estudos:mopsik:cmss:start
SICLO DO SANTUÁRIO
MOÏSE DE LEÓN. Le sicle du sanctuaire. Tradução: Charles Mopsik. Lagrasse: Verdier, 1996.
-
A cabala teosófica exposta no Zohar é a doutrina do judaísmo que alcançou a mais vasta audiência entre o povo judeu, sua elite intelectual, líderes rabínicos e pensadores de diversas origens.
-
Por doutrina do judaísmo compreende-se um conhecimento organizado de maneira consistente, que se origina do judaísmo, abrange todos os seus aspectos e se afirma como expressão de sua verdade mais íntima.
-
Embora o Zohar se enquadre nessa definição, sua popularidade e os inúmeros comentários sobre esse complexo corpus literário não conseguiram expor seu sistema de pensamento de forma a satisfazer plenamente o desejo de compreensão.
-
Entre as obras criadas na mesma escola de pensamento, época e região do Zohar, os escritos de Moisés de Léon destacam-se pelo uso constante dessa obra e são os mais indicados para fornecer uma exposição sistemática de seus fundamentos doutrinários.
-
O Siclo do Santuário representa a obra de maturidade de Moisés de Léon que melhor atende aos critérios de sistematicidade, exaustividade e aprofundamento da cabala teosófica.
-
O estudo desse texto constitui um caminho privilegiado para adentrar os mistérios da cabala zohárica e enfrentar os problemas filosóficos, teológicos e exegéticos que se apresentam.
Moisés de Léon e seu meio
-
Moisés ben Shem Tov nasceu por volta de 1240 na cidade de Léon, na província de mesmo nome integrada ao reino de Castela, e faleceu em 1305 na localidade de Arévalo.
-
Atribui-se a Moisés de Léon a autoria da maior parte do Zohar, O Livro do Esplendor.
-
O Zohar se apresenta como um texto antigo originado na escola de rabbi Simeão ben Yohai, um tanna do final da Antiguidade, entre o término do século I e o início do século II.
Moisés de Léon escreveu em um período de intensa proliferação de textos cabalísticos nas regiões de Castela e Aragão.A grande quantidade de publicações pode indicar, segundo a perspectiva de Moshe Idel, um enfraquecimento do controle das autoridades rabínicas, que careciam de líderes fortes para conter a liberdade exegética e especulativa dos cabalistas castelhanos do século XIII.-
Moshe Idel aponta em Kabbalah, New Perspectives que a explosão de criatividade cabalística decorreu da neutralização de inibições que impediam os primeiros cabalistas de expandir as tradições esotéricas herdadas.
-
O mesmo autor aborda o tema em Kabbalah and Elites in Thirteenth-Century Spain.
Uma explicação alternativa de caráter não psicossociológico pode ser encontrada nas observações de um renomado comentador espanhol do Pentateuco e destacado cabalista.R. Bahya ben Asher de Saragoça afirmou em seu comentário sobre a Gênese que a sabedoria é denominada livro porque as gerações se sucedem e ela só permanece por meio da escrita, de modo que até a sabedoria do alto recebe esse nome.A percepção do risco de esquecimento e perda da sabedoria, que demanda o registro escrito para subsistir, possui múltiplas causas.No contexto histórico dos judeus na Espanha da segunda metade do século XIII, o exílio forçado de Nahmanides gerou profundo impacto, pois o cabalista precisou fugir da península ibérica e interromper a transmissão predominantemente oral aos seus discípulos.A transmissão estritamente oral da tradição esotérica judaica mostrou-se insuficiente para garantir sua continuidade diante das crescentes ameaças de expulsão e da precariedade das comunidades judaicas na Espanha.A expulsão ocorrida em 1492 confirmou a procedência do sentimento de instabilidade que afetava as comunidades.A produção intensiva de livros funcionava como um meio de preservação da sabedoria.-
Certos cabalistas, a exemplo de R. Isaac de Acre, demonstraram uma atividade de escrita incessante.
-
Em O Tabernáculo do Testemunho, Moisés de Léon expressou o dilema de registrar os segredos por escrito, temendo a omissão do bem aos seus destinatários legítimos, mesmo ciente de que poucos os compreenderiam.
-
Moisés de Léon decidiu escrever para revelar os conhecimentos aos seguidores da fé, aos que temem a Deus e respeitam o Seu nome.
-
R. Simeão ben Yohai manifestou ambivalência semelhante no início da Idra Rabba ao declarar o infortúnio tanto de revelar quanto de ocultar os segredos, optando por transmiti-los aos companheiros tementes ao Santo, bendito seja Ele.
-
R. Eleazar de Worms, figura mística asquenaze do século XIII, justificou sua escrita pela necessidade decorrente da solidão após a morte de seu mestre, da falta de discípulos e do assassinato de sua família por cruzados, que o privaram de um filho para a transmissão oral.
