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Efésios
PAGELS, Elaine H. The gnostic Paul: gnostic exegesis of the Pauline letters. 1st paperback ed ed. Philadelphia: Trinity Press International, 1992.
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A SUPREMA REVELAÇÃO DO MISTÉRIO DA REDENÇÃO PNEUMÁTICA EM EFÉSIOS
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Os exegetas valentinianos consideram a carta aos Efésios como de autoria paulina e a valorizam especialmente porque, segundo afirmam, Paulo desdobra nela o mistério da redenção pneumática.
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De acordo com os valentinianos, Paulo discute a eleição pneumática em Efésios 1, a vocação psíquica em Efésios 2, explica sua própria missão pneumática em Efésios 3, descreve a estrutura presente da comunidade cristã em Efésios 4 a 5:30, revela em 5:31 o “grande mistério” do “casamento” escatológico da igreja com o salvador, e mostra em Efésios 6 como tanto psíquicos quanto pneumáticos devem refletir essa visão escatológica em sua vida presente.
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A SAUDAÇÃO EXCLUSIVAMENTE PNEUMÁTICA E A ELEIÇÃO ANTES DA FUNDAÇÃO DO COSMO (Efésios 1:1-6)
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Ao contrário das cartas aos Romanos e Coríntios, onde Paulo se identifica em termos psíquicos e pneumáticos, em Efésios ele se identifica exclusivamente em termos pneumáticos, como apóstolo enviado “pela vontade de Deus”.
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Ele se dirige primeiramente aos eleitos — “aos santos, aqueles que são”, que participam do Deus que verdadeiramente “é” — e depois “aos fiéis em Cristo Jesus”, isto é, aparentemente, aos psíquicos crentes.
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Exegetas valentinianos insistem que Paulo tenciona distinguir claramente entre “Deus nosso Pai” e o demiurgo, pois o Pai oferece “toda bênção pneumática”, enquanto o demiurgo concede apenas “bênçãos somáticas” àqueles que obedecem à sua lei.
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A “bênção pneumática” consiste em que Deus “nos elegeu nele antes da fundação do cosmos”, referindo-se à ecclesia pneumática, “eleita antes da fundação do cosmos, contada em conjunto e manifestada no princípio”.
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O autor do Evangelho da Verdade explica que os nomes dos “filhinhos, a quem pertence o conhecimento do Pai”, foram manifestados no “Livro vivo do vivente”, mesmo “antes da fundação do Todo”, pois os eleitos foram “predestinados para ser seus filhos . . . segundo o propósito da sua vontade, para louvor da glória da sua graça”.
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A REDENÇÃO PELO SANGUE E O SACRAMENTO DA APOLYTROSIS (Efésios 1:7-11)
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Paulo diz que os eleitos são redimidos “segundo a riqueza da sua graça” através do “sangue”, e os marcosianos celebram a redenção pneumática (apolytrōsis) como um sacramento que ecoa a linguagem e as imagens desta passagem, oferecendo vinho como o “sangue da graça” (charis).
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O celebrante marcosiano ora para que a “graça” (o eon divino Charis) “vos preencha no homem interior, e multiplique em vós o conhecimento dela”, assim como Paulo louva aqui a “riqueza da sua graça, que ele faz abundar para nós”, a qual transmitiu “toda sabedoria (sophia) e entendimento” e deu a conhecer “o mistério da sua vontade”.
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Deus predestinou os eleitos “nele”, no salvador que ele enviou do pleroma, o qual é chamado “o anjo do conselho” (cf. Isaías 9:6; Efésios 1:11), e que recapitula e une “todas as coisas”, tanto o pleroma quanto os elementos da criação cósmica (“as coisas nos céus e as coisas na terra”).
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O CONTRASTE ENTRE OS ELEITOS (“NÓS”) E OS PSÍQUICOS (“VÓS”) (Efésios 1:11-19)
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O leitor iniciado poderia notar como Paulo contrasta os eleitos (“nós”, 1:11-12) com os psíquicos (“vós”, 1:13-14): os eleitos, “tendo sido predestinados segundo o propósito da sua vontade”, já herdaram o que pertence ao Pai, enquanto os demais recebem apenas a promessa que garante sua herança futura.
