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Figueira infrutífera
Antonio Orbe — Parábolas Evangélicas em São Irineu
Capítulo 6 — A Figueira Infrutuosa (Lc 13,6—9)
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A heresia de Marcion realizou a supressão integral dos versículos de Lucas de um a nove, eliminando tanto os relatos trágicos dos galileus e da torre de Siloé quanto a narrativa da figueira infatgável.
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A ausência absoluta de registros nos escritos de Tertuliano corrobora a exclusão efetuada pelo heriarca.
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Epifânio de Salamina detalha textualmente a extensão do corte operado no manuscrito marcionita.
O motivo para a eliminação das parábolas da figueira e dos maus vinhadores por Marcion baseava-se na impossibilidade de articular o senhor da vinha, identificado como o Deus hebreu Yahvé, com a figura do cultivador, que representava o Cristo.-
O sistema marcionita repudiava a subordinação de Cristo a um comando de extermínio emitido pelo Deus de Israel.
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A defesa da integridade de Israel sob a figura da árvore contrariava os princípios fundamentais da heresia.
O Apocalipse de Pedro apresenta o registro eclesiástico mais antigo a respeito da parábola, estabelecendo uma equivalência direta e explícita entre a figueira e a casa de Israel.-
E eu, Pedro, lhe respondi e disse: Sobre a figueira indique-me em que o conheceremos, pois durante os seus dias toda a figueira tem renovos, e cada ano traz fruto para os seus senhores. O que significa a parábola da figueira? Não o sabemos. E me contestou o Mestre e disse-me: Não compreendes que a figueira é a casa de Israel?
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O texto funde os componentes de Lucas com os vaticínios escatológicos de Mateus e Marcos sobre os tempos finais.
O guardião da plantação apócrifo dirige-se a Deus adotando uma fórmula verbal no plural que gera estranheza interpretativa.-
E o hortelão disse a Dios: Nós servos queremos limpá-la e cavar em torno e regá-la com água. Se então não traz fruto, em seguida afastaremos as suas raízes do pomar, e plantaremos outra em seu lugar.
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A variação pronominal sugere uma associação descuidada com a narrativa dos maus vinhadores.
O simbolismo do protetorado da figueira no Apocalipse de Pedro afasta-se da atribuição cristológica tradicional e orienta-se para a representação angélica ou humana.-
O pastor cede o posto aos servos chamados à filiação divina em moldes semelhantes aos escritos de Hermas.
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A forte tradição do manuscrito evoca a intervenção de um anjo constituído para a salvaguarda da sinagoga judaica.
Os comentadores eclesiásticos posteriores projetaram na figura do cultivador da vinha múltiplas dignidades ministeriais e espirituais da Igreja.-
Ambrósio de Milão, Gregório Magno e Beda interpretam o vinhador como os apóstolos, mestres e pastores comunitários.
O sistema herético dos docetas preservado por Hipólitio de Roma aplicava a parábola da figueira à descrição cosmogônica do Deus oculto e seminal.-
Deus vem a ser como a primeira semente de figueira. Em magnitude, inteiramente pequeníssima; em virtude, grandeza indefinida, sem número em multidão, autossuficiente para a gênese, refúgio dos temerosos, abrigo de desnudos, velo do pudor, fruto apetecido ao qual veio — diz o buscador três vezes e não achou. Por isso diz — amaldiçoou a figueira por não achar nela o fruto aquele doce, o fruto que buscava.
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O nascimento cósmico do universo reproduz os esquemas de emanação típicos do pensamento valentiniano.
O desabrochar da figueira mítica doceta assinala a estruturação de três princípios eônicos derivados do Absoluto inicial.-
Quando se enterneceram os ramos da figueira, brotaram folhas como se costuma ver — e em seguida o fruto, no qual se guarda a indefinida e a inumerável entesourada semente de figueira. Três são, a nosso ver, as coisas que primeiro faz a semente de figueira: tronco, a saber, a figueira; folhas e fruto, o figo.
