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Teologia
ECKHART, Johannes; COLLEDGE, Edmund; MCGINN, Bernard. Meister Eckhart: the essential sermons, commentaries, treatises, and defense. New York Ramsey Toronto: Paulist press, 1981.
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A teologia de Eckhart pode ser compreendida como um sistema dinâmico baseado na emanação e no retorno, assemelhando-se ao modelo clássico do platonismo cristão.
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Quatro temas centrais da pregação identificados em sermão: desapego, ser reformado em Deus, nobreza da alma e pureza da natureza divina.
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Unidade interna evidenciada no Sermão 52, que classifica o avanço ou ruptura como mais nobre do que o fluxo externo.
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Sermão 15 e a interpretação da parábola do homem nobre que retorna mais rico após partir para uma terra estrangeira.
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Sermão 22 e a linguagem do amor do Cântico dos Cânticos sobre o noivo que sai do lugar mais alto para reentrar com a noiva no lugar mais puro.
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Sermão 53 e as teses de que a saída de Deus é sua entrada e de que as criaturas são chamadas a retornar de onde fluíram.
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Presença do modelo nas obras latinas, especificamente no Sermão XXV.1, definindo a primeira graça como fluxo externo e a segunda como refluxo ou retorno.
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Formulação sobre as obras salvíficas da Trindade, indicando a necessidade de todas as coisas serem banhadas no sangue de Cristo e reconduzidas ao Pai pelo Filho, harmonizando o refluxo ao fluxo.
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Estrutura fundamental descrita pelos conceitos de exitus, effluxus, ûzvliezen para a emanação, e reditus, refluxus, durchbrechen, îngânc para o retorno à fonte inefável.
A apropriação e personalização do esquema neoplatônico por Eckhart estruturou-se em duas etapas amplas tanto para o processo de emanação quanto para o de retorno.-
Primeira etapa da emanação: emanação interna das Pessoas Trinitárias, denominada bullitio.
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Segunda etapa da emanação: criação de todas as coisas, denominada ebullitio, modelada na emanação interna.
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Duas etapas do reditus da alma: o nascimento do Verbo na alma e a ruptura ou penetração na base divina que constitui o Deus além de Deus.
O fundamento ou base divina representa a fonte oculta de onde tudo procede e para onde tudo retorna, conferindo à teologia apofática um papel central no pensamento de Eckhart.-
Conceito de fundamento traduzido do termo grunt no alto-alemão médio.
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Consciência do paradoxo de falar sobre o indizível compartilhada com Agostinho.
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Centralidade do apofatismo expressa com destaque nos sermões alemães.
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Tarefa da teologia definida não como revelação de verdades, mas como formulação de paradoxos apropriados para destacar as limitações mentais e demarcar as fronteiras do desconhecido onde Deus habita.
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Ordenação da teologia à pregação e desta à vida, permitindo viver a partir do fundamento divino cognoscível após o reconhecimento da própria incapacidade de compreender.
A inefabilidade absoluta de Deus justifica a diversidade de estratégias verbais utilizadas por Eckhart para abordar a natureza divina de acordo com as circunstâncias e o público.-
Coerência interna das estratégias como formas de explorar situações-limite de presença divina consciente.
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Passagens que negam a aplicação de qualquer predicado humano a Deus, incluindo a recusa da linguagem da bondade mencionada nos artigos apensos à Bula In agro dominico.
A definição do predicado transcendental mais apropriado para Deus oscila nos escritos de Eckhart entre a existência e o intelecto puro, revelando uma variação sistemática.-
Prólogo da Obra das Proposições iniciando a suma sistemática com a análise de que a existência é Deus.
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Questões Parisianas afirmando que Deus é propriamente definido como o ato de entender, situado acima da existência.
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Qualificação da existência indiferenciada por textos que colocam Deus além do ser, tanto nas obras latinas quanto nas alemãs.
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Atribuição de prioridade a Deus concebido como intelecto puro em passagens primitivas e tardias.
A unificação dialética das variações predicativas realiza-se na noção de Unidade Absoluta, cuja operação teórica se afasta das intenções originais de Tomás de Aquino.-
Uso das teorias de predicação e analogia para acentuar a diferença radical entre Deus e a criação.
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Base da analogia eckhartiana na oposição formal e não na proporcionalidade ou atribuição intrínseca.
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Citação dos Sermões e Palestras sobre o Eclesiástico afirmando que os analogados não possuem a forma analogamente ordenada enraizada em si mesmos, estando toda criatura ordenada a Deus em existência, verdade e bondade.
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Conclusão de que todo ser criado possui existência, vida e sabedoria em Deus e não em si mesmo de forma positiva.
A atribuição exclusiva da existência em sentido transcendental a Deus acarreta o nada das criaturas em si mesmas e a caracterização de Deus como o ser de todas as coisas.-
Condenação em Avinhão da doutrina de que as criaturas nada são em si mesmas isoladas do ser divino.
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Sermão 6 afirmando que se a vida humana é o ser de Deus, a existência e a natureza de Deus são a existência humana.
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Defesa de Eckhart nos procedimentos de Colônia rejeitando o panteísmo por meio da distinção entre a existência absoluta de Deus e a existência formalmente inerente das criaturas.
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Definição de Deus como a existência de todas as coisas em sentido absoluto, sem inerência formal nelas.
A inversão do padrão analógico manifesta-se quando a análise parte da existência formalmente inerente das criaturas para negar a presença formal do ser em Deus.-
Distinção entre a existência particular de cada coisa e a existência simples de Deus.
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Tese de que nada está formalmente na causa e no efeito se a causa for autêntica, resultando na ausência formal da existência em Deus por ser ele a causa de todo o ser.
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Preferência por conceber a realidade divina como totalmente além da existência quando esta é tomada como formalmente inerente.
