Valentino em Clemente
FOERSTER, W. Gnosis. A Selection of Gnostic Texts. R.M.L. WILSON. London: Clarendon Press, 1972.
EXCERTOS DE CLEMENTE DE ALEXANDRIA (EXCERPTA EX THEODOTO)
O ENVIO DO SALVADOR E O ENCONTRO COM SOFIA
O Salvador (anjo do conselho) é enviado com o consentimento do Pleroma; Sofia o reconhece pela semelhança com a luz perdida e corre para ele, mas se envergonha e cobre o rosto.
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O Pai deu toda autoridade ao Salvador (anjo do conselho, Isaías 9:6), que se tornou cabeça de todas as coisas depois do Pai.
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“Nele foram criadas todas as coisas, visíveis e invisíveis, tronos, dominações, reinos, divindades, jurisdições” (Colossenses 1:16).
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“Por isso Deus o exaltou e lhe deu o nome acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho” (Filipenses 2:9-11).
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Quando Sofia o viu, reconheceu-o como semelhante à luz que a havia deixado, correu para ele, alegrou-se e o adorou.
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Ao ver os anjos enviados com ele, encheu-se de vergonha e pôs um véu sobre o rosto; por isso Paulo ordena que as mulheres tenham “autoridade sobre a cabeça por causa dos anjos” (1 Coríntios 11:10).
A CRIAÇÃO DAS SUBSTÂNCIAS PELO SALVADOR
O Salvador dá a Sofia a formação segundo o conhecimento, remove suas paixões e as transforma em substâncias, criando tudo o que está fora do Pleroma.
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O Salvador lhe dá a formação segundo o conhecimento e a cura das paixões, mostrando-lhe as coisas no Pleroma desde o Pai não gerado até ela mesma.
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Remove as paixões dela, tornando-a impassível, mas as separa e as conserva, transformando-as em substâncias.
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Pelo aparecimento do Salvador, Sofia torna-se sem paixão, e o que está fora (do Pleroma) é criado, pois “todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada foi feito” (João 1:3).
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Ele primeiro molda as paixões (de incorpóreas e contingentes) em matéria ainda incorpórea, depois as transforma em compostos e corpos, criando nos corpos uma capacidade de acordo com a natureza.
O DEMIURGO COMO IMAGEM DO PAI
O primeiro Demiurgo universal é o Salvador; Sofia, como segunda, produz um deus imagem do Pai, que por sua vez gera o Cristo psíquico, arcanjos e anjos.
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O primeiro Demiurgo universal é o Salvador; Sofia, como segunda, “edificou sua casa e a sustentou com sete colunas” (Provérbios 9:1).
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Primeiro, ela produz, como imagem do Pai, o deus por meio do qual fez “o céu e a terra” (Gênesis 1:1), o celestial e o terreno, a Direita e a Esquerda.
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Ele separa o puro do pesado, percebendo a natureza de ambos, e faz a luz aparecer e ser formada.
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Da matéria, ele faz: da tristeza, as “potestades espirituais da maldade” (Efésios 6:12); do medo, as feras; do terror e perplexidade, os elementos do universo.
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O fogo flutua e está implantado e escondido nesses três elementos, sendo aceso por eles e perecendo com eles.
A SUBJEÇÃO DO DEMIURGO E A FORMAÇÃO DO HOMEM
O Demiurgo não conhece Sofia agindo através dele e acredita criar por seu próprio poder, enquanto o homem é formado em três níveis: material, psíquico e espiritual.
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O Demiurgo não conhecia aquela que agia através dele e acreditava estar criando por seu próprio poder.
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Portanto, o apóstolo disse que “ele foi sujeito à vaidade do mundo, não por sua vontade, mas por causa daquele que o sujeitou” (Romanos 8:20-21), até que as sementes de Deus sejam reunidas.
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“Tomou o pó da terra” (Gênesis 2:7) – não de coisa seca, mas da matéria diversa e heterogênea – e formou a alma irracional, terrena, material, da mesma substância que a das feras. Este é o homem “conforme a imagem”.
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O homem “conforme a semelhança” (Gênesis 1:27), isto é, do próprio Demiurgo, é o homem que ele soprou e inseminou nele, pondo nele através de anjos algo consubstancial consigo mesmo.
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Sendo ele invisível e incorpóreo, chamou sua substância de “sopro de vida” (Gênesis 2:7), que após ser formada tornou-se “alma vivente”.
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Um homem está em outro homem (o psíquico no escolário), não como parte em parte, mas o todo no todo, pelo poder inefável de Deus.
AS TRÊS NATUREZAS DERIVADAS DE ADÃO
De Adão derivam três naturezas: a irracional (Caim), a racional e justa (Abel) e a espiritual (Sete), sendo o espiritual salvo por natureza.
