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PAULO
Claude Tresmontant, “São Paulo e o mistério do Cristo”
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As únicas fontes para reconstituir a vida de Paulo são o livro dos Atos dos Apóstolos e as Cartas que ele escreveu às comunidades cristãs, sendo que Paulo nasceu nos primeiros anos da era cristã e era um pouco mais novo que o Senhor.
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Durante o apedrejamento de Estêvão (por volta de 36), ele era chamado de “jovem homem” (neanias) conforme Atos 7:58.
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Na carta endereçada a Filêmon (por volta de 63), Paulo se nomeia a si mesmo como “o velho Paulo” (presbutès).
Paulo, cujo nome hebraico era Shaoul (o mesmo do primeiro rei de Israel), nasceu em Tarso, na Cilícia, e o pai dele havia adquirido os direitos de cidadão tarsiota e romano.-
O próprio Paulo declara em Atos 22:3: “Eu sou judeu, nascido em Tarso na Cilícia.”
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Em Atos 21:39 ele reitera: “Eu sou judeu, de Tarso, na Cilícia, cidadão de uma cidade que não é sem renome.”
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A cidadania romana garantia privilégios, como a proibição de penas infamantes e o direito ao tribunal imperial em processos capitais.
A cidade de Tarso era famosa na antiguidade, situada em um cruzamento de rotas na entrada dos desfiladeiros do Tauro, e servia como um ponto de encontro entre dois mundos.-
Segundo Xenofonte, Tarso era uma “cidade grande e feliz”, e graças ao rio Cidnos era um porto de mar que atraía comerciantes de todo o Mediterrâneo.
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A cidade foi sujeita sucessivamente aos semitas assírios, persas, gregos e romanos, permanecendo um caldeirão de civilizações e religiões.
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A origem da família em Giscala, na Galileia, é mencionada por são Jerônimo.
O ambiente cosmopolita de Tarso, com sua mistura de raças, costumes, línguas e classes sociais, forneceu ao jovem Shaoul um rico terreno para sua formação humana.-
O sentido da universalidade pôde ser fortalecido em Paulo mais facilmente nesse meio aberto para o mar.
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De acordo com Estrabão, Tarso podia rivalizar com Atenas e Alexandria como centro de cultura, produzindo filósofos como os estoicos Atenodoro e Nestor.
As religiões mais diversas constituíam um sincretismo em Tarso, onde o jovem deus Sandan (assimilado ao Héracles grego) era celebrado ao lado do Baal Tarz (o Senhor de Tarso).-
Anualmente celebrava-se a festa do deus da vegetação, queimando sua estátua em uma fogueira para depois festejar seu retorno à vida.
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A cerimônia fúnebre era seguida de rejouissances onde a devassidão não faltava, e as religiões de mistério estavam representadas, notadamente pelo culto a Mitra.
Diferentemente de Jesus, que usava uma linguagem camponesa sobre a natureza, Paulo utilizava comparações próprias de um citadino, demonstrando não ter “o sentimento da natureza”.-
Em suas cartas, Paulo emprega imagens do estádio (1 Coríntios 9:24; Filipenses 3:14), da existência militar (1 Tessalonicenses 5:8) e dos tribunais (Romanos 1:32).
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Ele também usa metáforas do comércio (Efésios 1:14), da navegação (1 Timóteo 1:19) e da construção civil, como em 1 Coríntios 4:9 sobre o teatro.
No início da era cristã, o povo judeu estava espalhado por toda a extensão do mundo greco-romano devido às deportações e à emigração espontânea, formando a Dispersão (diáspora).-
As deportações assírias e babilônicas começaram em 722 a.C., e a revelação a Abraão, Isaque e Jacó saiu dos limites da terra da promessa.
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A Sibila hebraica proclamava: “Tu és em toda parte, em todos os países e sobre todos os mares. Todos se escandalizarão de teus costumes.”