O caráter autorreversível da analogia exigiu uma linguagem dialética capaz de integrar os momentos imanentes e transcendentes em uma unidade positiva superior baseada no neoplatonismo.-
Explicitação da linguagem dialética no Comentário sobre Sabedoria 7:27, versando sobre a capacidade do Uno de tudo realizar por ser um.
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Vantagens dialéticas do predicado do Uno, definido como sinônimo de indistinto.
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Concepção de Deus como Unidade Absoluta implica considerá-lo distinto e indistincto ao mesmo tempo, sendo tanto mais distinto quanto mais indistinto for.
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Paráfrase da indistinção e distinção como imanência e transcendência: Deus totalmente imanente às criaturas como existência real e absolutamente transcendente como existência simples.
O predicado do Uno atua como negação da negação, significando a afirmação mais pura e a essência do próprio ser de modo superior ao termo existência.-
Relação imediata do Uno com o ser, significando pureza, núcleo e ápice.
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Presença da compreensão de Deus como o Uno indistinto em toda a obra de Eckhart, com apenas uma discussão explícita nos sermões vernáculos.
A primazia dialética do Uno e do ser absoluto não exclui a aplicação do intelecto como atributo apropriado para descrever a natureza divina em razão de sua capacidade de unificação.-
Definição do ato de entender como o processo de tornar-se um com o que é entendido.
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Uso do termo intelecto desde as Questões Parisianas até textos posteriores.
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Predominância do uso do termo existência como o predicado mais frequente para Deus.
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Comentário sobre João 10:30 atribuindo a existência ao absoluto indeterminado na Divindade, enquanto o Uno é atribuído ao Pai, o Verdadeiro ao Filho e o Bem ao Espírito Santo.
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Concepção do ser como algo comum e indistinto, diferenciado das outras coisas por sua própria indistinção, estabelecendo que na Divindade a essência ou existência é não gerada e não gera.
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Necessidade de apreender o caráter dialético na aplicação de qualquer um dos termos transcendentais.
A postulação de uma prioridade para a Divindade oculta em relação à Trindade de Pessoas gerou conflitos com as autoridades eclesiásticas, embora Eckhart defendesse a igualdade substancial das Pessoas.-
Padrões de relação na obra de Eckhart alternando entre a essência identificada com o Uno e as Pessoas com o ser, a verdade e o bem, ou a essência como existência e as Pessoas como as três propriedades transcendentais.
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Inclusão de dois artigos na Bula de condenação pelo Papa João XXII e pelos juízes de Avinhão, por considerarem a explicação da igualdade trinitária inadequada para a fé cristã.
As formulações ousadas sobre a primazia do fundamento divino inserem-se no método apofático como paradoxos destinados a guiar a alma para a união além das distinções.-
Definição de Deus como um sem unidade e três sem trindade.
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Divergência com Tomás de Aquino: para o tomismo, a pluralidade de atributos funda-se na riqueza da essência e no intelecto humano; para Eckhart, decorre apenas da pobreza da concepção humana.
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Citação favorável da visão de Gilberto porretano de que as relações trinitárias não entram na substância divina, permanecendo externas.
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Sermão 48 convidando a alma a penetrar além da Trindade, afirmando que a centelha da alma busca o fundamento simples, o deserto quieto onde a distinção do Pai, do Filho e do Espírito Santo nunca olhou.
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Inexistência de distinções no fundamento mais íntimo de Deus como base para as suspeitas de juízes e intérpretes sobre a ortodoxia trinitária.
Eckhart contrabalançou a prioridade do fundamento com afirmações sobre a identidade absoluta das Pessoas com a essência e esboços de uma relação dialética entre unidade e trindade.-
Sermão 10 afirmando que a distinção trinitária provém da Unidade Absoluta, e que quanto maior a distinção, maior a unidade.
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Isomorfismo entre a relação dialética de unidade e trindade em Deus e a relação transcendente-imanente de Deus com as criaturas.
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Intenções ortodoxas afirmadas na teologia do dominicano.
O dinamismo entre as Pessoas trinitárias e o fundamento divino expressa-se na doutrina específica da ebulição interna ou geração contínua.-
Conceito técnico de bullitio traduzido por fervura.
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Tese de que o Uno atua como princípio por si mesmo, gerando o que é idêntico a si e excluindo a diversidade numérica que a semelhança exigiria.
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Definição da emanação formal nas Pessoas divinas como um tipo de bullitio onde as três Pessoas são absoluta e simplesmente uma.
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Interpretação da repetição bíblica Eu sou quem sou como pureza de afirmação que exclui a negação e indica uma virada reflexiva da existência sobre si mesma.
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Relação da bullitio com a passagem bíblica de João sobre a vida estar nele, caracterizando a vida como um impulso interno que irrompe em si antes de transbordar externamente.
O conceito de princípio unifica os processos trinitários e criacionais, estruturando de forma semelhante a emanação formal interna e o transbordamento externo.-
Equivalência entre a bullitio e o termo quebra ou irrupção nas obras vernáculas.
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Sermão afirmando que a primeira irrupção ocorre onde Deus se liquefaz no Filho e este se funde de volta no Pai.
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Necessidade de compreender a atividade, diferenciação e causalidade a partir de seu princípio.
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Modelos da Trindade presentes em cada exemplo natural da relação entre o princípio e o principiado no Prólogo de João.
Malgrado a semelhança estrutural, os processos de emanação e criação diferem quanto ao âmbito da causalidade e à natureza do produto gerado.-
Bullitio inserida na causalidade formal, produzindo uma imagem perfeita e idêntica em realidade.
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Ebullitio compreendendo a produção de uma coisa a partir de outra e a produção do nada, situada no âmbito das causas eficiente e final e gerando diversidade numérica.
Coexistem dois padrões de análise para a bullitio divina, oscilando o ponto de partida entre a essência oculta e a pessoa do Pai.-
Alinhamento com Tomás de Aquino ao afirmar que o poder gerador na Divindade pertence mais direta e principalmente à essência do que à relação de Paternidade.
