Cristo

Segundo o “DICIONÁRIO INTERNACIONAL DE TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO” de Coenen & Brown, o Christus é a forma latina do grego Christós, que por sua vez é na Septuaginta e no NT o equivalente grego do aramaico meshiah. Por sua parte esta palavra corresponde ao hebreu mashiah e designa a alguém que foi solenemente ungido para desempenhar um cargo. A forma helenizada de meshiah é messias, que, no caso de Iesous, se faz declinável agregando um sigma final. Além do mais o termo messias aparece no NT grego somente duas vezes e somente em Jo 1 e Jo 4; nas duas vezes, é traduzida por Christós pelo mesmo evangelista e se referem a Jesus de Nazaré. […] O termo grego vem de chrien, estender suavemente (sobre algo), untar, verbo que quando se emprega fora do NT é necessário indicar mais concretamente a “matéria” com que se faz.

Entendemos, neste caso, que nessa unção de Deus que se oferece para cada um de nós enquanto filho de Deus, o unguento, a “matéria”, que se estende suavemente sobre cada um de nós é justamente Jesus, etimologicamente “Deus salva”. Jesus é deste modo o exemplo que devemos adotar, a imitação de Cristo é a verdadeira extensão de Jesus, “Deus salva”, como o unguento de Deus, que nos salva.

Frithjof Schuon, Forma e substância nas religiões

Antonio Orbe: Cristologia Gnóstica

O Cristo total é também o Homem total, o único grande Anthropos, com a própria unidade do Filho. Se o Filho é um, e um também é o gênero humano, nos desígnios de Deus a última e mais profunda unidade do gênero humano está em sua comunhão com o Filho, na comunhão do Espírito paterno. Os homens não são chamados à unidade pessoal com o Pai, mas sim à henotes ou unidade espiritual com Ele, fisicamente comunicável à carne.

Percebe-se sem grande discorrer que o centro do homem, na maioria das noções e em todas as noções históricas (b)…(f) (v. Noções do Homem), é Cristo. Exemplar futuro para o homem animal de Gen 2,7 e paradigma real, já cumprido, para o homem do NT; destinado a realizar-se, enfim, na presença do Pai. A recapitulação humana, total, foi histórica em Cristo redivivo. E prefigurava, ao mesmo tempo, o que havia de cumprir-se em Cristo cabeça e nos justos, seus membros. No grande corpo (místico) dos predestinados, a imagem de Deus é o Filho; a semelhança divina, o Espírito Santo, e o Homem, todo o gênero humano que tem por cabeça a humanidade de Jesus. A imagem e semelhança de Deus afeta o gênero humano não por recapitulação na humanidade de Cristo, mas por extensão homogênea do Espírito paterno a todos e a cada um dos predestinados.

Doravante, o homem já deificado esquece o dinamismo da espécie humana, para incrementar com a fé, esperança e amor — todas as quais perseveram nas alturas, segundo Irineu — a vida do Espírito. O 'factus' adquiriu a qualidade do 'infectus', como o Pai. Concluído o tempo da economia, começa a eternidade, na qual Deus e os homens farão vida comum, em incorrupção e imortalidade. Até esse momento transcorreu a história, superando uma noção com outra, sem jamais abandonar a linha horizontal, a partir do homem psíquico (Gen 2,7). O aparecimento do Salvador não interrompe a linha. Com Ele emerge o Homem ideal, primícias dentre os mortos, impulsionando o gênero humano, no mesmo sentido linear de antes, em direção ao cumprimento do Cristo total, que aguarda seu termo no fim dos tempos. Realizado o Homem-Deus no corpo da Igreja, corpo também do gênero humano predileto de Deus, cessam os dias da criação e começa o repouso, que já não é história e sai do marco da semana (= Hebdômada) para entrar no Senhor.