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História da Gnose
Giovanni Filoramo. L’ATTESA DELLA FINE. STORIA DELLA GNOSI
A História do Gnosticismo — resumo
Esquema resumo elaborado a partir da tradução em iglês feita por Anthony Alcock.
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Introdução
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Gnosis e cultura moderna
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A redescoberta do Gnosticismo
Fragmentos de uma Fé Perdida-
Descoberta
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Os gnósticos e sua máscara: o problema das fontes heresiológicas
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Em busca de um tema: Gnosticismo e suas interpretações
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Uma voz do deserto: a Biblioteca de Nag Hammadi
Entre demônios e deuses: uma Era de Revelação-
Um Janus bifronte: século dos Antoninos
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Novos horizontes religiosos
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Caminhos de salvação
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Êxtase e revelação
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Em busca de uma nova identidade
A Imaginação Gnóstica-
A natureza do conhecimento gnóstico
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Mito, pensamento e sociedade
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A natureza do mito gnóstico
No Mundo do Pleroma-
O dualismo gnóstico
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Prólogo no Céu
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O mistério do Andrógino arquétipo
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Hierarquias divinas: a estrutura da família pleromática
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O pecado de sophia
A Arrogância do Demiurgo e a Criação do MundoE Deus disse, “Façamos o homem a nossa imagem e semelhança”Mysterium Coniunctionis: O Salvador GnósticoEsperando pelo FimSimão Magus e as origens do GnosticismoVisionários, Profetas e Divinos: Em direção a uma história do GnosticismoAscetas e Libertinos
Gnose e cultura moderna
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Numerosos indícios disseminados no debate cultural contemporâneo sugerem uma redescoberta da gnose, embora essa tendência exija confronto com o objeto histórico real, desfigurado por séculos de ocultamento e repressão.
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A multiplicidade de usos especializados, polifonias interpretativas e manipulações ideológicas impõe a verificação das hipóteses contra a realidade histórica do fenômeno.
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A descoberta em 1945 de uma biblioteca com escritos gnósticos originais em língua copta renovou o interesse por um mundo religioso que permanecera restrito à investigação científica especializada.
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Antes dessa descoberta, os especialistas se viam constrangidos entre tendências esotéricas internas ao cristianismo e acusações provenientes da tradição heresiológica cristiana — o chamado malleus gnosticorum — que não distinguia o estudioso da gnose de seu objeto.
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As próprias circunstâncias do achado, envoltas na aura exótica de um cenário médio-oriental, atraíram a atenção de um público mais amplo.
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A recepção dos novos documentos gnósticos foi amplificada porque certas zonas do panorama cultural já possuíam sensibilidade prévia para acolher esses traços de um fenômeno que elas mesmas haviam contribuído a manter vivo.
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A reflexão de Carl Gustav Jung se nutriu longamente do pensamento dos antigos gnósticos, chegando a considerá-los descobridores ante litteram da psicologia do profundo.
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Jung promoveu os célebres encontros de Ascona, conferências anuais com participação dos maiores especialistas do pensamento gnóstico.
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Gilles Quispel, estudioso holandês ligado à psicologia junguiana, contribuiu para construir uma ponte entre gnose antiga e nova — a gnose como busca do Si ontológico anteciparia o moderno processo de individuação e esclareceria a natureza da terapêutica espiritual junguiana.
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Hans Jonas, aluno de Martin Heidegger, estabeleceu no início dos anos 1930 um nexo hermenêutico entre o existencialismo moderno e a visão dualista, anticósmica e niilista da antiga gnose.
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A obra Ser e Tempo de Heidegger foi usada como pressuposto interpretativo para penetrar no mundo gnóstico, sugerindo um cordão umbilical subterrâneo entre gnósticos antigos e existencialismo moderno.
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O pessimismo heideggeriano, ao atrair o niilismo gnóstico para a órbita dos interrogativos do existencialismo, simultaneamente se nobilitava ao reconhecer na antiga religião um antepassado digno.
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Os canais de penetração da Weltanschauung — visão de mundo — gnóstica na cultura moderna preexistiam às descobertas do pós-guerra e podem ser reconduzidos, em grande parte, ao idealismo clássico alemão.
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Pensadores como Georg Wilhelm Friedrich Hegel e Friedrich Wilhelm Joseph Schelling incorporaram em seus sistemas os princípios do gnosticismo de modo tão profundo que os tornaram irreconhecíveis.
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O que fora por mais de mil anos uma visão radicalmente pessimista — do dualismo maniqueísta aos mitos bogomilos e cátaros — reaparece no idealismo especulativo sob as vestes de um otimismo racionalista progressivo e de um panteísmo monístico.
