CRISTOLOGIA GNOSTICA
Os elementos de cristologia são quantitativamente poucos, muitas vezes fragmentários, e se perdem em uma prosa sibilina, da qual com esforço se tira alguma luz. Se todas as famílias gnósticas tivessem adotado o mesmo esquema, iguais premissas e desenvolvimento, teriam atraído seu estudo, até hoje em dia quase inexistente. Mas, segundo Orbe, passa-se o contrário: em uma mesma família gnóstica há tantas variantes, tão heterogênicas implicações, exegeses autônomas, que se requer uma infinita paciência para uma análise construtiva.
Do mesmo modo esta argumentação vale para o estudo da Sofiologia, de análogo interesse para o conhecimento das Seitas. A polivalência de sophia é tão sugestiva como desesperante.
Segundo Orbe, os autores cristãos do século II não separavam cristologia de soteriologia, e por esta razão sua obra abarca os dois, de modo extremamente analítico, considerando assim nesta combinação:
a) Na pessoa do Filho de Deus tudo se orienta para a saúde (salvação do homem); sua própria concepção e geração pelo Pai visa a salvação humana.
b) Interessa analisar as perfeições pessoais divinas do Filho, antes mesmo que as humanas, para entender sua missão salvífica no mundo.
c) A igualdade Cristo = Soter rebate os parâmetros habituais nos autores clássicos que discorrem sobre a igualdade Cristo (= Verbo humanado) = Soter.
d) Com maior energia que entre os eclesiásticos, o salvífico chega entre os sectários até as fronteiras da Trindade e da Sofiologia.
- Ao leitor
- A modo de introdução
Capítulo 1.— O Cristo pré-existente
- 1. Formulações
- b) «Pistis Sophia» e os Livros de Jehú
- c) Basilides
- d) Simonianos
- e) «Apocryphon Iohannis»
- 2. À maneira de síntese
Capítulo 2.— Cristo em profecia
- 1. Atitudes fundamentais
- a) Eclesiásticos
- b) Marcion e Apeles
- c) Gnósticos
- 2. Exegese de Jo 10,8
- 3. Inspiração dos profetas
- 4. Aplicações particulares
- 5. Considerações finais
Capítulo 3.— Só o filho pode salvar o homem
- 1. Em torno a Is 63,9 (LXX)
- 2. O Espírito Santo e a obra salvífica
- 3. Premissas gnósticas
- 4. Tese valentiniana
- 5. Visão global
Capítulo 4.— O Grande lutador
- 1. Cenário agonístico
- a) Eclesiásticos
- b) Gnósticos
- 2. O «grande combate» na filosofia pagã
- 3. Isaías 7,13
- 4. Senhorio e não ministério de morte
- 5. Conclusão
Capítulo 5.— O Reformador
- 1. Vocabulário
- 2. Expoentes da reforma
- a) Marcion e Apeles
- b) Fatos apócrifos
- c) Plotino
- d) Gnósticos
- 3. Considerações finais
Capítulo 6.— O triunfo sobre o destino
- 1. O destino: análise de ET 69-73
- 2. Vitória do Bom Pastor
- 3. Regime de Providência
- 4. A hora de Jesus
- 5. Notícias complementares
- 6. Conclusão
Capítulo 7.—Viagem ao mundo
- 1. Pude baixar o Pai?
- 2. Descida por assunção de formas
- 3. Hermes ou Logos
- 4. Sentido da clandestinidade
- 5. O incógnito por semelhança
- 6. Reflexões finais
Capítulo 8.— Componentes de Cristo e saúde do mundo: O gemido da criação (Rom 8,19ss)
- 1. Três vindas?
- 2. Três Cristos
- 3. Três filiações
- 4. O mundo
- 5. A salvação
- 6. O gemido da criação
- 7. Conclusão
Capítulo 9.— Alguns fins da vinda de Cristo
- 1. Discernimento
- 2. Magistério
- 3. Congregar o disperso
- 4. Atração
- 5. Contra o pecado de Adão?
