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Orígenes — Homilias sobre o Evangelho de Lucas (Ed. Paulus)
HOMILIA 8
Lc 1,46-51 — Sobre o que está escrito: “Minha alma engrandece o Senhor”, até aquela passagem, onde se lê: “Para aqueles que o temem estendeu seu poder”.
O Magnificat
- Antes de João, Isabel profetizou; antes do nascimento do Senhor Salvador, Maria profetizou — e assim como o pecado começou pelo erro de uma mulher para desembocar num homem, o princípio da salvação teve seu começo com as mulheres, para que outras mulheres também, superada a fragilidade do sexo, imitem a vida e a conduta das santas do Evangelho.
- No Magnificat, a alma celebra o Senhor e o espírito celebra a Deus — não são louvores distintos, pois quem é Deus é o mesmo que é Senhor.
A imagem de Deus
- O Senhor não pode receber acréscimo nem diminuição, mas a alma engrandece o Senhor no sentido de ampliar em si a imagem de Cristo — pois a alma foi criada à semelhança da primeira imagem, que é o Filho, “imagem do Deus invisível.”
- A alma não é expressamente a imagem de Deus, mas foi criada à semelhança da primeira imagem — sendo imagem da imagem.
- Cada um transforma sua alma à imagem de Cristo, traçando uma imagem maior ou menor, deteriorada ou sórdida, clara ou reluzente, conforme a efígie da imagem principal.
- Quando se amplia essa imagem pelas obras, pensamentos e palavras, o próprio Senhor é engrandecido na alma; quando se peca, a imagem diminui e o pecador reveste a forma do diabo — “serpentes, raça de víboras” —, a máscara do leão, do dragão e das raposas quando venenoso, cruel e astuto, e a do bode quando inclinado à luxúria.
- Em uma explicação do Deuteronômio — “Não façais nenhuma imagem de homem ou de mulher, a imagem de nenhum animal” —, considera-se que a Lei é espiritual e que uns se fazem imagem de homem, outros de mulher, de pássaros, de répteis ou de Deus.
A humildade da Virgem
- A alma de Maria primeiramente engrandece o Senhor e depois o espírito exulta — e só depois de ter crescido pode exultar; Deus voltou os olhos não para uma condição abjeta, mas para a humildade de Maria como virtude.
- O Salvador diz: “Aprendei de mim porque sou manso e humilde de coração, e encontrareis o repouso para vossas almas.”
- Os filósofos chamam essa virtude de atyphia ou de metriótes; em perífrase, é o estado do homem que não se enche de orgulho, mas se abaixa.
Grandeza de Maria
- “Eis que doravante todas as gerações me chamarão bem-aventurada” — porque o Todo-Poderoso realizou grandes coisas para Maria ao voltar os olhos para sua humildade, cumprindo-se que “todo aquele que se humilha será exaltado.”
- A misericórdia de Deus se estende não sobre uma ou poucas gerações, mas eternamente, “de geração em geração.”
- O poder — krátos, que se traduz por “poder” ou “império” — é um domínio real, aplicado a quem governa ou tem tudo sob seu domínio; quem teme ao Senhor recebe esse poder e o Reino.
- A doxologia encerra: “a quem pertencem a glória e o poder nos séculos dos séculos. Amém.”
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