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SICLO DO SANTUÁRIO

MOÏSE DE LEÓN. Le sicle du sanctuaire. Tradução: Charles Mopsik. Lagrasse: Verdier, 1996.

  • A cabala teosófica exposta no Zohar é a doutrina do judaísmo que alcançou a mais vasta audiência entre o povo judeu, sua elite intelectual, líderes rabínicos e pensadores de diversas origens.
  • Por doutrina do judaísmo compreende-se um conhecimento organizado de maneira consistente, que se origina do judaísmo, abrange todos os seus aspectos e se afirma como expressão de sua verdade mais íntima.
  • Embora o Zohar se enquadre nessa definição, sua popularidade e os inúmeros comentários sobre esse complexo corpus literário não conseguiram expor seu sistema de pensamento de forma a satisfazer plenamente o desejo de compreensão.
  • Entre as obras criadas na mesma escola de pensamento, época e região do Zohar, os escritos de Moisés de Léon destacam-se pelo uso constante dessa obra e são os mais indicados para fornecer uma exposição sistemática de seus fundamentos doutrinários.
  • O Siclo do Santuário representa a obra de maturidade de Moisés de Léon que melhor atende aos critérios de sistematicidade, exaustividade e aprofundamento da cabala teosófica.
  • O estudo desse texto constitui um caminho privilegiado para adentrar os mistérios da cabala zohárica e enfrentar os problemas filosóficos, teológicos e exegéticos que se apresentam.

Moisés de Léon e seu meio

  • Moisés ben Shem Tov nasceu por volta de 1240 na cidade de Léon, na província de mesmo nome integrada ao reino de Castela, e faleceu em 1305 na localidade de Arévalo.
    • Atribui-se a Moisés de Léon a autoria da maior parte do Zohar, O Livro do Esplendor.
    • O Zohar se apresenta como um texto antigo originado na escola de rabbi Simeão ben Yohai, um tanna do final da Antiguidade, entre o término do século I e o início do século II.
  • Moisés de Léon escreveu em um período de intensa proliferação de textos cabalísticos nas regiões de Castela e Aragão.
  • A grande quantidade de publicações pode indicar, segundo a perspectiva de Moshe Idel, um enfraquecimento do controle das autoridades rabínicas, que careciam de líderes fortes para conter a liberdade exegética e especulativa dos cabalistas castelhanos do século XIII.
    • Moshe Idel aponta em Kabbalah, New Perspectives que a explosão de criatividade cabalística decorreu da neutralização de inibições que impediam os primeiros cabalistas de expandir as tradições esotéricas herdadas.
    • O mesmo autor aborda o tema em Kabbalah and Elites in Thirteenth-Century Spain.
  • Uma explicação alternativa de caráter não psicossociológico pode ser encontrada nas observações de um renomado comentador espanhol do Pentateuco e destacado cabalista.
  • R. Bahya ben Asher de Saragoça afirmou em seu comentário sobre a Gênese que a sabedoria é denominada livro porque as gerações se sucedem e ela só permanece por meio da escrita, de modo que até a sabedoria do alto recebe esse nome.
  • A percepção do risco de esquecimento e perda da sabedoria, que demanda o registro escrito para subsistir, possui múltiplas causas.
  • No contexto histórico dos judeus na Espanha da segunda metade do século XIII, o exílio forçado de Nahmanides gerou profundo impacto, pois o cabalista precisou fugir da península ibérica e interromper a transmissão predominantemente oral aos seus discípulos.
  • A transmissão estritamente oral da tradição esotérica judaica mostrou-se insuficiente para garantir sua continuidade diante das crescentes ameaças de expulsão e da precariedade das comunidades judaicas na Espanha.
  • A expulsão ocorrida em 1492 confirmou a procedência do sentimento de instabilidade que afetava as comunidades.
  • A produção intensiva de livros funcionava como um meio de preservação da sabedoria.
    • Certos cabalistas, a exemplo de R. Isaac de Acre, demonstraram uma atividade de escrita incessante.
    • Em O Tabernáculo do Testemunho, Moisés de Léon expressou o dilema de registrar os segredos por escrito, temendo a omissão do bem aos seus destinatários legítimos, mesmo ciente de que poucos os compreenderiam.
    • Moisés de Léon decidiu escrever para revelar os conhecimentos aos seguidores da fé, aos que temem a Deus e respeitam o Seu nome.
    • R. Simeão ben Yohai manifestou ambivalência semelhante no início da Idra Rabba ao declarar o infortúnio tanto de revelar quanto de ocultar os segredos, optando por transmiti-los aos companheiros tementes ao Santo, bendito seja Ele.
    • R. Eleazar de Worms, figura mística asquenaze do século XIII, justificou sua escrita pela necessidade decorrente da solidão após a morte de seu mestre, da falta de discípulos e do assassinato de sua família por cruzados, que o privaram de um filho para a transmissão oral.
    • Daniel Abrams analisou o surgimento literário do esoterismo no pietismo alemão e a redação de segredos por Eleazar de Worms, restando avaliar a aplicação dessas análises ao contexto de maior criatividade de Moisés de Léon.
  • A urgência do registro escrito para evitar o esquecimento impulsionou processos de criatividade e inovação.
  • A necessidade de escrever muito exigia a repetição dos ensinamentos recebidos, remodelando-os continuamente e integrando novas exegeses e especulações audaciosas.
  • Exemplos históricos de outras regiões e épocas demonstram que pequenos grupos unidos por ideais filosófico-religiosos em ambientes ameaçadores tendem a gerar uma literatura abundante.
    • Os gnósticos do final da Antiguidade desenvolveram uma intensa produção de textos diante das ameaças da Igreja.
    • Os ismaelitas também servem de exemplo para esse comportamento literário.
  • A ampliação das chances de sobrevivência de um ensinamento com bases sociais instáveis motivava a multiplicação de livros.
  • A mera ausência temporária de uma liderança rabínica imponente não explica completamente o grande volume de textos cabalísticos produzidos no período.
  • As formulações intencionalmente alusivas e o direcionamento do leitor para o ensinamento oral individualizado continuaram frequentes nas obras dos cabalistas de Castela.
    • R. Joseph Gikatila adotou essa postura no último capítulo de sua obra Sha'arei Orah.
    • Isaac ben Jacob ha-Cohen apresentou desenvolvimento semelhante ao final de seu comentário sobre o carro de Ezequiel publicado por G. Scholem.
    • Moisés de Léon afirmou na introdução do Livro da Balança que os caminhos das ciências interiores são íntimos e inacessíveis à inteligência própria, exigindo a instrução por um homem perito nos segredos da sabedoria.
  • O conjunto de textos produzidos pelos cabalistas castelhanos e aragoneses, especialmente por Moisés de Léon, forma um acervo vasto que ainda não foi totalmente publicado, explorado ou identificado.

