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Profeta em casa

Logia Jesus — Profeta em casa (Mt 13,54-58; Mc 6,1-6; Lc 4,15-24)

Evangelho de Jesus:

54 Ele vem à sua pátria, e lhes ensina na sinagoga, de tal maneira que se impressionam. E dizem: «De onde lhe vem esta sabedoria?! E estes poderes! 55 Este não é o Filho do carpinteiro? Sua mãe não se chama Miriâm? E seus irmãos, Ia‘acob, Iosseph, Shimôn e Iehouda? 56 E suas irmãs, não estão todas conosco? De onde lhe vem então tudo isto?» 57 E tropeçavam diante dele. Iéshoua' lhes diz: «Um inspirado só não tem glória em sua pátria e em sua casa.» 58 Lá, ele não faz muitos prodígios, por causa da não-adesão deles. (Chouraqui; Mt 13,54-58)

15 Ele ensina em suas sinagogas, e todos o glorificam. 16 Ele vem a Nasèrèt, onde cresceu. E entra no dia do shabat na sinagoga, segundo seu costume, e se levanta para ler. 17 O volume do inspirado 'Iesha‘yahou lhe é dado. Ele abre o volume e encontra o lugar onde está escrito: 18 O sopro de YHWH está em mim; ele me messiou para anunciar a mensagem aos pobres, para proclamar aos cativos: Libertação! aos cegos: Vede! para despedir libertos os oprimidos, 19 e proclamar um ano de acolhimento por YHWH. 20 Tendo fechado o volume, ele o entrega ao ministro e se senta. Na sinagoga, os olhos de todos estão voltados em sua direção. 21 Ele começa a lhes dizer: «Hoje, este escrito cumpriu-se aos vossos ouvidos.» 22 Todos prestam-lhe testemunho e se espantam com as palavras de bem-querer que saem de sua boca. Eles dizem: «Aquele não é o filho de Iosseph?» 23 Ele lhes diz: «Certamente vós me direis este provérbio: “Médico, cura-te a ti mesmo! E tudo o que ouvimos que foi feito em Kephar-Nahoum, faze tu também aqui, em tua terra!”» 24 Ele diz: «Amen, eu vos digo, nenhum inspirado é acolhido em sua terra. (Chouraqui; Lc 4,15-24)

Começando por uma tentativa de legitimar Jesus enquanto o messias prenunciado e esperado, este dito de Jesus só assim se apresenta como dito em suas últimas palavras: nenhum inspirado é acolhido em sua terra“. Como poderia o ser, se a inspiração não vem de sua “terra” e justamente o desprende de sua “terra”.

Roberto Pla:

Pla

Jesus disse: Nenhum profeta é recebido em seu povo, um médico não cura aos que o conhecem.

JESUS HA DICHO: NINGUN PROFETA ES RECIBIDO EN SU PUEBLO, UN MEDICO NO CURA A LOS QUE LE CONOCEN .

Puech

Jésus a dit : Aucun prophète n’est reçu dans son village. Un médecin ne soigne pas ceux qui le connaissent.

Suarez

1 Jésus a dit : 2 aucun prophète n’est accepté dans son village. 3 Un médecin ne soigne pas ceux qui le connaissent.

Meyer

(1) Jesus said, “A prophet is not acceptable in the prophet’s own town; (2) a doctor does not heal those who know the doctor.” [Cf. Matthew 13:57; Mark 6:4; Luke 4:23–24; John 4:44.]

Roberto Pla

Jesus nunca se auto-designou como profeta, nem aceitou tal denominação para si mesmo, e isto, porque o Filho do Homem é muito mais que um profeta. Isto o disse com muita clareza a seus discípulos quando os chamou ditosos, porque muitos profetas e justos quiseram ver e ouvir o que eles ouviam e viam, o Filho do homem, e não viram nem ouviram (Lc 10:23-24; Mt 13:16-17; 1Pe 1:10-12

A obra que corresponde cumprir a um profeta é de anunciar coisas futuras e chamar e despertar as consciências como intérprete e mensageiro de um oráculo divino de juízo ou de salvação. Assim explica Isaías (6,8) quando escreve: “Depois disto ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem irá por nós? Então disse eu: Eis-me aqui, envia-me a mim.”

