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NAASSENOS

J. Montserrat Torrents: “Los Gnósticos”

Trata-se aqui do grupo designado por Hipólito como «naassenos» na Ref. V 6, 3, e mencionado na Ref. V 9, 11-22, distinto, a meu ver, dos gnostikoi a que se refere a notícia hipolitiana entre os dois trechos citados.

Os naassenos (o nome deriva do hebraico nahas, serpente) são os campeões do ofitismo: veneram a serpente em templos e a colocam como princípio cosmogônico absoluto. Seu atributo é o bem e sua obra, a beleza. Para descrever a ação da serpente-bem no ser humano, os naassenos recorrem a uma engenhosa alegoria dos quatro rios do Paraíso. Eles prosseguem relacionando a «água sobre o firmamento» de Gênesis 1, 2 com a «água viva» do Evangelho de João 4, 10-14 e outras passagens do mesmo Evangelho, para terminar proclamando-se, a título de espirituais, os únicos cristãos.

Trata-se, portanto, de uma seita rigorosamente cristã que ainda articula sua especulação em torno do Antigo Testamento. De fato, é o primeiro dos quatro grupos descritos por Hipólito em seu livro V, e que têm em comum a exegese dos primeiros capítulos do Gênesis.

Francisco García Bazán: Gnosis

Os naassenos receberam esse nome a partir da palavra hebraica “Naas” (nahas), que significa serpente, da mesma forma que o nome “Ofitas” deriva de ofis, que também significa serpente em grego. Eles também eram chamados de “gnósticos” devido ao conhecimento profundo, próprio e exclusivo, que afirmavam possuir sobre os mistérios do ser (Elenchos V, 6,3-4). Com o que foi dito, a referência à posse da gnose está claramente expressa e algumas outras observações que iremos enumerar vêm sublinhar essa noção fundamental. Por exemplo, o esoterismo se revela explicitamente quando se sustenta que as doutrinas por eles conservadas lhes haviam sido transmitidas por Tiago, o irmão do Senhor, a Maria, a Madalena, ao que parece. Mas entre os naassenos o conceito de gnose se desenvolve em torno da doutrina sobre o Homem primordial ou Adamas e sua contraparte na terra, ou seja, o Filho do Homem, o gnóstico puro ou homem espiritual, que descobriu ou reconheceu o anterior em sua profundidade e que, por isso, possui a cosmovisão correta e está encaminhado para a maior perfeição.

Essa experiência, por outro lado, possui um caráter intrínseco de universalidade transcendente, e é essa característica que, superando os limites das religiões particulares, permite interpretá-las todas conjuntamente a partir de um mesmo nível espiritual que as vê sob outra perspectiva, sem confundi-las; por isso também, a exegese naassena reúne sem escrúpulos as tradições do Oriente e do Ocidente, judaicas, assírias, cristãs, gregas, etc., e não teme desvirtuá-las.

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