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Pecado original

ANTONIO ORBEANTROPOLOGIA DE SÃO IRINEU

CAPÍTULO X — O PECADO ORIGINAL

  • A queda de Adão e Eva encerra uma singular transcendência por serem os primeiros pais do género humano.
    • O desvio original privou a descendência do jardim edênico e de seus privilégios, fraturando a integridade biológica do plasma.
    • A transgressão abriu as comportas para a introdução da corrupção e do império da morte física na história humana.
  • O peso da autoridade de Santo Irineu manifesta-se de modo decisivo nas investigações acerca da vigência real do pecado original originado.
    • Análise voltada a descortinar se o Santo formulou o conceito do erro contraído antes de qualquer debate polêmico estruturado.

PRELIMINARES

  • Santo Irineu assevera a vigência de mistérios inacessíveis no mundo físico e nas realidades espirituais celestes que escapam à ciência humana.
    • Adversus Haereses II 28,2 exemplificando a ignorância quanto às causas da ascensão do Nilo, o curso das aves na outorga e o refluxo do oceano.
    • Limitações operativas no desvelamento dos tesouros da neve, do granizo, da marcha lunar e das emissões de trovões e tempestades.
    • Investigações complementares conduzidas por A. Benoit, Arnóbio e Festugière sobre os mistérios que envolvem o ser do homem.
  • As Escrituras silenciam a atividade executada pela divindade antes da re-criação do universo material, remetendo a resposta estritamente ao saber de Deus.
    • Adversus Haereses II 28,3 condenando as prolações blasfemas e estultas desprovidas de disciplina que buscam perscrutar o vazio.
    • Paralelos históricos em Cícero estudados por A. St. Pease e R. Hirzel, além dos textos de Parmênides, Lucrécio, Hilário de Poitiers e Agostinho.
  • A exegese patrística interdita a aplicação de analogias humanas de prolação para tentar decifrar a inenarrável genitura do Verbo ex Patre.
    • Adversus Haereses II 28,4ss demonstrando o erro de rebaixar a geração eterna do Filho aos níveis mecânicos do verbo humano.
  • O motivo e o formato que geraram a defecção e a quebra da obediência por parte das potências angélicas constituem mistérios ocultos.
    • Adversus Haereses II 28,7 explicitando que nenhuma Escritura ou Apóstolo relatou a causa íntima da natureza dos transgressores.
    • Conhecimento eclesiástico restrito ao edito do fogo eterno preparado desde o princípio para os seres que violaram a sujeição, conforme Mateus 25:41.
    • Tradição origeniana no tratado De principiis corroborando a obscuridade sobre as épocas da fundação e o formato das virtudes celestes conforme Altaner.
  • Santo Irineu reconhece as fronteiras do silêncio escriturístico, abstendo-se de conjeturar sobre a feição física da queda dos anjos.
  • A feição e a natureza do pecado original no Éden são tratadas abertamente pelo Salvador e pelas cartas paulinas, esvaziando o caráter de mistério oculto.
    • Omissão de demandas diretas na polêmica antignóstica por julgar o nexo causal entre a queda de Adão e o desvio dos filhos como algo tradicional.
  • As seitas heréticas do século II pretendiam invalidar a vigência de qualquer infração moral anterior à promulgação da Lei de Moisés.
    • Marcião ancorava-se na leitura capciosa de Romanos 5:20-21 para asseverar que a lei subintroduziu-se com o fim exclusivo de fazer abundar o delito.
    • Tertuliano em Adversus Marcionem V 13 e Orígenes em seu comento à Epístola aos Romanos refutam a tese herética de que a lei gerou a malícia.
    • Apeles utilizava as proibições de Gênesis 2:16-17 para atacar o Testamento Antigo e tachá-lo de supérfluo, segundo Ambrósio e Harnack.
  • A gnose considerava o edito edênico como uma ordem restrita à esfera da justiça do Demiurgo Justo, alheia à bondade do Deus Bueno.
    • A desobediência de Adão e Eva implicou a perda da santidade sui generis nos limites do Kenoma psíquico, estendendo a ruína aos descendentes.

