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JESUS

André Chouraqui: EVANGELHO DE MATEUS

O nome de Ieshoua bèn Iosseph repete-se cento e cinquenta vezes sob a pena de Mateus e oitenta e uma vezes sob as de Marcos e de Lucas. Significa em hebraico Yah salvará; ele é aquele que salvará seu povo de suas faltas (Mt 1,21). Mas Ieshoua é também, para o evangelista, o Rabi e o Adôn, repetindo-se este nome oitenta vezes em Mateus. Filho do homem, salvador anunciado da humanidade e de Israel, a cristandade nascente, após os evangelistas, vê nele o filho de Elohims. Esta expressão em hebraico Bèn Elohims) não tem e não pode ter o mesmo significado que em grego huios tou theou). Em hebraico, a palavra bèn exprime uma dependência que muitas vezes não é a de uma filiação biológica. Além disso, no universo bíblico, Elohims é o pai não apenas de todo homem, mas de toda criatura, de todo objeto.

Para o grego, ao contrário, os deuses não são criadores, mas procriadores, e huios designa unicamente um lado de filiação biológica, do filho a seu genitor. Assim, por trás de questões de semântica, é necessário perceber as diferenças do pensamento e de sua expressão na cultura hebraica e na grega: uma mesma palavra pronunciada nestes dois universos culturais tão violentamente contrastantes pode ter, aqui e lá, um significado radicalmente diferente. Daí, às vezes, as irredutíveis divergências. Mas toda leitura do Novo Testamento, inclusive do corpus paulino, destaca bem a unidade do universo espiritual e cultural dos hebreus, e apaga fronteiras que as rivalidades religiosas, agravadas pelas grandes tragédias da história, tinham edificado entre o mundo judeu e o mundo cristão.

Willis Barnstone: THE RESTORED NEW TESTAMENT

Na origem em hebraico o nome de Jesus significa «YHWH é a salvação». Se as traduções da Bíblia fossem consistentes, então Jesus deveria ter um nome em ambos testamentos: Jesus, Josué, Yeshua ou Yehoshua. Nenhum destes prevaleceu. Lemos Jesus no NT e “Josué” no AT, e Jesus por sua vez, mesmo sendo um judeus, não é um nome que dê sinais de sua origem aramaica ou hebraica em Yeshua.

Michel Henry: EU SOU A VERDADE

Que aquele que, na época de Cristo, se encarnou em Cristo, não seja um homem comum, mas o Verbo de Deus, eis o que já não é de forma alguma improvável. Em toda encarnação humana, cada vez que uma vida vem a um corpo para torná-lo carne, não é precisamente uma vida comum que é capaz de fazer isso, de encarnar-se — e isso porque, em suma, vida comum não existe. Uma Vida capaz de dar vida a um corpo para torná-lo carne é aquela que é capaz de primeiro dar vida a si mesma no processo eterno de sua auto-revelação em seu Verbo. Toda carne, portanto, provém do Verbo. «Tudo foi feito por Ele; sem Ele, nada do que foi feito teria sido feito». A proximidade de Irineu em relação às palavras iniciáticas do Prólogo transmite-lhe a intuição fulgurante de João, a de uma afinidade essencial entre a criação original do homem e a Encarnação do Verbo, de modo que somente a segunda nos permite compreender a primeira. Os temas irineanos giram em torno dessa retro-inteligibilidade fundadora expressa por ele mesmo.

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