A homilia 15 sobre Números 22:31-41 e 23:1-10 trata da profecia de Balaão, abordando a complexidade de seu caráter, que é apresentado nas Escrituras tanto como censurável quanto como louvável, e a natureza de suas profecias sobre Cristo e o povo de Israel.
O texto questiona por que Balaão é registrado ora como censurável, por insistir em ir ao rei contra a vontade de Deus, oferecer sacrifícios a demônios e dar conselhos que levaram o povo à idolatria e à sedução por mulheres midianitas.
Por outro lado, Balaão é considerado louvável quando a palavra de Deus é posta em sua boca, quando o Espírito de Deus vem sobre ele e quando profetiza sobre Cristo, abençoando Israel em termos místicos.
A diversidade de características de Balaão torna difícil determinar definitivamente seu caráter, especialmente quando ele mesmo deseja morrer entre os justos e o Senhor testifica sobre ele por meio do profeta Miqueias.
A discussão sobre o Espírito de Deus é aprofundada, distinguindo como ele age em diferentes contextos, como na profecia de Balaão e em outros personagens bíblicos.
A profecia de Balaão é interpretada como uma representação do caráter dos escribas, fariseus e seus semelhantes, com uma análise detalhada de suas palavras e significados simbólicos.
Balaão é chamado da Mesopotâmia, “a terra entre os rios”, e dos “montes do oriente”, que são contrapostos aos montes santos de Jerusalém e à verdadeira luz do Oriente, que é Cristo.
O texto distingue entre a maldição contra Jacó e a “super-maldição” contra Israel, indicando que ataques espirituais se intensificam conforme a pessoa progride na fé e busca ver a Deus.
A boca de Balaão estava cheia de maldição e amargura, mas Deus pôs sua palavra em sua boca, embora seu coração ainda estivesse cheio de desejo por recompensas, o que o levou a aconselhar Balak a fazer os israelitas tropeçarem.
É feita uma análise sobre a natureza da maldição divina, contrastando-a com a proibição apostólica de amaldiçoar, explicando que Deus amaldiçoa com justiça, enquanto os humanos não devem fazê-lo por ignorância ou por vício.
A razão pela qual Deus não amaldiçoa Israel é explicada: Israel está colocado em montes altos, levando uma vida exaltada e árdua, que Deus contempla e compreende, referindo-se ao Israel espiritual e ao tempo futuro de salvação.
A frase “do cume dos montes o verei, e das colinas o entenderei” é interpretada como referência à vida celestial e à ressurreição, distinguindo entre ver Jacó (corpos) e entender Israel (espíritos e almas).
O povo de Israel é descrito como “habitará só” e não será “contado entre as nações”, o que se cumpre no verdadeiro Israel espiritual, que não se mistura com as demais nações.
A questão de quem pode “contar o pó de Jacó” e “numerar a multidão de Israel” é atribuída apenas a Deus, que conhece o verdadeiro Israel interior, em contraste com a contagem externa e carnal.
A contagem do povo, ordenada por Deus em Números, produz um número consagrado, mas contar por conta própria, como fez Davi, é contra a lei e resulta em punição.
Deus, que “conta a multidão das estrelas” e produziu tudo com “medida, número e peso”, é o único que pode rastrear a semente de Jacó e contar as famílias de Israel.
A profecia de Balaão sobre sua própria alma e semente é discutida, indicando que ela não se cumpriu literalmente em sua pessoa, mas terá cumprimento no Israel espiritual e naqueles que creem em Cristo.