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Dionísio o Areopagita — Hierarquia Celestial
Capítulo 11. Por que razão todos os seres celestiais, em conjunto, são chamados de Poderes Celestiais
Seção I.
Agora que definimos essas coisas, vale a pena refletir sobre por que razão costumamos chamar, em conjunto, todos os seres angélicos de Poderes Celestiais. Pois não é possível afirmar, como podemos fazer em relação aos Anjos, que a Ordem dos Poderes sagrados seja a última de todas. As ordens dos seres superiores participam da iluminação sagrada dos últimos; mas os últimos, de modo algum, participam da dos primeiros; e por essa razão todas as Mentes Divinas são chamadas de Poderes Celestiais, mas nunca Serafins, Tronos e Dominações. Pois os últimos não desfrutam de todas as características dos mais elevados. Pois os Anjos, e aqueles acima dos Anjos — Arcanjos, Principados e Autoridades —, colocados pela Palavra de Deus após os Poderes, são frequentemente chamados por nós, em conjunto com os outros Seres sagrados, de Poderes Celestiais.
Seção II.
Mas afirmamos que, embora frequentemente utilizemos a denominação “Poderes Celestiais” para todos em comum, não introduzimos uma espécie de confusão quanto às características de cada Ordem. No entanto, na medida em que todas as Mentes Divinas, pela descrição supramundana que lhes é atribuída, se distribuem em três — essência, poder e energia —, quando falamos de todas elas, ou de algumas delas, indiscriminadamente, como Seres Celestiais ou Poderes Celestiais, devemos considerar que nos referimos àqueles de quem falamos de maneira geral, a partir de sua essência ou poder, respectivamente. Pois não devemos aplicar a característica superior desses Poderes sagrados, que já distinguimos suficientemente, aos Seres que lhes são inteiramente inferiores, de modo a subverter a ordem bem definida das fileiras angélicas. Pois, de acordo com a descrição correta que já apresentamos com frequência, as Ordens superiores possuem abundantemente as características sagradas das inferiores, mas as mais baixas não possuem a plenitude superior das mais reverentes, uma vez que as primeiras iluminações manifestadas lhes são reveladas, por meio da primeira Ordem, na proporção de sua capacidade.
