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Jean Gouillard
Petite Philocalie de la Prière du Coeur
Da oração e da pureza do coração
- Deus é o Bem em si, a própria Misericórdia e um abismo de Bondade que excede todo nome e todo conceito, de modo que a obtenção de sua misericórdia se realiza pela união com ele mediante a participação nas virtudes e pela súplica orante que vincula a criatura racional ao Criador.
- A participação nas virtudes dispõe o ser humano virtuoso a receber Deus por semelhança.
- A oração opera essa recepção e consagra misticamente o impulso humano em direção ao divino, desde que ultrapasse as paixões e os pensamentos por meio de uma compunção ardente.
- O espírito preso às paixões não alcança a união divina nem obtém misericórdia enquanto permanece nessa disposição.
- Quanto mais os pensamentos são afastados, tanto mais cresce a compunção, e na medida dessa compunção participa-se da misericórdia e de suas consolações.
- A perseverança humilde nesse estado transfigura inteiramente a parte passional da alma.
- O espírito se une à Mônada trinitária suprema quando sua unidade se torna trina sem deixar de ser una, pois então fecha todas as saídas para o erro, domina a carne, o mundo e o príncipe deste mundo, e permanece em si mesmo e em Deus na alegria espiritual que nele brota.
- A unidade do espírito se torna trina quando o espírito se volta para si mesmo e sobe de si mesmo para Deus.
- A conversão do espírito para si mesmo consiste em guardar-se a si próprio.
- A ascensão do espírito para Deus realiza-se sobretudo pela oração, ora recolhida e concentrada, ora mais extensa e mais laboriosa.
- A perseverança na concentração do espírito e no impulso para Deus, com contenção enérgica das fugas do pensamento, aproxima interiormente de Deus e faz possuir bens inefáveis.
- O sentido espiritual permite provar o século futuro e conhecer a bondade do Senhor.
- A palavra do salmista afirma: “Provai e vede como o Senhor é bom!” (Sl 34,9).
- A união da oração à guarda do espírito não é em si extremamente difícil, mas a permanência prolongada nesse estado gerador do inefável constitui a dificuldade própria da vida espiritual.
- O labor de qualquer outra virtude permanece leve e insignificante em comparação com a perseverança nesse recolhimento.
- Muitos abandonam o estreitamento próprio da virtude da oração e não chegam aos amplos espaços dos carismas.
- Aos que perseveram, maiores auxílios divinos os sustentam, conduzem-nos alegremente adiante, tornam fácil a própria dificuldade e conferem à natureza humana uma aptidão quase angélica.
- A natureza humana passa a viver na familiaridade das naturezas que a superam.
- O profeta afirma: “Os que perseveram voam como águias, recebem novas forças” (Is 40,31).
- O espírito também designa sua própria energia, constituída por pensamentos e conceitos, bem como a potência que produz esses efeitos e que a Escritura chama coração, rainha das potências humanas e fundamento da alma racional.
- A energia do espírito, isto é, seus pensamentos, regula-se e purifica-se facilmente pela dedicação à oração, especialmente à oração monológica.
- A potência que produz essa energia só é purificada quando todas as demais potências também são purificadas.
- A alma é uma essência dotada de múltiplas potências, e o mal surgido de uma delas mancha a alma inteira, pois todas se comunicam na mesma unidade.
- Cada potência possui seu ato próprio, de modo que certo ato pode ser purificado por algum tempo mediante aplicação, sem que a potência correspondente seja plenamente purificada.
- A potência permanece antes impura que pura quando continua comunicada às outras potências ainda não purificadas.
- A purificação parcial da energia do espírito pela oração não deve ser confundida com a pureza total do coração, pois a iluminação parcial da ciência ou do relâmpago espiritual pode tornar-se ocasião de presunção e engano.
- Quem se julga purificado por uma iluminação parcial se ilude e abre largamente a porta ao enganador que aguarda ocasião para iludir.
- Quem mede a impureza do próprio coração e transforma a pureza parcial em auxílio progride na humildade e amplia a compunção.
- A impureza das outras potências da alma torna-se mais claramente visível quando a pureza parcial não alimenta a soberba.
- Cada potência da alma exige remédios apropriados: pela ação purificam-se as faculdades ativas, pela ciência as faculdades de conhecimento, e pela oração a faculdade contemplativa.
