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MITCHELL, Stephen. Genesis. New York: HarperCollins, 2010.
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No princípio, Deus criou os céus e a terra, e a terra era caos, com trevas sobre o abismo, até que a palavra divina instaurou a luz e inaugurou a sequência dos dias.
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O espírito de Deus pairava sobre as águas antes de qualquer ato criador.
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A luz foi declarada boa e separada das trevas por decreto divino.
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Deus nomeou a luz Dia e as trevas Noite — nomeação como ato de ordenação do real.
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“Haja luz” — e houve luz: o primeiro dia se completa entre uma tarde e uma manhã.
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No segundo dia, Deus ordenou a separação das águas por meio de uma abóbada, distinguindo as águas inferiores das superiores e nomeando essa estrutura Céu.
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A abóbada funciona como fronteira cósmica entre dois domínios aquáticos.
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A fórmula “e assim foi feito” sela a correspondência entre palavra e realidade.
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O segundo dia encerra-se também entre tarde e manhã.
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No terceiro dia, Deus reuniu as águas inferiores em um só lugar para que a terra seca aparecesse, e então ordenou à terra que produzisse vegetação com capacidade reprodutiva.
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Deus nomeou a terra seca Terra e as águas reunidas Mar.
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A vegetação inclui plantas que produzem sementes e árvores frutíferas com semente em si mesmas — princípio da autoperpetuação.
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A bondade da criação é reafirmada duas vezes nesse dia — pelo surgimento da terra e pelo surgimento das plantas.
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No quarto dia, Deus criou os astros luminosos na abóbada celeste para separar o dia da noite, marcar as estações e os anos, e iluminar a terra.
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Os dois grandes luminares cumprem funções distintas: o maior governa o dia, o menor governa a noite.
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As estrelas são criadas juntamente com os dois luminares principais.
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A função dos astros é simultaneamente cosmológica — ordenação do tempo — e prática — iluminação da terra.
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No quinto dia, Deus povoou as águas e os céus com criaturas vivas, criou as grandes baleias e abençoou os seres com a capacidade de multiplicar-se.
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Deus criou toda espécie de criatura que as águas produzem e toda espécie de ave.
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A bênção assume forma de imperativo: “sede fecundos e multiplicai-vos, enchei as águas do mar, e que as aves se multipliquem na terra.”
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É o primeiro ato explícito de bênção dirigida a seres vivos.
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No sexto dia, Deus criou os animais terrestres de toda espécie e, por fim, os seres humanos à sua própria imagem, conferindo-lhes domínio sobre todas as criaturas e provendo alimentação vegetal a todos os seres.
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A criação dos humanos é precedida por uma deliberação no plural — “façamos os humanos à nossa imagem, semelhantes a nós” — distinguindo-se das demais criações.
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Os humanos são criados à imagem de Deus, macho e fêmea, e recebem bênção e mandato de fecundidade, multiplicação e governo da terra.
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O domínio humano abrange os peixes do mar, as aves do céu, os animais e os répteis.
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A alimentação concedida aos humanos são plantas com sementes e árvores frutíferas; aos animais, aves e criaturas da terra, toda planta verde.
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Ao final do sexto dia, Deus contemplou tudo o que havia feito e declarou que era muito bom — único momento em que o juízo de valor é intensificado.
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No sétimo dia, com os céus, a terra e tudo neles concluídos, Deus descansou de toda a obra realizada e santificou esse dia em razão do repouso que nele tomou.
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O término da criação precede o descanso: Deus viu que sua obra estava completa.
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Deus abençoou o sétimo dia e o tornou sagrado — distinção qualitativa em relação aos demais dias.
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O repouso divino fundamenta a santidade do sétimo dia como princípio de ordenação do tempo humano.
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