-
Daniel Abrams analisou o surgimento literário do esoterismo no pietismo alemão e a redação de segredos por Eleazar de Worms, restando avaliar a aplicação dessas análises ao contexto de maior criatividade de Moisés de Léon.
A urgência do registro escrito para evitar o esquecimento impulsionou processos de criatividade e inovação.A necessidade de escrever muito exigia a repetição dos ensinamentos recebidos, remodelando-os continuamente e integrando novas exegeses e especulações audaciosas.Exemplos históricos de outras regiões e épocas demonstram que pequenos grupos unidos por ideais filosófico-religiosos em ambientes ameaçadores tendem a gerar uma literatura abundante.-
Os gnósticos do final da Antiguidade desenvolveram uma intensa produção de textos diante das ameaças da Igreja.
-
Os ismaelitas também servem de exemplo para esse comportamento literário.
A ampliação das chances de sobrevivência de um ensinamento com bases sociais instáveis motivava a multiplicação de livros.A mera ausência temporária de uma liderança rabínica imponente não explica completamente o grande volume de textos cabalísticos produzidos no período.As formulações intencionalmente alusivas e o direcionamento do leitor para o ensinamento oral individualizado continuaram frequentes nas obras dos cabalistas de Castela.-
R. Joseph Gikatila adotou essa postura no último capítulo de sua obra Sha'arei Orah.
-
Isaac ben Jacob ha-Cohen apresentou desenvolvimento semelhante ao final de seu comentário sobre o carro de Ezequiel publicado por G. Scholem.
-
Moisés de Léon afirmou na introdução do Livro da Balança que os caminhos das ciências interiores são íntimos e inacessíveis à inteligência própria, exigindo a instrução por um homem perito nos segredos da sabedoria.
O conjunto de textos produzidos pelos cabalistas castelhanos e aragoneses, especialmente por Moisés de Léon, forma um acervo vasto que ainda não foi totalmente publicado, explorado ou identificado.Elementos biográficos
-
Os dados biográficos disponíveis sobre a vida de Moisés de Léon são escassos.
-
A reconstrução de sua formação intelectual baseia-se em seus próprios escritos e em raros testemunhos externos.
-
Constata-se a leitura de O Guia dos Perplexos de Maimônides, na tradução de Samuel ibn Tibbon, por volta dos vinte e quatro anos de idade.
-
Moisés de Léon já possuía sólida instrução nas matérias judaicas tradicionais e estudou as filosofias aristotélica e neoplatônica por meio de traduções do árabe para o hebraico.
A trajetória intelectual do cabalista divide-se em dois períodos distintos refletidos em sua produção literária.No primeiro período, situado até no máximo 1286, Moisés de Léon vinculou-se à cabala das letras, frequentemente denominada misticismo linguístico.-
Essa vertente priorizava o estudo do significado das letras do alfabeto hebraico e dos nomes divinos, configurando uma filosofia mística ligada à metafísica, física e psicologia aristotélicas.
-
As dez sefirot do Livro da Criação eram equiparadas a dez Inteligências separadas.
-
O Intelecto Agente era identificado com a primeira sefira e com o Arcanjo da Face divina, Metatron, que detém o selo do Único.
-
G. Scholem e Elliot Wolfson analisaram a atividade literária desse período e as características de obras como O Livro da Romã.
-
Alexandre Altmann demonstrou as semelhanças entre a obra A Luz Semeada, de Moisés de Léon, o Guinat Egoz de R. Joseph Gikatila e trechos do Midrash ha-Neelam.
-
Assi Farber identificou outros textos de Moisés de Léon pertencentes à mesma linha de pensamento em estudos sobre a doutrina cabalística primitiva.
Moisés de Léon realizou uma mudança radical em sua orientação, tornando-se adepto da cabala teosófica.-
O mestre principal de Moisés de Léon nesse campo foi R. Moisés ben Simeão de Burgos, também conhecido como Moisés Shinfa.
-
R. Moisés ben Simeão de Burgos foi discípulo de R. Jacob ha-Cohen de Soria.
Moisés de Léon não demonstrava elevada consideração pelos cabalistas de seu tempo e considerava-se incompreendido.-
Em Questões e Respostas e em A Luz Semeada, o autor indicou que o desejo divino só é descoberto se revelado por um grande sábio, e não por aqueles que julgam possuir sabedoria mas não são reconhecidos pelos falsos sábios de sua geração.
R. Isaac de Acre, um cabalista itinerante vindo da Palestina, encontrou Moisés de Léon em Valladolid no final da vida deste.O relato do encontro constitui o primeiro registro histórico da associação entre Moisés de Léon e o Zohar.Moisés de Léon faleceu em Arévalo quando viajava em direção a Ávila, onde residia, antes de apresentar a prova pretendida por Isaac de Acre.Isaac de Acre prosseguiu sua investigação e consultou um idoso sábio chamado David de Pancorbo.-
David de Pancorbo afirmou que o Zohar nunca esteve nas mãos de Moisés de Léon e que a obra não existia previamente.
