Physica Animae

Guillaume de Saint-Thierry. Oeuvres choisies. Introduction, traduction et notes J.-M Déchanet. Paris: Aubier, 1944.

PRÓLOGO

«Teófilo a João, saudações!»

PL, 180 Relata-se a resposta, outrora famosa entre [695-96] os gregos, do Apolo de Delfos: «Homem, conhece a ti mesmo!». Essas mesmas palavras, Salomão, ou melhor, o próprio Cristo, pronuncia no Cântico: «Se não te conheces, diz ele, vai-te embora!». Quem, de fato, não se detém, por meio de uma sábia contemplação, naquilo que é próprio de seu íntimo, é necessariamente levado, por uma vã curiosidade, para as realidades alheias. Consequentemente, se o sentido mal basta ao homem, dotado de razão — se não for assistido pela graça — para conhecer a si mesmo, se, por outro lado, esse conhecimento não lhe serve para outra coisa senão para se elevar, partindo de seu próprio ser, até Aquele de quem ele provém e que está acima dele, isso é uma aberração lamentável, é loucura dispersar fora de si, em realidades alheias, uma inteligência à qual a natureza, ou melhor, o autor da natureza, o próprio Deus, designou o “lar”, com tanta insistência, como campo de investigação.

Nosso objetivo [nesta obra] é examinar de que maneira — por dentro e por fora, em sua alma e em seu corpo — esse microcosmo, ou seja, esse pequeno mundo que é o homem. Tentaremos elevar-nos, por meio da compreensão das coisas visíveis e sensíveis que nos são próprias, até o autor das realidades visíveis e invisíveis. Esclareceremos, em primeiro lugar, alguns problemas relativos à natureza do corpo humano; abordaremos, em seguida, as questões que dizem respeito à alma.

Que fique claro: o que vamos ler não é invenção minha. Dos filósofos e naturalistas (3), por um lado, e dos doutores eclesiásticos, por outro, tomei emprestadas não apenas suas opiniões, mas, em seus textos originais, suas próprias palavras ou escritos. São esses trechos de seus livros que reuni e compilei aqui.