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Clemente de Alexandria— Stromata

  • Os valentinianos aprovam o casamento por considerá-lo derivado da emanação divina nos céus, enquanto os seguidores de Basilides interpretam a resposta do Senhor aos apóstolos — que perguntaram se não seria melhor não casar — como distinção entre três tipos de eunucos.
    • O Senhor: “Nem todos podem receber este dito; há alguns eunucos que o são desde o nascimento, outros o são por necessidade.”
    • Os que desde o nascimento têm repulsão natural pela mulher fazem bem em não se casar.
    • Os eunucos por necessidade são os ascetas teatrais que se controlam apenas pela paixão pela notoriedade — e os que sofreram castração acidental também se tornaram eunucos por necessidade; estes não têm razão sólida para sua abstinência do casamento.
    • Os que por causa do reino eterno se fizeram eunucos assim procedem por desejo de evitar as distrações do casamento, temendo desperdiçar tempo provendo as necessidades da vida.
  • A expressão paulina “é melhor casar do que queimar” é interpretada pelos basilidianos como advertência contra a concentração da alma na endurance, pois uma alma que se concentra na resistência perdeu a esperança.
    • Isidoro, em sua Ética, escreve: “Abstém-te de uma mulher querulenta, para não seres distraído da graça de Deus. Mas quando tiveres rejeitado o fogo da semente, ora com consciência tranquila.”
    • “E quando a tua oração de ação de graças descer a uma oração de pedido, e o teu pedido não for para que no futuro faças o bem, mas para que não faças o mal, então casa-te.”
    • Se alguém é muito jovem, ou pobre, ou padece de saúde fraca e não tem vontade de casar, não deve separar-se de seu irmão cristão, podendo dizer: “Entrei no santuário, nada posso sofrer.” E se tem pressentimento de que pode cair, pode dizer: “Irmão, põe tua mão sobre mim para que eu não peque” — e receberá ajuda tanto espiritual quanto física.
  • A natureza humana tem necessidades que são necessárias e naturais, e outras que são apenas naturais — e ser vestido é necessário e natural, enquanto o intercurso sexual é natural, mas não necessário.
    • Por vezes se diz com a boca “não desejo pecar”, enquanto a mente está realmente inclinada para o pecado — tal homem não faz o que deseja por temor de punição.
    • Essas observações são citadas para refutar os basilidianos que não vivem puramente, supondo ter poder de cometer pecado por causa de sua perfeição, ou que serão salvos por natureza mesmo que pequem, por possuírem uma eleição inata.
    • Os fundadores originais de suas doutrinas não permitem o que eles fazem; não devem, portanto, tomar o nome de Cristo como capa e, vivendo de modo mais dissoluto que os pagãos mais descontrolados, trazer blasfêmia sobre o Seu nome.
    • Paulo: “Pois tais pessoas são falsos apóstolos, obreiros enganosos” — e o fim deles será semelhante às suas obras.
  • A continência é um ignorar do corpo em conformidade com a confissão de fé em Deus — e não se limita à abstinência sexual, mas se aplica a todas as outras coisas pelas quais a alma tem desejo mau por não se satisfazer com as necessidades da vida.
    • Há continência da língua, do dinheiro, do uso e do desejo.
    • A continência não é apenas ensinada como algo a praticar; antes, é concedida como poder divino e graça.
    • O estado de abstinência do casamento, quando concedido por Deus, é acolhido como bem-aventurado; a monogamia e o alto valor do casamento único são admirados.
    • Deve-se compartilhar o sofrimento com outro e “suportar os fardos uns dos outros”, para que quem pensa estar seguro não caia.
    • É do segundo casamento que o apóstolo diz: “Se queimas, casa-te.”
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