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Moisés é citado como testemunha oculta dessa tríade ao mencionar os três termos da manifestação no Sinai.
Os três eones hermafroditas gerados da semente primordial uniram-se em perfeita harmonia para conceber o Salvador na comarca intermediária do cosmos.-
O Salvador gerado de uma virgem possui virtude idêntica à do esperma original, mas diferencia-se por sua condição de gerado.
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A exegese herética promove uma distorção dos componentes do texto evangélico de Lucas.
Os docetas traduzem o fruto cobiçado pelo senhor como o próprio Deus desconhecido que permanece além do alcance das inteligências.-
Os três anos correspondem aos três séculos ou eones que ocultavam a divindade no espaço mítico.
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O buscador que atinge a árvore representa o homem espiritual ou gnóstico em sua jornada de conhecimento.
A configuração invertida da árvore mítica distribui os componentes do tronco, da folha e da casca como emanações descendentes do intelecto e do homem original.-
O Salvador manifesta-se no quarto século para facultar o acesso ao fruto que fora procurado sem sucesso nas três idades anteriores.
A união mítica efetuada pelos docetas vincula a figueira estéril de Lucas à árvore que sofreu a execração histórica de Jesus em Mateus e Marcos.-
Fruto codiciado, trás o qual veio o que busca — diz por três vezes, e não achou. Por isso diz amaldiçoou a figueira, pois não encontrou nela aquele fruto muito doce, o fruto que buscava.
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A condenação representa a superação do tempo de ignorância que caracterizou as três eras divinas anteriores ao advento do Salvador.
O sistema dos simonianos articula a alegoria da árvore para espelhar a trajetória da humanidade espiritual dispersa na matéria sensível.-
A árvore representa o homem terreno com raízes celestes e dotado de casca, ramos e folhas.
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A colheita do fruto eclesial culmina com a conflagração e destruição definitiva das estruturas animais e materiais de serviço.
A obra coptônica Pistis Sophia insere o texto lucano em um cenário eclesiástico simples focado na reincidência e no perdão das almas.-
O Salvador batizara três vezes uma mulher penitente sem que ela manifestasse obras condignas com os mistérios divinos.
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Pedro é provado em sua disposição para a clemência e o perdão eclesiástico diante da fragilidade do indivíduo.
O Salvador ordena a Pedro a execução do mistério de exclusão sobre a alma que desonra as heranças da Luz.-
Olha, três vezes batizei eu a esta alma e esta terceira vez não fez o condigno aos mistérios da Luz. Por que impurifica até o corpo? Agora, pois, Pedro, leva a cabo o mistério da Luz, que afasta as almas das heranças da Luz. Realiza aquele mistério para que afaste o alma desta mulher das heranças da Luz.
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A resposta do apóstolo ecoa as palavras exatas do vinhador evangélico ao interceder pela árvore.
Pedro roga por uma nova oportunidade para instruir a mulher e submetê-la aos mistérios superiores da salvação.-
Senhor meu! Deixa-a ainda por esta vez, a fim que lhe demos os mistérios altos, e se é apta, tu a fazes herdeira do reino da Luz; se não o é, a mandas separar do reino da Luz.
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O Salvador reconhece na manifestação do apóstolo a presença do verdadeiro caráter compassivo.
Maria Magdalena assume a palavra para desvelar a equivalência tipológica entre a mulher pecadora e a figueira descrita por Jesus.-
Senhor meu, entendi os mistérios das coisas de que tem sido partícipe essa mulher. Tocante às coisas que se lhe comunicaram, nos falaste tu uma vez em parábola, quando dizias: Um homem possuía uma figueira em sua vinha. Vino, pois, a buscar seu fruto e não achou nenhum nela. Falou ao viñador: Mira, três anos há que venho e não tenho disso ganho nenhum. Córtala, pois, porque inutiliza até o solo. Mas ele contestou e lhe disse: Senhor meu, tem ainda este ano paciência com ela, até que a cave em torno e a regue. Se ao ano seguinte traz, a deixas; se não encontras algum, a cortas. Mira, Senhor meu, esta é a solução da palavra.