-
Segundo o depoimento, Moisés de Léon possuía um nome escritor — shem ha-kotev — e redigia os textos por meio de seu próprio poder.
O interlocutor forneceu detalhes adicionais sobre o comportamento financeiro e a situação familiar de Moisés de Léon.-
O relato descreve Moisés de Léon como um homem generoso e de muitos gastos, cuja casa alternava dias de abundância de ouro e prata recebidos de homens ricos por segredos escritos e dias de total escassez.
-
A privação material afetava diretamente sua esposa e filha na ausência de recursos básicos.
A esposa de Moisés de Léon, após ficar viúva, apresentou um testemunho considerado desfavorável ao falecido marido.-
A viúva relatou ter questionado o marido sobre o motivo de escrever o Zohar e negar a autoria, abrindo mão do reconhecimento público da obra.
-
Moisés de Léon teria respondido que agia assim para valorizar o texto e vender as cópias por um preço mais elevado.
Os historiadores do judaísmo dividiram-se quanto à interpretação e autenticidade desse relato obtido de segunda mão.-
Alguns pesquisadores utilizaram a confissão para classificar o autor como um falsificador motivado por interesses triviais.
-
Outros estudiosos questionaram a veracidade do testemunho preservado.
O relato apresenta indícios de autenticidade e humaniza a figura de Moisés de Léon, servindo como documento sobre a vida social dos cabalistas na Castela medieval.Os dados sugerem que Moisés de Léon sofria pressões familiares devido ao seu estilo de vida quase monástico, dedicado integralmente ao estudo, à escrita e à contemplação.Outros registros biográficos apontam a transmissão de cadernos, apresentados como cópias de um original antigo, para R. Joseph Abulafia.-
R. Joseph Abulafia era filho de R. Todros ha-Levy Abulafia, destacado membro do rabinato de Toledo, cabalista e líder comunitário.
-
Moisés de Léon dedicou a R. Joseph Abulafia as obras A Rosa do Testemunho, O Livro da Romã e O Siclo do Santuário.
O discípulo predileto de Moisés de Léon é identificado como R. Jacob, a quem provavelmente dedicou a obra O Livro da Balança.A investigação sobre a origem do Zohar consolidou-se por meio dos trabalhos de diversos pesquisadores ao longo do tempo.-
O tema foi analisado por Samuel David Luzzatto, Adolphe Jellinek, Heinrich Graetz, Gershom Scholem, Isaiah Tishby, Daniel Matt, Elliot Wolfson, Daniel Abrams e Yehudah Liebes.
-
Henri Serouya sintetizou as discussões anteriores a Scholem sobre a antiguidade da obra.
-
Yehudah Liebes propôs que o Zohar resultou do trabalho coletivo de um grupo de cabalistas, posicionando Moisés de Léon como arquiteto e não como redator exclusivo, divergindo da tese de Scholem.
-
A proposta de Liebes permanece hipotética, exceto pelas seções da Idra Rabba e da Idra Zuta.
-
Israel Ta-Shma sugeriu uma datação anterior para o Zohar, entre as décadas de 1260 e 1270, afastando Moisés de Léon da redação e atribuindo-lhe a função de copista.
A proposta de autoria coletiva reabriu as investigações sobre a composição do texto e indicou novas vertentes de análise.O exame detalhado do Siclo do Santuário sugere que Moisés de Léon redigiu grande parte do Zohar, embora o texto preservado apresente diferenças em relação ao manuscrito utilizado por ele.Os indícios apontam que uma versão inicial do Zohar passou por profundas modificações, incluindo omissões, acréscimos e transformações de trechos.Considera-se improvável que o Zohar estivesse em seu estágio final de elaboração quando o Siclo do Santuário foi escrito.Moisés de Léon utilizava uma versão distinta da atual — cujos fragmentos são parafraseados no Siclo — ou realizava improvisações livres no estilo zohárico que não integraram o corpus final.As duas hipóteses sobre o método de composição do autor não são excludentes.As conexões entre as obras de Moisés de Léon e os cabalistas castelhanos contemporâneos indicam a existência de um círculo que compartilhava exegeses, símbolos, sistemas de pensamento e estilo literário.-
O grupo incluía R. Moisés de Burgos, R. Joseph ben Abraham Gikatila, R. Isaac ha-Cohen de Soria e R. Isaac ben Abi Sahulah.
-
Também faziam parte R. Joseph de Susa (ou de Hamadan), seu mestre — autor do Livro da Unidade — e R. David ben Yehudah he-Hassid.
