PASTOR DE HERMAS
Cristologia — Pastor de Hermas ( sec. II — entre 142 e 155 )
Contribuição Antonio Carneiro
Um dos escritos mais considerados da antiguidade cristã, tido por inspirado, chegou a ser a colocado no cânone do NT durante certo tempo, suas referências demonstram a alta estima que era tido, muito usado para os que entravam na Igreja que queriam ser instruídos na piedade (Eusébio, HE, III,3:6). Trata-se de uma obra com 114 capítulos divididos em 03 partes: 05 visões, 12 mandamentos e 10 Parábolas. Após larga difusão nas igrejas gregas do Oriente, considerado inspirado por uns, útil para maioria e recusado por alguns, foi considerado apócrifo depois do Concílio de Hipona (393).
A preocupação central não é doutrinária-dogmática, mas sim moral, o argumento principal é a necessidade de penitência indo ao encontro da misericórdia divina, sendo o conceito de penitência considerado como meio de santificação do homem, correspondente aos sacramentos da Igreja. Sua eclesiologia domina a ideia de que a Igreja é necessária para a salvação. Quanto a Cristo, não emprega nenhuma vez, ao longo da obra, os termos Jesus Cristo, ou logos, chama-o de Salvador, Filho de Deus e Senhor, por isso sua Cristologia suscitou dificuldades, pois, considerava apenas duas pessoas em Deus: Deus Pai e Deus-Espírito-Filho.
I. Hausherr: Nomes de Jesus Hermas sabia que “o nome do Filho de Deus é magnifico, infinito, sustentador do mundo inteiro”. O “nome” é identificável com a cristandade ela mesma de tal modo que Hermas, como Inácio de Antioquia e outros, usam esta palavra por si mesma para valer por toda síntese cristã. O primeiro lugar desta síntese foi reservada para “o nome real e glorioso”, “o nome do Filho de Deus”, sobre bem-amado Filho. Por tais frases os autor leigo exaltou este nome mais ainda que o Bispo de Antioquia, embora nunca escrevesse “Jesus” ou “Cristo”.
Hermas. Le Pasteur. Tr. Robert Joly. Paris:Cerf, 1958
- O texto se insere no gênero literário da apocalipse, gênero já fixado e não exclusivamente cristão, do qual utiliza convenções típicas como símbolos, visões, narrativa em primeira pessoa e diálogo com um revelador.
- A tradição manuscrita, incluindo o Códex Sinaítico e a versão latina antiga, indica que a divisão em cinco Visões é uma adaptação posterior, pois a quinta Visão era originalmente intitulada como início do Pastor.
- A datação mais aceita para a composição do Pastor é meados do século II, com base no Cânon de Muratori e no Catálogo Liberiano, que associam a obra ao tempo em que o irmão de Hermas, Pio, era bispo de Roma.
- A identificação do autor com o Hermas mencionado na Epístola aos Romanos é rejeitada, bem como a identificação do Clément da Visão II com Clemente Romano, sendo preferível admitir a existência de dois personagens com o mesmo nome.
- A obra é seguramente de origem romana, fato indiscutível e reconhecido há muito tempo pela crítica.
- É provável que o Pastor não tenha sido publicado em uma única edição, pois alguns manuscritos, como papiros egípcios e um códex copta, continham apenas os Preceitos e as Parábolas com a Apocalipse-prefácio, sem as quatro primeiras Visões.
- As diferenças literárias entre as Visões e o resto da obra, como a substituição das figuras de Rode e da Igreja pela figura do Pastor e o desaparecimento do nome de Hermas, sugerem duas publicações sucessivas.
- A hipótese de que as duas últimas Parábolas tenham sido acrescidas posteriormente não encontra fundamento sólido, pois as subdivisões do livro não indicam necessariamente momentos distintos de publicação.
- A unidade da obra é defendida, sendo a tese de uma pluralidade de autores considerada insustentável, bem como a hipótese de que o Pastor seria originalmente um escrito judaico posteriormente cristianizado de forma arbitrária.