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Estrabão, na época de Augusto, escreveu que o povo judeu “já se espalhou em todas as cidades, e não há um lugar no mundo onde ele não tenha chegado e dominado.”
Jerusalém permanecia como o centro político e religioso do povo disperso, para onde milhares de judeus iam anualmente para a Páscoa a fim de trazer suas oferendas.-
Alguns peregrinos ficavam em Jerusalém, constituindo comunidades judaicas “estrangeiras”, como as chamadas Helenistas no livro dos Atos.
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Um imposto era coletado em toda a diáspora em favor do Templo, e Paulo retomaria essa coleta em favor dos pobres de Jerusalém em tempo de fome.
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Privilégios jurídicos eram concedidos por Roma aos judeus da diáspora, incluindo a liberdade de culto e a dispensa dos cultos imperiais.
A agricultura era o ofício mais frequente entre os judeus da diáspora, enquanto a indústria (especialmente tecelagem e tinturaria) era florescente, ficando o comércio em segundo plano.-
Na Apologia, Josefo menciona as ordenanças do tempo de Augusto que autorizavam os judeus a coletar e transportar o dinheiro do imposto do Templo.
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O proselitismo era uma característica do judaísmo da diáspora, com os fariseus percorrendo mares e terras para fazer um prosélito, conforme Mateus 23:15.
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Horácio, em suas Sátiras (I, 4, 142), faz alusão a esse proselitismo judaico, e os judeus reuniam ao redor da sinagoga os “tementes a Deus”.
Do judaísmo helenístico restaram poucos vestígios, pois, na expressão de Lietzmann, “o judaísmo talmudista matou seu irmão, o judaísmo de língua grega.”-
Sobreviveram apenas ruínas de sinagogas, cemitérios, algumas inscrições, fragmentos de pergaminho e papiro, além das traduções gregas do Antigo Testamento.
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As obras de Josefo e Filon, alguns apócrifos e fragmentos de antigos escritores judeus helenísticos conservados por Eusébio de Cesareia e Clemente de Alexandria também subsistiram.
A língua praticada pelo judaísmo da diáspora mediterrânica era o grego (a língua universal), tendo a Bíblia sido traduzida para o grego em Alexandria para uso da comunidade.-
Os exilados que voltaram da Babilônia trouxeram o aramaico (língua usual no Oriente falada na Palestina por mil anos), enquanto o hebraico permanecia a língua sagrada.
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Nas sinagogas da diáspora, o ensino era feito em grego, e foi assim que se pôde constituir uma Mishná grega.
Paulo aprendeu o grego em Tarso, sendo sua língua materna o grego popular (koinê) usado por mercadores, marinheiros e soldados, e ele leu a Bíblia na tradução dos Setenta.-
O fato de Paulo usar a Septuaginta é importante para certas interpretações paulinianas fundadas nessa tradução, que às vezes é sensivelmente diferente do texto hebraico.
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A Septuaginta representa uma evolução da teologia bíblica e denota uma certa adaptação à mentalidade grega.
É pouco provável que Paulo tenha frequentado escolas gregas, sendo certo que ele recebeu a rigorosa formação judaica em uma família farisaica de estrita observância.-
Em Filipenses 3:4-6, ele se descreve como circuncidado ao oitavo dia, da raça de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu filho de hebreu, fariseu quanto à Lei, perseguidor da Igreja quanto ao zelo.
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Paulo acrescenta, já cristão: “Tudo isso que para mim era vantagem, eu o tive por perda por causa de Cristo Jesus.”
No judaísmo do início da era, distinguiam-se várias seitas, como os fariseus, os saduceus e os essênios, sendo que os fariseus impuseram ao povo pontos de direito não inscritos nas leis de Moisés.-
Josefo escreve em Antiguidades Judaicas que os saduceus rejeitavam a tradição dos pais, tendo convencido apenas os ricos, enquanto os fariseus tinham a multidão como aliada.
