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5ª CENTÚRIA SOBRE TEOLOGIA

Resumo dos parágrafos

  1. Quem conhece por meio da prática e pratica com conhecimento torna-se trono e escabelo de Deus, pois o intelecto purificado das imagens materiais pode ser entendido como céu adornado pelas razões divinas das realidades inteligíveis.
  2. O filósofo piedoso, guardado por virtude e conhecimento, só encontra em Deus a libertação contra a potência maligna que se levanta por meio das paixões, recebendo como auxílio uma razão superior de sabedoria.
  3. Todo movimento passional começa por um objeto sensível ou por um demônio que, mediante esse objeto, excita as potências da alma ao pecado.
  4. A resistência elimina a realização do mal, enquanto a destruição remove também o pensamento mau e os movimentos interiores que o acompanham.
  5. As realidades sensíveis e inteligíveis situam-se entre Deus e os homens, mas o intelecto as transcende pela prática e pela contemplação em direção a Deus.
  6. A criação acusa os ímpios porque, por suas razões e leis naturais, anuncia o Criador e ensina a virtude, enquanto a negligência intelectual mantém a alma na ignorância e nas paixões contra a natureza.
  7. A oferta de dons a Deus manifesta a bondade divina, pois Deus aceita como nosso aquilo que já é dele e se reconhece como devedor por aquilo que recebemos dele.
  8. A consideração das razões espirituais das coisas visíveis ensina que há um Criador, mas não permite investigar a natureza dele, pois isso ultrapassa as possibilidades humanas.
  9. A ira de Deus é a sensação penosa pela qual o intelecto inflado por virtude e conhecimento é humilhado mediante penas inesperadas e reconduzido à consciência de sua fraqueza.
  10. A ira do Senhor é a suspensão dos carismas divinos, útil ao intelecto soberbo que trata os dons de Deus como conquistas próprias.
  11. O intelecto amante de Deus possui prática e contemplação, figuradas por Judá e Jerusalém, mas sofre abandono quando atribui a si mesmo a vitória concedida por Deus.
  12. A providência corrige por adversidades os ingratos que receberam bens, para que reconheçam a potência divina e não transformem a virtude e o conhecimento em ocasião de soberba.
  13. A lei divina da providência ensina a gratidão pela privação de bens àqueles que, na abundância, haviam esquecido o Doador.
  14. Quem presume ter alcançado o termo da virtude deixa de buscar a Causa dos bens, enquanto quem percebe sua pobreza natural corre incessantemente para Deus.
  15. Quem reconhece a infinitude da virtude nunca interrompe sua corrida, para não perder Deus, princípio e fim de todo movimento zeloso.
  16. O abandono permitido ao intelecto soberbo pelos demônios durante a contemplação é uma cólera pedagógica que o reconduz à humildade e ao reconhecimento da graça divina.
  17. Quem não se corrige pela primeira cólera do abandono recebe a segunda, que retira a operação dos carismas e deixa a alma sem a proteção antes recebida.
  18. A insensibilidade diante da perda das virtudes conduz à impiedade, pois quem se habituou a desobedecer por prazeres carnais pode renegar Deus quando surge a ocasião.
  19. Toda experiência do intelecto envolve também sua prática e sua contemplação, pois elas participam dos movimentos do intelecto como disposições que nele se encontram.
  20. Quem, como Ezequias, vence os demônios pela oração e pela sabedoria recebida de Deus não deve atribuir a si a vitória, mas render graças proporcionalmente à salvação recebida.
  21. O intelecto deve ser iluminado por conceitos divinos, e o corpo deve tornar-se instrumento racional da virtude pela rejeição das paixões não governadas pela razão.
  22. Quem se exalta pelos carismas recebidos sofre a cólera pedagógica que permite ao diabo perturbar sua prática e sua contemplação, a fim de reconhecer sua fraqueza e reconciliar-se com Deus.
  23. A guerra permitida por Deus aos demônios contra o intelecto soberbo é uma cólera salvífica que revela o verdadeiro Doador das virtudes.