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Segundo padrão focando no Pai como início da divindade que se compreende, procedendo daí o Verbo Eterno e o Espírito Santo.
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Formulações baseadas em Agostinho apresentando o Pai como o Uno que gera o Filho como o Verdadeiro e expira o Espírito Santo como o Bem.
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Análise do Pai como Justiça Não Gerada e do Filho como Justiça Gerada, além da explicação do Filho como imagem do Pai.
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Uso do ato da visão como análogo natural para a emanação formal.
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Centralidade da linguagem joanina do Logos, coexistindo o Verbo e seu sopro ou espírito no Princípio que é o Pai.
A criação do universo vincula-se internamente à emanação trinitária, atuando o Verbo Eterno como o princípio exemplar de toda a produção externa.-
Uso parabólico de texto dos Salmos sobre Deus falar uma vez e o ouvinte escutar duas coisas: a fala única corresponde ao Verbo, e as duas coisas escutadas correspondem à emanação trinitária e à criação.
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Atuação das três Pessoas como um único princípio e causa eficiente na criação.
A definição metafísica da criação em Eckhart enfatiza a liberdade divina absoluta e o caráter imediato da doação do ser a partir do nada.-
Rejeição da tese de necessidade criacional proposta por filósofos árabes, fixando Deus como atuante por total liberdade e focado na causa final.
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Apelo à queda na dualidade ou número para explicar a relação entre bullitio e ebullitio a partir da primazia dialética do Uno.
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Foco na atividade exemplar do Verbo como Imagem, Logos, Ideia e Razão Ideal de todas as coisas.
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Rejeição da prova por causas exteriores na metafísica pura, priorizando as causas internas.
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Identificação tradicional do termo in principio do Gênesis com o Verbo desde os tempos de Ambrósio.
O papel do Verbo como causa exemplar fundamenta a existência virtual e atemporal das criaturas em Deus, definindo o nível de realidade mais elevado da metafísica eckhartiana.-
Sete interpretações do versículo sobre o Verbo no início apresentadas no Prólogo de João.
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O Logos como causa exemplar na mente do Pai para a criação de tudo o que existe.
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Quatro atributos do princípio essencial: conter o efeito de forma prioritária e eminente; constituir-se como intelecto puro; possuir um efeito com igualdade de duração.
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Atribuição das três últimas condições ao termo Palavra ou Ideia.
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Poética vernácula descrevendo o Pai pronunciando o Filho perpetuamente e derramando nele todas as criaturas, cujo viver consiste em um apelo de retorno ao emissor.
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Existência virtual na Ideia considerada como o real real do pensamento neoplatônico.
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Coincidência do ato de locução das criaturas com o ato eterno de geração do Filho pelo Pai.
A postulação de uma dimensão eterna para a realidade profunda da criação gerou condenações eclesiásticas, apesar das tentativas de defesa baseadas na distinção de atos.-
Reconhecimento de um início temporal para a existência formalmente inerente das criaturas em si mesmas.
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Apelo a textos de Agostinho para sustentar a eternidade do aspecto profundo da criação.
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Condenação das três primeiras proposições da Bula In agro dominico por heresia devido à tese da eternidade criacional.
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Primeira e terceira proposições extraídas do Comentário sobre o Gênesis, afirmando a criação do mundo no mesmo tempo em que Deus gerava seu Filho coeterno.
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Defesa em Colônia distinguindo entre ação e paixão: a atividade de Deus ocorre no agora simples da eternidade, mas a criação considerada como passio em si mesma não seria eterna.
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Rejeição da defesa pelos investigadores de Avinhão sob o argumento aristotélico de que ação e paixão coincidem em um único movimento situado no paciente.
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Concepção metafísica baseada na relação neoplatônica da imagem temporal com sua existência virtual eterna no arquétipo.
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Citação latina afirmando que apenas a ação de Deus é nova pela gestação contínua do Verbo, enquanto a criatura vem a ser segundo uma existência anterior ao movimento.
A organização do universo criado processa-se em uma harmonia multinível orientada à Unidade Absoluta, ocupando o ser inteligente o topo da hierarquia concreta.-
Solução para a produção da multiplicidade sem emanações intermediárias focada na intenção divina direcionada à totalidade do universo.
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Três níveis constitutivos do universo: existência, vida e inteligência.
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Existência principial do nível inferior no superior, sendo o mero ser vida no ser vivo, e a vida intelecto no ser intelectual.
A identidade entre o princípio do ser intelectual e Deus fundamenta as teses sobre a unidade entre o fundamento da alma e o fundamento divino.-
Elevação do ser intelectual à condição divina quando visto em seu princípio.
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Sermão 15 asseverando que o Deus escondido habita no fundamento da alma, onde ambos os fundamentos constituem uma única realidade.
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Uso das metáforas da centelha e do castelo para designar a potência oculta da alma descrita no Sermão 2.
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Inefabilidade paralela entre Deus e a alma como expressão de uma antropologia negativa ancorada em autores precedentes.
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Homem em Deus caracterizado como simultaneamente indistinto de tudo o que está em Deus e completamente distinto de todas as coisas externas.
A afirmação de um elemento incriado na alma foi condenada como herética, gerando contradições entre as defesas de Eckhart e os registros textuais vernáculos.-
Formulação perigosa admitindo a pregação de uma luz incriada e incapaz de criação dentro da alma.
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Condenação do tema na Bula de Avinhão acompanhada da menção de que Eckhart negara ter proferido tais palavras.
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Presença massiva de textos com essa linguagem ao longo dos escritos vernáculos, contrastando com as denegações no processo.
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Hipótese explicativa indicando que Eckhart negou os textos por interpretar que os juízes supunham uma divisão mecânica da alma em uma parte criada e outra incriada.