A vida e a atividade literária de Moisés de Léon aparecem interligadas, caracterizando o perfil comum aos cabalistas de Castela.A produção do autor correspondia tanto à atividade de um pensador quanto à de um copista profissional.O provável sustento por meio da escrita exigia dedicação contínua à cópia manual de seus próprios livros e de textos de terceiros em um período anterior à imprensa.A ausência de cargos rabínicos ou comunitários e o fato de não pertencer a famílias influentes asseguraram ao autor liberdade de espírito para criar e inovar como pensador e exégete.O afastamento definitivo dos modelos de pensamento aristotélicos marcou o início de uma nova fase na carreira do autor, consolidando-o na história da filosofia judaica medieval.Os escritos de Moisés de Léon
-
A quantidade de obras de autoria de Moisés de Léon é expressiva mesmo sem contabilizar o corpus do Zohar.
-
É possível que novos textos ainda não identificados venham a ser atribuídos ao cabalista no futuro.
-
A listagem de seus escritos conhecidos engloba tratados compostos entre as décadas de 1274 e 1293.
-
Or Zarua, A Luz Semeada, foi escrita por volta de 1274 e recebeu edição crítica de A. Altmann.
-
Sod ha-Etzbaot, O Secret dos Dedos, consiste em um fragmento sem título atribuído ao autor por Assi Farber.
-
Shoshan Edout, A Rosa do Testemunho, data de 1286 e foi editada por G. Scholem.
-
Sheelot u-Teshuvot, Questões e Respostas sobre Temas de Cabala, foi publicada por I. Tishby.
-
Sod Esser Sefirot Belimah, O Segredo das Dez Sefirot Belimah, teve edição crítica realizada por G. Scholem.
-
Sefer ha-Rimon, O Livro da Romã, composto em 1287, também é conhecido como Sefer Taamei ha-Mitzvot, O Livro das Razões dos Mandamentos, e possui edição de E. Wolfson.
-
Nefesh ha-Hakhmah, A Alma Inteligente, ou Sefer ha-Mishqal, O Livro da Balança, de 1290, contém explicações de segredos dos mandamentos e foi editado por J. Wijnhoven.
-
Sheqel ha-Qodesh, O Siclo do Santuário, escrito em 1292, recebeu publicação inicial por A. W. Greenup em Londres.
-
Mishkan ha-Edout, O Tabernáculo do Testemunho, de 1293, encontra-se preservado em manuscrito em Jerusalém.
-
Shaar Yessod ha-Merkabah, O Pórtico do Fundamento do Carro, está conservado no mesmo códice em Jerusalém.
-
Maskiyot Kassef, As Guarnições de Prata, composto após 1293, foi editado por J. Wijnhoven.
-
Sodot, Segredos sobre diversos temas, incluem um fragmento sobre fisiognomia publicado por Scholem.
-
Um Comentário sobre a Oração foi redescoberto por Moshe Idel e teve um trecho publicado em estudo sobre a meditação mística.
O acervo de escritos pseudoepigráficos atribuídos a Moisés de Léon, excluindo o Zohar, compreende peças litúrgicas e testamentos.-
Tsavaot Rabbi Eliezer ha-Gadol, O Testamento de Rabbi Eliezer o Grande, integra as edições do Pirqei Rabbi Eliezer.
-
Seder Gan Eden, Ordenação do Jardim do Éden, foi editado por A. Jellinek e traduzido para o francês.
-
Um Comentário sobre a Oração Aleinu surge atribuído a Hai Gaon, suspeitando-se da participação do autor na edição de responsas deste grupo de sábios.
Os registros apontam a existência de obras perdidas mencionadas diretamente por Moisés de Léon em seus textos.-
Fazem parte dessa categoria Shaarei Tzedeq, As Portas da Justiça, que consistia em um comentário sobre o Eclesiastes.
-
Sefer ha-Pardes, O Livro do Pomar, tratava-se de um comentário sobre seções do Pentateuco baseado em quatro níveis de sentido.
-
Tappuhei Zahav, As Maçãs de Ouro, dedicava-se ao comentário sobre as orações.
Outros escritos desaparecidos são referenciados exclusivamente na obra de terceiros autores.-
Identificam-se referências a um Comentário sobre o Cântico dos Cânticos e a um texto polêmico direcionado contra os caraítas.
Adota-se o critério de citar os títulos das obras a partir de suas traduções estabelecidas.O projeto da obra
-
Moisés de Léon registrou em diferentes momentos as motivações fundamentais que o guiaram no trabalho de redação.
-
Os relatos revelam a preocupação do autor em deter a chave do sentido oculto da Torá diante de uma geração indiferente às fontes religiosas e atraída pela filosofia aristotélica.
-
A escrita é vivenciada como um dever imperioso e uma missão urgente, justificando a flexibilização das regras tradicionais de preservação do esoterismo.
-
O esforço de legitimação de sua iniciativa manifesta-se de forma acentuada em O Tabernáculo do Testemunho.
-
O autor justificou a revelação de mistérios profundos pelo fato de testemunhar as pessoas compartilhando pensamentos alheios à tradição, sem que houvesse questionamento entre as sucessivas gerações.