Elementos biográficos

  • Os dados biográficos disponíveis sobre a vida de Moisés de Léon são escassos.
  • A reconstrução de sua formação intelectual baseia-se em seus próprios escritos e em raros testemunhos externos.
    • Constata-se a leitura de O Guia dos Perplexos de Maimônides, na tradução de Samuel ibn Tibbon, por volta dos vinte e quatro anos de idade.
    • Moisés de Léon já possuía sólida instrução nas matérias judaicas tradicionais e estudou as filosofias aristotélica e neoplatônica por meio de traduções do árabe para o hebraico.
  • A trajetória intelectual do cabalista divide-se em dois períodos distintos refletidos em sua produção literária.
  • No primeiro período, situado até no máximo 1286, Moisés de Léon vinculou-se à cabala das letras, frequentemente denominada misticismo linguístico.
    • Essa vertente priorizava o estudo do significado das letras do alfabeto hebraico e dos nomes divinos, configurando uma filosofia mística ligada à metafísica, física e psicologia aristotélicas.
    • As dez sefirot do Livro da Criação eram equiparadas a dez Inteligências separadas.
    • O Intelecto Agente era identificado com a primeira sefira e com o Arcanjo da Face divina, Metatron, que detém o selo do Único.
    • G. Scholem e Elliot Wolfson analisaram a atividade literária desse período e as características de obras como O Livro da Romã.
    • Alexandre Altmann demonstrou as semelhanças entre a obra A Luz Semeada, de Moisés de Léon, o Guinat Egoz de R. Joseph Gikatila e trechos do Midrash ha-Neelam.
    • Assi Farber identificou outros textos de Moisés de Léon pertencentes à mesma linha de pensamento em estudos sobre a doutrina cabalística primitiva.
  • Moisés de Léon realizou uma mudança radical em sua orientação, tornando-se adepto da cabala teosófica.
    • O mestre principal de Moisés de Léon nesse campo foi R. Moisés ben Simeão de Burgos, também conhecido como Moisés Shinfa.
    • R. Moisés ben Simeão de Burgos foi discípulo de R. Jacob ha-Cohen de Soria.
  • Moisés de Léon não demonstrava elevada consideração pelos cabalistas de seu tempo e considerava-se incompreendido.
    • Em Questões e Respostas e em A Luz Semeada, o autor indicou que o desejo divino só é descoberto se revelado por um grande sábio, e não por aqueles que julgam possuir sabedoria mas não são reconhecidos pelos falsos sábios de sua geração.
  • R. Isaac de Acre, um cabalista itinerante vindo da Palestina, encontrou Moisés de Léon em Valladolid no final da vida deste.
  • O relato do encontro constitui o primeiro registro histórico da associação entre Moisés de Léon e o Zohar.
  • Moisés de Léon faleceu em Arévalo quando viajava em direção a Ávila, onde residia, antes de apresentar a prova pretendida por Isaac de Acre.
  • Isaac de Acre prosseguiu sua investigação e consultou um idoso sábio chamado David de Pancorbo.
    • David de Pancorbo afirmou que o Zohar nunca esteve nas mãos de Moisés de Léon e que a obra não existia previamente.
    • Segundo o depoimento, Moisés de Léon possuía um nome escritor — shem ha-kotev — e redigia os textos por meio de seu próprio poder.
  • O interlocutor forneceu detalhes adicionais sobre o comportamento financeiro e a situação familiar de Moisés de Léon.
    • O relato descreve Moisés de Léon como um homem generoso e de muitos gastos, cuja casa alternava dias de abundância de ouro e prata recebidos de homens ricos por segredos escritos e dias de total escassez.
    • A privação material afetava diretamente sua esposa e filha na ausência de recursos básicos.
  • A esposa de Moisés de Léon, após ficar viúva, apresentou um testemunho considerado desfavorável ao falecido marido.
    • A viúva relatou ter questionado o marido sobre o motivo de escrever o Zohar e negar a autoria, abrindo mão do reconhecimento público da obra.
    • Moisés de Léon teria respondido que agia assim para valorizar o texto e vender as cópias por um preço mais elevado.
  • Os historiadores do judaísmo dividiram-se quanto à interpretação e autenticidade desse relato obtido de segunda mão.
