CERINTO
Escolas Gnósticas — Cerinto
Extrato de Montserrat Torrents, Los Gnósticos
Segundo Epifânio, ele era originário da comunidade judaica de Alexandria. Durante o período da pregação dos apóstolos cristãos, mudou-se para a Palestina e, posteriormente, para a Ásia Menor. Aderiu à seita cristã sem abandonar a observância judaica, opondo-se ao antinomismo do cristianismo paulino. Uma tradição que remonta a Policarpo narra um encontro casual entre Cerinto e João nas termas de Éfeso. Irineu opina que João compôs seu evangelho precisamente para demonstrar a divindade de Cristo contra Cerinto. Não se conhecem escritos cerintianos. Irineu fala de uma seita dos cerintianos, muito afim aos ebionitas, e Genádio, no século V, ainda os menciona.
A importância de Cerinto reside no fato de que ele foi, muito provavelmente, o primeiro teólogo judeu a ensinar a distinção entre o Deus supremo e o Deus criador. Não há registros de que ele tenha identificado este último com Yahweh.
O «LIVRO DE BARUC». — Este escrito é resenhado por Hipólito no livro V da Refutatio e atribuído a um tal Justino, personagem absolutamente desconhecido por outras fontes. A doutrina deve ser atribuída à gnosis judaica e não ao gnosticismo: falta totalmente a tese da centelha divina presente nos homens e a figura do Salvador fica reduzida à de um mero profeta. O criador, Eloím, é descrito com traços relativamente benignos. A maior parte do tratado consiste em uma exegese alegórica dos primeiros capítulos do Gênesis.