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Aqueles que foram “predestinados” são os que “primeiro esperaram em Cristo” e foram agraciados para receber sabedoria (sophia), e a eles Deus revelou “o mistério da sua vontade” através de sua redenção (apolytrōsis).
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Através dos eleitos, outros são então conduzidos a ouvir a “palavra da verdade”, pois, como Heracleon explica, “através do espírito e pelo espírito, a alma é conduzida ao salvador”, mas esses outros ainda não receberam sabedoria, revelação ou conhecimento, permanecendo tolos, ignorantes e cegos.
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Paulo assegura aos que receberam apenas a salvação que eles foram selados pelo “espírito santo da promessa” como garantia de sua herança futura, e ora para que o “espírito de sabedoria” dissipe sua loucura e ignorância, e que o conhecimento do “Pai da glória” ilumine os cegos e escurecidos “olhos do vosso coração”.
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A EXALTAÇÃO DE CRISTO ACIMA DE TODO PODER CÓSMICO (Efésios 1:20-23)
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Paulo antecipa que os psíquicos também virão a reconhecer como o Pai ressuscitou Cristo “dentre os mortos”, isto é, dentre os psíquicos e da existência cósmica, para que agora o Cristo psíquico se sente à direita do demiurgo até “o fim da era”.
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Somente então ele será visto não apenas “acima de todo principado, autoridade e poder” da criação cósmica, mas até acima do próprio demiurgo, e quando o crente agora sujeito ao demiurgo reconhecer isso, ele também será “levantado” a alturas “além das ameaças de todo outro poder”.
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Basilides, como Teódoto, interpreta Efésios 1:21 como significando que o psíquico será “levantado acima daquele mesmo que ele agora adora” como deus, tornando-se “mais alto do que todos os outros poderes” e reinando “não apenas sobre os elementos, mas sobre os poderes e governantes malignos”.
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A CONDIÇÃO DOS PSÍQUICOS COMO MORTOS EM TRANSGRESSÕES (Efésios 2:1-8)
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Paulo fala novamente aos psíquicos como “vós” que estais “mortos nas transgressões e nos pecados”, e Heracleon e Teódoto usam essa metáfora para afirmar que os psíquicos estão mortos “em pecados”, “mortificados nesta existência”.
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O apóstolo continua: “andastes segundo o eon deste cosmos” (o demiurgo, também chamado “o deus deste cosmos” em 2 Coríntios 4:4) e segundo “o príncipe da potestade do ar” (o diabo), que o demiurgo criou a partir da paixão da tristeza (lupē) transformada no elemento cósmico do ar.
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Paulo admite que “até nós”, os eleitos pneumáticos, outrora cumprimos “os desejos da carne” e éramos virtualmente “por natureza filhos da ira, como os demais”, embora estivessem “mortos em transgressões” (aparentemente, as transgressões de Sophia, não em “pecados” como os psíquicos).
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Deus “nos vivificou juntamente com Cristo e nos ressuscitou com ele”, de modo que os eleitos celebram a vida da ressurreição (que receberam no batismo) como sua experiência presente, e Paulo os lembra que foram redimidos “pela graça, mediante a fé”, completamente à parte de obras.
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A RECONCILIAÇÃO DOS PSÍQUICOS (“JUDEUS”) COM OS PNEUMÁTICOS (“GENTIOS”) (Efésios 2:12-18)
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Interpretada simbolicamente, esta passagem (que literalmente descreve a reconciliação de judeus e gentios) revela a futura reconciliação dos “judeus” psíquicos com os “gentios” pneumáticos.
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Os eleitos, que “por um tempo” foram alienados da “comunidade de Israel” psíquica, recusaram-se a adorar o “deus deste cosmos” e pareciam “sem Deus no cosmos”, estavam, na verdade, secretamente “perto” do Pai, enquanto os psíquicos estavam “longe” dele.