    • Alguns pesquisadores utilizaram a confissão para classificar o autor como um falsificador motivado por interesses triviais.
    • Outros estudiosos questionaram a veracidade do testemunho preservado.
  • O relato apresenta indícios de autenticidade e humaniza a figura de Moisés de Léon, servindo como documento sobre a vida social dos cabalistas na Castela medieval.
  • Os dados sugerem que Moisés de Léon sofria pressões familiares devido ao seu estilo de vida quase monástico, dedicado integralmente ao estudo, à escrita e à contemplação.
  • Outros registros biográficos apontam a transmissão de cadernos, apresentados como cópias de um original antigo, para R. Joseph Abulafia.
    • R. Joseph Abulafia era filho de R. Todros ha-Levy Abulafia, destacado membro do rabinato de Toledo, cabalista e líder comunitário.
    • Moisés de Léon dedicou a R. Joseph Abulafia as obras A Rosa do Testemunho, O Livro da Romã e O Siclo do Santuário.
  • O discípulo predileto de Moisés de Léon é identificado como R. Jacob, a quem provavelmente dedicou a obra O Livro da Balança.
  • A investigação sobre a origem do Zohar consolidou-se por meio dos trabalhos de diversos pesquisadores ao longo do tempo.
    • O tema foi analisado por Samuel David Luzzatto, Adolphe Jellinek, Heinrich Graetz, Gershom Scholem, Isaiah Tishby, Daniel Matt, Elliot Wolfson, Daniel Abrams e Yehudah Liebes.
    • Henri Serouya sintetizou as discussões anteriores a Scholem sobre a antiguidade da obra.
    • Yehudah Liebes propôs que o Zohar resultou do trabalho coletivo de um grupo de cabalistas, posicionando Moisés de Léon como arquiteto e não como redator exclusivo, divergindo da tese de Scholem.
    • A proposta de Liebes permanece hipotética, exceto pelas seções da Idra Rabba e da Idra Zuta.
    • Israel Ta-Shma sugeriu uma datação anterior para o Zohar, entre as décadas de 1260 e 1270, afastando Moisés de Léon da redação e atribuindo-lhe a função de copista.
  • A proposta de autoria coletiva reabriu as investigações sobre a composição do texto e indicou novas vertentes de análise.
  • O exame detalhado do Siclo do Santuário sugere que Moisés de Léon redigiu grande parte do Zohar, embora o texto preservado apresente diferenças em relação ao manuscrito utilizado por ele.
  • Os indícios apontam que uma versão inicial do Zohar passou por profundas modificações, incluindo omissões, acréscimos e transformações de trechos.
  • Considera-se improvável que o Zohar estivesse em seu estágio final de elaboração quando o Siclo do Santuário foi escrito.
  • Moisés de Léon utilizava uma versão distinta da atual — cujos fragmentos são parafraseados no Siclo — ou realizava improvisações livres no estilo zohárico que não integraram o corpus final.
  • As duas hipóteses sobre o método de composição do autor não são excludentes.
  • As conexões entre as obras de Moisés de Léon e os cabalistas castelhanos contemporâneos indicam a existência de um círculo que compartilhava exegeses, símbolos, sistemas de pensamento e estilo literário.
    • O grupo incluía R. Moisés de Burgos, R. Joseph ben Abraham Gikatila, R. Isaac ha-Cohen de Soria e R. Isaac ben Abi Sahulah.
    • Também faziam parte R. Joseph de Susa (ou de Hamadan), seu mestre — autor do Livro da Unidade — e R. David ben Yehudah he-Hassid.
  • A vida e a atividade literária de Moisés de Léon aparecem interligadas, caracterizando o perfil comum aos cabalistas de Castela.
  • A produção do autor correspondia tanto à atividade de um pensador quanto à de um copista profissional.
  • O provável sustento por meio da escrita exigia dedicação contínua à cópia manual de seus próprios livros e de textos de terceiros em um período anterior à imprensa.
  • A ausência de cargos rabínicos ou comunitários e o fato de não pertencer a famílias influentes asseguraram ao autor liberdade de espírito para criar e inovar como pensador e exégete.
  • O afastamento definitivo dos modelos de pensamento aristotélicos marcou o início de uma nova fase na carreira do autor, consolidando-o na história da filosofia judaica medieval.