- 6. Debelar a morte
- 7. Filiação divina do homem
- 8. Conclusão
Capítulo 10. Em torno à encarnação
- 1. Exegese de Jo 1,14a
- 2. Exegese de Lc 1,35
- a) Escola itálica
- b) Escola oriental
- 3. Auto-encarnação
- 4. A modo de síntese
Capítulo 11.— Ebionitas
- Seita A: Jesus nascido de José
- Seita B: Jesus nascido de Maria Virgem. À margem do ebionismo
- 1. O Verus propheta
- 2. Gnósticos ebionizantes
- a) Cerinto
- b) Carpocrates
- c) Evangelho segundo Felipe § 91
- d) Justino gnóstico
- 3. Conclusão
Capítulo 12.— O docetismo gnóstico
- 1. O aparente e o real
- 2. Falso docetismo
- 3. A verdadeira carne
- 4. Cassiano e o docetismo
- 5. Falsa ilação
- 6. Conclusão
Capítulo 13.— Nascido de Maria
- Hermógenes: «ex Virgine et Spiritu»
- Justino gnóstico
- Docetas de Hipólito
- Basilidianos
- «Per Mariam»
- O Evangelho segundo Felipe
- Compêndio da doutrina valentiniana. Considerações finais
Capítulo 14.— Infância e juventude do Salvador
- 1. Nascimento
- 2. Circuncisão
- 3. Apresentação de Jesus
- 4. Desterro e volta do Egito
- 5. Jesus em Nazaré
- a) Aos sete anos
- b) Na escola
- c) No templo
- d) Pastor de doze anos, e com José na vinha
- 6. O incremento de Jesus
- 7. Conclusão
Capítulo 15.— Harmonia entre os mistérios
- 1. Judeus e ebionitas
- 2. Marcion
- 3. Gnósticos
Capítulo 16.— Batismo de Jesus
- 1. Batismo de João
- 2. Lugar e tempo do batismo de Jesus
- 3. Reconstituição da cena
- a) Batismo ou batismos?
- b) O fogo e o Jordão
- c) O resplendor do Jordão
- d) O aroma
- e) A pomba
- 4. Conclusão
Capítulo 17.—Eficácia do batismo de espírito
- 1. Exegese de Basilides sobre a pomba
- 2. Doutrina valentiniana
- a) Os personagens do Jordão
- b) Sua missão e eficácia
- 3. Paradigma celeste do Jordão
- 4. Docetas de Hipólito
- 5. A modo de síntese: Comparação da teologia de Basilides
- 6. Valentino e os eclesiásticos
- a) Basilides
- b) Valentino
- c) Eclesiásticos
Capítulo 18.—As tentações de Jesus
- 1. Cenário e motivo da tentação
- 2. Os anjos e as tentações
- 3. Conclusão
Capítulo 19.—Os milagres de Jesus
- 1. Preliminares
- 2. Curas e profecias
- a) Prodígios físicos: o milagre de Canaã
- b) As curas
- O cego de nascimento
- A hemorrágica
- 3. Ressurreições evangélicas
- 4. Cura do filho do régulo
- 5. Os apêndices de Basilides
- 6. A modo de conclusão
Capítulo 20.—A purificação do templo
- Preliminares
- 1. Parte primeira: «E Jesus subiu a Jerusalém» (Jo 2,13)
- O santuário
- 2. Segunda parte: «E achou no templo os vendedores» (Jo 2,14)
- a) Os habitantes do santuário
- b) O vestíbulo e seus moradores
- c) Os negociantes do santuário
- Lei de justiça e lei de graça
- 3. Terceira parte: «E havendo feito um açoite de cordas» (Jo 2,15)
- a) O açoite
- b) Paradigma e eficácia do açoite
- c) O açoite e o cabo
- d) O zelo que consome
- 4. Consideração final
Capítulo 21.—A transfiguração
- 1. Preliminares
- 2. Exegese valentiniana: Testemunhos do mistério
- 3. Aos seis dias
- 4. A voz do céu
- 5. O resplendor
- a) Elemento externo
- b) Elemento interno
- 6. Medida do conhecimento
- 7. Tabor e Jordão
- 8. «Excerpta ex Theodoto»
- 9. Conclusão
Capítulo 22.—O Cordeiro de Deus
- Comentário de Heracleon