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Os fariseus (hebraico perushim, aramaico parishin, significando “separado”) tentavam aplicar a Lei de maneira mais zelosa e integral que o comum, chegando a constituir uma casuística.
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Do ponto de vista teológico, os fariseus acreditavam na ressurreição dos mortos (desde o livro de Daniel) e na doutrina dos anjos, dogmas que os saduceus recusavam.
O pai de Paulo, seguindo o costume judaico, ensinou-lhe um ofício manual (fabricante de tendas) juntamente com o estudo da Torá, considerando o trabalho manual um ato de piedade.-
Um rabino do século II dirá: “O estudo da Torá se alia bem com o exercício de um ofício, pois a prática simultânea dessas duas atividades nos afasta do pecado.”
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Paulo escreverá às comunidades: “Que cada um trabalhe com suas mãos para subvenir às suas necessidades e dar àqueles que não têm o suficiente.”
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A tradição de que o filho aprendia e exercia o ofício do pai era comumente respeitada, e o pai de Paulo parece ter sido bastante abastado para enviar o filho a Jerusalém.
Os anos de formação
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Por volta dos quinze anos, Paulo partiu para Jerusalém para ser instruído aos pés de Gamaliel segundo a exata Lei dos pais, conforme ele mesmo narra em Atos 22:3.
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O ensino consistia no estudo da “lei escrita” (a Torá) e da “torá oral”, cuja autoridade era a mesma, pois teria sido recebida por Moisés no Sinai e transmitida oralmente.
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O trabalho de interpretação da Lei mosaica era chamado de midrash, e a Torá oral era considerada uma explicação dada por Deus da Torá escrita.
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Gamaliel, segundo Atos 5:33, era um “fariseu, doutor da Lei venerado de todo o povo”, e a tradição judaica afirma que “desde que morreu Rabban Gamaliel, o velho, a honra da Torá cessou”.
Os estudos tradicionais exigiam muito mais da memória do que na pedagogia moderna, com o aluno aprendendo de cor, salmodiando de maneira rítmica as sentenças dos rabinos.-
Um provérbio talmúdico afirma: “É para aquele que lê a Bíblia sem fazer sentir a melodia, e para aquele que estuda a Mishná sem cantar, que está dito (Ezequiel 22:25): ‘Dei-lhes ordenanças que não são boas, leis que não os fariam viver.’”
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Essa memorização “orgânica” e “gestual” explica a memória prodigiosa dos rabinos palestinos em meio tradicional oral.
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O ensino talmúdico empregava sistematicamente a interrogação, lembrando o método socrático e a diatribe estoica, com traços desse procedimento encontrados nas epístolas de Paulo.
Da sua formação rabínica, Paulo reteve procedimentos exegéticos (como o midrash) e temas comuns ao judaísmo pós-bíblico ou particulares ao farisaísmo.-
Os midrashim de Paulo aparecem na Epístola aos Gálatas (III e IV) sobre a justificação de Abraão, sobre Sara e Agar (Gálatas IV), e sobre o véu de Moisés em 2 Coríntios III.
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A tipologia do Êxodo aparece em 1 Coríntios 10 (“a pedra era o Cristo”), e os grandes midrashim sobre a promessa a Abraão estão em Romanos 9 e 11.
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O tema de Adão, ignorado pela antiga Bíblia hebraica, é adotado por Paulo em Romanos 5:12 para especulações sobre o primeiro e o segundo Adão.
O “meio” pauliniano é assim resumido: uma grande cidade cosmopolita (Tarso), uma família de artesãos judeus abastados e fariseus, e uma formação rabínica em Jerusalém.-
É altamente improvável que um judeu piedoso como Paulo tenha sido iniciado nas filosofias pagãs ou nas religiões de mistérios.
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Quando Paulo usa o vocabulário estoico ou das religiões de mistérios, isso apenas confirma seu método missionário de “fazer-se tudo a todos”.
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Embora o vocabulário seja às vezes helênico, o pensamento de Paulo é integralmente e exclusivamente bíblico.