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Ausência de uma defesa baseada na explicação da existência virtual do fundamento da alma em Deus como sentido correto da expressão.
A antropologia de Eckhart estrutura-se a partir de motivos augustinianos sobre as divisões e faculdades humanas, culminando na união da razão superior com a divindade.-
Divisão comum entre homem exterior e interior baseada em textos paulinos e augustinianos.
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Interpretação moral do terceiro capítulo do Gênesis: a serpente como faculdade sensitiva, a mulher como razão inferior voltada aos externos e o homem como razão superior direcionada a Deus.
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Hierarquização das potências humanas ordenadas à fonte divina por meio da união amorosa da razão superior.
A descrição das potências da alma ganha contornos mais radicais nos sermões alemães do que nas exposições latinas, identificando as faculdades superiores diretamente com o fundamento divino.-
Sermão 83 e a análise de seis potências da alma: três inferiores — discricionária da experiência sensível, irascível e apetitiva — e três superiores — memória, entendimento e vontade na tríade agostiniana.
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Argumentação em favor da identidade das potências superiores com o fundamento de Deus.
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Sermão 2 defendendo a necessidade de transcender a potência intelectual e a volitiva espiritual para atingir o fundamento essencial oculto de identidade com Deus.
A doutrina do homem como imagem de God confere harmonia à antropologia eckhartiana, oscilando dialeticamente entre a identidade e a diferença em relação ao Criador.-
O Verbo definido como a verdadeira imagem do Pai em unidade perfeita de emanação formal.
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Oscilação intencional entre formulações radicais do homem como a própria imagem e formulações conservadoras do homem feito à imagem.
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Fórmulas entendidas como expressões da relação distinto-indistinta da alma com Deus sob o modelo dialético.
A concepção de pecado e mal em Eckhart segue as linhas agostinianas clássicas da privação, mas adquire contornos problemáticos quando estendida à revelação da glória divina por meio das falhas morais.-
Alinhamento tradicional definindo o mal em si como nada, defeito em vez de efeito, falta de ordem e privação do bem.
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Concordância com Tomás de Aquino sobre a permissão divina do mal para a perfeição e ordenação do bem do universo.
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Escasso apreço pelo poder demoníaco do mal devido ao otimismo neoplatônico.
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Raciocínio de que o pecado existe apenas em função do bem do universo, tornando-se indissociável dele.
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Afirmação de que em toda obra, inclusive no mal de culpa e pena, a glória de Deus se revela e brilha de modo igual.
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Inclusão da tese no artigo 4 da Bula papal, acompanhada pelos artigos 5 e 6 extraídos do mesmo escrito.
As proposições sobre a aceitação do pecado como parte da vontade divina foram condenadas por sua perigosidade moral, recebendo justificativas consideradas insuficientes pelo tribunal.-
Artigos 14 e 15 tratando da tese de que se foi vontade de Deus que o homem pecasse, este não deveria desejar não ter pecado.
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Defesa fraca em Avinhão apelando para a glorificação da paciência divina e citando passagens irrelevantes de Agostinho.
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Tese de que o homem perfeito, sabendo que Deus quis seu pecado, aceita o ocorrido por amor à honra divina, sabendo que a permissão visava sua própria melhoria.
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Rejeição pela comissão teológica apontando três razões formais para classificar a declaração como perigosa e errônea.
Apesar dos paradoxos morais, o pensador reconheceu a capacidade destrutiva do pecado sobre a hierarquia humana e o equilíbrio do macrocosmo.-
Destruição da submissão natural dos sentidos à razão inferior e superior decorrente da queda de Adão.
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Desestruturação do universo provocada pela queda do homem em sua condição de microcosmo e senhor.
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Caracterização do pecado atual como escravidão, dissolução da ordem e queda a partir do Uno.
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Necessidade de iniciativa divina para reintegrar o universo e despertar a alma para seu fundamento.
A aparente negligência de Eckhart para com a história da salvação e a vida sacramental não anula a relevância atribuída por ele aos mistérios cristológicos na vida do fiel.-
Rejeição de interpretações unilaterais que apontam para um desprezo pela economia histórica da salvação.
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Tendência a ultrapassar rapidamente os aspectos históricos para fixar-se no significado interno, sem negar o papel dos mistérios do Cristo encarnado.
A operação redentora realiza-se por meio da distinção entre duas modalidades de graça, concentrando-se o autor nos efeitos de iluminação e conformação interior.-
Distinção entre a primeira graça, correspondente à criação e à obra da natureza, e a segunda graça, vinculada ao amor redentor que restaura o universo.
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Desinteresse pela catalogação escolástica das divisões da graça ou pelas disputas sobre o livre-arbítrio.
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Graça definida como forma suprema de iluminação que reordena as faculdades ao ingressar na essência da alma e conformar o homem a Deus.
A união entre a criação e a re-recreation investiga-se em uma longa questão escolástica sobre a metafísica da Encarnação apresentada em Colônia.-
Premissa de que a obra da criação e da natureza ordena-se à obra da re-criação e da graça, brilhando esta última naquela.
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Conclusão de que o Verbo assumiu a natureza humana em Cristo por uma intenção primeira voltada a todo o gênero humano.
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Concessão da graça da filiação e da adoção a todos os homens por meio da assunção da natureza em Cristo.
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Encarnação como ato central da graça e fonte da filiação divina ilustrada nos comentários a João e no Sermão 22.
Duas características definem a concepção eckhartiana da Encarnação: a prioridade da intenção universal sobre a individualidade de Cristo e o fundamento para o amor impessoal pelas criaturas.-
Intenção do Verbo direcionada a cada fiel e à humanidade caída com maior peso do que ao homem individual que é Cristo.
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Objetivo fixado na salvação da humanidade decaída.
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Assunção de uma natureza humana geral e não de uma pessoa humana individual como base para a obrigação de amar a todos igualmente, focando na natureza e não na personalidade distinta.