-
Moisés de Léon declarou-se compelido a expor assuntos que os antigos ocultavam, por considerar uma ação Meritória conduzir a obscuridade para a luz.
-
O procedimento assemelha-se a uma passagem de Jó na qual se afirma que Deus traz a escuridão para a luz, servindo o exemplo divino como autorização para o cabalista.
-
Versões mais extensas do manuscrito desse texto foram traduzidas por Scholem em Les Grands Courants de la mystique juive.
Em decorrência do agravamento dos pecados, a força do povo judeu dispersou-se no exílio e os conhecimentos tradicionais foram esquecidos pela ausência de investigadores.-
Os indivíduos aptos a permanecer no Palácio do Rei afastaram-se de seus postos, permitindo que outros ocupassem seus lugares até desaparecerem.
-
A perda da sabedoria tradicional levou o povo a adotar a filosofia dos gregos, conforme exposto anteriormente em O Livro da Romã.
O autor indicou uma justificativa adicional para o desenvolvimento de suas obras em outro tratado.-
O objetivo consistia em apresentar um comentário sobre a visão do carro celestial de Ezequiel para restabelecer a tradição esotérica autêntica frente às exegeses incorretas da época.
-
Em O Pórtico do Fundamento do Carro, o autor declarou-se obrigado a intervir devido ao grande número de indivíduos que compunham comentários inventados por si mesmos e distantes da verdade.
Moisés de Léon posicionou-se como porta-voz e continuador dos antigos sábios silenciados ou desconsiderados por seus contemporãos.A missão assumida consistia na reinserção das verdades ocultas e esquecidas nos círculos de leitura.O cabalista omitiu a menção nominal aos autores medievais de cujos textos extraía elementos para a elaboração de suas exposições.A legitimação de seus argumentos apoiava-se estritamente na autoridade da Bíblia e dos mestres do Talmud e do Midrash.O autor estabeleceu para si a função de refundador, utilizando a escrita com o propósito inédito de promover uma renovação intelectual e religiosa por meio da difusão de livros.Indícios textuais sugerem que as obras tinham como alvo um público amplo, indo além dos círculos restritos de iniciados.Na introdução do comentário sobre as orações cotidianas, As Guarnições de Prata, o autor justificou a composição da obra pela constatação de que a população recitava as preces diárias sem compreender o significado das palavras.-
O tratado destinava-se a expor o segredo da oração diária e o sentido dos cantos de louvor para orientar a devoção popular ao Criador.
-
Trechos de teor semelhante constam em diferentes páginas de As Guarnições de Prata.
O desejo de atingir a coletividade coexistia com a consciência de que apenas leitores específicos decifrariam as expressões elípticas e as alusões frequentes em seus textos.-
No prólogo de A Rosa do Testemunho, o autor afirmou que a Torá celestial foi outorgada a todos os integrantes do povo, desde os líderes até os cortadores de lenha e carregadores de água.
-
A universalidade da Torá conferia a cada indivíduo o direito de participar de sua glória conforme a própria capacidade, fundamentando a decisão de Moisés de Léon de redigir o livro.
-
O projeto buscava democratizar segredos dominados por uma pequena elite, assemelhando a experiência do povo ao pé do Sinai, onde todos tiveram acesso aos reflexos da luz divina.
O sentimento de obrigação interna orientava a atividade literária do autor, que inseriu no prólogo de O Livro da Romã um diálogo de caráter místico-profético com o espírito divino.-
Na narrativa estruturada com versículos bíblicos, a voz interior ordena ao autor que desperte e dissemine a sabedoria.
-
O escritor recusa inicialmente a tarefa por motivos de humildade, alegando juventude e imaturidade para a missão.
-
A saída do isolamento de estudo e a observação da ignorância provocada pelas dificuldades do exílio motivaram a aceitação do encargo.
-
O relato pode indicar uma experiência mística real de escuta de uma voz interior, diferindo do fenômeno do Magguid, no qual a voz se expressa diretamente pela boca do místico.
-
Essa vivência espiritual pode estar associada às afirmações do autor sobre ter copiado o Zohar de fontes antigas, atuando como transcritor de mensagens ouvidas internamente.
-
A hipótese explicaria as citações de estilo zohárico presentes em seus escritos em hebraico que não constam no corpus preservado do Zohar.
-
Sob essa ótica, os mestres antigos da Mishnah e do Talmud manifestavam-se na dimensão espiritual do autor, conferindo ao Zohar o caráter de livro sagrado na tradição tradicional judaica.
O autor enfatizou as consequências da proliferação de livros baseados na filosofia grega durante o período de fragilidade do povo judeu.-
O Livro da Romã descreve que os gregos produziram inúmeras obras contendo argumentos falsos, apresentando-as como a origem de toda sabedoria e alterando os preceitos da Torá.