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A alma do gnosticismo vibra nesses sistemas como desejo lancinante das próprias origens autênticas e como possibilidade de conhecimento total do divino no homem — a aspiração ao encontro com o Si no sistema hegeliano representa a gnose domesticada, despojada de seu aparato mitológico e de sua violência de protesta contra os senhores deste mundo.
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As metamorfoses da antiga gnose na moderna cultura europeia ainda aguardam seu investigador, pois exigem percorrer setores historicamente distantes e penetrar em campos ideologicamente minados.
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A tradição de pensamento gnóstica, conjugada a reflexões cabalísticas e a novos fermentos herméticos, remodelou seu núcleo constitutivo — o autoconhecimento como consciência do encontro com o Si — a partir do Humanismo e do Renascimento.
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Esse pensamento anima os cabalistas cristãos, está no centro dos movimentos rosacruzes, aflora nas especulações ocultistas e percorre as reflexões dos grandes místicos, espiritualistas e alquimistas alemães do século XVI.
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Jacob Böhme promoveu uma verdadeira reflorescência mitológica gnóstica, sendo denominado pelos contemporâneos de Philosophus Teutonicus — Filósofo Teutônico — e colocado na origem da moderna fortuna das tradições esotéricas gnósticas.
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Böhme é reconhecido como fonte por Gottfried Arnold — maior esoterista alemão do século XVIII — e por Franz von Baader, chamado por August Wilhelm Schlegel de Boehmius redivivus — Böhme revivido — e considerado uma das mentes mais agudas do primeiro romantismo alemão.
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Friedrich Wilhelm Joseph Schelling reconheceu em cartas sua dívida para com essa natureza teogônica.
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Nos escritos de juventude de Karl Marx há uma menção positiva a Böhme.
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Ernst Topitsch identificou a influência de uma tradição de pensamento gnóstica na formação do fundador do marxismo.
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Politólogos reconheceram no leninismo e em sua concepção do partido único como grupo de eleitos — o partido como substituto político do Si — uma nova metamorfose da antiga gnose.
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Eric Vögelin, estudioso da ciência política, afirmou em vários trabalhos que os pensadores gnósticos, antigos e modernos, são os grandes psicólogos da alienação, os portadores da revolta prometéica, propondo o gnosticismo como categoria fundamental para descobrir as raízes do niilismo moderno.
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Mesmo sem chegar a afirmar com Jean Guitton que o espírito gnóstico continua a inspirar nos dias atuais a filosofia e a política, os muitos afluentes em que a antiga gnose se dividiu revelam sua presença difusa na história da arte e da literatura europeias.
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Das visões maniqueístas de Hieronymus Bosch às de William Blake, alimentadas por uma mitologia em que, segundo observação registrada no texto, alita o vento tempestuoso da antiga gnose.
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Friedrich von Hardenberg — Novalis — com seu idealismo mágico, constitui a possível carta de fundação de uma poética em que o ato literário é concebido como intervenção sobre o absoluto: em seus poemas se distinguem as linhas mestras do antigo mito gnóstico, com a queda do Pleroma e a reconstituição da unidade primordial.
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Novalis acreditava derivar seu poder prometeico de tradições ocultas e cabalísticas de sabor gnóstico, da mística dos números e das visões de Emanuel Swedenborg.
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Novalis e seu misticismo do saber exemplificam o aspecto da literatura alemã para o qual vale a seguinte observação registrada no texto: a essência do Si está em uníssono com a essência das essências — Deus, Universo, Ser — e a busca pelo Si verdadeiro ou interior traz consigo a promessa de proximidade, senão de união com o divino.
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Gérard de Nerval estudou com paixão livros de esoterismo, magia e teosofia; suas obras Aurelia de 1853 e Les Chimères de 1854 prefiguram as Correspondances de Charles Baudelaire de 1857.
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As ideias religiosas de Victor Hugo são descritas no texto como as mais grandiosas de todo o romantismo, contendo uma metafísica extremamente complicada, mitos de tendência gnóstica e uma doutrina das reencarnações.
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A partir do pré-romantismo, o tema da natureza desolada, considerada como resíduo ou imagem desfigurada de um estado mais glorioso destruído pela queda, perseguiu a literatura ocidental.
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O surrealismo, com seu aspecto prometéico e sua busca de um poder absoluto mediado por técnicas esotéricas e cabalísticas, parece reimergir nos paraísos perdidos da antiga gnose.
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Hermann Hesse é apontado como a mais evidente manifestação do gnosticismo romântico no século XX; sua obra de juventude Demian expressa o sentimento gnóstico descrito no texto como o sentimento romântico por excelência — o sentimento do limite do destino e o desejo de romper esses limites, de quebrar a condição humana, de evadir de tudo.
