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Influências

Oeuvres complètes : Du pseudo-Denys l'Aréopagite. Traduction, préface et notes par Maurice de Gandillac

  • O capítulo sobre a influência histórica do Corpus é vasto e será tratado com indicações essenciais, focando nos dois principais iniciadores do dionisismo.
  • São Máximo, o Confessor, foi a figura que impôs definitivamente o Corpus à tradição oriental, desenvolvendo e precisando vários pontos que estavam apenas indicados na obra de Dionísio.
    • Nascido em 580, Máximo, após uma educação humanista e vida na corte, tornou-se monge e depois defensor e mártir da ortodoxia, morrendo em 662.
    • Embora o padre Urs von Balthasar oponha o “criacionismo” de Máximo ao “emanatismo” de Dionísio, o amor que faz sair o ser de si mesmo no Corpus já sugere a dualidade entre Deus e o mundo.
    • A leitura de Dionísio foi fundamental para o otimismo de Máximo, que via o homem livre, capaz de construir seu próprio lugar na hierarquia com a ajuda de Deus e do próximo.
    • A distinção entre Dionísio e Evagre, e a proximidade com Máximo, reside na recusa em identificar toda diversidade com o mal, na consideração do sensível como símbolo do eterno e na concepção da união como um processo que aperfeiçoa o indivíduo.
    • O corpo assume um lugar essencial, rejeitando a preexistência das almas e a metensomatose, com a ressurreição corporal como consequência do padecimento comum e do peregrinar fraterno.
    • Máximo desenvolve a noção de que a criatura trabalha positivamente para sua deificação por um despojamento voluntário, transfigurando o corpo, que é condição para o esforço e a perfeição.
    • Nessa perspectiva, a individualidade é reabilitada, pois Deus age como síntese e divisão, reunindo o diverso e distinguindo o definido, estabelecendo uma correspondência entre cada corpo e cada alma.
    • A sexualidade se integra ao sistema de Máximo, que vê na união dos sexos um caminho para a salvação, pois a carne se torna o meio positivo do perdão, permitindo a extensão do peregrinar terreno até a encarnação.
  • João Escoto Erígena, na Renascença carolíngia, representa no Ocidente outro grande sistema baseado no pensamento dionisiano, orientando-se mais para o neoplatonismo.
    • Erígena, um irlandês do século IX que traduziu o Corpus para o imperador Carlos, o Calvo, teve sua obra profundamente marcada pelo contato com Dionísio.
    • O filósofo define melhor as relações entre fé e razão, admitindo uma “física” que remonta do criado ao criador e, com o Evangelho, uma razão que serve à fé para melhor conhecê-la.
    • A hierarquia, central em sua obra, é interpretada de forma mais lógica do que moral, consistindo na divisão de gêneros em espécies, variedades e indivíduos.
    • A distinção entre o Improticipado e o Participado, entre a Deidade insondável e o Deus processivo, é um tema dionisiano logicizado, onde a Natureza incriada incriante corresponde à Teologia mística e a Natureza incriada criante é a Causa universal.
    • A divisão da criatura em dois universos (inteligível e sensível) e a identificação do Verbo com o plano da criatura aproximam sua doutrina de um certo emanatismo, embora ele salvaguarde a transcendência divina ao afirmar que os anjos só conhecem as teofanias de Deus.
    • Erígena distingue entre uma “datio” natural e uma “donatio” sobrenatural, e para que cada criatura seja luz de Deus, fé e razão devem unir-se, fazendo do corpo material o símbolo do imaterial.
    • Na descrição da “remontada”, ele concebe uma reintegração da carne no espírito e da vida na razão, o que levanta a questão da sobrevivência de um Inferno, que ele resolve pela distinção entre natural e sobrenatural.
  • A influência do Corpus na história da espiritualidade ocidental é traçada por meio de marcos importantes, desde a Escola de Chartres até a controvérsia sobre a mística nos séculos XV e XVII.
    • Fulbert, Abélard, Grosseteste, Hugo de São Vítor, Alberto Magno e Tomás de Aquino são exemplos de pensadores que se valeram de conceitos ou métodos dionisianos, como a superessentia, a exegese alegórica e a teologia da luz.
    • Tomás de Aquino, em sua síntese, recorreu a Dionísio para corrigir o aristotelismo, substituindo o motor impassível pelo Bem que se difunde por amor.
    • Mestre Eckhart, embora crítico das participações analógicas, filia-se à corrente dionisiana pela afirmação da transcendência divina como exclusão total e abismo insondável.
    • Nicolau de Cusa atribui ao Areopagita a inspiração para sua “douta ignorância”, e a influência de Dionísio permanece central em todas as controvérsias sobre o método de ascensão espiritual até Bossuet.
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