-
O avanço dessas ideias provocou o esquecimento parcial da Torá, o enfraquecimento da fé e a adoção de termos estrangeiros em substituição à linguagem tradicional.
-
O interesse popular direcionou-se para os textos dos gregos e para as obras produzidas pelos ismaelitas, termo utilizado para designar os muçulmanos.
A disseminação da literatura filosófica em língua árabe gerou um processo de aculturação e falsificação interpretativa da Torá que afetou a comunidade judaica de forma ampla.Os cabalistas que detinham o conhecimento esotérico transmitido estritamente por via oral encontravam-se em desvantagem para conter a influência da filosofia.A situação de urgência exigiu que os detentores da tradição abandonassem a reserva e passassem a produzir livros.A tarefa indicada a Moisés de Léon consistia em redigir tratados capazes de substituir o espaço ocupado pelas obras filosóficas, reconduzindo os leitores espanhóis aos caminhos dos antigos.A análise da obra do autor vincula-se diretamente ao projeto ideológico que motivou sua escrita, fornecendo dados sobre sua biografia espiritual.O Siclo do Santuário
-
O Siclo do Santuário atua como uma síntese concentrada que reúne a totalidade das doutrinas de Moisés de Léon em uma estrutura organizada de viés teórico e filosófico.
-
Concluído em 1292, o tratado figura entre as últimas produções do autor e foi elaborado com o objetivo expresso de aprofundar a doutrina para um público previamente iniciado.
-
No prólogo, o escritor afirmou ter se sentido compelido a redigir a obra para atender à necessidade do homem inteligente de investigar o campo da verdade.
-
Diferenciando-se das obras populares, o texto assume que os leitores conhecem os tratados anteriores do autor, realizando frequentes remissões a eles.
O livro apresenta um caráter denso, sistemático e alusivo, recapitulando os pilares da doutrina teosófica.A diretriz principal da obra consiste em esclarecer os conceitos de escritos anteriores e estruturar uma exposição detalhada do sistema das sefirot.O texto concentra os elementos representativos do pensamento do autor e introduz exames sobre a relação entre a década e a tríade das sefirot e a ligação destas com o Único.O tom adotado na exposição demonstra maior serenidade em comparação com o estilo de suas outras obras.Os estudos em língua francesa sobre Moisés de Léon concentravam-se nas análises desenvolvidas por Gershom Scholem sobre o Zohar em Les Grands Courants de la mystique juive.A abordagem exclusiva por meio dos estudos do Zohar mostra-se insuficiente para a compreensão integral do autor.Constata-se escassez de pesquisas focadas especificamente na individualidade de Moisés de Léon no panorama da cabala medieval.-
O manual histórico de Julius Guttmann sobre as filosofias do judaísmo omite menções ao autor.
-
A obra de Colette Sirat sobre a filosofia judaica medieval faz referências à cabala, mas não detalha a produção de Moisés de Léon.
A introdução proposta visa auxiliar na descoberta de uma obra que redefine a cabala como um esforço de desesoterizar a tradição mística por meio de conceitos do neoplatonismo.O neoplatonismo de Plotino ou Proclo passou por modificações profundas ao longo de gerações no ambiente judaico, processo iniciado com R. Isaac o Cego em Languedoc.Considera-se impreciso fundir a cabala com o neoplatonismo judeu clássico, representado nos séculos X e XI por Isaac Israeli e Salomão ibn Gabirol.Os cabalistas incorporaram elementos teóricos de Isaac Israeli, Salomão ibn Gabirol e do exégete do século XII, R. Abraham ibn Ezra.O texto e as notas
-
A edição do Siclo do Santuário publicada por Greenup em Londres no ano de 1911 apresenta falhas textuais graves que prejudicam o entendimento do sentido original.
-
A identificação dos erros tornou indispensável o exame comparativo com versões manuscritas da obra.
-
O trabalho de tradução utilizou uma cópia anotada do exemplar pessoal de Gershom Scholem da edição de Greenup, obtida por intermédio de Daniel Abrams.
-
Uma anotação manuscrita de Scholem indicava que o manuscrito Oxford 1606 continha lições ocasionalmente superiores ao texto impresso.
-
Scholem registrou que a obtenção de uma versão satisfatória dependia do confronto e integração de ambos os manuscritos.
-
O pesquisador atenuou essa visão na Encyclopedia Judaica ao classificar o manuscrito de Oxford de forma mais favorável.
