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FRITHJOF SCHUON

Schuon — referências a Dionísio Areopagita

Unidade Transcendente das Religiões

“A salvação não é possível — diz São Dionísio, o Areopagita — a não ser para os espíritos deificados, e a deificação nada mais é do que a união e a semelhança que se procura ter com Deus. O que é compartilhado de maneira uniforme e, por assim dizer, em massa com as Essências bem-aventuradas que habitam os Céus, nos é transmitido como em fragmentos e sob a multiplicidade de símbolos variados nos oráculos divinos. Pois são os oráculos divinos que fundamentam nossa hierarquia. E por essa palavra deve-se entender não apenas o que nossos Mestres inspirados nos deixaram nas Cartas Sagradas e em seus escritos teológicos, mas também o que eles transmitiram a seus discípulos por meio de uma espécie de ensino espiritual e quase celestial, iniciando-os de espírito para espírito de maneira corpórea, sem dúvida, já que eles falavam, mas que eu me atreveria a chamar também de imaterial, já que não escreviam. Mas, ao ter que traduzir essas verdades para os costumes da Igreja, os Apóstolos as expuseram sob o véu dos símbolos e não em sua sublime nudez; pois nem todos somos santos e, como diz a Escritura, “a Ciência não é para todos”¹¹. 216 VIII

O Esoterismo como princípio e como via

Quando se fala de esoterismo cristão, não se pode tratar senão de três coisas: pode tratar-se, em primeiro lugar, da gnosis cristológica, fundamentada na pessoa, no ensinamento e nos dons de Cristo e que, eventualmente, se beneficia de conceitos platônicos, o que, em metafísica, não tem nada de irregular¹⁹; essa gnosis manifestou-se especialmente, embora de maneira muito desigual, em escritos como os de Clemente de Alexandria, Orígenes, Dionísio, o Areopagita — ou o Teólogo ou o Místico, se preferirem —, Escoto Erígena, o mestre Eckhart, Nicolau de Cusa, Jakob Boehme e Angelus Silesius. Em seguida, pode tratar-se de algo completamente diferente, a saber, do esoterismo greco-latino —ou do Oriente Próximo— incorporado ao cristianismo: pensamos aqui, antes de tudo, no hermetismo e nas iniciações artesanais. Nesse caso, o esoterismo é mais ou menos limitado e até mesmo fragmentário, residindo mais no caráter sapiencial do método —hoje perdido— do que na doutrina e no fim; a doutrina era sobretudo cosmológica e, consequentemente, o fim não ultrapassava os “pequenos mistérios” ou a perfeição horizontal, ou “primordial”, se nos referirmos às condições ideais da “idade de ouro”. De qualquer forma, esse esoterismo cosmológico ou alquímico, e “humanista” em um sentido ainda legítimo — pois tratava-se de devolver ao microcosmo humano a perfeição do macrocosmo, sempre em conformidade com Deus —, esse esoterismo cosmológico cristianizado, digamos, era essencialmente vocacional, uma vez que nem uma ciência nem uma arte podem se impor a todo mundo; o homem escolhe uma ciência ou uma arte por razões de afinidade e de aptidão, e não a priori para salvar sua alma. Como a salvação é garantida pela religião, o homem pode, a posteriori e com base nisso, tirar proveito de seus dons e de suas ocupações profissionais, e é até mesmo normal ou necessário que o faça quando uma ocupação ligada a um esoterismo alquímico ou artesanal se impõe a ele por qualquer motivo. 78 EPV COMPREENDER O ESOTERISMO

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