Os escritos de Moisés de Léon

  • A quantidade de obras de autoria de Moisés de Léon é expressiva mesmo sem contabilizar o corpus do Zohar.
  • É possível que novos textos ainda não identificados venham a ser atribuídos ao cabalista no futuro.
  • A listagem de seus escritos conhecidos engloba tratados compostos entre as décadas de 1274 e 1293.
    • Or Zarua, A Luz Semeada, foi escrita por volta de 1274 e recebeu edição crítica de A. Altmann.
    • Sod ha-Etzbaot, O Secret dos Dedos, consiste em um fragmento sem título atribuído ao autor por Assi Farber.
    • Shoshan Edout, A Rosa do Testemunho, data de 1286 e foi editada por G. Scholem.
    • Sheelot u-Teshuvot, Questões e Respostas sobre Temas de Cabala, foi publicada por I. Tishby.
    • Sod Esser Sefirot Belimah, O Segredo das Dez Sefirot Belimah, teve edição crítica realizada por G. Scholem.
    • Sefer ha-Rimon, O Livro da Romã, composto em 1287, também é conhecido como Sefer Taamei ha-Mitzvot, O Livro das Razões dos Mandamentos, e possui edição de E. Wolfson.
    • Nefesh ha-Hakhmah, A Alma Inteligente, ou Sefer ha-Mishqal, O Livro da Balança, de 1290, contém explicações de segredos dos mandamentos e foi editado por J. Wijnhoven.
    • Sheqel ha-Qodesh, O Siclo do Santuário, escrito em 1292, recebeu publicação inicial por A. W. Greenup em Londres.
    • Mishkan ha-Edout, O Tabernáculo do Testemunho, de 1293, encontra-se preservado em manuscrito em Jerusalém.
    • Shaar Yessod ha-Merkabah, O Pórtico do Fundamento do Carro, está conservado no mesmo códice em Jerusalém.
    • Maskiyot Kassef, As Guarnições de Prata, composto após 1293, foi editado por J. Wijnhoven.
    • Sodot, Segredos sobre diversos temas, incluem um fragmento sobre fisiognomia publicado por Scholem.
    • Um Comentário sobre a Oração foi redescoberto por Moshe Idel e teve um trecho publicado em estudo sobre a meditação mística.
  • O acervo de escritos pseudoepigráficos atribuídos a Moisés de Léon, excluindo o Zohar, compreende peças litúrgicas e testamentos.
    • Tsavaot Rabbi Eliezer ha-Gadol, O Testamento de Rabbi Eliezer o Grande, integra as edições do Pirqei Rabbi Eliezer.
    • Seder Gan Eden, Ordenação do Jardim do Éden, foi editado por A. Jellinek e traduzido para o francês.
    • Um Comentário sobre a Oração Aleinu surge atribuído a Hai Gaon, suspeitando-se da participação do autor na edição de responsas deste grupo de sábios.
  • Os registros apontam a existência de obras perdidas mencionadas diretamente por Moisés de Léon em seus textos.
    • Fazem parte dessa categoria Shaarei Tzedeq, As Portas da Justiça, que consistia em um comentário sobre o Eclesiastes.
    • Sefer ha-Pardes, O Livro do Pomar, tratava-se de um comentário sobre seções do Pentateuco baseado em quatro níveis de sentido.
    • Tappuhei Zahav, As Maçãs de Ouro, dedicava-se ao comentário sobre as orações.
  • Outros escritos desaparecidos são referenciados exclusivamente na obra de terceiros autores.
    • Identificam-se referências a um Comentário sobre o Cântico dos Cânticos e a um texto polêmico direcionado contra os caraítas.
  • Adota-se o critério de citar os títulos das obras a partir de suas traduções estabelecidas.

