CONHECIMENTO DO MUNDO

Frithjof Schuon: O OLHO DO CORAÇÃO; trad. Antonio Carneiro

A própria existência do mundo parece contradizer essas asserções; o mundo não é diferente da Realidade absoluta, do Objeto uno e divino ? Responderemos que o mundo, não sendo toda esta Realidade, é entretanto a expressão e em consequência a limitação; é então a Realidade, não como tal, mas enquanto se afirma em tais limites; e esses limites provêm de sua infinitude, como veremos mais adiante. Por consequência, quem diz « mundo » diz implicitamente « Deus ». O mundo, enquanto tal não sendo Deus, se reduz, à rigorosamente falar sobre o nada; mas, em não sendo nada, é essencialmente Deus (v. Panteísmo). O conhecimento do mundo é menos verdadeiro que o Conhecimento da Realidade divina, mas, é em última análise sempre um conhecimento desta Realidade, pois conhecemos o mundo porque é real e por nenhuma outra razão. A distinção, na ordem dos princípios, é uma função da ignorância, uma vez que o Uno é o único real, e não o distinto; é por essa razão que a distinção é uma função do conhecimento na ordem manifestada, onde a relação é inversa em relação à ordem principal.