Embora a teologia de Eckhart não se centre na contemplação afetiva dos sofrimentos físicos de Cristo, a centralidade da Paixão reafirma-se sob a ótica da imitação espiritual da cruz.-
Ausência de interesse em demorar-se nos detalhes corpóreos da morte de Cristo.
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Presença do tema da imitação de Cristo e da lei da cruz em múltiplos passos das obras vernáculas.
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Sermão XLV como a meditação mais longa sobre a cruz como modelo de vida para o cristão.
A eclesiologia e os sacramentos recebem tratamentos breves voltados à inserção da alma no Corpo de Cristo e à correta valoração das práticas exteriores.-
Compreensão da Igreja como Corpo de Cristo mobilizada nas respostas sobre a divinização humana.
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Dedicação de sermões ao sacramento da Eucaristia e debates sobre a Penitência nos Conselhos de Discernimento.
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Afirmação da prioridade da apropriação interior da presença divina sem condenação das práticas institucionais externas.
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Advertência de que as práticas externas em si mesmas são indiferentes e insuficientes.
A mensagem sobre o retorno das coisas a Deus concentra-se no modo como a atividade divina opera no interior humano, dividindo-se em duas grandes etapas especulares à emanação.-
Centralidade do reditus nas obras escolásticas e vernáculas focada na ação de Deus na alma.
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Interpretação da religião como puramente interior decorrente da insistência na união direta sem mediação eclesiástica exclusiva.
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Duas etapas do retorno: o Nascimento do Filho na Alma e a Ruptura para o Fundamento Divino.
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Correspondência simétrica com a bullitio interna e com a ebullitio externa.
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Origem de dificuldades processuais nas descrições ousadas da união entre Deus e o homem nessas etapas.
O desapego interior constitui a prática religiosa fundamental e indispensável para viabilizar o retorno do espírito à igualdade com a imutabilidade de Deus.-
Conceito traduzido do termo abegescheidenheit no alto-alemão médio.
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Presença universal do tema, detalhado no tratado Sobre o Desapego e no Sermão 52 sobre as três etapas do homem pobre.
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Definição do desapego autêntico como a condição do espírito que permanece imóvel perante a alegria, a tristeza, a honra ou o vitupério, como uma montanha de chumbo perante o vento.
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Condução do homem à máxima igualdade com Deus, cuja divindade, pureza, simplicidade e imutabilidade procedem de seu próprio desapego imóvel.
A dinâmica do desapego repousa no princípio metafísico do esvaziamento prévio necessário para a recepção de uma nova forma preenchida pela totalidade de Deus.-
Formulação lapidária indicando que estar vazio de criaturas equivale a estar cheio de Deus e vice-versa.
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Analogia com a potência receptiva natural: o olho capta a cor apenas por não possuir cor em si mesmo.
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Capacidade intelectual de compreender tudo derivada da ausência de uma existência atual própria.
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Necessidade de a alma despir-se do nada das criaturas para receber a perfeição divina.
A condenação da tese sobre o nada das criaturas afetou os desdobramentos éticos do desapego relativos à extinção dos desejos por recompensas espirituais e à coação da atividade divina.-
Condenação do nada das criaturas no artigo 26 da Bula In agro dominico.
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Ausência de censura direta ao desapego na Bula, ocorrendo ataques a três conclusões que elevam a alma acima de petições por recompensas particulares, incluindo a santidade.
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Desejo da alma desapegada concentrado exclusivamente em Deus e não em seus prêmios.
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Presença de expressões ousadas sobre o homem desapegado ser capaz de compelir a ação de Deus.
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Afirmações de que o desapego supera o amor por obrigar Deus a amar o fiel, de que o humilde tem tanto poder sobre Deus quanto sobre si e de que o Pai deve gerar o Filho na alma justa.
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Expressão da igualdade entre o fundamento da alma desapegada e o fundamento divino sujeita a interpretações errôneas.
A primazia conferida ao desapego sobre a humildade e o amor resolve-se pela exigência dessas virtudes como componentes internos e pela transposição do amor a um plano transcendental apofático.-
Elogio do desapego acima da humildade tradicional e do amor nas passagens de Sobre o Desapego.
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Mitigação da radicalidade ao fim do tratado pelo lembrete de que o alcance do desapego requer a luta pela humildade perfeita para aproximar-se da divindade.
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Humildade vista como condição necessária, mas não suficiente, para o desapego.
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Identificação do amor superado pelo desapego com uma forma inferior ou interessada, voltada a Deus como bem final.
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Identificação do amor em sentido transcendental com o próprio objetivo do desapego, onde a alma nada sabe de saber e nada ama de amar na obscuridade apofática.
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Sermão 83 exortando a amar a Deus como um não-Deus, não-espírito, não-pessoa e não-imagem, mas como um Uno puro, brilhante e livre de dualidade.
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Processo de indistinção da alma pelo amor que odeia a distinção e busca a unidade com o Deus indistinto.
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Uso raro de imagens nupciais, como no Sermão 22, onde o Verbo sofre por amor para conduzir a alma ao tálamo nupcial da obscuridade silenciosa da Paternidade oculta.
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Tema constante da reciprocidade amorosa entre o Deus que ama pelo amor e o homem que ama pelo ato de amar.
A metáfora da alma como virgem e mãe sintetiza a coexistência entre o esvaziamento de imagens e a fecundidade ativa na caridade.-
Sermão 2 definindo a virgem como a pessoa livre de imagens alheias, equivalente ao estado de desapego.
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Necessidade de a virgem tornar-se esposa — o termo mais nobre aplicável à alma — para frutificar em Deus.
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Paradoxo da alma simultaneamente virginal e frutífera como núcleo da mensagem mística.
O ensinamento sobre o nascimento do Filho na alma constitui o eixo central da pregação vernácula de Eckhart sobre a união mística, ancorado em uma antiga tradição patrística e medieval.-
Testemunho de Henrique de Friemar indicando preocupações com interpretações perigosas desse tema desde 1309 em círculos mais amplos.