O projeto da obra

  • Moisés de Léon registrou em diferentes momentos as motivações fundamentais que o guiaram no trabalho de redação.
  • Os relatos revelam a preocupação do autor em deter a chave do sentido oculto da Torá diante de uma geração indiferente às fontes religiosas e atraída pela filosofia aristotélica.
  • A escrita é vivenciada como um dever imperioso e uma missão urgente, justificando a flexibilização das regras tradicionais de preservação do esoterismo.
  • O esforço de legitimação de sua iniciativa manifesta-se de forma acentuada em O Tabernáculo do Testemunho.
  • O autor justificou a revelação de mistérios profundos pelo fato de testemunhar as pessoas compartilhando pensamentos alheios à tradição, sem que houvesse questionamento entre as sucessivas gerações.
    • Moisés de Léon declarou-se compelido a expor assuntos que os antigos ocultavam, por considerar uma ação Meritória conduzir a obscuridade para a luz.
    • O procedimento assemelha-se a uma passagem de Jó na qual se afirma que Deus traz a escuridão para a luz, servindo o exemplo divino como autorização para o cabalista.
    • Versões mais extensas do manuscrito desse texto foram traduzidas por Scholem em Les Grands Courants de la mystique juive.
  • Em decorrência do agravamento dos pecados, a força do povo judeu dispersou-se no exílio e os conhecimentos tradicionais foram esquecidos pela ausência de investigadores.
    • Os indivíduos aptos a permanecer no Palácio do Rei afastaram-se de seus postos, permitindo que outros ocupassem seus lugares até desaparecerem.
    • A perda da sabedoria tradicional levou o povo a adotar a filosofia dos gregos, conforme exposto anteriormente em O Livro da Romã.
  • O autor indicou uma justificativa adicional para o desenvolvimento de suas obras em outro tratado.
    • O objetivo consistia em apresentar um comentário sobre a visão do carro celestial de Ezequiel para restabelecer a tradição esotérica autêntica frente às exegeses incorretas da época.
    • Em O Pórtico do Fundamento do Carro, o autor declarou-se obrigado a intervir devido ao grande número de indivíduos que compunham comentários inventados por si mesmos e distantes da verdade.
  • Moisés de Léon posicionou-se como porta-voz e continuador dos antigos sábios silenciados ou desconsiderados por seus contemporãos.
  • A missão assumida consistia na reinserção das verdades ocultas e esquecidas nos círculos de leitura.
  • O cabalista omitiu a menção nominal aos autores medievais de cujos textos extraía elementos para a elaboração de suas exposições.
  • A legitimação de seus argumentos apoiava-se estritamente na autoridade da Bíblia e dos mestres do Talmud e do Midrash.
  • O autor estabeleceu para si a função de refundador, utilizando a escrita com o propósito inédito de promover uma renovação intelectual e religiosa por meio da difusão de livros.
  • Indícios textuais sugerem que as obras tinham como alvo um público amplo, indo além dos círculos restritos de iniciados.
  • Na introdução do comentário sobre as orações cotidianas, As Guarnições de Prata, o autor justificou a composição da obra pela constatação de que a população recitava as preces diárias sem compreender o significado das palavras.
    • O tratado destinava-se a expor o segredo da oração diária e o sentido dos cantos de louvor para orientar a devoção popular ao Criador.
    • Trechos de teor semelhante constam em diferentes páginas de As Guarnições de Prata.
  • O desejo de atingir a coletividade coexistia com a consciência de que apenas leitores específicos decifrariam as expressões elípticas e as alusões frequentes em seus textos.
    • No prólogo de A Rosa do Testemunho, o autor afirmou que a Torá celestial foi outorgada a todos os integrantes do povo, desde os líderes até os cortadores de lenha e carregadores de água.
    • A universalidade da Torá conferia a cada indivíduo o direito de participar de sua glória conforme a própria capacidade, fundamentando a decisão de Moisés de Léon de redigir o livro.
    • O projeto buscava democratizar segredos dominados por uma pequena elite, assemelhando a experiência do povo ao pé do Sinai, onde todos tiveram acesso aos reflexos da luz divina.
  • O sentimento de obrigação interna orientava a atividade literária do autor, que inseriu no prólogo de O Livro da Romã um diálogo de caráter místico-profético com o espírito divino.
    • Na narrativa estruturada com versículos bíblicos, a voz interior ordena ao autor que desperte e dissemine a sabedoria.
    • O escritor recusa inicialmente a tarefa por motivos de humildade, alegando juventude e imaturidade para a missão.
    • A saída do isolamento de estudo e a observação da ignorância provocada pelas dificuldades do exílio motivaram a aceitação do encargo.
    • O relato pode indicar uma experiência mística real de escuta de uma voz interior, diferindo do fenômeno do Magguid, no qual a voz se expressa diretamente pela boca do místico.
    • Essa vivência espiritual pode estar associada às afirmações do autor sobre ter copiado o Zohar de fontes antigas, atuando como transcritor de mensagens ouvidas internamente.
    • A hipótese explicaria as citações de estilo zohárico presentes em seus escritos em hebraico que não constam no corpus preservado do Zohar.
    • Sob essa ótica, os mestres antigos da Mishnah e do Talmud manifestavam-se na dimensão espiritual do autor, conferindo ao Zohar o caráter de livro sagrado na tradição tradicional judaica.
  • O autor enfatizou as consequências da proliferação de livros baseados na filosofia grega durante o período de fragilidade do povo judeu.
    • O Livro da Romã descreve que os gregos produziram inúmeras obras contendo argumentos falsos, apresentando-as como a origem de toda sabedoria e alterando os preceitos da Torá.
    • O avanço dessas ideias provocou o esquecimento parcial da Torá, o enfraquecimento da fé e a adoção de termos estrangeiros em substituição à linguagem tradicional.
    • O interesse popular direcionou-se para os textos dos gregos e para as obras produzidas pelos ismaelitas, termo utilizado para designar os muçulmanos.
  • A disseminação da literatura filosófica em língua árabe gerou um processo de aculturação e falsificação interpretativa da Torá que afetou a comunidade judaica de forma ampla.
  • Os cabalistas que detinham o conhecimento esotérico transmitido estritamente por via oral encontravam-se em desvantagem para conter a influência da filosofia.
  • A situação de urgência exigiu que os detentores da tradição abandonassem a reserva e passassem a produzir livros.
  • A tarefa indicada a Moisés de Léon consistia em redigir tratados capazes de substituir o espaço ocupado pelas obras filosóficas, reconduzindo os leitores espanhóis aos caminhos dos antigos.
  • A análise da obra do autor vincula-se diretamente ao projeto ideológico que motivou sua escrita, fornecendo dados sobre sua biografia espiritual.