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Cristo veio para derrubar a partição que separa a região psíquica da região pneumática, abolindo a “lei dos mandamentos e ordenanças” instituída através do demiurgo, e realiza isso “através da cruz”, que (como Heracleon explica) simboliza o poder do espírito para separar o que é hílico e purificar o que é pneumático.
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Cristo então cria “os dois em si mesmo como um só novo homem” (hena kainon anthrōpon), no qual todos são reunidos, os “eleitos e os chamados”, em “um só corpo” — na única ecclesia — e então oferecerá a ambos juntos “acesso em um só espírito ao Pai”.
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A DIVISÃO ATUAL DO TEMPLO E A FUTURA UNIÃO NO SANTO DOS SANTOS (Efésios 2:19-22)
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Heracleon diz que a ecclesia é “a casa de Deus”, mas explica que atualmente o templo está dividido: os psíquicos habitam o “pátio exterior” separados por um “véu” (a “partição que nos separa”, 2:14) do “santo dos santos”, onde os pneumáticos habitam com Cristo.
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O leitor iniciado poderia ver em 2:19-22 que o apóstolo antecipa que a divisão entre os dois será abolida para que os psíquicos se juntem aos eleitos no “santo dos santos”, tornando-se parte da “casa de Deus” na adoração pneumática ao Pai.
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O MISTÉRIO REVELADO A PAULO, NÃO CONHECIDO NAS OUTRAS GERAÇÕES (Efésios 3:1-7)
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Anteriormente, Paulo se caracterizou como escravo que voluntariamente aceitou seu serviço ao demiurgo por causa dos judeus psíquicos; aqui, ao contrário, ele se reconhece como prisioneiro através da graça por causa dos gentios pneumáticos.
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Ptolomeu diz que Paulo revela aqui sua superioridade sobre os apóstolos psíquicos, pois “ele só conheceu a verdade, visto que a ele ‘o mistério foi dado a conhecer por revelação’”.
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Paulo diz que apenas aludiu brevemente a isso por escrito, e o gnóstico saberia que apenas aqueles que “ouviram falar da dispensação da graça de Deus” (3:2) através do ensino oral secreto seriam capazes de reconhecer sua compreensão de “o mistério de Cristo” (3:4).
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Que o mistério de Cristo não foi dado a conhecer “noutras gerações” significa para os valentinianos que não foi conhecido pelos psíquicos, através do demiurgo, como agora é conhecido pelos “filhos de Deus”, os eleitos.
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A DISPENSAÇÃO DO MISTÉRIO OCULTA DOS PRÓPRIOS EONS (Efésios 3:8-11)
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Paulo divulga que a “dispensação do mistério” permaneceu oculta até mesmo dos eons (3:9): permaneceu “em Deus, que criou todas as coisas”, isto é, no pleroma divino (3:11), pois os próprios eons eram ignorantes do Pai até que Cristo e o espírito santo fossem enviados para iluminá-los e oferecer-lhes conhecimento da “sua grandeza”.
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Os valentinianos explicam que subsequentemente o elemento pneumático (to pneumatikon) — Cristo e os eleitos — foi enviado do pleroma “através do propósito dos eons” (3:11a) para o kenoma e o cosmos, a fim de revelar a “multiforme sabedoria de Deus” (o mistério de Sophia) aos “principados e potestades” cósmicos.
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A ORAÇÃO PELO CONHECIMENTO DAS DIMENSÕES DIVINAS (Efésios 3:14-19)
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Tomando 3:18 como sua pista, os valentinianos interpretam o significado secreto da terminologia de Paulo: o iniciado chega a conhecer “o que é ‘a profundeza’, que é o Pai de todos, ‘e o que é a largura’, que é Stauros, o limite do pleroma, ‘e o que é o comprimento’, que é o pleroma dos eons”.