ANALIZANDO FÓRMULAS

  • A terminologia empregada por Santo Irineu flui em estrita consonância com o realismo das fórmulas das Escrituras Sagradas.
  • A condição humana anterior ao resgate de Cristo é caracterizada como um estado de habitação do espírito imundo no interior do vaso plasmado.
    • Citação de Adversus Haereses III 8,2 — Vasos contudo dele e casa éramos, quando estávamos em apostasia: usava em efeito de nós do modo como queria, e o espírito imundo habitava em nós. Não em efeito contra ele (Cristo) que se amarrava e a casa dele rapitava, forte era (o diabo); mas contra esses, que em uso dele eram, homens, porquanto afastar fizera o sentido deles de Deus.
  • O diabo apossou-se de Adão e de toda a sua descendência histórica por haver persuadido o primeiro homem a violar o mandato do Criador.
    • Citação de Adversus Haereses V 21,3 — Porquanto em efeito no início ao homem suadiu transgredir o preceito do feitor, por isso o teve em sua potestade; a potestade contudo dele é a transgressão e a apostasia, e com estas coligou o homem… Depois já o Verbo constantemente o amarrava quase como seu fugitivo e rapitou os vasos dele, isto é, esses que por ele eram detidos homens, dos quais ele injustamente usava. E cativo contudo conduzido foi justamente esse, que ao homem injustamente cativo conduzira; o que contudo antes cativo conduzido fora homem, extraído foi da potestade do possuidor segundo a misericórdia de Deus Pai.
  • Estar a humanidade retida sob o império da apostasia equivale a sofrer a tirania e o cativeiro injusto perpetrados pela energia do pecado de Adão.
    • O Verbo amarra o fugitivo rebelde para extrair os homens aprisionados sob o uso iníquo do opressor.
  • A encarnação real do Salvador assume a mesma natureza e substância do ser escravizado para poder operar a destruição jurídica do pecado e da morte.
    • Citação de Adversus Haereses III 18,7 — Cumpria em efeito a ele que começasse a matar o pecado e da morte réu remir o homem, isso mesmo fazer-se o que era aquele, isto é, o homem, que pelo pecado contudo em servidão arrastado fora, pela morte de verdade era detido, para que o pecado pelo homem fosse interfeito, e o homem saísse da morte. Do modo como em efeito pela desobediência de um só homem, o plasmado primeiramente de terra rude, pecadores feitos são os muitos e amargaram a vida: assim cumpriu também pela obediência de um só — o nascido primeiramente de Virgem — justificarem-se muitos e perceberem a salvação.
  • O império da morte física estendeu sua soberania cronológica desde Adão até Moisés, alcançando inclusive os seres isentos de infrações pessoais.
    • A lei mosaica subintroduziu-se para manifestar a gravidade do pecado de insumissão, operando a sobreabundância do edito descrita em Romanos 5:14 e 7,13.
    • O edito sagrado onerou o homem ao declará-lo reo de morte, despindo o pecado de sua condição pacífica e revelando-o como ladrão e homicida.
  • A lei deificado cumpre um papel puramente manifestador, sendo impotente para aniquilar o erro que dominava a criatura e não o espírito.
    • Citação complementar de Adversus Haereses III 18,7 — Espiritual em efeito quando a Lei fosse, manifestou tão-somente o pecado, não contudo perimiu: não em efeito ao Espírito dominava o pecado, mas ao homem.
    • Harmonização mística com os ensinamentos paulinos de Romanos 6:14-20 e 7,7-14.
