O Deus de Schwenckfeld criou o mundo e o homem com o objetivo de salvá-los e divinizá-los, prevendo em Adão uma prefiguração de
Jesus Cristo, segundo Adão, homem Deus,
filho de Deus, engendrado e não criado, que deveria levar a humanidade ao seio do Senhor.
Não está claro por que Deus não começou pelo final, ou por que criou homens (seres imperfeitos e exteriores a ele), já que o estado final (theosis) é superior ao estado inicial (Adão não era perfeito), havendo “progresso”.
O papel de Cristo não se esgota no de redentor, e sua encarnação não é determinada pelo pecado; mesmo sem pecado, era preciso que Cristo se encarnasse para tornar possível a theosis.
Para Schwenckfeld, Cristo é essencialmente pessoa e homem, e sua ação está vinculada à sua encarnação e à realidade histórica de sua carreira terrestre, diferindo de Franck (para quem Cristo é Logos, Verbo, Espírito).
Não se pode falar de um verdadeiro progresso, pois o homem espiritual não nasce do homem carnal, e essas naturezas não têm comunicação entre si.
Schwenckfeld não responde aos problemas graves que Jacob
Boehme colocará mais tarde, bastando-lhe saber que o nascimento e a encarnação de Cristo eram necessários, previstos desde a eternidade, e que sem eles o mundo não teria sentido.