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HADEWIJCH BEGUINAS

Hadewijch II e as beguinas

Excertos de seleção de Pierre Riffard, em seu livro “O Esoterismo”, traduzido por Yara Azeredo Marino e Elisabete Abreu

Acima de tudo o que está escrito, de tudo o que é criado, o espírito pode apreender e ver claramente, seguindo de perto o caminho de Nosso Senhor.

Se conhecimento vos faltar, devei buscá-lo no interior; em vossa simplicidade achareis o claro espelho sempre pronto.

Felizes aqueles que têm a nua visão sem intermédio: podem, só com o olhar, receber a vivificação,

e lançar-se ao objetivo Divino buscando o único bem vital, só para Ele tudo deixar, até que O tenha sem O perder.

O coração que possui essa luz sofre demais se experimenta o peso do pecado.

Ele permanece despojado e miserável até que, conforme sua consciência, seja satisfeito,

e encontre sua liberdade apenas pelo testemunho interior, mostrando-lhe que a sua dívida quanto ao amor está totalmente paga.

É preciso que desejeis e ameis sem ser pelos sentidos; exterior e interiormente, que permaneçais sem conhecimento, como uma morta.

Ouvi o que ordena o amor: não vos inquiete o humano afeto. O amor encobre e protege aquele que ele conduz, como as asas dos serafins.

Depois de saborear a libação da Divindade é preciso fundir e transformar o que para sempre deseja no lar da bela Deidade ancorar. (…)

Novos poemas de uma beguina flamenga, III, trad. do médio-neerlandês: Fr. J.-B.P. in Hadewijch d'Anvers, Écrits mystiques, Éd. du Seuil, col. La Vigne du Carmel, 1954, p. 150-151

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