  24. O intelecto bem-aventurado morre louvavelmente a todas as coisas criadas e, após essa morte da vontade, recebe a vida da graça divina e apreende a Causa dos seres.
  25. Quem orienta a prática ao bem natural e a contemplação à verdade natural penetra em Deus, único bem e única verdade, além de toda essência e intelecção.
  26. O fim da virtude prática é o bem como cumprimento da operação divina, e o fim da filosofia contemplativa é a verdade como conhecimento simples e indiviso das realidades relativas a Deus.
  27. Ninguém bendiz verdadeiramente Deus sem santificar o corpo pelas virtudes e iluminar a alma pelos conhecimentos.
  28. A bem-aventurança consiste em reconhecer que Deus realiza em nós prática, contemplação, virtude, conhecimento, vitória, sabedoria, bondade e verdade, restando ao ser humano apenas a boa disposição da vontade.
  29. Todas as boas obras dos santos são dons de Deus, possuídos na medida em que são devolvidos ao Senhor com gratidão e afeição.
  30. O intelecto virtuoso afirma que as virtudes deificantes são fortes, mas a verdade prevalece como Causa única, princípio, reino, potência e glória de todos os seres.
  31. As mulheres simbolizam o amor como termo das virtudes, enquanto a verdade simboliza o termo de todos os conhecimentos e de todos os objetos conhecidos.
  32. A verdade, por sua transcendência, manifesta-se como realidade única que ultrapassa toda capacidade de conhecer e ser conhecida, atraindo a si o movimento de todos os seres.
  33. O intelecto é órgão da sabedoria, a razão é órgão da ciência, a certeza de ambos é órgão da fé, e o amor natural pelos homens é órgão dos carismas de cura.
  34. Cada pessoa manifesta a operação do Espírito segundo a medida de sua fé, de modo que ninguém deve invejar os carismas alheios.
  35. A permanência dos bens divinos depende da medida da fé, pois a ação revela a fé e recebe graça proporcional, enquanto a falta de obras manifesta incredulidade.
  36. Quem ama o bem é conduzido voluntariamente à deificação pela providência, enquanto quem não ama o bem é corrigido contra a própria vontade para ser afastado do mal.
  37. A verdadeira fé é a verdade que tudo compreende e une, e a boa consciência comunica a potência do amor por estar livre da transgressão dos mandamentos.
  38. Os sete espíritos repousam sobre o justo como carismas que conduzem do temor, pela rejeição do mal, até a sabedoria, pela união incompreensível com Deus.
  39. O espírito do temor afasta do mal, a fortaleza move aos mandamentos, o conselho discerne, a ciência conhece o agir virtuoso, o conhecimento percebe as razões dos mandamentos, a inteligência assimila suas razões, e a sabedoria une à Causa divina.
  40. A ascensão espiritual parte do temor que afasta do mal, passa pela fortaleza, conselho, ciência, conhecimento e inteligência, e chega à contemplação simples da verdade em todas as coisas.
  41. O temor, embora seja o primeiro bem praticável, aparece como último na ordem escritural por ser princípio da sabedoria e começo da ascensão ordenada até Deus.
  42. A fé sobe à unidade da sabedoria pelas iluminações do Espírito e pelos degraus das virtudes, sem negligenciar nenhuma obra que mantém abertos seus olhos espirituais.
  43. Quem abandona os mandamentos arranca os olhos da fé e perde o olhar de Deus, pois as operações do Espírito iluminam somente quando a virtude é praticada.
  44. A sabedoria é unidade indivisa presente nas múltiplas virtudes e reúne novamente em si as virtudes que dela procedem.
  45. Quem não pratica os preceitos divinos possui fé cega, pois os mandamentos são luz e sua ausência torna vazia a vocação divina.
  46. Ninguém pode usar a fraqueza da carne como desculpa para o pecado, pois a união com o Verbo fortaleceu a natureza e tornou indesculpável a adesão voluntária às paixões.
  47. Quem vence pela fé e pelo amor as concupiscências irracionais ultrapassa a lei da natureza e se transfere para a região dos inteligíveis.
  48. O conhecimento sem temor de Deus gera soberba, enquanto a prática acompanhada do desejo de Deus conserva a humildade dentro dos próprios limites.