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Reconhecimento do nascimento de Cristo no coração do fiel como fórmula tradicional apesar do pouco uso no século treze.
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Raízes do conceito nos Padres Gregos associadas ao batismo e uso por Gregório de Nissa para expressar a união com o Logos segundo investigações de Hugo Rahner.
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Uso ascetico e moral do tema por teólogos latinos e reavivamento do sentido místico por João Escoto Erígena através de Gregório e Máximo o Confessor.
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Difusão de elementos da exegese mística em autores cistercienses e vitorinos antes de Eckhart.
A análise do Sermão 6 evidencia as formulações mais nítidas sobre a igualdade absoluta entre o justo e a justiça divina, servindo de base para a tese da geração contínua do Filho no fundamento da alma.-
Ponto de partida na correlação abstrata entre o homem justo e a justiça, paralela ao homem bom e à bondade do Comentário sobre João.
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Homem justo definido como aquele que não busca recompensas ou santidade devido ao desapego.
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Consideração do justo a partir de um ponto de vista formal e abstrato, desvinculado do sujeito concreto onde coexistem identidade e diferença.
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Uso de teses sobre a equivalência entre a existência de Deus e a existência humana para introduzir o nascimento do Filho.
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Geração contínua do Filho deduzida da ausência de dimensão temporal em Deus e da unidade entre o fundamento divino e o da alma.
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Citação sobre o Pai gerando o próprio fiel como o mesmo Filho na base da alma.
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Sermão vernáculo reiterando que o Pai gera seu Filho no mais íntimo do espírito com a mesma necessidade natural com que o faz em sua natureza única.
A radicalização da tese do nascimento do Filho insere a alma na própria atividade trinitária interna e na soberania da criação externa.-
Inserção do justo na bullitio trinitária pela identidade de fundamentos.
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Sermão 6 asseverando que o Pai gera o fiel não apenas como Filho, mas como si mesmo, em sua própria natureza e ser.
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Sermão 22 descrevendo o nascimento eterno do fiel na imagem da Paternidade para atuar como Pai e gerar aquele de quem nasceu, devolvendo o Filho ao Pai.
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Extensão da identidade trinitária à união com o Espírito Santo como amor processivo.
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Participação na ebullitio criadora ilustrada no Sermão 52, aludindo à alma como co-criadora de si mesma no ser divino acima do ser e da distinção.
O exame das censuras em Avinhão revela que o nascimento do Filho na alma foi classificado como suspeito e não como herético, admitindo defesas fundadas na operação da graça incriada.-
Classificação como suspeito de heresia indicando a percepção papal de uma possível leitura ortodoxa da tese.
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Distinção proposta por Karl Kertz entre as passagens da preexistência eidética da alma em Deus no princípio e os textos da geração como Filho único após a criação separada.
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Apelo de Eckhart à doutrina tradicional da identidade entre o Filho trinitário e o gerado nos fiéis por meio da graça incriada.
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Analogia defensiva comparando a operação da graça a muitos pergaminhos marcados por um único selo ou a várias imagens refletidas por um só rosto.
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Interconexão em que a existência no princípio atua como fundamento metafísico para o nascimento temporal na alma.
A suposta igualdade de filiação entre o homem justo e o Cristo histórico gerou severas oposições, capitaneadas pela censura de artigos específicos e analogias eucarísticas problemáticas.-
Condenação de cinco artigos sobre a identidade de filiação e de um sexto versando sobre a igualdade com toda a natureza divina na Bula.
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Analogia do fim do Sermão 6 comparando a transformação do homem em Cristo à transubstanciação do pão eucarístico no Corpo do Senhor.
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Declaração de que a transformação em Cristo ocorre de modo a produzir um único ser com ele e não apenas algo semelhante.
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Rejeição das implicações heréticas e qualificação da metáfora por Eckhart nos exames de Colônia.
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Tentativas de defesa interpretando o trecho sob a ótica de uma identidade puramente moral.
A estratégia de defesa de Eckhart contra as acusações de panteísmo ou igualdade indevida operou pela reafirmação das distinções teológicas tradicionais e pelo uso do princípio hermenêutico da reduplicação.-
Apelo às distinções usuais entre a filiação natural de Cristo e a filiação por adoção dos fiéis.
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Relato de Avinhão confirmando que Eckhart admitia o erro dos artigos conforme a sonoridade literal, mas os justificava pela unidade do Filho trinitário em quem todos se tornam filhos adotivos.
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Presença dos textos de distinção no Comentário sobre João: o Verbo como Filho por natureza e o homem por adoção; o Verbo como imagem verdadeira e o homem como feito à imagem; os fiéis como membros do Corpo de Cristo em sentido tomista.
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Explicação do princípio do insofar as ou em quanto no exame de Avinhão para o artigo treze da Bula sobre a comunicação de propriedades divinas ao justo.
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Defesa baseada na tese de que Cristo fala em nós como a cabeça nos membros, comparando com a união hipostática que autoriza predicar o sofrimento a Deus e a criação ao homem.
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Aplicação do termo em quanto como reduplicação que isola a qualidade formal e exclui elementos estranhos ao conceito.
O princípio interpretativo do em quanto atua como eixo central de toda a defesa de Eckhart, visando demonstrar a união no plano do fundamento e a distinção no plano da existência concreta.-
Prefixação de três princípios de interpretação no preâmbulo da defesa de Colônia, baseados no princípio do em quanto.
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Comentário sobre João demonstrando que em Cristo inexiste outro ato de existência fora do supposit divino, impossibilitando o pecado.
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Explicação de que no homem há outro ato de ser além do ser justo, permitindo que o indivíduo exista fora da justiça e cometa pecados, embora o justo em quanto justo não peque.
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Artigo 21 da Bula definindo o homem nobre como o Filho gerado desde a eternidade.
