E nem mesmo isso, pois o velho Adão não deve ser assim totalmente rejeitado, mas apenas a envoltura, a cobertura na qual a semente está escondida; o homem novo deve, da velha essência, reverdecer na moção divina, como um caule fora do grão, assim como Cristo nos ensina. Por isso a essência deve ser lançada na ira divina, ser perseguida, atormentada, desprezada e sucumbir sob a cruz; pois é do fogo da ira divina que o novo homem deve reverdecer; ele deve ser provado pelo fogo; havíamos caído na essência da ira, mas o amor de Deus se colocou na ira e a extinguiu no sangue da substancialidade celestial na morte de Cristo; assim a ira reteve a envoltura ou o homem corrompido, entenda a fonte terrestre, e o amor reteve o homem novo; por isso nenhum homem deve mais derramar sangue celestial, mas o terrestre, somente mortal. Cristo unicamente, concebido sem homem e mulher, podia fazê-lo; pois em sua substancialidade celestial não se encontrava sangue terrestre; ele derramou seu sangue celestial entre o terrestre, a fim de nos libertar, a nós outros pobres homens terrestres, da fúria; seu sangue celestial teve, em sua crucificação, que se misturar com o terrestre para que a
turba, na terrenalidade em nós, que nos mantinha cativos, fosse afogada e a ira extinta pelo amor do sangue celestial. Ele abandonou, por nós, sua vida à morte, foi por nós ao inferno, na fonte de fogo do
Pai, e do inferno, novamente em Deus, para quebrar a morte, afogar a ira e nos abrir o caminho. Quando Cristo foi pendurado na cruz e ali morreu, nós fomos pendurados com ele e nele, e morremos nele; ressuscitamos também com ele e vivemos eternamente nele, como um membro no corpo. É assim que a semente da mulher esmagou a cabeça da serpente: Cristo o fez em nós e nós nele: a essência divina e a essência humana o fizeram.