- Esse itinerário conduz à pureza perfeita, verdadeira e estável do coração e do espírito.
- Ninguém alcança tal pureza sem a perfeição da ação, da contrição perpétua, da contemplação e da oração contemplativa.
A apologia dos santos hesicastas
- Alguns profissionais da cultura profana afirmam que seria equivocado recolher o espírito no corpo e que se deveria expulsá-lo dele a todo custo, censurando os que aconselham os iniciantes a voltar o olhar para si mesmos e a introduzir o espírito em si por meio da inspiração.
- Esses adversários alegam que o espírito não está separado da alma e, por isso, não poderia ser introduzido em si aquilo que não está separado, mas unido.
- Eles acrescentam caluniosamente que alguns hesicastas falariam de introduzir a graça em si pelas vias nasais.
- Tal acusação é apresentada como calúnia, pois nada semelhante teria sido ouvido no meio hesicasta.
- A deformação deliberada facilita a invenção e acrescenta malignidade às demais acusações.
- A questão dirigida ao pai espiritual pede a explicação de por que se procura introduzir o espírito no interior de si mesmo e por que não há erro em recolhê-lo dentro do corpo.
- O corpo nada tem de mau em si mesmo, pois é bom por natureza, e condenável é apenas o espírito carnal ou o corpo prostituído ao pecado.
- O mal não procede da carne, mas daquilo que nela habita.
- O problema não consiste no espírito habitar o corpo, mas na lei oposta à lei do espírito exercer-se nos membros.
- A lei do pecado é combatida e expulsa do corpo para que nele seja introduzida a autoridade do espírito.
- A autoridade do espírito fixa uma lei para cada potência da alma e para cada membro do corpo, dando a cada um o que lhe corresponde.
- Aos sentidos são atribuídos sua natureza e seus limites de exercício, e essa obra da lei chama-se temperança.
- À parte passional da alma é concedido o hábito excelente da caridade.
- A parte racional é melhorada pela rejeição de tudo o que se opõe à ascensão do espírito para Deus, e essa parte da lei chama-se sobriedade.
- Quem purifica o corpo pela temperança, transforma o irascível e o concupiscível em ocasiões de virtude pela caridade, e apresenta a Deus um espírito purificado pela oração, adquire e contempla em si a graça prometida aos corações puros.
- A palavra apostólica afirma: “Trazemos este tesouro em vasos de barro” (2Cor 4,6-7), entendendo-se por vasos os corpos.
- Reter o espírito dentro do corpo não ofende a nobreza sublime do espírito.
- A alma é uma essência provida de múltiplas potências e possui como órgão o corpo que ela anima, enquanto sua potência chamada espírito opera por meio de certos órgãos.
- Ninguém supõe que o espírito tenha sede nas unhas, nas pálpebras, nas narinas ou nos lábios.
- Há consenso em situar o espírito no interior do ser humano, embora haja divergência quanto ao órgão interior a ser designado.
- Alguns colocam o espírito no cérebro como numa acrópole.
- Outros atribuem ao espírito a região central do coração, pura de todo sopro animal.
- A alma racional não está dentro do ser humano como se estivesse num vaso, pois é incorpórea, nem está fora dele, pois está unida ao corpo.
- A alma racional está no coração como em seu órgão.
- A localização do coração como sede da razão apoia-se naquele que formou o ser humano e na tradição espiritual que reconhece ali o princípio das más ou boas disposições interiores.
- Cristo afirma: “Não é o que entra pela boca que mancha o homem, mas o que sai dela… pois é do coração que vêm os maus pensamentos” (Mt 15,11.19).
- Macário afirma que o coração preside a todo o organismo.
- Macário afirma que, quando a graça se apodera das pastagens do coração, reina sobre todos os pensamentos e todos os membros.
- Macário afirma que no coração se encontram o espírito e todos os pensamentos da alma.
- O coração é, portanto, a sede da razão e seu principal órgão corpóreo.
- A vigilância e a correção da razão pela sobriedade atenta exigem reunir o espírito disperso ao exterior pelas sensações e reconduzi-lo ao coração, sede dos pensamentos.