O Siclo do Santuário

  • O Siclo do Santuário atua como uma síntese concentrada que reúne a totalidade das doutrinas de Moisés de Léon em uma estrutura organizada de viés teórico e filosófico.
  • Concluído em 1292, o tratado figura entre as últimas produções do autor e foi elaborado com o objetivo expresso de aprofundar a doutrina para um público previamente iniciado.
    • No prólogo, o escritor afirmou ter se sentido compelido a redigir a obra para atender à necessidade do homem inteligente de investigar o campo da verdade.
    • Diferenciando-se das obras populares, o texto assume que os leitores conhecem os tratados anteriores do autor, realizando frequentes remissões a eles.
  • O livro apresenta um caráter denso, sistemático e alusivo, recapitulando os pilares da doutrina teosófica.
  • A diretriz principal da obra consiste em esclarecer os conceitos de escritos anteriores e estruturar uma exposição detalhada do sistema das sefirot.
  • O texto concentra os elementos representativos do pensamento do autor e introduz exames sobre a relação entre a década e a tríade das sefirot e a ligação destas com o Único.
  • O tom adotado na exposição demonstra maior serenidade em comparação com o estilo de suas outras obras.
  • Os estudos em língua francesa sobre Moisés de Léon concentravam-se nas análises desenvolvidas por Gershom Scholem sobre o Zohar em Les Grands Courants de la mystique juive.
  • A abordagem exclusiva por meio dos estudos do Zohar mostra-se insuficiente para a compreensão integral do autor.
  • Constata-se escassez de pesquisas focadas especificamente na individualidade de Moisés de Léon no panorama da cabala medieval.
    • O manual histórico de Julius Guttmann sobre as filosofias do judaísmo omite menções ao autor.
    • A obra de Colette Sirat sobre a filosofia judaica medieval faz referências à cabala, mas não detalha a produção de Moisés de Léon.
  • A introdução proposta visa auxiliar na descoberta de uma obra que redefine a cabala como um esforço de desesoterizar a tradição mística por meio de conceitos do neoplatonismo.
  • O neoplatonismo de Plotino ou Proclo passou por modificações profundas ao longo de gerações no ambiente judaico, processo iniciado com R. Isaac o Cego em Languedoc.
  • Considera-se impreciso fundir a cabala com o neoplatonismo judeu clássico, representado nos séculos X e XI por Isaac Israeli e Salomão ibn Gabirol.
  • Os cabalistas incorporaram elementos teóricos de Isaac Israeli, Salomão ibn Gabirol e do exégete do século XII, R. Abraham ibn Ezra.