  • O advento do mandamento Mosaic fez com que o erro oculto ganhasse reviviscência na consciência para atestar a vigência do pecado original.
    • O desfazimento biológico universal atesta a presença de um vício contraído no plasma que independe da imitação das faltas do protoplasto.
  • O homem é gerado sob a órbita de uma enajenación original que remonta aos sucessos do Paraíso, necessitando da pregação de penitência.
    • Citação de Adversus Haereses III 10,1 — Para que a remissão do Senhor presente percebessem convertidos a ele de quem por causa dos pecados e da transgressão estavam enajenados: do modo como também Davi diz: Alienados são os pecadores desde o útero, erraram desde o ventre.
    • Uso da passagem do Salmo 57,4 para referendar a exclusão da vida divina antes do cometimento de erros individuais no tempo, conforme Orígenes.
  • A exegese de Gênesis e das cartas aos Colossenses assevera que a carne justa de Jesus reconciliou a substância detida no erro, unindo-a ao Pai.
    • Adversus Haereses V 14,2-3 determinando que o Verbo assumiu o mesmo corpo carnal que se fizera inimigo por meio da transgressão.
  • Santo Irineu elabora as sentenças de Romanos 5:12 e 5,19 para consolidar a correspondência estrita entre o desvio de Adão e a vitória de Cristo.
    • Citação de Adversus Haereses III 21,10 — Porque do modo como pela desobediência de um só homem a intromissão o pecado teve e pelo pecado a morte obteve; assim também pela obediência de um só homem a justiça introduzida a vida frutifique a estes, que outrora mortos eram, homens.
  • O pecado realizou o seu ingresso no mundo sensível através da desobediência do primeiro pai, fixando o império biológico da morte sobre a estirpe.
    • A locução obtinuit sintetiza o pertransiit paulino, vinculando a justiça introduzida pelo Filho à frutificação da vida imperecedoura.
  • Os homens tropeçaram e ofenderam a Deus na figura de Adão ao violarem o mandamento transmitido desde o princípio de sua formação.
    • Citação de Adversus Haereses V 16,3 — Com quem contudo no primeiro Adão tropeçamos, não fazendo o preceito dele. Com quem contudo no segundo Adão reconciliados fomos, feitos obedientes até a morte. Pois a nenhum outro éramos devedores, senão àquele cujo próprio mandamento transgredimos desde o princípio.
    • Transliteração do enunciado grego eph ho pantes hemarton tomado de Romanos 5:12 e confrontado com prosekopsamen e proskoptei.
  • Taciano utilizava o edito paulino de que todos morrem em Adão para tentar justificar a condenação e a perda definitiva do protoplasto.
    • Citação de Adversus Haereses III 23,8 — Mente, portanto, todo o que se opõe à salvação dele. Continuam excluindo-se da vida ao não crerem que foi achada a ovelha perdida. Se contudo ela não foi achada, ainda é possuída na perdição toda a geração humana.
    • Oposição ao erro do encratismo amparada nas passagens de Romanos 5:20, Lucas 15:5 e Mateus 18:13.
  • A salvação do género humano é indissociável da restauração do plasma original de Adão no qual toda a estirpe experimentou a queda.
    • Adversus Haereses III 19,3, III 23,1 e Epideixis 33 celebrando a busca da ovelha perdida e o seu carregamento nos ombros do Salvador.
  • A libertação exclusiva dos filhos seria um ato irracional e incompleto que preservaria os despojos patristicos sob o poder do inimigo.