- Macário ensina que é necessário olhar para o coração a fim de ver se a graça gravou nele as leis do Espírito.
- O órgão diretor, trono da graça e lugar do espírito e dos pensamentos da alma, é o coração.
- Quem se decide a vigiar-se na quietude necessita reconduzir e recolher o espírito no corpo, sobretudo no corpo dentro do corpo chamado coração.
- O reino dos céus está dentro do ser humano, de modo que quem se aplica deliberadamente a fazer o espírito sair de si exclui-se do reino.
- A palavra evangélica afirma: “O reino dos céus está dentro de nós” (Lc 17,21).
- Salomão afirma: “O coração reto busca o sentido” (Pr 27,21).
- Esse sentido é também chamado por Salomão de “espiritual e divino” (Pr 2,5).
- Os Padres afirmam que o espírito, inteiramente espiritual, está envolvido por uma sensibilidade espiritual.
- A busca desse sentido deve prosseguir tanto dentro quanto fora de si.
- A luta contra o pecado, a aquisição da virtude e a participação antecipada na recompensa do combate virtuoso exigem reconduzir o espírito ao interior do corpo e de si mesmo.
- Querer fazer o espírito sair não apenas do pensamento carnal, mas do próprio corpo, para ir ao encontro de espetáculos espirituais, constitui o ápice do erro grego ou pagão.
- O espírito deve ser reconduzido não apenas ao corpo e ao coração, mas também a si mesmo.
- A objeção segundo a qual o espírito não poderia regressar por não estar separado ignora a distinção entre a essência do espírito e seu ato ou energia.
- A confusão deliberada entre essência e energia do espírito abriga impostura sob aparência de equívoco.
- O espírito não é como o olho, que vê outros objetos sem ver a si mesmo.
- Segundo Dionísio, o espírito realiza exteriormente seus atos por um movimento longitudinal e retorna a si mesmo por um movimento circular.
- O movimento circular é o ato mais excelente e próprio do espírito.
- Por esse ato, o espírito por vezes se transcende para unir-se a Deus.
- Dionísio trata desse movimento nos Nomes divinos, capítulo 4.
- Basílio e Dionísio confirmam que o espírito que não se dispersa ao exterior retorna a si mesmo e se eleva de si mesmo a Deus por caminho infalível, ao passo que o pai do erro suscita cúmplices para persuadir até os hesicastas de que seria melhor manter o espírito fora do corpo durante a oração.
- Basílio afirma: “O espírito que não se derrama ao exterior retorna a si mesmo e se eleva de si mesmo a Deus por um caminho infalível.”
- A formulação pressupõe que o espírito pode sair e que, por isso, deve retornar.
- Dionísio é apresentado como testemunha infalível do mundo espiritual e como aquele que ensina que esse movimento do espírito não pode extraviar.
- O pai do erro e da mentira continua tentando desviar o ser humano.
- Certos escritos procuram convencer até os que abraçaram a vida superior da quietude de que convém manter o espírito fora do corpo durante a oração.
- João, na Escada celeste, define: “O hesicasta é aquele que se esforça por circunscrever o incorpóreo no corpo.”
- Todos os pais espirituais ensinaram a mesma doutrina.
- A razão se soma às considerações espirituais para demonstrar que quem aspira possuir-se verdadeiramente e tornar-se monge segundo o homem interior deve fazer o espírito regressar e permanecer dentro do corpo.
- Não é inadequado convidar sobretudo os iniciantes a olhar para si mesmos e a introduzir o espírito em si juntamente com o sopro.
- Não convém afastar dos procedimentos de recolhimento aquele que ainda não chegou à contemplação de si mesmo.
- Nos que acabam de entrar na arena espiritual, o espírito escapa logo depois de ser reunido, e por isso é necessário insistir em reconduzi-lo.
- Os noviços ainda não percebem que nada é mais rebelde ao exame de si nem mais pronto a dispersar-se do que o espírito.
- Alguns recomendam controlar o movimento de entrada e saída do sopro, retendo-o um pouco, a fim de reter também o espírito enquanto permanecem na inspiração.
- Com o auxílio de Deus, o progresso purifica o espírito, impede-o de voltar-se ao mundo exterior e permite reconduzi-lo perfeitamente numa concentração unificadora.