O texto e as notas

  • A edição do Siclo do Santuário publicada por Greenup em Londres no ano de 1911 apresenta falhas textuais graves que prejudicam o entendimento do sentido original.
  • A identificação dos erros tornou indispensável o exame comparativo com versões manuscritas da obra.
  • O trabalho de tradução utilizou uma cópia anotada do exemplar pessoal de Gershom Scholem da edição de Greenup, obtida por intermédio de Daniel Abrams.
    • Uma anotação manuscrita de Scholem indicava que o manuscrito Oxford 1606 continha lições ocasionalmente superiores ao texto impresso.
    • Scholem registrou que a obtenção de uma versão satisfatória dependia do confronto e integração de ambos os manuscritos.
    • O pesquisador atenuou essa visão na Encyclopedia Judaica ao classificar o manuscrito de Oxford de forma mais favorável.
  • As anotações marginais de Scholem conservadas na Biblioteca Nacional de Israel serviram de base para o estabelecimento da tradução.
  • Os dados foram confrontados com o manuscrito número 1606 de Oxford, copiado em escrita alemã no século XV a partir do antigo manuscrito Oppenheim 563.
  • O manuscrito número 823 da Biblioteca Nacional de França, em escrita italiana do século XV, foi integrado à pesquisa por apresentar lições superiores às da edição impressa e de Oxford.
  • O uso de chevrons na tradução assinala a incorporação de termos e frases provenientes dos referidos manuscritos para suprir a corrupção do texto impresso.
  • A metodologia evitou a dependência de uma única fonte documental, seguindo a diretriz de Scholem sobre integrar as melhores lições disponíveis.
  • Os dois manuscritos principais partilham uma omissão estrutural referente à dedicatória do autor, seu nome, data e local de composição.
  • A ausência de linhas em que Moisés de Léon se declarava autor do livro pode não decorrer de mero equívoco dos copistas.
  • O fato correlaciona-se com advertências inseridas pelo cabalista em outras obras, nas quais solicitava o compromisso de leitores e copistas em preservar seu nome e dedicatória.
  • A tendência de suprimir a assinatura do autor manifestava o receio deste em ter sua identidade intencionalmente apagada pela posteridade.
  • É possível que copistas e proprietários tenham optado por ocultar a autoria do Siclo do Santuário devido às suspeitas e controvérsias que cercavam o nome de Moisés de Léon em razão do caso Zohar.
  • A hipótese configura uma interpretação especulativa respaldada pelas manifestações de preocupação do próprio escritor.
  • O inventário de testemunhos do Siclo do Santuário aponta a existência de seis manuscritos conhecidos em acervos públicos, indicando uma circulação restrita da obra.
    • A edição de Greenup baseou-se no manuscrito de Londres 27044, em escrita espanhola do século XVI.
    • Identificam-se ainda o manuscrito Vaticano 222 e o manuscrito Moscou-Ginzburg 362, ambos do século XV em escrita alemã, além do manuscrito Jerusalém 2066.
  • O aparato de notas da tradução incorporou os comentários marginais de Scholem e mapeou as fontes utilizadas na obra.
    • As notas identificam as referências bíblicas e rabínicas explícitas e implícitas manejadas por Moisés de Léon.
    • Dedicou-se exame sistemático à identificação das conexões com o Zohar presentes na estrutura do texto.
  • A pesquisa buscou rastrear as correspondências conceituais entre o Siclo e as demais obras que compõem o acervo do autor.
  • A confrontação interna dos textos mostrou-se necessária para apreender a coerência do sistema de pensamento do cabalista.
  • O mapeamento priorizou a identificação das principais fontes cabalísticas que influenciaram o Siclo do Santuário, reconhecendo a inserção da obra em uma tradição coletiva preexistente.
  • O arcabouço teórico do Siclo assenta-se sobre a produção literária desenvolvida por pelo menos quatro gerações anteriores de cabalistas.
  • O bloco de notas integra um comentário explicativo destinado a esclarecer os trechos complexos e as ambiguidades conceituais do texto.

O título

  • Embora Sheqel ha-Qodesh seja o título principal, o colofão do manuscrit d'Oxford 1606 registra que a obra circulou sob uma denominação descritiva alternativa.
    • O copiste anotou ao término do trabalho ter concluído a transcrição do livro denominado Maarekhet ha-Elohut, A Estrutura da Divindade, cujo nome correspondia a Sheqel ha-Qodesh, O Siclo do Santuário.
  • A dupla titulação não se manifesta de forma direta ao longo do corpo do texto.
  • A prática de atribuir dois títulos — um metafórico e outro descritivo — era um hábito regular nas produções de Moisés de Léon.
    • O Livro da Balança intitula-se analogamente O Livro da Alma Sábia.
    • O Livro da Romã corresponde também a O Livro das Razões dos Mandamentos.
    • O Tabernáculo do Testemunho possui a designação alternativa de O Livro dos Segredos.
  • A designação Estrutura da Divindade define com precisão o escopo do Siclo, centrado na exposição minuciosa do sistema das sefirot.
  • O título alternativo coincide com o nome de outra obra da cabala espanhola associada à escola de R. Salomon ben Abraham ibn Adret, principal discípulo de Nahmanides.
  • Moisés de Léon omitiu uma explicação direta sobre o significado do título principal no prólogo do livro.
  • A expressão é mencionada de modo genérico no encerramento da introdução, onde o autor projeta a divisão do livro em seções conforme os critérios do Siclo do Santuário.
  • O siclo santo funcionava no Pentateuco como moeda padrão para as avaliações e transações vinculadas ao ambiente do culto.
  • Em O Livro da Romã, o autor equiparou o siclo do santuário às dez sefirot em sua atuação na última emanação, a sefira Malkhut, baseando-se em versículo de Números sobre as medidas dos vasos.
  • O símbolo surge em determinados momentos identificando diretamente a sefira Malkhut, a Realeza divina, portal de acesso humano ao sistema emanações.
  • Em O Livro da Balança, o símbolo representa a condição de equilíbrio do universo pós-ressurreição, momento em que as almas purificadas retornam aos corpos livres da influência do mal.
    • O texto indica que sob essa condição os mundos estarão ordenados segundo o siclo do santuário, manifestando a plenitude divina nas dimensões superior e inferior.
  • A metáfora define a medida estável e a harmonia do mundo divino em sua manifestação na sefira Malkhut.
  • No corpo do Siclo, a expressão aparece vinculada ao conceito de fé, termo utilizado pelo autor para designar a doutrina teosófica das sefirot.
  • No início do segundo capítulo, o termo adverte o leitor de que as explicações reproduzem rigorosamente a organização da dimensão divina, citando passagem de Levítico sobre as estimativas.
  • O siclo do santuário é apresentado posteriormente como o referencial arquetípico para a realização do culto humano.
    • O texto determina que a perfeição humana requer o domínio da verdadeira gnose e a meditação nos caminhos da Fé para executar o culto conforme o siclo do santuário.
    • A correta orientação do culto atua como via de acesso para servir ao Rochedo sagrado.
  • A passagem vincula-se ao título do tratado, compreendido como guia para explorar a doutrina das sefirot e sintonizar as práticas religiosas com os graus da manifestação divina.
  • No Zohar, o siclo do santuário atua predominantemente como símbolo da sefira Tiferet, associada ao braço da balança que equilibra as colunas do julgamento e da graça.
  • Um trecho do Zohar Hadash analisa o meio-siclo do recenseamento do Êxodo e interpreta o siclo do santuário como a conjunção dos princípios masculino e feminino nas sefirot Yessod e Malkhut.
  • A expressão funciona como um símbolo flexível que denota a totalidade, o equilíbrio e a integridade do sistema das sefirot que o ser humano deve buscar em suas preces.
  • A escolha de um símbolo de perfeição divina para dar título à obra reflete a intenção de Moisés de Léon de oferecer uma propedêutica abrangente da doutrina teosófica.