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Franz Kafka, William Faulkner e outros grandes autores forneceriam, segundo observação registrada no texto, material muito construtivo para análise da natureza gnóstica dos temas da absurdidade do mundo e do sentimento de estranheza.
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O risco dessas múltiplas apropriações é que o termo gnose, em vez de evocar um mundo histórico concreto, se torne o fantasma exangue de uma categoria universal do espírito humano — etiqueta pronta para todos os usos e caixa vazia preenchida com conteúdos variáveis ditados pelas modas culturais.
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Mais do que de redescoberta, caberia perguntar se não se trata de esquecimento: os abusos terminológicos são possíveis precisamente porque o véu da esquecimento histórico oculta a realidade concreta do antigo gnosticismo.
À redescoberta do gnosticismo
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O renovado interesse pela gnose pode revelar, mais do que gosto pelo exótico ou busca do esotérico, a intuição de uma afinidade secreta entre a época atual de crise e o período entre os séculos II e III d.C., quando o antigo gnosticismo se afirmou como resposta religiosa original a uma época de angústia.
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Analogias de situações e de respostas entre as duas épocas mereceriam ser aprofundadas, a despeito da aparente surpresa que isso poderia causar diante da secularização imposta pelas revoluções científica, industrial, política e religiosa da modernidade.
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Certas vicissitudes religiosas dos últimos anos obrigam a repensar o problema do divórcio entre cultura moderna e religião em outros termos, levando alguns historiadores a preferirem falar em descristianização em lugar de secularização.
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A identificação apressada de cristianismo com religião em geral provocou graves erros de avaliação, e os novos movimentos religiosos surgidos na última década contribuíram para evidenciar essa miopia ideológica.
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A situação atual é comparável, em certos aspectos, à disfunção que caracterizou a religião oficial do Império Romano — o politeísmo restaurado pela reforma augustana — diante dos desafios de uma escala não mais nacional.
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O paganismo oficial foi, nos séculos do Império, a ideologia religiosa de grupos restritos de intelectuais entrincheirados na defesa de valores sem ampla base de consenso social.
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Tanto naquele momento quanto hoje, afirma-se um pluralismo religioso sem igual na história do Ocidente: novas fés chegam do Oriente, outras nascem no tronco da religião oficial, e o comércio de crenças se intensifica sob concorrência de produtos que prometem saúde, sucesso e salvação.
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Os protagonistas dessa transformação são filhos das revoluções silenciosas, coletivas e anônimas que se desdobram há dois milênios nas cidades — centros de troca de bens e ideias que revelam tensões e contradições lancinantes, mobilidade vertical e horizontal, e o surgimento de novas identidades socioculturais para as quais a religião tradicional não oferece respostas adequadas.
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No mundo tardo-antigo, que começa a se delinear no século II d.C., a novidade religiosa se apresenta nas formas do cristianismo, dos cultos orientais e do gnosticismo, com o indivíduo e sua necessidade de salvação pessoal no centro da nova estrutura do campo religioso.
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Essa nova estrutura recorria a técnicas extáticas, visões, sonhos, revelações, escritos sagrados, novos símbolos, mitos esquecidos, conhecimentos divinamente garantidos e a uma realidade alheia a este mundo — capazes de romper com as incertezas da razão e oferecer experiências interiores autênticas.
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Estudiosos dos novos fenômenos religiosos contemporâneos podem olhar para o antigo mundo do gnosticismo como um paralelo historicamente significativo para compreender o presente.
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Observação registrada no texto e atribuída a um profeta da contracultura americana: encontramo-nos em um interlúdio durante o qual um número crescente de pessoas nas sociedades urbano-industriais modelará seus comportamentos a partir de signos do zodíaco, do yoga e de versões contemporâneas da tradição xamânica — a busca de uma realidade comum toma a forma de uma massiva operação de salvamento que se estende em muitas direções, e isso é a grande aventura de nossa época, muito mais importante do ponto de vista humano do que a conquista do espaço — isso é a demanda e a renovação da antiga gnose.
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Cada fase da moderna investigação sobre o gnosticismo, a partir do trabalho pioneiro de Gottfried Arnold, viu refletidos nos antigos gnósticos os problemas de seu próprio tempo — o que é inevitável, pois toda pesquisa histórica nasce de uma participação apaixonada e lúcida nos problemas do presente.
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Uma reflexão sobre as vicissitudes do gnosticismo poderá evitar tanto a rivisitação arqueológica acadêmica e inútil quanto a sedução do canto mitológico gnóstico — desde que deixe esse fascínio se manifestar sem que suas seduções conduzam ao esquecimento da diferença histórica.
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