obstáculo”, deve ser travada de modo a não deixar nada vivo.

  • Ao contrário de Sihon e de Moabe, dos quais não se escreve que ninguém deva ser deixado vivo, de Basã não se requer absolutamente nada e tudo deve ser cortado e derrubado.
    • Da torpeza moral não se pode tirar proveito algum, pois o que é moralmente torpe não pode ser uma coisa honrosa para ninguém.

O relato sobre Balaão e sua jumenta é repleto de dificuldades tanto no sentido histórico quanto no interior, mas a narrativa demonstra que as palavras podem ter mais poder do que as armas.

  • O rei Balaque, diante da invasão de Israel, esquece-se das armas e deposita toda a sua esperança nas palavras de Balaão, um adivinho famoso, para que este amaldiçoasse o povo e o vencesse.
    • Balaque envia mensageiros a Balaão com presentes, pedindo que ele venha amaldiçoar o povo que saiu do Egito, na esperança de que o povo, que o exército não pôde vencer, fosse vencido pelas palavras de Balaão.
  • A arte mágica, que utiliza palavras para produzir efeitos, é atestada pelas Escrituras, que também condenam seu uso, pois seus ministros são anjos renegados e demônios imundos.
    • Os encantadores e mágicos do Egito transformaram varas em serpentes e água em sangue por meio de uma arte de palavras, mas não puderam reverter esses atos, enquanto o poder de Deus pode restaurar todas as coisas.

O rei Balaque conhecia o poder das orações de Israel e por isso buscou um feiticeiro que pudesse contrapor palavras e maldições às suas súplicas.

  • Balaque sabia que Israel vencia seus inimigos pela oração, não pelas armas, como aconteceu contra Faraó e contra Amaleque, e por isso concluiu que precisava de palavras e orações que pudessem vencer as orações de Israel.
    • Quando Moisés erguia as mãos para Deus, Amaleque era vencido, mas quando seus braços relaxavam e desciam, isso causava a derrota de Israel, mostrando que a batalha era vencida pela oração.
  • O rei compara Israel a um bezerro que arranca a grama do campo com a boca, indicando que o povo luta com a boca e com os lábios, tendo armas em suas palavras e orações.
    • A intenção de Balaque era que Balaão lançasse palavras contra as palavras de Israel e orações contra suas orações, para que as maldições do adivinho prevalecessem sobre as bênçãos do povo de Deus.

Os demônios invocados pelos mágicos estão presentes para fazer o mal, não o bem, e não podem ser invocados juntamente com as coisas santas de Deus.

  • Os demônios são invocados por mágicos para o mal, e é a eles que Balaão recorria por meio de uma arte e composição de palavras, tornando-se grande entre os homens por essa amizade com os espíritos malignos.
    • Nenhum espírito santo obedece a um mágico, e aquele que recebeu autoridade para invocar Cristo não pode novamente invocar demônios, pois se o fizer, o Espírito Santo foge dele.

Deus impede Balaão de ir amaldiçoar Israel, mas permite que ele prossiga após insistir, colocando em sua boca palavras de bênção e profecia.

  • Deus vai ao encontro de Balaão e lhe pergunta sobre os mensageiros, proibindo-o de ir com eles e de amaldiçoar o povo, pois ele é bendito.
    • Deus diz a Balaão: “Não vás com eles, não amaldiçoes o povo, porque ele é bendito”, mostrando que a vontade divina era proteger Israel das maldições do adivinho.
  • Deus não condena a raça dos demônios “antes do tempo”, pois eles são necessários para o treinamento e as vitórias dos justos, e por isso ele impede que Balaão os invoque, para que não pereçam antes do tempo.
    • Se a liberdade de escolha fosse removida dos demônios, não haveria mais luta para os atletas de Cristo, e sem combate, não haveria recompensa nem vitória, por isso Deus permite que os demônios existam até o tempo determinado.

Balaão, persistindo no desejo do dinheiro, obtém permissão para ir, mas Deus coloca sua palavra em sua boca, transformando maldições em bênçãos e profecias.

  • Deus permite que Balaão vá, mas põe sua própria palavra em sua boca, impedindo a maldição e dando ocasião para bênçãos e profecias que edificariam Israel e outras nações.
    • As profecias de Balaão, como a de que “uma estrela sairá de Jacó, e um homem se levantará de Israel”, foram registradas e preservadas entre os mágicos do Oriente, e foram por meio delas que os magos do Oriente reconheceram o nascimento de Jesus.

A jumenta de Balaão vê o anjo que o adivinho não vê, e o animal irracional, falando com voz humana, repreende a loucura do profeta.

  • O anjo do Senhor se coloca no caminho contra Balaão, mas somente a jumenta o vê, e o animal, que não era digno de ver o anjo, acaba por silenciar Balaão e repreender sua loucura.
    • A Escritura diz que “um animal mudo, respondendo com voz humana, repreendeu a loucura do profeta”, mostrando que até mesmo uma criatura irracional pode ser instrumento da correção divina.

A jumenta que carregava Balaão é uma figura da igreja, que antes carregava o adivinho, mas agora é libertada pelos discípulos para carregar Cristo.

  • Assim como Jesus enviou seus discípulos para desatar uma jumenta e seu jumentinho para que ele pudesse montar nela, a igreja, que antes carregava Balaão, agora é desatada das cadeias e carrega Cristo, entrando na santa cidade celestial.
    • A profecia que diz: “Alegra-te, filha de Sião; proclama, filha de Jerusalém; eis que o teu rei vem a ti, manso e montado numa besta de carga” se cumpre quando Cristo monta na jumenta, que são os que creem dos judeus, e no jumentinho, que são os que creem dos gentios.
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