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Inversão do sentido pela comissão teológica ao objetar que o argumento não provava que o homem em quanto homem seria o Filho gerado eternamente.
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Rejeição da premissa dos juízes por Eckhart: o foco incidia no homem em quanto bom e não na criatura empírica do mundo físico.
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Erro dos investigadores consistente em transferir a fórmula reduplicativa da qualidade formal para o sujeito concreto, gerando a aparência de pantheísmo.
O cume da viagem mística de Eckhart convida a alma a ultrapassar a própria barreira das Pessoas trinitárias para fundir-se na solidão do deserto da Divindade oculta.-
Prioridade dialética do fundamento sobre as Pessoas trinitárias como base para o segundo estágio do retorno.
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Ausência do conceito de ruptura nos libelos de condenação por provável incompreensão dos juízes.
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Interpretações modernas enfatizando componentes não-cristãos na mística eckhartiana com base na ruptura.
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Final do Sermão 52 asseverando que a união total com o fundamento divino e não com o Deus causa das coisas ocorre apenas na ruptura.
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Sermão 83 apontando que a contemplação de imagens ou da Trindade carece da perfeição atingível na união com o ser sem forma da unidade divina superior.
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Sermão 48 formulando que a centelha busca o deserto silencioso onde o Pai, o Filho e o Espírito Santo nunca projetaram distinções, alcançando a coincidência entre o princípio e o fim.
A transição para a teologia catapfática introduz o símbolo escriturístico da jornada ao deserto para ilustrar a fecundidade decorrente do encontro imediato com a essência divina.-
Necessidade de expressão positiva após o silêncio apofático.
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Citação livre do profeta Oseias sobre conduzir a alma nobre ao deserto para falar ao seu coração em solidão eterna e unitária.
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Encontro da alma nua com a Divindade nua em uma vastidão inominável.
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Paralelo com o deserto de Israel: a esterilidade aparente cede lugar à gestação de um povo frutífero, tornando a alma desapegada virgem e mãe.
A união mística terminal caracteriza-se pela ausência de mediações e distinções substanciais, preservando a diferença na identidade por meio do modelo dialético do Uno.-
Definição da união como imediata e carente de distinções, visando a Unidade Absoluta do Uno Simples.
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Uso de exemplos físicos de união sem intermediários, como a conjunção entre matéria e forma.
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Axiomas afirmando que a nudez intensifica a união e abre a receptividade.
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Rompimento com a prudência de místicos medievais anteriores quanto aos limites conceituais da fusão.
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Bernardo de Claraval e a ressalva de que a união produz um único espírito sem fusão substancial ou conversão em um único ser.
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Disposição de Eckhart em afirmar que todos os santos são um único ser em Deus e de que o homem unificado partilha da mesma existência divina.
O debate escolástico sobre o primado das potências na beatitude resolve-se em Eckhart pelo recuo a um plano anterior de onde emanam tanto o conhecimento quanto o amor.-
Alinhamento inicial com o intelectualismo tomista na disputa contra o franciscano Gonsalvo da Espanha.
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Textos latinos situando a bem-aventurança na operação contemplativa do intelecto unificado a Deus.
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Vinculação do ato de entender com a revelação dialética da essência divina.
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Superação do dilema entre intelecto e vontade no Sermão 52.
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Tese de que a beatitude não repousa no saber ou no amar, mas na raiz oculta da alma de onde essas potências fluem sem que essa raiz opere o conhecimento ou o afeto em moldes humanos.
A vertente ética de Eckhart define o verdadeiro cristão sob os sinônimos de homem pobre, justo, bom ou nobre, situando a liberdade na soberania do desapego interior face às práticas externas.-
Regras de conduta decorrentes dos princípios metafísicos para viabilizar o nascimento do Filho.
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Caráter prioritariamente interno do desapego ético.
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Tolerância à pobreza material de Cristo associada à tese de que a posse real cresce com a renúncia dos bens, fixando o foco na independência interior.
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Crítica aos indivíduos apegados a penitências corporais e rotinas devocionais por incapacidade de captar a verdade divina.
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Conselhos de Discernimento prescrevendo a equivalência espiritual das devoções e a imitação mística e não física de Cristo.
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Máxima indicando que buscar Deus por caminhos implica achar caminhos e perder o Deus oculto neles, enquanto buscá-lo sem caminhos propicia achá-lo em si.
A aceitação desapegada das provações assume valor redentor quando sintonizada à vontade divina, sem que isso implique o incentivo a ascetismos voluntários.-
Valorização do acolhimento das tribulações como expressões diretas da vontade de Deus.
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Tratado Livro Benedictus ou Livro da Consolação Divina focado no sentido do sofrimento.
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Recusa em atribuir valor ao sofrimento em si mesmo isolado do espírito de recepção, omitindo exortações a castigos corporais voluntários.
O mandamento do amor desinteressado exige uma igualdade absoluta na consideração de todas as coisas, eliminando gradações afetivas particulares com base na indistinção do Uno.-
Conformidade ética com a vontade divina oriunda da união indistinta com o fundamento.
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Repetição do preceito evangélico de amar a Deus acima de tudo por consideração exclusiva a Ele.
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Tese de que o amor autêntico distribui-se de maneira idêntica entre todos os entes.
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Conexão em que o amor total a Deus fundamenta o amor correto e equânime para com o próprio sujeito e o próximo.
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Exigência de indistinção no ato amoroso em correspondência à natureza indistinta do Uno.
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Repreensão ao amor majoritário de Pedro por Jesus no capítulo vinte e um de João, classificado como uma modalidade imperfeita de afeto por introduzir distinções.
A equivalência moral entre o ato interior e a execução exterior gerou acusações de quietismo, em um contexto eclesiástico alarmado pela heresia do Livre Espírito.-
Concentração de quatro artigos latinos na condenação da tese de que a obra externa nada adiciona à bondade do ato interno.