- A lentidão do movimento respiratório acompanha espontaneamente a atenção do espírito, sobretudo nos que praticam a quietude do espírito e do corpo.
- Em todo ato de reflexão intensa, o vaivém do sopro se torna mais lento.
- Os praticantes da quietude celebram verdadeiramente o sábado espiritual.
- Suspendendo todas as obras pessoais, eles reduzem quanto possível a atividade móvel, mutável, dispersa e múltipla das potências cognitivas da alma.
- Eles reduzem também toda atividade dos sentidos e toda atividade corporal dependente da vontade.
- Atividades que não dependem inteiramente do ser humano, como a respiração, são reduzidas tanto quanto possível.
- Nos avançados na prática hesicasta, tais efeitos se seguem espontaneamente e sem reflexão deliberada.
- Na alma perfeitamente introvertida, esses efeitos ocorrem necessariamente e por si mesmos.
- Nos iniciantes, o recolhimento ligado à respiração exige esforço, assim como a paciência é buscada por todos os meios por ser fruto da caridade.
- A Escritura afirma: “A caridade tudo suporta” (1Cor 13,7).
- O mesmo princípio vale para o recolhimento do espírito, pois se empregam meios para obter aquilo que conduz ao fim maior.
- Aqueles que possuem experiência riem das objeções provenientes da inexperiência.
- O mestre deles não é o discurso abstrato, mas o esforço e a experiência por ele gerada.
- A experiência produz fruto útil e derruba as palavras estéreis dos contestadores.
- Desde a transgressão, o homem interior se modela pelas formas exteriores, de modo que a atitude corporal pode ajudar a reconduzir o espírito do movimento longitudinal ao movimento circular e infalível.
- Um grande doutor escreveu que “desde a transgressão, o homem interior se modela segundo as formas exteriores”.
- Fixar o olhar no peito ou no umbigo pode aproveitar mais que deixá-lo vaguear de um lado para outro.
- Ao recolher-se exteriormente em círculo, imita-se o movimento interior do espírito.
- A atitude do corpo introduz no coração a potência do espírito que a visão dispersa para fora.
- Se a potência da besta interior tem sua sede na região do umbigo e do ventre, onde a lei do pecado exerce domínio e encontra alimento, convém levar ali a lei oposta armada pela oração.
- A oração impede que o espírito mau expulso pelo banho da regeneração retorne com sete espíritos piores e torne a condição posterior pior que a primeira.
- A referência evangélica afirma a possibilidade de retorno do espírito impuro com sete espíritos piores (Lc 11,26).
- A ordem de Moisés para tomar cuidado consigo mesmo exige vigilância integral da alma e do corpo por meio do espírito, pois não existe outro meio de guardar a totalidade de si.
- Moisés afirma: “Toma cuidado contigo mesmo” (Dt 15,9).
- A guarda deve ser posta diante da alma e do corpo para libertá-los das más paixões.
- Nenhuma parte da alma ou do corpo deve permanecer sem vigilância.
- Assim se atravessa a zona das tentações inferiores e se comparece com confiança diante daquele que “escruta os rins e os corações”.
- Aquele que antes escruta a si mesmo prepara-se para ser julgado sem temor.
- A palavra apostólica afirma: “Julguemo-nos a nós mesmos e não seremos julgados” (1Cor 11,31).
- Davi expressa essa experiência: “As trevas já não serão obscuras, a noite resplandece como o dia, porque formaste meus rins” (Sl 138,12).
- A parte concupiscível da alma torna-se posse de Deus, e até o foco corporal do desejo é reconduzido à origem e elevado para unir-se a Deus.
- Os que se apegam aos prazeres sensíveis da corrupção esgotam na carne toda a potência desiderativa da alma e tornam-se inteiramente carne.
- O Espírito não pode permanecer nos que se tornam carne.
- Os que elevam o espírito a Deus e estabelecem a alma no amor divino têm a carne transformada e participante do impulso do espírito e da comunhão divina.
- A carne torna-se também domínio e morada de Deus, deixando de abrigar a inimizade contra Deus e de desejar contra o espírito.
- A carne é o lugar mais apropriado ao espírito da carne que sobe de baixo, e por isso ela não deve ser deixada sem vigilância enquanto nela não habitar a lei da vida.