  49. A habitação celeste é o estado de impassibilidade segundo a virtude e o conhecimento não combatido por pensamentos enganosos.
  50. A fé é princípio das virtudes e encontra seu termo no bem realizado por elas, enquanto o bem é a fé posta em ato e repousa em Deus como princípio e fim.
  51. A impassibilidade possui quatro formas principais: afastamento das más ações, rejeição dos maus pensamentos, imobilidade da concupiscência diante das paixões e purificação das imagens sensíveis.
  52. A primeira impassibilidade afasta o corpo do pecado, a segunda purifica pensamentos passionais, a terceira imobiliza a concupiscência, e a quarta remove todas as imagens sensíveis da mente.
  53. Na filosofia prática, pensamento e mente servem como servo e serva até cumprirem a prática das virtudes, sendo depois libertados para a contemplação espiritual das razões naturais.
  54. A irascibilidade e a concupiscência devem servir à razão até que a lei da natureza seja absorvida pela lei do Espírito e se transformem em eros divino e fervor espiritual.
  55. A imagem do reino sem princípio é a imutabilidade do intelecto no conhecimento verdadeiro e a incorruptibilidade da percepção sensível na virtude.
  56. A concupiscência e a ira, quando submetidas à razão, tornam-se deleite na união com Deus e ardor imaculado pela guarda desse deleite.
  57. O mal tem princípio no movimento contra a natureza, enquanto o bem não tem princípio, é inteligível, exprimível, incorruptível e deve ser buscado, desejado e guardado por todas as potências da alma.
  58. O intelecto contemplativo deve permanecer estéril em relação ao mal, para não conceber nem gerar malícia durante a contemplação espiritual dos seres.
  59. Quem cai na vanglória por virtude ou conhecimento assemelha-se a Absalão, preso à aparência mundana e suspenso entre céu e terra pela presunção vazia.
  60. A sabedoria é princípio e termo da salvação, começando como temor que afasta do mal e consumando-se como desejo amoroso que une a si quem abandonou todos os seres.
  61. A sabedoria é temor para os que fogem dela e desejo amoroso para os que a amam, libertando das paixões e habituando o intelecto à visão das realidades futuras.
  62. Toda confissão humilha a alma, seja ao ensinar que ela foi justificada pela graça, seja ao revelar sua culpa pela negligência da própria vontade.
  63. A confissão é dupla, pois pode ser ação de graças pelos bens recebidos ou acusação das faltas cometidas, e ambas produzem humildade.
  64. A soberba nasce da ignorância simultânea do auxílio divino e da fraqueza humana, formando uma falsa afirmação pela negação das duas verdades.
  65. A vanglória desvia a virtude da finalidade divina para a glória própria e compra, com fadigas, os louvores inconsistentes dos homens.
  66. A busca de agradar aos homens limita-se à conduta exterior e às palavras aduladoras, reduzindo a virtude ao que aparece aos sentidos.
  67. A hipocrisia é a simulação do bem sob formas de amizade, justiça, amor ou verdade, cultivada por quem imita a tortuosidade da serpente.
  68. Deus é a Causa dos seres e dos bens, e quem se exalta pela virtude, busca a própria glória, agrada aos homens ou simula piedade afasta-se dessa Causa.
  69. Os demônios da soberba, da vanglória e do desejo de agradar não impedem o zelo virtuoso, mas o estimulam para desviá-lo da moderação e da finalidade verdadeira.
  70. Os demônios não rejeitam práticas ascéticas nem doutrinas elevadas quando o propósito delas se volta para eles e não para Deus.
  71. Os demônios que parecem colaborar com a virtude só podem ser discernidos pela Palavra viva, que distingue obras da alma e obras do Espírito, intenções profundas e pensamentos do coração.
  72. A divisão entre alma e espírito indica a diferença entre virtudes naturais e virtudes recebidas como graça no Espírito.
  73. A Palavra discerne os sentimentos e pensamentos como relações da alma com as razões divinas e como causas invisíveis dessas relações.
  74. Deus está acima da ciência porque está infinitamente acima de todo intelecto ao qual qualquer conhecimento se subordina.