    • Citação de Adversus Haereses III 23,2 — Quando contudo se salva o homem, cumpre salvar a esse que primeiro formado é homem. Porquanto em demasia irracional é, aquele contudo que veementemente pelo inimigo lesado é, e primeiro catividade passo é, dizer não se eripir por ele que venceu o inimigo; eripidos de verdade os filhos dele, que na mesma catividade gerou. Nem vencido contudo até agora parecerá o inimigo, os mesmos velhos despojos permanecendo com ele. Do modo como se os hostes expugnarem a uns, e vinctos conduzirem cativos, e por muito tempo em servidão os possuírem, de sorte que gerem com eles; e alguém doendo por estes que servos feitos são, os mesmos hostes expugne: não contudo justamente fará, se os filhos contudo deles, que cativos conduzidos são, libere da potestade deles, que em servidão tinham deduzido os patres deles; os próprios de verdade que a catividade sustentaram, sujeitos relinqua aos inimicos, por causa dos quais e a tuição fez: conseguida a liberdade os filhos ex causa da paterna vindicação, mas não relictos os próprios patres, que a própria catividade sustentaram.
  • A sobreabundância da graça divina exige a unificação do gênero humano na cura da ferida coletiva legada pela desobediência do pai.
    • A culpa original e a herança da morte são assumidas per modum unius na carne assumida por Cristo.
  • O desvio do mandamento impõe a necessidade jurídica do lavacro de regeneração para expungir o vício contraído no nascimento carnal.
    • Citação de Adversus Haereses V 15,3 — E porquanto naquela plasmação que segundo Adão foi, em transgressão feito o homem necessitava do lavacro da regeneração; depois que ungiu o lodo sobre os olhos dele, disse-lhe: Vai a Siloé e lava-te; simultaneamente e a plasmação e essa, que é pelo lavacro, regeneração restituindo-lhe.
  • A cura operada no cego de nascença manifesta o restauro da plasmação primeira e a remoção das sordes ligadas à estirpe de Adão.
    • Adversus Haereses V 15,2 associando os languores ordinários ao pecado da desobediência, enquanto a deficiência do cego visava revelar as obras de Deus em João 9:3.
  • O indivíduo nasce dotado de olhos biologicamente formados, mas carrega o obscurecimento que impede a contemplação direta do Criador.
    • Citação de Adversus Haereses V 15,4 — Senão aquele mesmo que desde o princípio modelou a Adão, e com o qual falava também o Pai: Façamos um homem a imagem e semelhança nossa, dando-se a conhecer nos últimos tempos aos homens, formando-lhe a visão ao que estava cego desde Adão. E por isso, significando o que havia de ser, diz a Escritura que escondido Adão a causa da desobediência — veio o Senhor à tarde e lhe chamou e lhe disse: Onde estás? Porque, em efeito, o mesmo Verbo de Deus veio nos últimos tempos a chamar o homem, recomemorando-lhe as suas obras, nas quais degens escondido fora ao Senhor. Do modo como em efeito então a Adão à tarde falou inquirindo o homem Deus; assim nos últimos tempos pela mesma Voz visitou inquirindo o género dele.
    • Transliteração do conceito de plasis carnal e uso místico da pergunta edênica de Gênesis 3:9.
  • O sacrifício voluntário do Filho no madeiro desfaz a inimizade contraída no lenho do Paraíso, operando a justificação coletiva.