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O Salvador aprova a leitura apresentada e qualifica Maria como uma mulher eminentemente espiritual.
A figueira na Pistis Sophia simboliza o indivíduo racional e a alma eclesial que recebe o triplo batismo dos mistérios.-
A alteração textual sobre a falta de ganho reflete a polêmica herética contra as exigências materiais do demiurgo hebreu.
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A Igreja das nações é representada sob a figura feminina que necessita de conversão para obter a herência luminosa.
O Diatessaron de Taciano efetuava a ligação cronológica entre os três anos da parábola e o tempo da vida pública do Salvador.-
Três anos são o tempo em que se lhes deu a conhecer como Salvador. E o que disse: Quantas vezes quis congregar-vos, é o mesmo que aquelas palavras: Mira que venho três anos, busco fruto nesta figueira e não o encontro.
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A coordenação exegética associa de forma pioneira a esterilidade da árvore ao pranto de Jesus sobre Jerusalém.
Tertuliano faz uma menção rápida à narrativa em suas obras, destacando o caráter evidente de seu alcance histórico e profético.-
E contudo nenhuma parábola não ou pelo próprio invenhas dissertada, como do semeador na administração do verbo; ou por comentador do Evangelho iluminada, como do juiz soberbo e da viúva instante à perseverança da oração; ou além disso conjecturada, como da árvore da figueira dilatada na esperança, à semelhança da infructuosidade judaica.
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A figueira encarna o povo israelita que frustrou os cuidados e as expectativas de Yahvé.
Cipriano de Cartago projeta o texto sobre os homens que carecem de frutos de caridade e negligenciam o temor a Deus.-
E quem tem da fé a verdade conserva de Deus o temor; quem porém de Deus o temor conserva nas miserações dos pobres em Deus cogita. Opera com efeito em Deus porque crê, porque sabe verdadeiras ser as coisas que preditas foram pelas palavras de Deus nem a Escritura santa poder mentir, que árvores infructuosas, isto é estéreis homens são cortados e no fogo metidos, os misericordiosos ao reino são chamados.
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A esterilidade humana atrai a sentença de destruição pelo fogo reservada às árvores inúteis.
Orígenes constrói uma correlação tipológica atrevida entre o esterco do texto de Lucas e os excrementos do novilho sacrificial descritos no Levítico.-
Que verdadeiramente diz que com o esterco é queimado e com as entranhas, vê se porventura à comparação dos celestes corpos este corpo da humana natureza, esterco figuralmente seja chamado. Terra com efeito é e da terra assumido. Mas também aquele cesto de esterco que às raízes de suceder a figueira é metido, que outro que o mistério da suscepta no corpo dispensação mostra? Nem contudo lhe as entranhas faltar se dizem. Embora com efeito vil de servo tenha gerido a forma, a plenitude contudo nele da divindade habitava.
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O adubo depositado pelo cultivador figura a própria carne e a dispensação terrena assumidas pelo Verbo de Deus.
A carne sacrificial de Jesus atua como o adubo místico dissolvido na paixão para reverter a aridez do mundo eclesial.-
O elemento expressa a natureza terrena do Salvador oferecida fora do acampamento celestial em favor dos homens.
Uma segunda abordagem origeniana transfere o simbolismo do esterco para o plano do conhecimento preparatório e das ciências humanas.-
As disciplinas antigas e o conhecimento profético da Lei funcionam como o adubo necessário para o amadurecimento do intelecto.
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Em comparação com a excelência do conhecimento de Jesus Cristo, todo o anterior a tamanha gnose, sem ser por sua natureza própria lixo, parecem lixos. E quiçá são o esterco que o viñador bota junto à figueira e é causa de que ela fructifique.
A alma ou intelecto humano alcança a ciência perfeita do Salvador após receber a instrução preliminar das Escrituras do Antigo Testamento.-
O fruto perfeito produzido pela figueira da alma identifica-se com a consumação da gnose cristã expressa pelo Apóstolo.
