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Evangelho do Pseudo-Mateus

Madeleine Scopello. Les évangiles Apocryphes - Nouvelle édition Revue et Augmentée. 1st ed ed. Québec: Presses de la Renaissance, 2017.

A imageria da gruta e do estábulo

  • As tradições atestadas no Protevangelho de Tiago confluíram em outro texto apócrifo conservado em latim, conhecido como Evangelho do Pseudo-Mateus, de composição mais tardia — provavelmente do século VI —, alimentado por diversas fontes e que contribuiu para a transmissão de imagens e temas ao longo dos séculos.
  • A imageria da gruta onde nasce a criança Jesus é retomada e enriquecida no Evangelho do Pseudo-Mateus, com ênfase na presença divina que se manifesta sob a forma de uma luz fulgurante.
    • O texto narra: “José fez parar a montaria e convidou Maria a descer da besta e entrar em uma gruta onde reinava uma obscuridade completa, pois era totalmente privada da luz do dia. Mas, à entrada de Maria, toda a gruta começou a brilhar com uma grande claridade e como se o sol ali estivesse, assim ela começou inteiramente a produzir uma luz fulgurante e, como se fosse meio-dia, assim uma luz divina iluminava aquela gruta. E essa luz não se apagou nem de dia nem de noite, enquanto Maria ali deu à luz um filho que os anjos cercaram durante seu nascimento e que, assim que nasceu e de pé sobre seus pés, eles adoraram dizendo: Glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens de boa vontade” — Evangelho do Pseudo-Mateus 13, 2, tradução de J. Gijsel, Escritos Apócrifos Cristãos, I, p. 133
  • O tema do estábulo que abrigou Jesus aparece igualmente no Evangelho do Pseudo-Mateus — motivo amplamente utilizado pelos artistas medievais e que sobreviveu nas tradições populares do Natal.
    • O texto narra: “Ora, dois dias após o nascimento do Senhor, Maria saiu da gruta, entrou em um estábulo e depositou a criança em uma manjedoura, e o boi e o asno, dobrando os joelhos, o adoraram. Então se cumpriram as palavras do profeta Isaías: O boi conheceu seu proprietário e o asno a manjedoura de seu senhor, e esses animais, rodeando-o, o adoravam sem cessar” — Evangelho do Pseudo-Mateus 14, 1, Escritos Apócrifos Cristãos, I, p. 134

A adoração dos animais

  • À adoração do boi e do asno corresponde, durante a fuga ao Egito da Sagrada Família, a dos animais selvagens que se amansam diante da criança Jesus, lhe prestam homenagem e a acompanham durante a travessia do deserto.
    • O texto narra: “Da mesma forma leões e leopardos o adoravam e o escoltavam no deserto, por onde quer que Maria e José fossem, e os precediam, mostrando o caminho e, em perfeita submissão, inclinavam suas cabeças com profunda reverência e manifestavam seu ardor balançando gentilmente a cauda. Mas no primeiro dia em que Maria viu os leões, os leopardos e toda sorte de feras vir ao seu redor, ela teve muito medo. Diante dela, a criança Jesus pôs-se a rir e, dirigindo-lhe palavras consoladoras, disse: Não temas, minha mãe, pois não é para te fazer mal, mas para se pôr a teu serviço que eles se apressam ao teu redor. E com essas palavras, dissipou o temor que os animais haviam provocado no coração de seus pais. E assim leões, asnos, bois e animais de carga faziam caminho com eles e carregavam suas bagagens e, assim que se fazia uma parada, iam pastar. Havia ainda mansas cabras que haviam deixado a Judeia com eles e os seguiam; elas também caminhavam sem medo entre os lobos. Ninguém temia ninguém e ninguém fazia mal a ninguém. Então se cumpriu o que disse Isaías: O lobo pastará com o cordeiro, e o leão e o boi comerão juntos palha — Isaías 65, 25. Havia de fato bois de tiro que os leões conduziam ao longo da estrada de Nosso Senhor Jesus Cristo, de quem carregavam a bagagem” — Evangelho do Pseudo-Mateus 19, 1-2, Escritos Apócrifos Cristãos, I, p. 137-138
  • Instaura-se com o nascimento de Jesus um estado paradisíaco — a realização de uma paz universal entre os diferentes reinos da natureza —, ao qual não apenas os animais, que modificam seus instintos para se tornarem agradáveis a Jesus, mas também as plantas se submetem à sua vontade.
    • Para que Maria, abatida pelo calor durante a travessia do deserto, pudesse se restaurar com os frutos de uma palmeira, Jesus ordena à árvore que se incline e permaneça nessa postura até receber permissão de erguer sua copa — Evangelho do Pseudo-Mateus 20, 1-2, cf. Escritos Apócrifos Cristãos, I, p. 138
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