As anotações marginais de Scholem conservadas na Biblioteca Nacional de Israel serviram de base para o estabelecimento da tradução.Os dados foram confrontados com o manuscrito número 1606 de Oxford, copiado em escrita alemã no século XV a partir do antigo manuscrito Oppenheim 563.O manuscrito número 823 da Biblioteca Nacional de França, em escrita italiana do século XV, foi integrado à pesquisa por apresentar lições superiores às da edição impressa e de Oxford.O uso de chevrons na tradução assinala a incorporação de termos e frases provenientes dos referidos manuscritos para suprir a corrupção do texto impresso.A metodologia evitou a dependência de uma única fonte documental, seguindo a diretriz de Scholem sobre integrar as melhores lições disponíveis.Os dois manuscritos principais partilham uma omissão estrutural referente à dedicatória do autor, seu nome, data e local de composição.A ausência de linhas em que Moisés de Léon se declarava autor do livro pode não decorrer de mero equívoco dos copistas.O fato correlaciona-se com advertências inseridas pelo cabalista em outras obras, nas quais solicitava o compromisso de leitores e copistas em preservar seu nome e dedicatória.A tendência de suprimir a assinatura do autor manifestava o receio deste em ter sua identidade intencionalmente apagada pela posteridade.É possível que copistas e proprietários tenham optado por ocultar a autoria do Siclo do Santuário devido às suspeitas e controvérsias que cercavam o nome de Moisés de Léon em razão do caso Zohar.A hipótese configura uma interpretação especulativa respaldada pelas manifestações de preocupação do próprio escritor.O inventário de testemunhos do Siclo do Santuário aponta a existência de seis manuscritos conhecidos em acervos públicos, indicando uma circulação restrita da obra.-
A edição de Greenup baseou-se no manuscrito de Londres 27044, em escrita espanhola do século XVI.
-
Identificam-se ainda o manuscrito Vaticano 222 e o manuscrito Moscou-Ginzburg 362, ambos do século XV em escrita alemã, além do manuscrito Jerusalém 2066.
O aparato de notas da tradução incorporou os comentários marginais de Scholem e mapeou as fontes utilizadas na obra.-
As notas identificam as referências bíblicas e rabínicas explícitas e implícitas manejadas por Moisés de Léon.
-
Dedicou-se exame sistemático à identificação das conexões com o Zohar presentes na estrutura do texto.
A pesquisa buscou rastrear as correspondências conceituais entre o Siclo e as demais obras que compõem o acervo do autor.A confrontação interna dos textos mostrou-se necessária para apreender a coerência do sistema de pensamento do cabalista.O mapeamento priorizou a identificação das principais fontes cabalísticas que influenciaram o Siclo do Santuário, reconhecendo a inserção da obra em uma tradição coletiva preexistente.O arcabouço teórico do Siclo assenta-se sobre a produção literária desenvolvida por pelo menos quatro gerações anteriores de cabalistas.O bloco de notas integra um comentário explicativo destinado a esclarecer os trechos complexos e as ambiguidades conceituais do texto.O título
-
Embora Sheqel ha-Qodesh seja o título principal, o colofão do manuscrit d'Oxford 1606 registra que a obra circulou sob uma denominação descritiva alternativa.
-
O copiste anotou ao término do trabalho ter concluído a transcrição do livro denominado Maarekhet ha-Elohut, A Estrutura da Divindade, cujo nome correspondia a Sheqel ha-Qodesh, O Siclo do Santuário.
A dupla titulação não se manifesta de forma direta ao longo do corpo do texto.A prática de atribuir dois títulos — um metafórico e outro descritivo — era um hábito regular nas produções de Moisés de Léon.-
O Livro da Balança intitula-se analogamente O Livro da Alma Sábia.
-
O Livro da Romã corresponde também a O Livro das Razões dos Mandamentos.
-
O Tabernáculo do Testemunho possui a designação alternativa de O Livro dos Segredos.
A designação Estrutura da Divindade define com precisão o escopo do Siclo, centrado na exposição minuciosa do sistema das sefirot.O título alternativo coincide com o nome de outra obra da cabala espanhola associada à escola de R. Salomon ben Abraham ibn Adret, principal discípulo de Nahmanides.Moisés de Léon omitiu uma explicação direta sobre o significado do título principal no prólogo do livro.A expressão é mencionada de modo genérico no encerramento da introdução, onde o autor projeta a divisão do livro em seções conforme os critérios do Siclo do Santuário.O siclo santo funcionava no Pentateuco como moeda padrão para as avaliações e transações vinculadas ao ambiente do culto.Em O Livro da Romã, o autor equiparou o siclo do santuário às dez sefirot em sua atuação na última emanação, a sefira Malkhut, baseando-se em versículo de Números sobre as medidas dos vasos.O símbolo surge em determinados momentos identificando diretamente a sefira Malkhut, a Realeza divina, portal de acesso humano ao sistema emanações.Em O Livro da Balança, o símbolo representa a condição de equilíbrio do universo pós-ressurreição, momento em que as almas purificadas retornam aos corpos livres da influência do mal.-
O texto indica que sob essa condição os mundos estarão ordenados segundo o siclo do santuário, manifestando a plenitude divina nas dimensões superior e inferior.
