Homilia 14

ORIGENES et al. Homilies on Numbers. Downers Grove, Ill: IVP Academic, 2009.

A narrativa sobre Balaão e sua jumenta, repleta de dificuldades interpretativas, exige um esforço para além do sentido histórico, buscando compreender como Deus utiliza tanto o bem quanto o mal para seus propósitos.

A providência divina dispõe as coisas de modo que o mal, embora não tenha sido criado por Deus, é utilizado para fins necessários, tornando as virtudes manifestas e provadas.

Deus não apenas usa as coisas boas, mas também as más para uma boa obra, dispondo de vasos de honra e de desonra em sua grande casa, que é o mundo.

Balaão, um adivinho que invocava demônios, é usado por Deus para que as profecias sobre Cristo chegassem aos gentios, que não tinham acesso às Escrituras de Israel.

Alegoricamente, Balaão, cujo nome significa “povo vão”, representa o caráter dos escribas e fariseus, enquanto Balaque, que significa “exclusão” ou “devorador”, representa as potências adversas que buscam excluir e devorar o Israel espiritual.