Isaías interpretou a mensagem e a transmitiu, com efeito, ao povo de “coração embotado”. Consistia o mandato divino em abrandar cada um dos ouvidos, abrir os olhos e converter o coração para ser curados. Esta foi a obra do profeta, ser mensageiro, e se Jesus leva o oráculo ao evangelho é para confirmar ante todos ali que em seus discípulos — uma vez posto seu coração convertido ao Filho do homem — se havia cumprido a profecia: eram ditosos seus olhos e seus ouvidos, pois já eram conhecedores dos mistérios do Reino tal como Jesus o havia explicado em Parábolas: “A quem tem (a quem se converteu ao Filho do homem e o encontrou em si mesmo), se o dará e o sobrará; mas a quem não tem (a quem não fez frutificar o semeado em seu coração) ainda o que tem (a semente da Verbo - Palavra semeada nele) se o tirará” (vide Evangelho de Tomé - Logion 41).

Esclarecida esta diferença radical entre Jesus (o Filho divino oculto no coração de todo homem) e qualquer dos profetas, não resulta muito difícil entender o logion. Do lado manifesto não é rigorosamente fato que os profetas sejam mal recebidos em suas comunidades, o que pode ser confirmado desde os tempos de Samuel, “profeta do Senhor que fundou a realeza”, até os anos de sacerdócio de Zacarias, muitos profetas foram bem acolhidos e escutados pelos seus.

O que explica, portanto, Jesus por meio deste provérbio é que a um profeta compete em sua função de intérprete escutar a voz de Deus e traduzi-la ao povo, mas não corresponde ser “recebido”, quer dizer, “reconhecido” e posto para frutificação no coração de seu povo (“este povo”, é a locução empregada pelo Senhor em sua mensagem a Isaías), quando é estimado, honrado, em sua pátria espiritual interior. Em tal caso, o Filho do homem é realmente, um “médico que cura aos que o conhecem”, aos que o reconheceram em si mesmos.

O evangelista Lucas, depois de mascarar esta passagem do provérbio ao enquadrá-lo na trama diferente do episódio da predicação de Jesus em Nazaré, abre a porta ao sentido oculto do logion quando explica: “Ele (Jesus enquanto Filho do homem lhes disse: seguramente me vais dizer o refrão: médico, cura-te a ti mesmo”. Com efeito, já não se trata do ato profético de predicar, “como sucedeu em Cafarnaum”, senão de realizar a obra de salvação (cura), no coração do homem, desde de dentro dele, em sua pátria verdadeira.

Não é a um médico profeta a quem corresponde curar aos que o conhecem, senão que é o Filho do Homem quem cura a todos os que o conheceram (vide Philokalia-Therapeutes).

Suarez

LOGION 31

P. Oxyr. 1 n° 6

Lc 4.23-24 Mt 13.57-58 I/ Mc 6.4-5 Un médecin ne soigne pas ceux qui le connaissent n’apparaît pas dans les canoniques. Il est vrai que l’image employée par Jésus aurait nui à l’exaltation de ses miraculeux pouvoirs thérapeutiques que les amateurs de merveilleux lui firent endosser. L’autre passage de l’Évangile selon Thomas où il est question de soins se trouve au v. 12 du log. 14 : soignez ceux qui parmi eux sont malades. Comme la foule du log. 79 s’en est allée grossissant et se multipliant au fil des rédactions successives, le rappel par Jésus d’un simple geste humanitaire lui vaudra de devenir au gré des remaniements et des amplifications le thaumaturge apte à stupéfier ces mêmes foules. Ce n’est certes pas ce genre de stupéfaction qu’évoque Jésus au début de l’Évangile selon Thomas (cf. log. 2, v. 6). Il semble que la périphrase grecque du v. 3 du P. d’Oxyr. : un médecin ne fait pas de traitements… soit un mot à mot du copte. Celui-ci, en effet, emploie souvent le verbe faire comme préfixe sans lui donner de valeur particulière; en tout cas la périphrase en question ne paraît pas être attestée ailleurs en grec; le dictionnaire Liddel-Scott-Jones (Oxford 1948) n’en signale qu’un seul cas… et c’est celui du P. Oxyr. 1 n° 6 [Cf. G. Garitte, op. cit., p. 160-162]. A noter que le verbe θεραπεύω du texte copte et du texte grec signifie soigner (guérir : ίάομαι). Il est employé 37 fois dans les évangiles traditionnels. On le traduit habituellement par guérir ce qui ajoute à la puissance du Messie ; aussi le log. 81 où Jésus invite à renoncer à la puissance ne se trouve-t-il pas dans les évangiles canoniques. On peut relever l’amplification lucanienne (Lc 4.23) par rapport aux textes de Mt et Mc. Luc n’était-il pas médecin ? </tabbox>

29/05/2026 15:17
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