User Tools

Site Tools


biblia:tipologia:divindade:deus:deus-e-amor

DEUS É AMOR

Frithjof Schuon: O ESOTERISMO COMO PRINCÍPIO E COMO VIA

“Deus é Amor” ([4,8]): se esta sentença é verdadeira — e ela o é por autoridade divina —, o sentimento é uma dimensão normal, portanto, positiva em si, do microcosmo humano, e todas as desconfianças a seu respeito são aberrantes. Atma é Sat, Chit e Ananda: “Ser”, “Consciência” e “Bem-aventurança”, ou ainda “Poder”, “Sabedoria” e “Bondade”; no microcosmo, esses aspectos tornam-se vontade, inteligência e sentimento. Portanto, querer suprimir o sentimento corresponde, ontologicamente falando, a querer suprimir o elemento Ananda, nem mais nem menos.

Não obstante, os adversários do sentimento — portanto, no fundo, do amor — entram em contradição simultaneamente existencial e psicológica consigo mesmos, primeiro porque nada existe sem amor e, depois, porque nenhum homem pode rejeitar os sentimentos na sua vida concreta, material ou espiritual. Todo homem, salvo hipocrisia, aspira a felicidade, e esta nada tem de equação matemática.

O grau supremo dessa energia que é o sentimento é o amor de Deus; em outras palavras, esse grau supremo é a fé ou a devoção. A fé é o impulso que nos faz viver em Deus e para Deus; a devoção é o medo reverencial relacionado com o sentido do sagrado e que, de certa forma, nos envolve num clima de adoração e de paz.

Poder-se-ia objetar que o amor de Deus está acima dos sentimentos e que ele envolve, principalmente, a vontade, que nada tem de sentimental. Se assim fosse, não seria preciso falar de amor de Deus, pois o amor é, incontestavelmente, um sentimento; seria necessário escolher outro termo. O sentimento, exatamente como a inteligência mental, é uma continuação do Intelecto — limitando-o — e, por consequência, não pode ficar totalmente afastado dele. Portanto, não há divisão estanque entre o amor emocional de Deus e o Intelecto, comportando este último, necessariamente, uma dimensão do amor sobrenatural. Se, por um lado, o amor espiritual não pode ser uma paixão comum, já que seu objeto é Deus e ele é função — ou concomitância — de uma atividade da inteligência e da vontade, por outro, inspira-se necessariamente na sua fonte sobrenatural, que é o Espírito Santo e que é o Amor em si.

Search
biblia/tipologia/divindade/deus/deus-e-amor.txt · Last modified: by 127.0.0.1