As divisões do texto

  • A estruturação e a distribuição dos capítulos do Siclo do Santuário apresentam variações nos manuscritos preservados.
  • O plano de tradução adotou a organização textual atestada nos manuscritos Oxford 1606 e Paris 823, indicando as divergências face à edição de Greenup nas notas.
  • O quadro analítico sintetiza os eixos temáticos fixados nos capítulos da obra, desconsiderando as numerosas digressões presentes no texto.
  • Dedicatória e prólogo delineiam as razões da escrita, apresentam a dedicatória e abordam a transcendência, unicidade e incompreensibilidade da divindade.
  • Primeira parte estabelece a introdução geral e a visão de conjunto do sistema das sefirot.
  • Porta do fundamento da segunda parte examina as origens das visões, o princípio da profecia e as dinâmicas teosóficas e teúrgicas da unidade divina.
    • O capítulo investiga os riscos que circundam a experiência mística.
    • A seção caracteriza a cabala como a tradição humana primordial vinculada à revelação no Sinai.
  • Porta do fundamento das partes detalha de forma individualizada a primeira sefira — a Coroa, Keter —, a segunda sefira — a Sabedoria, Hokhmah — e a terceira sefira — o Discernimento, Binah.
  • Porta da extremidade do céu expõe o detalhamento teológico referente à sefira Hessem, associada à Graça e à Bondade.
  • Porta do Norte concentra a análise e a exposição detalhada da sefira Guevouran, vinculada à dimensão da Potência e do Rigor.
  • Porta da Est apresenta o detalhamento exegético da sefira Tiferet, identificada com as ideias de Beleza e Harmonia.
  • Porta das três últimas sefirot agrupa o exame detalhado das emanações Netsah, correspondente à Vitória, Hod, associada à Majestade, e Yessod, que representa o Fundamento.
  • Porta do Oeste ou Fundamento da poeira é inteiramente dedicada à elucidação da sefira Malkhut, associada ao conceito de Realeza.
  • Porta consagrada à Unidade investiga o sentido esotérico da unidade divina por meio do exame da fórmula litúrgica de atestação do Único, o Shema Israel.
  • Porta do fundamento da parte do santuário reconstrói o sistema das sefirot com base no significado oculto das letras que compõem o Tetragrama.
    • A seção desenvolve análises sobre o segredo da Torre celestial que voa no ar, associada a Binah.
    • O texto detalha o segredo da Linha mediana, vinculada a Tiferet.
    • O exame abrange o segredo do término da Pensão superior, correlacionado a Malkhut.
  • Segredo da unidade segundo os mistérios das coisas ocultas expõe a unidade divina sob a ótica da Narrativa do Começo e da Narrativa do Carro.
    • O capítulo investiga as relações entre os quatro elementos da natureza e as quatro figuras que integram o Carro celestial.
    • A seção descreve a origem dos metais nobres e comuns, abordando os procedimentos de natureza alquímica.
  • Os quatro Espelhos explora as correspondências entre as sefirot e os sistemas de representação simbólica baseados na luz e nas cores.
  • Porta dos dez nomes mapeia os nomes próprios atribuídos à divindade e suas conexões diretas com as sefirot.
  • Uma questão a respeito da unidade encerra a obra sob a forma de uma resposta jurídica e teológica focada no problema da organização triádica das dez sefirot e sua coerência com o Único.
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