A metáfora define a medida estável e a harmonia do mundo divino em sua manifestação na sefira Malkhut.No corpo do Siclo, a expressão aparece vinculada ao conceito de fé, termo utilizado pelo autor para designar a doutrina teosófica das sefirot.No início do segundo capítulo, o termo adverte o leitor de que as explicações reproduzem rigorosamente a organização da dimensão divina, citando passagem de Levítico sobre as estimativas.O siclo do santuário é apresentado posteriormente como o referencial arquetípico para a realização do culto humano.-
O texto determina que a perfeição humana requer o domínio da verdadeira gnose e a meditação nos caminhos da Fé para executar o culto conforme o siclo do santuário.
-
A correta orientação do culto atua como via de acesso para servir ao Rochedo sagrado.
A passagem vincula-se ao título do tratado, compreendido como guia para explorar a doutrina das sefirot e sintonizar as práticas religiosas com os graus da manifestação divina.No Zohar, o siclo do santuário atua predominantemente como símbolo da sefira Tiferet, associada ao braço da balança que equilibra as colunas do julgamento e da graça.Um trecho do Zohar Hadash analisa o meio-siclo do recenseamento do Êxodo e interpreta o siclo do santuário como a conjunção dos princípios masculino e feminino nas sefirot Yessod e Malkhut.A expressão funciona como um símbolo flexível que denota a totalidade, o equilíbrio e a integridade do sistema das sefirot que o ser humano deve buscar em suas preces.A escolha de um símbolo de perfeição divina para dar título à obra reflete a intenção de Moisés de Léon de oferecer uma propedêutica abrangente da doutrina teosófica.As divisões do texto
-
A estruturação e a distribuição dos capítulos do Siclo do Santuário apresentam variações nos manuscritos preservados.
-
O plano de tradução adotou a organização textual atestada nos manuscritos Oxford 1606 e Paris 823, indicando as divergências face à edição de Greenup nas notas.
-
O quadro analítico sintetiza os eixos temáticos fixados nos capítulos da obra, desconsiderando as numerosas digressões presentes no texto.
-
Dedicatória e prólogo delineiam as razões da escrita, apresentam a dedicatória e abordam a transcendência, unicidade e incompreensibilidade da divindade.
-
Primeira parte estabelece a introdução geral e a visão de conjunto do sistema das sefirot.
-
Porta do fundamento da segunda parte examina as origens das visões, o princípio da profecia e as dinâmicas teosóficas e teúrgicas da unidade divina.
-
O capítulo investiga os riscos que circundam a experiência mística.
-
A seção caracteriza a cabala como a tradição humana primordial vinculada à revelação no Sinai.
Porta do fundamento das partes detalha de forma individualizada a primeira sefira — a Coroa, Keter —, a segunda sefira — a Sabedoria, Hokhmah — e a terceira sefira — o Discernimento, Binah.Porta da extremidade do céu expõe o detalhamento teológico referente à sefira Hessem, associada à Graça e à Bondade.Porta do Norte concentra a análise e a exposição detalhada da sefira Guevouran, vinculada à dimensão da Potência e do Rigor.Porta da Est apresenta o detalhamento exegético da sefira Tiferet, identificada com as ideias de Beleza e Harmonia.Porta das três últimas sefirot agrupa o exame detalhado das emanações Netsah, correspondente à Vitória, Hod, associada à Majestade, e Yessod, que representa o Fundamento.Porta do Oeste ou Fundamento da poeira é inteiramente dedicada à elucidação da sefira Malkhut, associada ao conceito de Realeza.Porta consagrada à Unidade investiga o sentido esotérico da unidade divina por meio do exame da fórmula litúrgica de atestação do Único, o Shema Israel.Porta do fundamento da parte do santuário reconstrói o sistema das sefirot com base no significado oculto das letras que compõem o Tetragrama.-
A seção desenvolve análises sobre o segredo da Torre celestial que voa no ar, associada a Binah.
-
O texto detalha o segredo da Linha mediana, vinculada a Tiferet.
-
O exame abrange o segredo do término da Pensão superior, correlacionado a Malkhut.
Segredo da unidade segundo os mistérios das coisas ocultas expõe a unidade divina sob a ótica da Narrativa do Começo e da Narrativa do Carro.-
O capítulo investiga as relações entre os quatro elementos da natureza e as quatro figuras que integram o Carro celestial.
-
A seção descreve a origem dos metais nobres e comuns, abordando os procedimentos de natureza alquímica.
Os quatro Espelhos explora as correspondências entre as sefirot e os sistemas de representação simbólica baseados na luz e nas cores.Porta dos dez nomes mapeia os nomes próprios atribuídos à divindade e suas conexões diretas com as sefirot.Uma questão a respeito da unidade encerra a obra sob a forma de uma resposta jurídica e teológica focada no problema da organização triádica das dez sefirot e sua coerência com o Único./home/mccastro/public_html/cristologia/data/pages/estudos/mopsik/cmss/start.txt · Last modified: by 127.0.0.1
-
-
-
-
-
-
-
-