Nada se sabe com precisão sobre a saúde física de Paulo, embora ele mesmo descreva em 2 Coríntios 11:23-29 as condições extraordinárias de suas viagens a pé.-
Calcula-se que a primeira viagem missionária teve mais de 1000 km, a segunda cerca de 1400 km, e a terceira uns 1700 km, tudo isso com prisões, açoites, apedrejamentos e naufrágios.
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Paulo menciona uma “enfermidade da carne” (Gálatas 4:13) e um “aguilhão na carne” (2 Coríntios 12:7), mas isso não significa necessariamente uma doença, pois “carne” na Bíblia significa a totalidade da pessoa.
A rota de Damasco
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Enquanto se dirigia a Damasco com cartas do sumo sacerdote para prender os discípulos do Senhor, Paulo foi envolvido por uma grande luz vinda do céu e ouviu uma voz que lhe dizia: “Shaoul, Shaoul, por que me persegues?”
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No relato de Atos 26, a voz acrescenta em língua hebraica: “É duro para ti recalcitrar contra o aguilhão.”
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Os companheiros de viagem de Paulo viram a luz, mas ouviram a voz de maneiras diferentes segundo as versões, e Paulo ficou cego por três dias, sem comer nem beber.
Em Damasco, o discípulo Ananias recebeu uma visão do Senhor para impor as mãos sobre Paulo, chamando-o de “Shaoul, meu irmão”, para que ele recuperasse a visão e fosse cheio do Espírito Santo.-
O Senhor disse a Ananias que Paulo era “um instrumento escolhido para levar meu nome diante das nações, dos reis e dos filhos de Israel” (Atos 9:15).
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Caíram dos olhos de Paulo como que umas escamas, ele foi batizado, tomou alimento e, nas sinagogas, passou a anunciar que Jesus é o Filho de Deus e o Cristo.
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Ao ouvir isso, os judeus ficaram estupefatos, pois reconheciam que ele tinha vindo a Damasco para prender os seguidores de Jesus.
Paulo viu o Senhor ressuscitado como os apóstolos, e ele mesmo atesta em 1 Coríntios 15 que Cristo “apareceu a Cefas, depois aos doze, depois a mais de quinhentos irmãos, depois a Tiago, depois a todos os apóstolos, e por último, como a um abortivo, apareceu também a mim.”-
Nessa mesma passagem, Paulo lembra que “Cristo morreu por nossos pecados, conforme as Escrituras, foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, conforme as Escrituras.”
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Esse texto é considerado o mais antigo testemunho escrito da ressurreição.
Paulo afirma repetidamente que foi chamado por Deus, viu o Senhor e recebeu sua missão de Enviado (Apóstolo) não dos homens, mas do próprio Senhor Jesus Cristo.-
Em Gálatas 1:1, ele escreve: “Paulo, enviado não da parte de homens nem por intermédio de um homem, mas por Jesus Cristo e Deus Pai que o ressuscitou dos mortos.”
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Ele declara em 1 Coríntios 9:1: “Não sou eu enviado? Não vi eu Jesus, nosso Senhor?”
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O conteúdo de sua anunciação, segundo Gálatas 1:11-12, “não é segundo o homem”, pois não o recebeu nem aprendeu de homem algum, mas por revelação de Jesus Cristo.
Imediatamente após a conversão, Paulo foi para a Arábia (reino nabateu) e depois voltou a Damasco, somente subindo a Jerusalém após três anos para se encontrar com Cefas (Pedro).-
Em Damasco, os judeus conspiraram para matá-lo, mas os discípulos o desceram à noite pelo muro num cesto, e ele partiu para Jerusalém (Atos 9:23-25).
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Em Jerusalém, Barnabás o apresentou aos apóstolos, e Paulo falava com confiança no nome do Senhor, disputando com os helenistas que tentavam matá-lo.
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Os irmãos, sabendo disso, levaram Paulo para Cesareia e o fizeram partir para Tarso.