O mestre alexandrino apresenta uma leitura cósmica para a figueira de Mateus, equiparando a árvore ao mundo e os ramos tenros à Igreja.-
E a figueira, isto é o mundo, o terno ramo, isto é a Igreja fez agora por certo folhas proferindo, até que está no próximo o verão, contudo não adveio; feita porém a estio, plenamente perfeitos e maduros a Cristo os figos prestará, quando segundo Jeremias os figos bons são valde, congregados em cestos de bons figos, dos quais Cristo receber quer e quase comer a doçura deles.
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O desenvolvimento folhear precede a colheita dos fiéis perfeitos que ocorrerá na consumação do verão escatológico.
A segunda leitura origeniana preserva a identificação histórica da árvore com o povo da circuncisão judaica que murchou diante do Senhor.-
Pode também entender-se aquela figueira o povo da circuncisão, aos quais faminto o Senhor veio, e como não tivesse encontrado fruto nela, mas só a espécie vital, disse: Nunca de ti alguém fruto coma. Pelo que no advento dele contínuo secou aquela figueira, isto é aquele povo.
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O artifício do autor separa o símbolo benévolo de Mateus vinte e quatro do sinal de maldição de Marcos onze.
Orígenes contrapõe a figueira da sinagoga que arideceu à árvore eclesial do mundo que recebe o adubo para frutificar abundantemente.-
Pelo que no advento dele contínuo secou aquela figueira, isto é aquele povo. Aquela porém outra figueira que, quanto aos priores tempos estéril era, que fora já de cortar pelo que nenhuma tinha tido adibida a si diligência pelo seu cavador, com o esterco a ela começado a circundar, proferirá frutos; que outrora tinha evacuado a terra, agora porém largiores frutos produzirá também pelo tempo transacto no qual estéril foi. E cada um de nós após os invernos das tentações e após a tristeza dos perigos transactos ao verão festina proferindo o terno ramo, não aquele duro, mas mole coração para crer em Deus.
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O indivíduo salvo transpõe as provações do inverno espiritual para atingir a fertilidade do coração sob o influxo de Cristo.
A esterilidade primeva do mundo e da Igreja decorria da total ausência de cuidados por parte do antigo legislador.-
A intervenção da humanidade de Cristo opera a transformação que culminará com a abundância de frutos na segunda parusia.
Os escritores eclesiásticos da posteridade inclinaram-se a partilhar da leitura pejorativa que associava a árvore infrutuosa à sinagoga ou à legislação antiga.-
Hilário de Poitiers e Pseudo-Teófilo sustentam a perfeita adequação entre a conduta infecunda de Israel e a imagem da figueira.
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Tito de Bostra e os Scholia vetera afirmam que a parábola opera o convencimento do crime de esterilidade cometido por Jerusalém.
Gregório de Elvira define a figueira como a imagem expressa da Antiga Lei instituída no seio do povo hebreu pelo Pai de família.-
O que porém a figueira signifique brevemente digo. A figueira portanto da antiga Lei imagem ter o próprio senhor no evangelho manifestou dizendo: Um certo pai de famílias plantou uma vinha e em sua vinha plantou uma figueira. Quem pai de famílias senão deus, que de sua família é pai? Plantou logo a vinha, isto é o povo, porque a vinha — inquit — do Egito trasladaste; ejetaste as gentes e a plantaste. E utique o povo, não a vinha do Egito trasladara, para que saibais a vinha o povo entender-se oportuno, como Isaías: A vinha — inquit — do senhor dos exércitos é a casa de Israel. Mas em sua vinha plantou uma figueira, isto é em seu povo pôs a Lei.
O comentário de João Crisóstomo preserva a orientação universal de Orígenes ao equiparar a figueira à alma do pecador e a vinha à estrutura da Igreja.-
Os trabalhadores encarregados da cultura representam os anjos, e os três anos de tolerância marcam as idades do desenvolvimento humano.
