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ONTOLOGIA

Hugo de São Vítor — ONTOLOGIA

Excertos de HISTORIA DE LA FILOSOFÍA. II (1º): EL CRISTIANISMO Y LA FILOSOFÍA PATRÍSTICA. PRIMERA ESCOLÁSTICA: 2

ONTOLOGIA

Hugh reúne o conhecido conjunto de definições, que provêm de Boécio, Cassiodoro e São Isidoro: “A filosofia é o amor à sabedoria, que, não necessitando de nada, é uma mente viva e o único princípio primeiro das coisas.” “A filosofia é a arte das artes e a disciplina das disciplinas.” “A filosofia é a meditação sobre a morte, o que é mais adequado para os cristãos, que, tendo abandonado a ambição do mundo, vivem segundo um modo de vida disciplinado e à semelhança da futura pátria.” “A filosofia é a disciplina que investiga, com probabilidade, as razões de todas as coisas divinas e humanas.”

Hugo entende a filosofia em sentido amplo, como abrangendo todas as ciências humanas: “No entanto, toda ciência, seja uma disciplina ou qualquer tipo de conhecimento, é parte da filosofia, seja como divisão, seja como um todo” (Didasc. III 1: PL i76,76sA; II 31: PL 176,764c). Um conceito semelhante de filosofia, em um sentido universalista, é encontrado em Domingo Gundisalvo (“não há ciência que não seja, de alguma forma, parte da filosofia”). Em contrapartida, Guilherme de Conches considerava apenas o quadrivium e a teologia, que tratam das coisas (res), como filosofia. O trivium, que trata das palavras, servia apenas como preparação para o quadrivium (Philosophia mundi IV 41: PL 172,100).

O contraste de Boécio entre *voces* e *res*, que os medievais traduziram como *artes sermocinales* (o trivium) e *artes reales* (o quadrivium), também se manifesta na forma de designar as artes do trivium como *eloquentia* (de *eloquium*) ou *logica* (de *logos*). Assim, os seguintes conceitos são entendidos como equivalentes: vozes, artes liberais, eloquência e lógica. “Eloquentia ipsa eadem est quae dicitur logica. Haec dividitur in dyalecticam, rhetoricam, grammaticam” (Manuscrito de Bamberg, q.VI 30, citado por M. Grabmann, Die Geschichte der Schol. Meth. II, p. 37). O sentido amplo de Hugo também aparece na passagem em que ele classifica a agricultura como parte da filosofia.

Assim como Boécio, ele distingue três grandes ordens de seres, às quais correspondem diversos modos de conhecimento:

1ª. Intellectibilia: Deus e substâncias incorpóreas: inteligência pura = teologia.

2ª. Intelligibilia: quantidade abstrata própria da matemática. Inteligência com a imaginação = matemática.

3.° Naturalia: seres corpóreos. Inteligência com os sentidos = física.

Uma divisão que equivale a esta outra: 1.º Um ser eterno, que não tem nem começo nem fim, que é apenas Deus, em quem essência e forma, ser e existência, não se distinguem: «cui non est aliud esse et id quod est». Na mente divina existe, desde toda a eternidade, o arquétipo exemplar de todos os seres, que pode ser chamado de Natureza.

2.º Seres perpétuos e imutáveis, que têm um começo, mas não terão fim. Neles, o ser se distingue do existir: «cui aliud est esse et id quod est, id est, quod aliunde ad esse venit». Estas são as substâncias das coisas, que os gregos chamam de ousías, e todos os corpos do mundo acima da Lua, que são chamados de “divinos” em virtude de sua imobilidade.

3.° Seres temporais, que têm um começo e terão um fim e que não vêm ‘per se ad esse’. Estes são os seres do mundo sublunar, que se originam em virtude do fogo, que ‘vi quadam descendit in res sensibiles procreandas’. Neles, deve-se distinguir a essência, que é permanente, e a forma, que muda. Quando a forma é destruída, a essência permanece, e eles retornam ao seu princípio.

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Seguindo uma ordem pedagógica, a primeira coisa a ser estudada são as artes liberais. Em seguida, a lógica e a matemática, que devem ser estudadas antes da física. A lógica trata de “ipsis intellectibus, secundum praedicamentalem constitutionem”. Embora os homens, para raciocinar, não precisassem esperar que a lógica fosse inventada: “omnes enim scientiae prius erant in uso quam in Arte”. O mesmo deve ser dito da matemática.

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