- O apóstolo afirma que nada de bom habita na carne enquanto nela não habita a lei da vida.
- A carne só pode pertencer verdadeiramente ao ser humano e ser fechada ao inimigo mediante vigilância.
- Quem ainda não possui a ciência espiritual suficiente para repelir os espíritos maus necessita exercitar a atenção também por meio de uma atitude exterior.
- Não apenas os iniciantes, mas também pessoas mais perfeitas utilizam essa atitude na oração e assim inclinam a benevolência de Deus.
- Essa prática ocorre tanto entre os que vieram depois da descida de Cristo quanto entre os que a precederam.
- Elias, consumado na teoptia, apoia a cabeça nos joelhos, reúne vigorosamente o espírito em si mesmo e em Deus, e assim põe fim a uma seca de vários anos.
- Os adversários da prática hesicasta compartilham a doença do fariseu, pois desprezam a atitude de oração justificada do publicano e exortam outros a não imitá-la.
- O Senhor afirma sobre o publicano: “Ele nem ousava levantar os olhos ao céu” (Lc 18,13).
- Imitam o publicano aqueles que, ao orar, aplicam os olhos sobre si mesmos.
- Os que chamam os hesicastas de onfalopsíquicos caluniam seus adversários, pois nenhum deles jamais colocou a alma no umbigo.
- Esses acusadores agem como detratores de práticas louváveis, não como corretores de erros.
- Eles escrevem movidos pela vaidade, não pela causa da vida hesicasta e da verdade.
- Seu objetivo não é conduzir à sobriedade, mas afastar dela.
- Por todos os meios procuram arruinar a obra hesicasta e aqueles que a praticam com zelo.
- Eles poderiam igualmente chamar de ventropsíquico aquele que afirmou: “Meu ventre fremirá como uma harpa…” (Is 16,11).
- A mesma calúnia poderia recair sobre todos os que representam, nomeiam e buscam realidades invisíveis por meio de símbolos corporais.
- A tradição de Simeão o Novo Teólogo, Nicéforo o Hagiorita, Teolepto de Filadélfia e Atanásio o Patriarca confirma aos iniciantes a prática combatida pelos novos mestres hostis ao hesicasmo.
- Simeão o Novo Teólogo e seus escritos são apresentados como testemunhos conhecidos.
- Nicéforo o Hagiorita ensina claramente aos iniciantes a mesma prática de recolhimento.
- Teolepto, bispo de Filadélfia, e Atanásio, o Patriarca do fim do século XIII e início do século XIV, são invocados como homens aos quais a potência do Espírito Santo deu testemunho.
- Muitos outros antes, com eles e depois deles, convidaram a guardar essa tradição.
- Os novos mestres em hesicasmo desprezam, deformam e arruínam essa tradição sem proveito para seus ouvintes.
- A convivência com alguns dos santos nomeados e o discipulado recebido deles fundamentam a adesão a essa tradição.
- Aqueles que foram formados pela experiência unida à graça não podem ser desprezados em favor dos que pretendem ensinar apenas com base no orgulho.
- A fuga dos adversários do hesicasmo e a escuta dócil dos pais espirituais preservam a bênção interior e ensinam a maneira de fazer o espírito regressar a si.
- Davi afirma: “Minha alma, bendize o Senhor, e tudo o que há em mim bendiga seu santo nome!” (Sl 102,1).
- A escuta dos pais deve ser dócil, pois eles aconselham o modo de reconduzir o espírito ao interior.
O Tomo hagiorítico
- Quem trata como messalianos os que atribuem ao espírito sede no cérebro ou no coração ataca os santos, pois Atanásio situa a sede da razão no cérebro, Macário coloca a operação do espírito no coração, e Gregório de Nissa não contradiz essa tradição ao afirmar que o espírito não está nem dentro nem fora do corpo.
- Santo Atanásio coloca a sede da razão no cérebro.
- Macário, cujo brilho não é inferior, coloca no coração a operação do espírito.
- Gregório de Nissa afirma que o espírito não está nem dentro nem fora do corpo, mas não se opõe aos demais.
- Os santos que colocam o espírito no corpo falam dele enquanto unido ao corpo.
- As formulações variam segundo o ponto de vista adotado, sem estabelecer divergência real de doutrina.
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