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De Adão derivam três naturezas: primeiro, a irracional (Caim); segundo, a racional e justa (Abel); terceiro, a espiritual (Sete).
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O escolário é “conforme a imagem”; o psíquico “conforme a semelhança” de Deus (Gênesis 1:27); o espiritual é conforme sua própria natureza.
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Porque Sete é espiritual, ele não guarda o rebanho nem cultiva o solo, mas gera filhos, como os seres espirituais fazem.
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O espiritual é salvo por natureza; o psíquico, possuindo livre-arbítrio, tem inclinação tanto para a fé quanto para a incredulidade; o material perece por natureza.
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Quando o psíquico é “enxertado na boa oliveira” (Romanos 11:16-26) e participa da gordura da oliveira, e “os gentios entram”, então “todo o Israel será salvo”.
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Israel é interpretado alegoricamente como o homem espiritual que verá Deus, o filho genuíno de Abraão pela “mulher livre” (Gálatas 4:22-25).
A OBRA SALVÍFICA DE JESUS CRISTO
Jesus Cristo, o grande combatente, tomou sobre si a Igreja (o escolhido e o chamado) – o espiritual de quem o gerou e o psíquico da Dispensação – e elevou o que assumiu.
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Após o reino da morte, Jesus Cristo realizou uma obra salvadora: enquanto todas as autoridades e divindades recusavam, ele tomou sobre si a Igreja (o escolhido e o chamado).
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Primeiro, ele vestiu a semente de quem a gerou (Achamoth), não sendo contido por ela, mas contendo-a forçosamente, sendo ela formada gradualmente através do conhecimento.
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Ao chegar ao “lugar”, Jesus encontrou pronto para vestir o Cristo que havia sido predito pelos profetas e pela lei, que era a imagem do Salvador.
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Este Cristo psíquico que ele vestiu era invisível; portanto, era necessário que ele também vestisse um corpo perceptível aos sentidos para ser visto, tocado e ativo no mundo.
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Um corpo foi tecido para ele de substância psíquica invisível e, pelo poder de uma preparação divina, veio ao mundo sensível.
A DIFERENCIAÇÃO ENTRE JESUS E O QUE ELE ASSUMIU
Jesus é diferente daquilo que assumiu, como fica claro em suas confissões (“Eu sou a vida”, “Eu e o Pai somos um”), e a substância espiritual que ele assumiu precisa de sabedoria.
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O espiritual que ele assumiu e o psíquico são indicados por “O menino crescia e aumentava em sabedoria” (Lucas 2:52): o espiritual precisa de sabedoria, o psíquico de tamanho.
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Pelo que fluiu de seu lado (João 19:34), ele mostra que as substâncias, tornando-se impassíveis, serão salvas pelo escoamento das paixões daquele que experimentou a paixão.
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“O Filho do Homem deve ser rejeitado, insultado, crucificado” – ele parece estar falando de outra pessoa (aquele que experimenta a paixão).
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Ele morreu quando o Espírito que descera sobre ele no Jordão se retirou, para que a morte pudesse operar, pois como morreria o corpo se a vida estivesse presente nele?
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Quando o corpo morreu e a morte se apoderou dele, o Salvador enviou o raio de poder que descera sobre ele, destruiu a morte e ressuscitou o corpo mortal.
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O elemento psíquico é assim ressuscitado e salvo; os espirituais que creram obtêm uma salvação superior, recebendo as almas como vestes nupciais.
O DESTINO FINAL DOS PNEUMÁTICOS
Os pneumáticos repousam no Dia do Senhor (a Ogdóade) com a mãe, tendo as almas como vestes nupciais, até que, no fim, entrem na câmara nupcial dentro de Horos e atinjam à visão do Pai.
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Os pneumáticos repousam “no dia do Senhor” (Apocalipse 1:10), na Ogdóade (chamada dia do Senhor), com a mãe, tendo as almas como vestes nupciais, até o fim.
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No fim, há a festa de casamento comum a todos os salvos, até que todos se tornem iguais e se reconheçam mutuamente.
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Os pneumáticos então depõem as almas e, ao mesmo tempo que a mãe recebe seu noivo, cada um deles recebe seu noivo (os anjos) e entram na câmara nupcial dentro de Horos.
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Eles atingem a visão do Pai, tornam-se éons intelectuais e entram no casamento inteligível e eterno da união (sízygy).
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O “mestre-sala” (João 2:8-9) é o padrinho do casamento, o “amigo do noivo”, que fica fora da câmara nupcial e se alegra ao ouvir a voz do noivo; esta é a plenitude da alegria e do repouso.