A exegese dos três anos de espera desenvolveu-se por caminhos independentes, simbolizando para Hilário as três eras históricas das dispensações divinas.-
Como aquele pai de famílias no evangelho com trino advento a infructuosa figueira visitou, assim a santa mãe Igreja do Salvador o advento com anuo recurso por três semanas de secreto espaço a si indicou. Veio com efeito o filho do homem buscar e salvo fazer o que tinha perido. Veio antes da lei, porque pelo natural intelecto, que a cada um a agir ou o que a seguir seja, inotuiu. Veio sob a lei, porque dos patriarcas exemplos e dos profetas preconizações à semente de Abraão legais confirmou decretos. Veio terceiro após a lei pela graça à vocação das gentes para que do sol orto até ao ocaso louvar aprendessem os meninos o nome do Senhor, os quais até ao fim do mundo ao de sua majestade culto exortar não desiste.
Ambrósio de Milão conjuga as teses teofânicas para explicar as três etapas como as visitas a Abraão, a Moisés e à virgem Maria.-
Procura que triênio seja? Ecce — inquit — anos três são, ex quo venho querendo fruto nesta figueira, e não encontro. Místico com efeito número devia-se, para que a salvação aos povos fosse reddida: um nos patriarcas ano… outro em Moisés e nos profetas ceteros, terceiro no do Senhor Salvador advento.
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O bispo milanês varia o perfil em outras seções para associar o triênio às três marcas da circuncisão, da legislação e do corpo místico.
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Veio a Abraham, veio a Moysen, veio a Mariam, isto é veio no sinaláculo, veio na lei, veio no corpo… a circuncisão purificou, santificou a lei, justificou a graça.
Tito de Bostra reitera a divisão ternária ao apontar as manifestações efetuadas por intermédio de Moisés, dos profetas e da própria pessoa de Jesus.-
O testemunho de Efrem da Síria divide-se entre a alusão às três catividades históricas de Israel e os três anos de pregação de Cristo.
Ireneu de Lyon evoca sutilmente a narrativa da figueira ao tratar do leão árido humano que necessita da irrigação celeste para alcançar a vitalidade.-
E como a árida terra se não percebe o humor não fructifica, assim também nós lenho árido existentes primeiro, nunca fructificaríamos a vida sem a superna voluntária chuva.
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O leño árido contrapõe-se ao leño verde que é Cristo e representa os filhos de Israel reacios à seiva divina no caminho do Calvário.
O bispo de Lyon estende a aplicação do símbolo a todos os fiéis da Igreja, identificando os gentios com a antiga terra desprovida das chuvas da graça.-
As nações pagãs não haviam recebido a precipitação profética que regava de forma constante a sinagoga judaica.
A intervenção do Salvador transmite a umidade da vida por meio do lavacro da água e do Espírito Santo que quebra as barreiras nacionais de Israel.-
Os indivíduos antes estéreis e ressecados passam a manifestar a fecundidade e o verdor decorrentes do batismo.
A orquestração teológica desenvolvida por Ireneu emprega a parábola da figueira para demonstrar de forma cabal a perfeita unidade dos dois Testamentos.-
Os profetas antigos e o Salvador presencial provêm do mesmo Deus Criador e anunciam a mesma dispensação de justiça.
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Mas também da árvore da figueira a parábola, de que o Senhor diz: Ecce já por triênio venho querendo fruto nesta árvore da figueira e não encontro, pelos profetas o seu advento significando, pelos quais veio algumas vezes exquirindo da justiça o fruto deles, o qual não encontrou, abertamente manifestou, e porque será cortada a árvore da figueira por causa da predita causa. E sem parábola porém dizia a Jerusalém o Senhor: Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que são enviados a ti, quantas vezes quis colher os teus filhos, como a galinha os pintos sob as asas, e não quiseste. Ecce remete-se a vós a vossa casa deserta. O que com efeito por parábola dito fora: Ecce triênio venho querendo fruto, e manifesto de novo: Quantas vezes quis colher os teus filhos, se não deste o advento que pelos profetas é, entendamos, será mentira, sequidem uma vez e então primeiro veio a eles. Mas visto que e os patriarcas quem elegeu e nós, o mesmo é o Verbo de Deus, e aqueles sempre visitando pelo profético Espírito, e nós que de toda parte convocados somos pelo seu advento, sobre essas coisas que ditas são verdadeiramente, estas dizia: Muitos do Oriente e do Ocaso virão, e recumbirão com Abraham e Isaac e Iacob no reino dos céus. Os filhos porém do reino irão nas trevas exteriores: ali será o choro e o estrridor de dentes.