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Recebendo o conhecimento, o iniciado é “cheio de todo o pleroma de Deus”, quando Cristo, que “carrega dentro de si mesmo todo o pleroma”, vem “habitar nele” (3:17-19).
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A MUDANÇA DE TOM PARA ABORDAR A VOCAÇÃO PSÍQUICA (Efésios 4:1-10)
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Paulo muda abruptamente seu tom: como “prisioneiro da graça” celebrou a eleição pneumática; agora, como “prisioneiro do Senhor” (4:1), isto é, do demiurgo, dirige-se à “vocação” psíquica (4:1).
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A discussão de Paulo sugere que os psíquicos não estão excluídos da redenção, pois ele revela agora como eles, presentemente escravizados ao demiurgo, serão libertos de seu cativeiro e “conduzidos para as alturas” (4:8), e Teódoto interpreta isso como significando que Cristo veio para conduzir os psíquicos do “lugar de baixo” (o cosmos) “para as alturas”.
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O CRESCIMENTO DO “HOMEM PERFEITO” E A UNIÃO DOS ELEMENTOS (Efésios 4:12b-16)
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Paulo antecipa que o elemento pneumático (Cristo e os eleitos) unirá “em fé” (cf. 4:13) “elementos que pareciam estar divididos”, isto é, o psíquico e o pneumático, de modo que o que agora é mulher (o psíquico) será transformado para se tornar homem (pneumático), unido ao homem para constituir o “homem perfeito” que é Cristo.
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Os valentinianos explicam que tanto psíquicos quanto pneumáticos precisam “crescer”, mas o processo de crescimento difere em cada caso: a semente pneumática, semeada em estado de infância, cresce contínua e naturalmente até a maturidade, enquanto o psíquico deve ser transformado e mudado de seu status de escravo para o de filiação adotiva.
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DESPOJAR-SE DO VELHO HOMEM E REVESTIR-SE DO NOVO (Efésios 4:22-30)
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Paulo exorta os psíquicos, que estão a meio caminho entre o material e o espiritual, a despojar-se do “velho homem” (que traz o selo da criação do demiurgo, é corruptível e está repleto de desejos enganosos) e a “revestir-se do novo homem” (que foi criado segundo Deus).
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A ADVERTÊNCIA CONTRA A FORNICAÇÃO COMO ENVOLVIMENTO COM A MATERIALIDADE (Efésios 5:1-5)
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Lido esotericamente, Efésios 5 divulga o segredo da iluminação e o “grande mistério” do casamento divino, e os gnósticos, tendo rejeitado o moralismo sexual da lei, interpretam a advertência de Paulo contra a “fornicação” simbolicamente como o envolvimento com a materialidade que impede o pneumático de realizar a iluminação espiritual.
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Paulo também adverte os eleitos contra a “palavra tola” (5:4a) dos psíquicos “tolas” e contra a “avareza, que é idolatria” — isto é, a avareza significa a idolatria dos psíquicos, que adoram idolatricamente a “imagem” (o demiurgo) em vez do Pai.
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O leitor valentiniano poderia notar que Paulo nomeia seis condições (5:3-4) que tornam as pessoas envolvidas nelas indignas da herança espiritual, e Heracleon aponta que seis é o número simbólico que designa “todo o mal material”, de modo que o apóstolo está dizendo que ninguém envolvido com a materialidade pode “herdar o reino de Deus e de Cristo”.
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O DESPERTAR DO DORMIENTE E A LUZ DE CRISTO PARA OS PSÍQUICOS (Efésios 5:6-21)
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Paulo fala agora aparentemente aos psíquicos, que são suscetíveis ao engano e ao erro, e aqueles que se deixam enganar tornam-se “filhos da desobediência” (isto é, do diabo) e incorrem em “ira”.
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O apóstolo promete que, escatologicamente, até aqueles que estavam alheios ao Pai serão (segundo 5:14) “despertados do sono” e “levantados dentre os mortos”, pois seu sono significa “o esquecimento da alma”, e quando o salvador vier, ele brilha como luz para despertar “a alma” e ressuscitar os “mortos”.
