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Dionísio o Areopagita — Hierarquia Eclesial

Caput 1. Ao Meu Compresbitero Timóteo

  • A hierarquia eclesiástica deve ser demonstrada a partir das sagradas escrituras e tradições como ciência divina e deificante, voltada àqueles iniciados nos mistérios hierárquicos.
    • Dionísio, o Presbítero, dirige-se a Timóteo, seu compresbitero
    • As coisas sagradas não devem ser profanadas, mas guardadas com reverência e comunicadas apenas aos santos
    • Jesus — a Mente supremamente divina e superessencial — é apresentado como Fonte e Essência de toda Hierarquia, Santificação e operação divina
    • A iluminação divina assimila os seres superiores à Sua própria Luz, elevando-os à vida, hábito e operação uniformes e divinos
    • Ao contemplar Jesus e ao olhar para o alto em direção ao Seu ser abençoado, torna-se possível ao ser humano purificar-se e tornar-se purificador, imagem da Luz e cooperador com Deus
  • A hierarquia dos anjos, arcanjos, principados, autoridades, potências, senhorios e tronos celestes foi tratada em escritos anteriores segundo a capacidade do autor, não segundo a dignidade desses seres.
    • Os seres mencionados incluem Querubins e Serafins — designações em língua hebraica para as ordens mais próximas de Deus
    • Toda hierarquia, a celestial e a eclesiástica, possui um único e mesmo poder ao longo de toda a transação hierárquica
    • O Hierarca é iniciado nas coisas divinas segundo sua essência, analogia e grau, sendo deificado e transmitindo a deificação aos subordinados conforme a aptidão de cada um
    • Os subordinados seguem os superiores e elevam os inferiores; todos participam, na medida do possível, do verdadeiramente Belo, Sábio e Bom mediante a harmonia sacerdotal inspirada
    • Os seres superiores são incorpóreos e sua hierarquia é inteligível e supramundana; a hierarquia humana, por sua vez, vale-se de símbolos sensíveis para conduzir à deificação uniforme, conforme a capacidade humana
    • Foi tratado de modo mais sistemático no tratado Sobre o Inteligível e o Sensível a distinção entre os modos de participação nos seres superiores e nos humanos
  • A hierarquia é o sistema completo dos ritos sagrados que a compõem, e o Hierarca é o homem divino e inspirado em quem toda a hierarquia se realiza integralmente.
    • O chefe desta hierarquia é a Fonte da Vida, a Essência da Bondade, a única Tríade — Causa de tudo o que existe — da qual procedem o ser e o bem-estar de todos os seres
    • A Mônada trina, sendo, inscrutovelmente para nós, a preservação racional dos seres, não pode operar essa preservação sem que os seres sejam simultaneamente salvos e deificados
    • A deificação consiste na assimilação e união com Deus na medida do possível
    • O objetivo comum de toda hierarquia é o amor aderente a Deus e às coisas divinas, ministrado de modo divino e uniforme, precedido pela remoção total das coisas contrárias, pelo conhecimento das coisas em si mesmas e pela visão e ciência da verdade sagrada
  • A bem-aventurança supremamente divina legou a hierarquia, por bondade divina, para a preservação e deificação de todos os seres racionais e intelectuais.
    • Aos seres supramundanos foi legado algo mais imaterial e intelectual — Deus não os move externamente, mas os ilumina internamente com brilho puro e imaterial quanto à Sua vontade supremamente divina
    • Aos seres humanos, o que foi legado uniformemente e de modo envolto àqueles seres superiores é transmitido mediante variedade e multiplicidade de símbolos divisíveis, na medida em que são capazes de recebê-los
    • Os Oráculos divinamente transmitidos — as sagradas escrituras inspiradas — constituem a essência da hierarquia humana
    • Além das letras escritas, os iniciadores transmitem também por uma iniciação menos material, de mente a mente, por meio da fala — corporal, mas já mais imaterial que a escrita
    • Os Hierarcas inspirados não transmitiram essas coisas em concepções claras à generalidade dos fiéis, mas em símbolos sagrados — pois o conhecimento não pertence a todos, como afirmam os Oráculos
  • Os primeiros líderes da hierarquia, plenos do dom sagrado recebido da Divindade superessencial, apresentaram por revelações escritas e não escritas as realidades supercelestes mediante imagens sensíveis, as coisas divinas mediante as humanas e as imateriais mediante as materiais.
    • Isso não foi feito apenas por causa dos não-consagrados — aos quais nem mesmo é permitido tocar os símbolos — mas porque a hierarquia humana é, por sua própria natureza, um símbolo adaptado à condição humana, que necessita das coisas sensíveis para a elevação às inteligíveis
    • As razões dos símbolos foram reveladas apenas aos iniciadores divinos, não sendo permitido explicá-las àqueles ainda em processo de iniciação
    • Os legisladores das tradições divinamente transmitidas organizaram deliberadamente a hierarquia em graus bem estabelecidos e distribuições sagradas e proporcionais, segundo a aptidão de cada um
    • Dionísio confia ao seu compresbitero Timóteo esse dom divino com base na promessa sagrada de que ele não o comunicará senão aos iniciadores divinos de igual grau, persuadindo-os a tocar as coisas puras com pureza e a transmitir os mistérios de Deus somente aos piedosos, as coisas perfeitas aos capazes de perfeição e as mais sagradas aos santos
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