A correspondência verbal entre o triênio da parábola e as múltiplas vezes do lamento sobre Jerusalém exige o reconhecimento das visitas prévias do Verbo.-
O texto evangélico incorreria em falsidade se a encarnação presencial constituísse o primeiro e único contacto de Cristo com o povo hebreu.
O Verbo de Deus visitava de forma permanente os pais do Antigo Testamento por meio do Espírito profético, assim como convoca os gentios no Novo Testamento.-
Os fiéis provenientes do Oriente e do Ocidente participarão do mesmo banquete celeste na companhia dos patriarcas Abraão, Isaac e Jacó.
As múltiplas vindas de Cristo através dos enviados proféticos concentravam-se na exigência do fruto da retidão e da fé eclesiástica.Cada locução do Logos direcionada aos antigos videntes antecipa de modo dinâmico o mistério da manifestação carnal do Salvador.-
O simbolismo do número três assume o significado de sempre, abrangendo o início, o meio e o término da economia divina.
A exegese de Ireneu afasta-se de Orígenes ao fixar na figueira o símbolo pejorativo da esterilidade culposa do povo de Jerusalém.-
Israel ofertou ao Criador apenas os sacrifícios externos da justiça oficial, negligenciando os frutos verdadeiros do coração.
O bispo de Lyon rejeitaria a tese origeniana que atribuía a esterilidade da árvore à total negligência ou falta de empenho por parte de seu cavador.O cuidado persistente dispensado pelo Filho de Deus à figueira de Israel destrói a antinomia heterodoxa entre as duas alianças.-
A esterilidade final de Israel não decorre de uma limitação cósmica ou fatalidade da natureza, mas da recusa voluntária do povo.
Efrem da Síria manifesta forte oposição ao modelo interpretativo de Ireneu, rejeitando a identificação da figueira com a cidade de Jerusalém.-
O autor constata que Jesus amaldiçoou a árvore em um momento inoportuno em que não se registrava o tempo natural para a colheita de figos.
Se a vinda do Filho único operou-se na plenitude dos tempos, a condenação de Jerusalém deve coincidir com o seu dia e com a sua época de maturação.-
A árvore histórica foi amaldiçoada fora de época, o que impede sua equiparação com a responsabilidade moral de Jerusalém.
A esterilidade da cidade provocou o pranto e o lamento explícitos do Salvador por ocasião de sua entrada solene nas comarcas da Judeia.-
A figueira e a cidade constituem realidades totalmente distintas que não devem ser confundidas na exegese eclesiástica.
A ação de Jesus sobre a árvore vegetal representou um prodígio destinado exclusivamente a robustecer a fé vacilante dos discípulos.-
O milagre desprovido de ocultações místicas atestou a soberania e a divindade de Cristo sobre as leis da natureza corpórea.
A aversão de Efrem em relação ao paralelismo hermenêutico pode ter sido herdada de formulações flutuantes de origem heterodoxa.-
Os gnósticos utilizavam a busca de frutos fora de época para demonstrar que a economia dos judeus era por natureza incapaz de produzir frutos para o Deus verdadeiro.
Ireneu unifica os componentes da parábola de Lucas, da ação de Mateus e das apostrofes de Jerusalém sob o mesmo eixo interpretativo da fidelidade de Yahvé.-
A recapitulação dos sinais atesta a perene vontade salvífica do Criador manifestada desde a era dos patriarcas.
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