    • Citação de Adversus Haereses V 16,3 — Porque para desfazer aquela desobediência do homem, que desde o princípio teve lugar no leño, fez-se obediente até a morte e morte de cruz; sanando por meio da obediência cumprida no leño a desobediência que teve lugar no leño. Mas não teria vindo a desatar mediante aquela a desobediência para com o nosso plasmador se anunciasse a outro Pai. Bento como mediante aquilo mesmo por cujo meio não ouvimos a Deus nem cremos à sua palavra, introduziu a obediência e o assentimento à sua palavra, clarissimamente lhe deu a conhecer por Deus ao mesmo a quem ofendimos no primeiro Adão ao não cumprir o seu preceito, e fomos reconciliados no segundo, feitos obedientes até a morte. Pois a nenhum outro éramos devedores senão àquele cujo próprio mandamento transgredimos desde o princípio.
    • Transliteração das expressões paulinas hypokoos mechri thanatou genomenoi e do termo grego parebemen ap arches.
  • O homem apropria-se livremente da reconciliação carnal através da fé, que quebra o estatuto de devedor herdado dos primeiros pais.
    • Exclusão da soteris para os entes que imitam a impenitência de Judas ou Caim, conforme Adversus Haereses I 27,3 e IV 28,3.
  • A infração moral constitui uma dívida cujo quirógrafo foi afixado e deletado na cruz de Cristo para restabelecer a amizade com o Pai.
    • Citação de Adversus Haereses V 17,1 — Por transgressão de seu preceito fomos enemistados com Ele. E a causa disto, nos últimos tempos, nos restituiu à amizade o Senhor, mediante a sua encarnação, feito mediador de Deus e dos homens. Fazendo-lhe propício com nós ao Pai, contra quem tínhamos pecado, e consolando-lhe de nossa desobediência mediante a sua obediência, outorgando-nos a conversação com o nosso Criador e a sujeição a Ele. Pelo que ensinou-nos também a dizer na oração: E perdoa-nos as nossas dívidas. Sem dúvida, porque este é o nosso Pai, de quem éramos devedores, por transgredir o seu preceito. Mas quem é este? Porventura um incógnito Pai, que a ninguém dá jamais preceito algum? E não mais bem o que as Escrituras pregam por Deus, e de quem éramos devedores, por ter trespassado o seu mandamento? Ao homem se lhe deu um preceito, por meio do Verbo: Pois ouviu Adão — diz — a voz do Senhor Deus. Bem diz segundo isto o Verbo seu ao homem: Se te perdoam os pecados, por ser aquele mesmo contra quem tínhamos pecado no princípio, quem ao fim outorga a remissão dos pecados.
    • Citação complementar de Adversus Haereses V 17,3 — E por isto Davi predisse: Beatos cujas remissas são as iniquidades, e cujos tectos são os pecados. Beato o homem, a quem não imputou o Senhor o pecado; a ela que pelo advento dele é remissão praemonstrando, pela qual delevit o quirógrafo do débito nosso e afixou-o à cruz: para que do modo como pelo ligno feitos somos devedores a Deus, pelo ligno recebamos de nosso débito a remissão.
    • Uso das passagens de Mateus 6:12, Lucas 11:4, Mateus 9:2, Salmo 31,1 e Colossenses 2:14.
  • O enunciado do 'Pater noster' e a cura do paralítico revelam que o Verbo encarnado detém o poder de perdoar a transgressão primeva.
    • O Cordeiro de Deus remove o pecado do mundo em sentido singular, conforme a exegese de João 1:29 exposta em Adversus Haereses III 10,3.
  • A polêmica antignóstica defende a unidade do Criador ao provar que o Filho obedeceu ao mesmo Deus que promulgou o edito edênico.
    • Rejeição às falsas divisões que atribuíam o mandamento à esfera imperfeita do deus da lei judaica.