  75. Somente quem possui a Palavra divina no coração pode vencer os enganos invisíveis dos demônios da hipocrisia e construir o templo do Senhor sem colaboração impura.
  76. Ninguém constrói para o Senhor com demônios como colaboradores, pois nesse caso a finalidade das virtudes deixa de ser Deus e passa a ser a paixão.
  77. Os demônios combatem pela falta de virtude ensinando vícios grosseiros e combatem pelo excesso de virtude ensinando presunção, vanglória e soberba.
  78. Deve-se recusar a colaboração dos espíritos que, sob aparência de bem, procuram ferir por excesso, pois a queda pela soberba é mais grave que a queda pela fraqueza.
  79. A virtude é a união da fraqueza humana reconhecida com a potência divina, e o erro se torna mais grave quando a própria fraqueza é apresentada arrogantemente como força.
  80. A súplica do justo é eficaz quando acompanhada pelas obras do justo ou pela conversão prática daquele que pede sua oração.
  81. A súplica do justo não aproveita a quem prefere as culpas às virtudes, como mostra o luto inútil de Samuel por Saul.
  82. A oração compassiva de Jeremias não foi ouvida porque o povo judeu não tornou eficaz a intercessão pela conversão de seu desvio.
  83. É insensato buscar salvação pela oração dos justos enquanto se permanece voluntariamente nas disposições contrárias que deveriam ser detestadas.
  84. A súplica do justo pode muito quando é operante pela virtude do justo ou pela mudança de vida daquele que a solicita.
  85. A exultação nas provas parece paradoxal, pois a alma é chamada a alegrar-se justamente naquilo que a entristece.
  86. A tristeza possui uma forma oculta na alma e outra manifesta nos sentidos, sendo uma termo do prazer sensível e outra termo da alegria espiritual.
  87. A tristeza é privação de prazeres e invasão de penas, derivada do abuso de uma potência natural voltada ao que não possui verdadeira subsistência.
  88. A tristeza da alma nasce do prazer sensível, enquanto a tristeza da carne acompanha o prazer espiritual da alma.
  89. A tristeza sensível vem da privação dos prazeres corporais, enquanto a tristeza intelectual vem da privação dos bens da alma, conforme as tentações voluntárias ou involuntárias.
  90. As tentações voluntárias produzem prazeres escolhidos e tristeza da alma, enquanto as involuntárias impõem dores não escolhidas e tristeza da percepção sensível.
  91. A tentação voluntária entristece a alma e deleita os sentidos, enquanto a tentação involuntária alegra a alma e entristece a carne.
  92. A oração do Senhor ensina a evitar as tentações voluntárias do prazer, enquanto Tiago ensina a alegrar-se nas tentações involuntárias que produzem paciência.
  93. O Senhor ensina a pedir livramento das tentações voluntárias, e Tiago exorta à alegria nas tentações involuntárias que retiram prazer da carne e dor da alma.
  94. É perfeito quem combate as tentações voluntárias pela continência e suporta as involuntárias pela paciência, e é íntegro quem une prática com conhecimento e contemplação com prática.
  95. Quem busca o prazer da alma e suporta a tristeza sensível torna-se provado, perfeito e íntegro pela continência, pela paciência e pela união da prática com a contemplação.
  96. Quem conhece tristeza e prazer da carne é provado, quem os vence pela razão é perfeito, e quem conserva prática e contemplação imutáveis pelo desejo de Deus é íntegro.
  97. A tristeza da alma surge pelos próprios pecados ou pelos pecados alheios, e o prazer da alma nasce da tristeza sensível assumida em favor das virtudes.
  98. Não há pecado humano sem relação passional da alma com a percepção sensível, e toda tristeza da alma começa no prazer da carne.
  99. A origem verdadeira da virtude é o afastamento voluntário da alma em relação à carne, pelo qual a carne é domada e a alma se alegra espiritualmente.
  100. Quando a alma se separa da percepção sensível por amor da virtude, a carne sofre, mas a potência espiritual resiste aos prazeres e às penas sem perder a dignidade divina das virtudes.
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