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Isaac o sírio, Tratados Místicos
XLII A RESPOSTA QUE ELE ENVIOU AO SEU IRMÃO NATURAL E ESPIRITUAL, QUE TINHA TENTADO CONVENCÊ-LO POR CORRESPONDÊNCIA A VISITÁ-LO NO MUNDO HABITADO, POIS ANSEIAVA POR VÊ-LO
Não somos fortes, como supões, ó abençoado. Talvez conheças minha fraqueza, mas não dás muita importância à minha ruína. Constantemente me pedes isso, colocando a natureza acima do pensamento que outrora ardeu em ti, demonstrando assim que não o consideras sequer como um assunto a ser tratado com cuidado, embora para nós pareça ser uma questão de cuidado. Não me pergunte, ó meu irmão, o que traz consolo ao corpo e à mente, mas deixe-me buscar a salvação da minha alma. Daqui a pouco tempo, já teremos partido deste mundo. Não te é desconhecido quantas pessoas eu encontraria, se fosse até tua morada; quantos tipos de pessoas e de lugares, antes de eu ter retornado ao meu lugar; e, ao encontrá-las, que motivo de reflexão minha alma receberia — minha alma, que ficaria perturbada pelos afetos que seriam despertados nela, depois de ter sido deixada em paz por eles por um breve momento. Que a visão de leigos prejudica o solitário é um fato com o qual estás familiarizado; não apenas a visão de mulheres, mas também de homens.
Vê quantos estados variados passam pela mente daquele que há muito tempo está sozinho com sua alma e, de repente, entra em contato com essas coisas, ouvindo e vendo o que não está acostumado a ver e a ouvir. Se o encontro com seus irmãos prejudica aquele que está empenhado na luta e ainda luta contra seu inimigo, se os irmãos não estiverem em concordância com seu objetivo, em que abismo cairíamos nós, que precisamos nos libertar do aguilhão de nosso inimigo? Especialmente aqueles [entre nós] que conhecem essas coisas por longa experiência. Portanto, não quero ser persuadido a fazer isso sem necessidade. Nosso coração não se deixa enganar por aqueles que dizem que ouvir e ver não nos farão mal e que, no deserto ou no mundo habitado, dentro de nossa cela ou fora dela, somos iguais em nossas deliberações, por estarmos imunes à perturbação, desde que não experimentemos estados malignos e variáveis e desde que não percebamos o encontro com pessoas e coisas pelo choque das emoções. Aqueles que dizem isso nem mesmo percebem quando recebem um golpe. Mas, quanto a nós, ainda não alcançamos essa saúde psíquica. Sofremos de abscessos em decomposição; os quais, se fossem deixados sem curativos por apenas um dia, de modo que aparecessem por baixo dos curativos e das ligaduras, estariam repletos de vermes.