MUERTOS EN ADÁN

  • Os homens herdaram a mortalidade física através do nexo confluente da primeira geração animal estabelecida no Paraíso.
    • O desvio de Adão transformou o protoplasto em princípio dos que morrem, transmitindo a corrupção às linhagens carnais.
    • Adversus Haereses V 34,2 e IV 2,7 conceituam a sepultura como a chaga antiga infligida pelo dolo da serpente edênica.
  • A lei de Moisés manifestou a existência oculta de um vício contraído que onera a criatura e a declara reia de morte.
    • Citação de Adversus Haereses III 18,7 — Que reinou de Adão até Moisés, mesmo nesses que não pecaram na semelhança da transgressão de Adão. Vindo contudo a Lei, que dada é por Moisés e testemunhando do pecado, porquanto pecador é, o reino contudo dele abstulit, ladrão e não rei ele detegendo, e homicida ele mostrou; onerou contudo o homem, que tinha o pecado em si, réu da morte mostrando-o. Espiritual em efeito a Lei cum fizesse, manifestou tão-somente o pecado, não contudo perimiu: não em efeito ao Espírito dominava o pecado, mas ao homem.
  • O desfazimento biológico universal opera de forma independente do cometimento de erros pessoais no tempo histórico.
    • Oposição às visões heréticas que esvaziavam a realidade do corpo material de Jesus tratada por São Metódio e Fócio.
  • A obra da santificação exige a incorporação dos crentes no celeiro da Igreja para remover as sordes da sepultura.
    • Citação de Adversus Haereses IV 22,1 — Porque este é o fim do género humano herdeiro de Deus: que do modo como no início, mediante o primeiro, fomos reduzidos todos a servidão com a dívida da morte, assim no último, por meio do novíssimo, venham à vida de Deus, limpos e sem as imundícias que tocam a morte, todos os que desde o início discípulos.
    • Uso místico da passagem de Isaías 4:4 e do fragmento apócrifo de Jeremias citado no Diálogo com Trifão 72,4.
  • O nascimento por via do conúbio matrimonial transmite o fermento corrompido que condena o ser à amissão da vida eterna.
    • Oposição ao erro do ebionismo em Adversus Haereses V 1,3 que reduzia a geração do Salvador à união carnal de José e Maria.
    • O pneuma e o Verbo unem-se à velha substância de Adão para constituir o homem espiritual perfeito capaz de ver o Pai.
  • O plasma feito alma vivente decaiu no desajuste carnal e perdeu o sopro de vida, exigindo a vivificação em Cristo.
    • Citação de Adversus Haereses V 12,3 — A substância da carne, que tinha perdido o sopro de vida e se tinha ficado sem alento e cadáver. A esta, pois, veio o Senhor a vivificar, a fim de que assim como em Adão morremos todos, por psíquicos, vivamos em Cristo por espirituais, depondo não a plasmação de Deus, mas as concupiscências da carne e assumindo o Espírito Santo….
    • Harmonização com os editos da Primeira Epístola aos Coríntios 15,22-45 exposta em Adversus Haereses V 12,2.
  • O género humano desceu à sepultura por causa da derrota sofrida pelo primeiro homem diante da astúcia do inimigo.
    • Citação de Adversus Haereses V 21,1 — A fim de que assim como por meio do homem vencido desceu o nosso linagem à morte, assim novamente, mediante o homem vencedor, subamos à vida. E como a morte recebeu a palma contra nós por meio do homem, assim de novo recebamos nós a palma contra a morte por meio do homem.
    • Requisito de nascer de mulher conforme Gálatas 4:4 para estancar a tirania baseada em Gênesis 3:15.
  • A vinda do Verbo carnal virginal em Epideixis 31 e 37 liberta a estirpe das cadeias do pecado contraídas no nascimento carnal.
    • O Salvador forte quebra as algemas biológicas e desata o nudo atado pela prevaricação de origem.

A MODO DE SÍNTESE

  • A solidariedade mística estabelece que a descendência partilha as consequências da transgressão e da obediência das duas cabeças de linhagem.
    • Adão introduziu a feição do homem animal e pecador, enquanto Cristo instaurou o formato do homem espiritual deificado.
  • A exegese grega de Santo Irineu assevera a universalidade do erro na estirpe sem recorrer à hipótese da mera imitação das faltas.
    • Todos os indivíduos nascem devedores e inimigos de Deus devido à ofensa cometida contra o edito original, em Adversus Haereses V 16,3.
  • Santo Agostinho amparou-se legitimamente na autoridade de Santo Irineu ao combater as teses do pelagianismo no Contra Iulianum.
    • Citação de Adversus Haereses IV 2,7 e V 19,1 referendando a cura da ferida coletiva legada pelo dolo da serpente.
  • A remissão das deudas pleiteada na oração dominical foca na remoção da culpa primeva que fraturou a harmonia com o Criador.
    • O Verbo forte afixou o quirógrafo na cruz para restabelecer a amizade destruída pela desobediência edênica, em Adversus Haereses V 17,1.
  • O realismo da teologia de Santo Irineu salvaguarda a integridade da carne e ergue o bispo de Lyon como o herdeiro das mais puras tradições paulinas.
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