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JONAS LUZ E ESCURIDÃO

Hans Jonas — Religião Gnóstica

“Luz” e “Escuridão”, “Vida” e “Morte” - Na “cepa” iraniana do Gnosticismo, que também é um componente do pensamento mandeano. - A primeira Vida “estrangeira” é o “Rei de Luz”, cujo mundo é “um mundo do esplendor e da luz sem escuridão”, “um mundo de suavidade” sem rebelião, um mundo de retidão sem turbulência, um mundo de Vida Eterna sem decadência e morte, um mundo de bondade sem mal… - Um puro mundo não misturado com enfermidade. - Em oposição a isto está o “mundo da escuridão, totalmente cheio de mal…, cheio de fogo devorador… cheio de falsidade e engodo. … Um mundo de turbulência sem firmeza, um mundo de escuridão sem luz… um mundo de morte sem vida eterna, um mundo no qual as coisas boas perecem e planos não dão em nada” - Mani que adotou completamente a versão iraniana de dualismo, começa sua doutrina das origens, como reportada na Fihrist, na fonte arábica, como segue: “Dois seres foram no princípio do mundo, a Luz única, a outra Escuridão”. - Dentro deste pressuposto o mundo existente, “este” mundo, é uma mistura de luz e escuridão, no entanto com a preponderância de escuridão: sua principal substância é escuridão, sua mistura estrangeira, luz. - No dado estado de coisas, a dualidade de escuridão e luz coincide com aquela “deste mundo” e “do outro mundo”, posto que a escuridão incorpora sua essência e poder integrais neste mundo, que agora, no entanto, é o mundo da escuridão. - O rei da escuridão primal está mesmo no estágio pré-cósmico chamado “o Rei deste mundo” e “destes eones”, embora de acordo com o sistema o mundo derive somente de uma mistura dos dois princípios. - Um paralelo mandeano ao ensinamento de Mani sobre as origens cuja sentença de abertura citamos acima: “Dois reis existiam, duas naturezas foram criadas: um rei deste mundo e um rei dos mundos de fora. O rei destes eones pôs uma espada e uma coroa de escuridão…” - Falando logicamente, isto é inconsistente; mas simbolicamente é mais genuinamente gnóstico que a abstração de Mani, posto que o princípio da “escuridão” está aqui desde a partida definido com aquele do “mundo” do qual a experiência gnóstica foi primeiramente concebida. - O “mundo” é determinado pela escuridão e a “escuridão” somente pelo mundo - A equação mundo (kosmos) = escuridão é de fato independente e mais básica do que a teoria particular das origens, exemplificadas, e como uma expressão da dada condição admite tipos de derivação amplamente divergentes - A equação como tal é simbolicamente válida para o gnosticismo em geral. - No Corpus Hermeticum encontra-se a exortação, “retire-se da luz escura (CH I,28), onde a combinação paradoxal marca o ponto de que mesmo a luz assim Chamada neste mundo é na verdade, escuridão. - “Pois o cosmo é a plenitude do mal, Deus a plenitude do Bem” (CH VI,4) - Assim como a escuridão e o mal, a morte é um símbolo do mundo como tal - “Aquele que é nascido da mãe é gerado na morte e no cosmo; aquele que é nascido de Cristo é transportado à luz e ao Oito (i.e., removido do poder do Sete)” Excerpta ex Theodoto 80,1) - Assim compreendemos a afirmativa hermética citada em Macróbio (Sonho de Cipião) que a alma “através de muitas mortes a Medida que passa as esferas desce para o que na terra é chamado vida”.

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