A vocação de Paulo
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A vocação de Paulo, recebida diretamente do Senhor, é imperativa e categórica, lembrando a vocação do profeta Jeremias, que foi conhecido por Deus antes de ser formado no ventre de sua mãe e estabelecido como profeta para as nações.
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Em 1 Coríntios 9:16, Paulo declara: “Se anuncio a Boa Nova, isso não é para mim motivo de orgulho, pois é uma necessidade que me é imposta: ai de mim se não anunciar a Boa Nova!”
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O princípio de seu método missionário está em 1 Coríntios 9:19-22: “Fiz-me servo de todos para ganhar o maior número possível.”
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Ele se fez “tudo para todos” para salvar alguns, tornando-se como judeu para os judeus, como sem lei para os sem lei, e como fraco para os fracos.
As cartas de Paulo
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As primeiras cartas de Paulo que possuímos são as dirigidas aos Tessalonicenses, datando de 51, cerca de quinze anos após sua conversão, quando ele já havia fundado muitas igrejas.
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Nessas cartas, dirigidas a comunidades que ele havia “plantado”, encontramos apenas elementos de seu pensamento e de sua fé, escritos em circunstâncias particulares.
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Paulo supõe conhecidos os fundamentos do ensino oral que deu às comunidades, complementando ou desenvolvendo esse ensino fundamental.
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Em 1 Coríntios 15, ele afirma ter transmitido em primeiro lugar o que ele mesmo recebeu: “que Cristo morreu por nossos pecados, conforme as Escrituras.”
Não é possível reconstituir a totalidade sistemática da teologia de Paulo nem a evolução de seu pensamento a partir dos textos restantes, pois ele recebeu o essencial de sua ciência no encontro com o Cristo.-
Paulo viu o Cristo ressuscitado, de quem recebe diretamente seu Evangelho, mas também recebeu uma “tradição” da comunidade apostólica primitiva.
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Os grandes textos cristológicos das Epístolas da Cativeiro (Colossenses, Efésios, Filipenses) traduzem em parte a conhecimento revelado a Paulo por Cristo na primeira manifestação.
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A exposição que se segue utilizará os textos das diferentes epístolas de maneira dialética, sem levar em conta as datas de redação das cartas.
As cartas de Paulo foram ditadas, não escritas à vontade, quando ele tinha tempo entre seu trabalho manual e seu trabalho de evangelista, o que explica as asperezas e descontinuidades de sua língua.-
É provável que as cartas tenham sido ditadas em pé, enquanto Paulo caminhava de um lado para o outro ou enquanto continuava a tecer em seu tear.
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A escrita material em um papiro era uma operação longa e penosa para o escriba, exigindo muitas horas, e uma grande carta era necessariamente escrita em vários dias.
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Paulo fala às suas Igrejas bem-amadas por cartas de amor, ardentes e ciumentas, chamando os Gálatas de “meus filhos, pelos quais sofro de novo as dores de parto, até que Cristo seja formado em vós” (Gálatas 4:19).
As cartas paulinas não devem ser lidas com preocupação literária, pois são escritas com um estilo oral, cheio de frases interrompidas, mudanças súbitas de perspectiva, pesadez e repetições.-
Aos Tessalonicenses, Paulo escreve: “Vós sois minha glória e minha alegria” (1 Tessalonicenses 2:19-20), e aos Coríntios: “E ainda que tivésseis dez mil mestres em Cristo, não teríeis, contudo, muitos pais, pois eu vos gerei em Cristo Jesus pelo Evangelho” (1 Coríntios 4:15).
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Em 1 Tessalonicenses 2:7, Paulo se compara a uma ama: “Como uma ama que cuida ternamente dos filhos que amamenta, quiséramos dar-vos não só o Evangelho de Deus, mas a nossa própria vida.”
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Essas características do texto original devem ser esperadas em qualquer tradução literal, pois refletem o modo como as cartas foram compostas.
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