- 1. Eis aí o Cordeiro de Deus
- 2. O que tira o pecado do mundo
- 3. O Cordeiro e a cruz
- 4. Sacrifício e sacramento
- 5. A modo de conclusão
Capítulo 23.—Getsemani
- 1. O suor de sangue
- a) O suor
- b) Como grumos de sangue
- c) Que baixa à terra
- 2. A tristeza
- a) Exegese de Mt 26,38 (Mc 14,34)
- b) Tertuliano: «De carne Christi»
- c) Irineu III, 22,2
- d) Exegese valentiniana
- e) Exegese de Orígenes
- f) «Acta Pilati»
- 3. «Spiritus quidem promptus est, caro autem infirma» (Mt 26,41; Mc 14,38)
- a) Tertuliano
- b) Orígenes
- c) Exegese valentiniana
- 4. As negações de Pedro
- 5. Conclusão
Capítulo 24.—O abandono de Jesus
- 1. Solução mítica: Basilides e o 2. Logos de Set
- a) Postura ereta
- b) O sorriso
- 2. «Acta Johannis» e «Apocalypsis Petri»
- 3. Sístole do Espírito
- 4. Aplicações cristológicas
- 5. Ausência do Espírito
- 6. Exegese de Mt 27,46
- 7. Conclusão
Capítulo 25.—A paixão
- a) Solução platonizante
- b) Linha marcionita
- 1. Basilides
- 3. Teódoto: Paixão e compaixão
- 4. Conclusão
Capítulo 26.—A cruz
- 1. Figuras da cruz no AT
- 2. Alguns testemunhos do NT sobre a cruz
- 3. Horos e Staurós
- 4. A cruz de costas
- 5. As sete palavras
- 6. Eficácia da cruz
- a) Eficácia purgativa
- b) Eficácia confirmante
- 7. Conclusão
Capítulo 27.—Efusão de sangue
- 1. Sangue da Virgem celeste
- 2. Simbolismo do sangue
- 3. Preço do resgate
- 4. A modo de conclusão
Capítulo 28.—O Sumo Sacerdote
- A pessoa do Sumo Sacerdote
- Até o sacerdócio de Cristo homem
- Vestimenta sacerdotal
- Ministério sacerdotal de Jesus
- Se rasga o véu do santuário
- Sacerdote dos anjos
- Sacerdócio do Cristo animal
- A mediação do demiurgo
- Mediação do Espírito Santo em Basilides.
- Conclusão
Capítulo 29. — A morte
- 1. Eficácia contra o Thanatos
- 2. Executores da morte
- a) O diabo
- b) O demiurgo ou seus arcontes
- 3. Morte e engano
- a) A morte devoradora
- b) A fraude
- 4. Conclusão
Capítulo 30. — Redenção
- 1. As almas são redimíveis
- 2. Os espíritos, redimidos «pleno jure»
- 3. A redenção e a cruz
- 5. Aplicações várias
- a) O Redentor do Pleroma
- c) Redenção de Jesus homem
- 6. A modo de síntese e complemento
Capítulo 31. — Entre a morte e a ressurreição
- 1. «Ao terceiro dia»
- 2. Os componentes de Jesus e seu paradeiro
- 3. Situação dos infernos
- 4. Jesus libera aos cativos
- 5. Conclusão
Capítulo 32. — Ressurreição e vida gloriosa
- 1. Ressuscita por obra do Pai
- 2. O Espírito ressuscita a Jesus
- 3. Jesus ressuscita por sua própria virtude
- 4. O corpo redivivo
- a) Exegese de 2 Cor 5,3
- b) «Corpus reale, non mundiales»
- 5. Vida gloriosa
- 6. Duração da vida gloriosa
- 7. Conclusão
Capítulo 33.—A ascensão
- 1. Preliminares
- 2. Jesus se dissocia
- 3. «Sede a dextris meis» (Ps 109,1)
- a) Direita e esquerda
- b) «A dextris»
- 4. Ps 109,1 e a ascensão
- a) A ferida do costado
- b) Exegese de ET 37-38
- 5. Conclusão
Capítulo 34. — Ascensão e reincorporações
- 1. Carpocrates
- 2. Basilides
- 3. Docetas de Hipólito
- 5. Conclusão
Capítulo 35.—A porta do céu
- 1. A terceira porta
- 2. As duas portas descendente e ascendente
- 3. A porta de Jesus
- 4. Conclusão
Conclusão geral
