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DIONÍSIO O AREOPAGITA — DOS NOMES DIVINOS
Caput 9. Sobre o Grande, o Pequeno, o Mesmo, o Diferente, o Similar, o Dissimilar, o Permanecer, o Movimento, a Igualdade
- Deus Todo-Poderoso é celebrado nos Oráculos como grande tanto em grandeza quanto em brisa suave que manifesta a divina pequenez; como o mesmo, quando os Oráculos declaram “Tu és o mesmo”; como diferente, quando é retratado de muitas formas e muitas formas; como similar, como sustento das coisas similares e da similitude; como dissimilar de tudo, como aquele a quem não há semelhante; como imóvel, imóvel e sentado para sempre; como em movimento, indo a tudo; e quaisquer outros Nomes Divinos de força equivalente celebrados pelos Oráculos.
- Deus é nomeado grande em referência à Sua própria peculiar grandeza, que se imparte a todas as coisas grandes, transborda e se estende para fora de toda grandeza, abarcando todo lugar, superando todo número, passando por toda infinitude — tanto em referência à Sua superplenitude quanto à Sua poderosa operação e Seus dons fontais, os quais, sendo participados por todos em uma corrente de dons ilimitados, são inteiramente não diminuídos e têm a mesma superplenitude, não sendo diminuídos pelas impartições, mas ainda mais borbulhantes.
- Esta Grandeza é infinita e sem medida e sem número — e esta é a preeminência quanto à inundação absoluta e surpassante da grandeza incompreensível
- O pequeno, isto é, o fino, é afirmado a respeito de Deus como aquilo que deixa para trás toda massa e distância e penetra por tudo sem impedimento — sendo Causa elementar de tudo, pois em nenhum lugar se encontra a ideia do pequeno não participada.
- O pequeno a respeito de Deus deve ser entendido como penetrando a tudo e por tudo sem impedimento, operando e penetrando até uma divisão de alma e espírito e juntas e medula, e discernindo pensamentos e intenções do coração, e de fato todas as coisas que são — pois não há criatura não manifesta à Sua vista
- Esta pequenez é sem qualidade e sem quantidade, sem restrição, sem limite, sem fronteira, compreendendo todas as coisas mas sendo ela mesma incompreensível
- O mesmo é superessencialmente eterno, inconvertível, permanecendo em si mesmo, sempre sendo na mesma condição e maneira, presente a todos do mesmo modo, firmemente e puramente fixado nos mais belos limites da mesmidade superessencial, sem mudar, sem cair, sem desviar, inalterável, inconfundível, imaterial, simplesíssimo, autossuficiente, sem aumento, sem diminuição, não originado — não como ainda não tendo vindo ao ser, ou imperfeito, ou não tendo vindo de isto ou aquilo, mas como absolutamente não originado e sempre sendo.
- O mesmo é autocompleto, sendo por si mesmo e diferenciado por si mesmo em uma única e mesma forma, derramando a mesmidade de si mesmo a todas as coisas aptas a participar dEla, e atribuindo as coisas diferentes às que são diferentes; sendo abundância e causa de identidade, precontendo identicamente em Si mesmo até as coisas contrárias, como convém à única e exclusiva Causa que supera toda a identidade
- O diferente indica que Deus está presente a todos providencialmente e se torna tudo em tudo para a preservação de tudo, repousando sobre Si mesmo e Sua própria identidade em Si mesmo, impartindo-Se com um poder inflexível para a deificação dos que a Ele se voltam — e a diferença das multiformes aparições de Deus significa que certas coisas são diferentes dos fenômenos sob os quais aparecem.
- Assim como a linguagem retrata a alma sob uma forma corporal usando os nomes dos membros como símbolos das potências — chamando a mente de cabeça, a opinião de pescoço, a ira de peito, a concupiscência de ventre e a constituição de pernas e pés — muito mais a respeito dAquele que está além de tudo é necessário tornar clara a diferença de formas por explicações reversas e deiformes e místicas
- A Progressão de Deus que se estende a todas as coisas é uma extensão divina; o comprimento é o poder estendendo-se sobre o todo; e a profundidade é o ocultamento e a imperceptibilidade incompreensível a todas as criaturas; mas a diferença divina não é uma espécie de mudança da identidade super-imóvel, mas a única multiplicação de si mesma e as progressões uniformes de sua fecundidade a tudo
- O similar, ao dizer que Deus é todo e por toda parte similar a Si mesmo de modo permanente e indivisível, deve ser entendido reverentemente — pois os Teólogos afirmam que Deus acima de tudo não é similar a nenhum em Sua natureza essencial, mas lega uma similitude divina aos que a Ele se voltam, por imitação segundo sua capacidade; e há o poder da semelhança divina que volta todas as coisas criadas à Causa.
- Não deve-se dizer que Deus é similar às coisas criadas, pois nem um homem é semelhante à sua própria imagem; a similitude é legada a todos os que participam da similitude, e Deus torna-se Causa de seu ser similares e sustento da própria Similitude autoexistente, completando sua Unicidade
- A Palavra de Deus revela que Ele é dissimilar e de nenhum modo igual a nenhum, diferente de tudo, e — o que é mais paradoxal — que nada há que seja similar a Ele; e contudo essa expressão não é contrária à similitude para com Ele, pois as mesmas coisas são ao mesmo tempo similares a Deus e dissimilares — as primeiras quanto à imitação recebida do inimitável, as últimas quanto à dependência das coisas causadas em relação à causa e ao serem inferiores em graus sem fim e incalculáveis.
- O permanecer ou sentar divino indica que Deus permanece em Si mesmo, fixamente estabelecido em identidade imóvel e firmado no alto, agindo sempre segundo as mesmas condições e em referência ao mesmo objeto e do mesmo modo, existindo inteiramente como convém à imutabilidade a partir de Si mesmo, e superessencialmente imóvel — pois Ele é Causa do permanecer e do sentar de tudo, acima de todo sentar e permanecer, e nEle todas as coisas consistem, sendo impedidas de cair fora da condição de seus próprios bens próprios.
- Quando os Teólogos dizem que o imóvel vai a tudo e é movido, isso deve ser entendido em sentido conveniente a Deus — não como transporte, mudança, alteração, giro ou movimento local, mas como Deus trazendo ao ser e sustentando tudo e providenciando de toda maneira para tudo, e estando presente a tudo pelo irresistível abraço de tudo e por Suas progressões e operações providenciais a todas as coisas existentes.
- O movimento reto deve ser considerado a progressão inabalável e indesviante da operação e a produção de Si mesmo do todo; o curvilíneo, a progressão firme e a condição produtiva; e o circular, o mesmo e o manter as extremidades e o meio que circunscrevem e são circunscritos, e o retorno a Ele das coisas que dEle procederam
- Deus é igual não apenas como indivisível e inabalável, mas também como indo a tudo e por tudo igualmente, como fundamento da própria Igualdade autoexistente, segundo a qual Ele efetua igualmente a mesma passagem por todas as coisas mutuamente, e a participação dos que recebem igualmente segundo a aptidão de cada um, e o dom igual distribuído a todos segundo o devido — tendo Ele antecipado preeminentemente e unicamente em Si mesmo toda igualdade, inteligível, inteligente, racional, sensível, essencial, física e voluntária, como convém à Potência sobre tudo que é produtora de toda igualdade.
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