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Coerência da doutrina com a natureza interior da teologia de Eckhart.
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Atmosfera de temor em relação à heresia do Livre Espírito, acusada de endossar licenciosidades sob o pretexto da perfeição interna.
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Leitura equivocada de Eckhart supondo a concordância de Tomás de Aquino com sua tese sobre o ato interno.
A primazia do ato interior sobre o exterior sustenta-se em quatro justificativas metafísicas e teológicas integradas ao edifício ético de Eckhart.-
Primeira razão: o ato exterior é passível de impedimentos mecânicos.
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Segunda razão: apenas o ato interno recebe o comando direto de Deus.
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Terceira razão: a operação interna nunca gera opressão ou peso ao sujeito.
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Quarta razão: o ato interior louva a Deus diretamente na condição de seu autor.
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Reiteração da tese em todo o corpo das obras latinas e vernáculas.
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Ideal ético definido nos Conselhos de Discernimento como a coexistência unitária das dimensões interna e externa, mantendo a prioridade do comando divino na esfera invisível.
A união de fundamentos entre Deus e a alma impõe restrições às orações de petição, transformando a prece em um ato de comunhão ontológica superior.-
Questionamento do valor da prece de súplica decorrente da identificação com o fundamento de Deus.
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Tratado Sobre o Desapego excluindo a petição do conceito de prece, mas validando a oração compreendida como união existencial.
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Incongruência de solicitar bens finitos ou realidades menores que o próprio Deus quando se habita o mesmo fundamento.
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Condenação dos artigos 7, 8 e 9 da Bula papal por conterem paradoxos que vedam a petição à alma nobre unida ao fundamento.
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Aplicação do princípio do em quanto para esclarecer que as vedações à petição vigoram apenas no plano abstrato, formal e exclusivo da união.
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Extensão do princípio às passagens sobre a capacidade do justo em operar obras propriamente divinas.
O estilo de vida do homem unificado sintetiza-se na expressão viver sem porquê, emulando a espontaneidade e a autossuficiência da própria atividade criadora de Deus.-
Diálogo metafórico em que a vida responde que vive para viver ao ser inquirida sobre sua utilidade ao longo de milênios.
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Propriedade da vida de brotar de sua própria fonte e habitar seu fundamento sem demandar justificativas externas.
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Inexistência de porquê no amor daquele que habita a bondade de sua natureza e o amor de Deus.
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Atributo exclusivo de Deus consistente em não possuir razões externas a si, agindo inteiramente por amor de si conforme os Provérbios.
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Descaracterização como obra divina de qualquer ação eivada de finalidades externas ou motivos alheios à realidade divina.
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Identificação do viver sem porquê com o ápice da mística e da fruição humana na suficiência existencial.
O conceito de viver sem porquê afasta-se de isolamentos do mundo ou buscas por transes místicos, operando uma inversão exegética que privilegia a atividade cotidiana de Marta sobre a contemplação de Maria.-
Rejeição de buscas por estados excepcionais, êxtases ou arrebatamentos na ética do cotidiano.
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Comentário sobre o episódio evangélico de Marta e Maria no Sermão 86.
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Inversão da exegese tradicional que ligava Marta ao esforço ativo inferior e Maria à superioridade contemplativa.
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Preferência pela conduta de Marta na existência terrena, recomendando-se a Maria que se levante e aprenda a viver.
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Marta erigida em arquétipo da alma que preserva a união imutável com Deus no ápice da mente, enquanto executa obras no mundo para o auxílio do próximo e conformação à imagem divina.
A sacralidade da existência localiza-se na atitude interna do operador e na onipresença divina nas tarefas ordinárias, dispensando distinções espaciais ou institucionais rígidas.-
Marta como modelo da união entre a virgem desapegada e a esposa frutífera, operando sem porquê.
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Ensinamento da onipresença divina em todas as ações atestado em fontes latinas e alemãs.
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Crítica aos que supõem capturar mais a Deus em recolhimentos doces do que junto à lareira ou na estrebaria, comparando a conduta ao ato de amordaçar a cabeça de Deus e empurrá-lo sob um banco.
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Reconhecimento técnico de que a prece supera a fiação e a igreja supera a rua nos Conselhos de Discernimento.
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Deslocamento do valor da matéria da ação para o espírito com que é realizada, fixando que as ações não santificam o homem, mas o homem deve santificar suas ações.
A mística de Eckhart caracteriza-se por um acentuado realismo voltado ao plano imanente, demonstrando suspeição perante consolos sensíveis e desinteresse pelos fenômenos tradicionais do arrebatamento.-
Classificação da postura como mística do mundo por comentadores como Reiner Schürmann.
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Desinteresse por visões, locuções auriculares ou doçuras místicas espirituais.
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Censura mordaz aos que pretendem contemplar a Deus com os mesmos olhos com que observam uma vaca.
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Desconfiança em relação ao raptus místico tradicional que ocupava a literatura de predecessores e contemporâneos.
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Admissão histórica do fenômeno do arrebatamento com base nos registros de Paulo e Agostinho e paráfrase da doutrina tomista sobre o tema.
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Direcionamento da teologia e da pregação para a elucidação do significado profundo da experiência comum e cotidiana em detrimento do extraordinário.
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Defesa da tese de que a união ontológica entre Deus e a alma no fundamento constitui uma realidade permanente a ser constatada de imediato.
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Exortação final garantindo a proximidade e a presença interna dessa alegria a qualquer ouvinte, independentemente de sua capacidade intelectual ou instrução.
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Afirmação de que a posse da alegria interna realiza-se na verdade com a mesma certeza com que Deus é Deus e o ser humano é homem.
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Caráter simultaneamente teocêntrico e antropocêntrico da teologia escolástica finalizada na equação de que o fundamento de Deus e o fundamento da alma são um único e mesmo fundamento.
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