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O GRANDE MISTÉRIO DO CASAMENTO DIVINO E A SIZÍGIA (Efésios 5:22-32)
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Ptolomeu nota que o próprio Paulo diz estar falando alegoricamente, usando terminologia sexual para aludir ao “mistério de Cristo e da igreja”, ao “mistério das sizígias”, e o iniciado poderia ver que Paulo, tendo exortado os psíquicos a se sujeitarem uns aos outros (5:21), agora está reformulando seu conselho em metáfora.
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Como um valentiniano explica, “os machos . . . são os eleitos, mas as fêmeas os chamados”: de acordo com Efésios 5:22, os psíquicos, caracterizados como “mulheres”, devem sujeitar-se aos pneumáticos, como a “homens”, enquanto Cristo é a cabeça da ecclesia (a ecclesia pneumática), mas “o salvador (é cabeça) do corpo” (isto é, dos psíquicos que são salvos).
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Os eleitos expressam seu amor purificando suas “esposas” psíquicas por meio de outro batismo — um batismo especial por procuração que realizam por causa dos psíquicos — recebendo o batismo “em favor dos mortos” (1 Coríntios 15:29) e concluindo a fórmula batismal com as palavras “para a redenção angélica”.
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O leitor iniciado vê aqui a alusão de Paulo à reunião plerômica, o “casamento das sizígias”, no qual a totalidade dos psíquicos que são salvos, tendo sido purificados no batismo “para a redenção pneumática”, são agora unidos aos eleitos, e “as fêmeas, tornando-se machos e unidas aos anjos . . . a mulher é dita ser mudada em homem, e a igreja na terra em anjos”.
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AS EXORTAÇÕES DOMÉSTICAS COMO DEFINIÇÃO DE RELAÇÕES ESPIRITUAIS (Efésios 6:1-8)
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O leitor iniciado poderia reconhecer aqui novamente a preocupação mais profunda de Paulo ao definir relações espirituais, contrastando o que é “justo” (obediência “no Senhor”, 6:1) com a “promessa” dada aos eleitos (6:2).
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A obediência é exigida apenas dos psíquicos (6:1), mas os eleitos devem “honrar” seu “pai e mãe” — o bom Pai de todos e a Mãe divina, Sophia — pois, como o autor de Filipe explica, “quando éramos hebreus, éramos órfãos, mas quando nos tornamos cristãos, obtivemos um pai e uma mãe”.
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Os “escravos” psíquicos devem obedecer àqueles que os governam “segundo a carne”, os poderes cósmicos, porque (como Heracleon explica a partir de Romanos 13:1-7) o Pai instituiu estas autoridades temporais para seu próprio bem, e o melhor que podem fazer é “servir” e “fazer a vontade de Deus com a alma”, na medida da capacidade psíquica.
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A LUTA CONTRA OS PODERES CÓSMICOS E A ARMADURA DE DEUS (Efésios 6:10-22)
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Paulo adverte os psíquicos que eles enfrentam uma luta contra os “governantes do mundo e potestades das trevas”, contra os agentes do diabo (chamado cosmocrator) e contra toda a hóstia de poderes espirituais demoníacos, como Teódoto diz ao interpretar 6:12.
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Teódoto descreve os meios dessa guerra: os poderes malignos atacam a alma humana “através do corpo” para ganhar poder sobre ela e escravizá-la, e como a própria alma é fraca demais para resistir, o salvador veio ao cosmos, atacou e conquistou os poderes e resgatou a alma dessa tirania.
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Ele promete enviar seu “amado irmão e fiel servo no Senhor” (6:21; isto é, um “irmão” pneumático que, como Paulo, também assume o papel psíquico de “servo no Senhor”) para “vos dar a conhecer todas as coisas”, e o leitor iniciado entenderia que ele envia Tíquico para oferecer o ensino oral secreto (que ele não poderia comunicar por escrito) àqueles que agora estão prontos para recebê-lo.
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