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Cristo e Hierarquia
ROQUES, René. L’ Univers dionysien: structure hiérarchique du monde selon le Pseudo-Denys. Paris: Éditions du Cerf, 1983.
- O papel e o lugar de Cristo nas hierarquias decorrem de sua dupla qualidade de Deus e homem perfeito, pois, como Deus, o Verbo encarnado é chefe da hierarquia celeste e, como homem perfeito, é hierarca da hierarquia humana.
- Cristo é princípio de toda hierarquia porque Jesus, como inteligência teárquica superior a toda essência, ilumina, unifica, aperfeiçoa e aproxima as inteligências inferiores das realidades superiores mediante o poder sagrado do sacerdócio divino.
- A encarnação insere o Verbo na hierarquia humana como chefe, primeiro iniciador, mensageiro do Pai, iluminador e santificador por excelência da hierarquia eclesiástica.
- A vida divina de Cristo, sua morte na cruz e os sacramentos deixados por ele unem os cristãos à sua santidade, à sua ciência dos mistérios divinos e à condição perfeita dos membros de Cristo.
- A relação de Cristo com a hierarquia eclesiástica apresenta-o ora como homem submetido à mediação angélica, ora como Deus que é princípio, essência, potência e acabamento de toda hierarquia.
- O papel de Cristo consiste em uma dupla mediação que une a hierarquia humana à hierarquia angélica e recapitula todas as hierarquias na unidade divina.
- A doutrina dionisiana da presença universal de Cristo nas hierarquias é firme, mas suscita problemas que exigem exame final.
- A apresentação dionisiana da encarnação redentora distingue-se da expansão criadora neoplatônica porque o Verbo não cria uma multiplicidade nova, mas repara uma criação preexistente, decaída e pecadora, por amor pessoal às consciências humanas situadas no tempo.
- A condescendência do Verbo constitui o primeiro momento da divinização das inteligências, pois inaugura uma conversão que reconduz cada ordem ao seu princípio e define a relação direta dos primeiros anjos e da hierarquia humana com Cristo.
- A hierarquia manifesta de modo infinitamente diversificado a riqueza divina, mas essa manifestação exige sujeitos reais, hierarquizados e submetidos a quadros e leis rigorosamente definidos.
- A analogia explica as participações desiguais dos diversos graus hierárquicos na divinização trazida por Cristo, pois cada inteligência recebe o divino segundo uma capacidade própria que não pode ser ultrapassada.
- A desigualdade das participações envolve a adesão livre das inteligências à própria posição hierárquica, de modo que a ordem fixa da hierarquia depende também de uma sinergia permanente entre a operação de Cristo e a resposta dos sujeitos.
- As inteligências podem aderir de modo mais ou menos firme à condição hierárquica que lhes é oferecida, o que coloca o problema de uma possível evolução dentro da hierarquia.
- A hierarquia celeste tornou-se definitivamente constituída após a queda dos anjos rebeldes, mas cada ordem angélica ainda pode progredir internamente na divinização pela purificação, pela ciência de Deus e por uma perfeição mais alta.
- A hierarquia eclesiástica comporta transformações interiores mais amplas, pois o neófito pode ascender por graus humanos diversos, embora toda promoção dependa do chamado de cima e da consagração conferida em nome de Cristo.
- Cristo ocupa lugar diverso na hierarquia celeste e na hierarquia eclesiástica, pois, para os anjos, é fonte e objeto de ciência, enquanto, para a hierarquia humana, é necessário como Verbo feito carne, redentor, mestre terreno e santificador sacramental.
- O Verbo feito carne instituiu a hierarquia humana, tornou-se seu primeiro hierarca e iniciador, redimiu os pecados, restituiu a vida divina e santificou os cristãos por seu nome e por seus sacramentos.
- A cristologia dionisiana não pode ser tratada como adição tardia a um sistema emprestado, embora permaneça a dificuldade de Cristo não estar imediatamente presente à consciência de todos os cristãos, mas apenas por mediações hierárquicas.
- A fusão entre hierarquia e experiência mística poderia esclarecer a presença de Cristo no íntimo das almas, pois a disciplina hierárquica prepara a inteligência para a união com o Uno e a acolhe novamente quando essa união se enfraquece.
- A solução mística não assimila a doutrina dionisiana a uma cristologia de inspiração agostiniana, porque o contato unitivo é raro, breve, negativo e voltado à unidade divina em geral, não à união direta com o Verbo encarnado.
- A cristologia dionisiana é ortodoxa em seu fundo, mas evita formulações técnicas e acentua mais a unidade inefável, misteriosa e transcendente do Verbo encarnado do que o modo de união das duas naturezas e as condições concretas de sua humanidade.
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