Orígenes — Homilias sobre o Evangelho de Lucas (Ed. Paulus)
HOMILIA 5
HOMILIA 5
Lc 1,20-22 — Sobre o mutismo de Zacarias
O silêncio de Zacarias e o dos profetas
A circuncisão dos judeus, sem que possam dar conta dela, equivale a um sinal mudo; a páscoa e outras solenidades são mais gestos do que verdade, e até hoje o povo de Israel é surdo e mudo por haver atirado para longe de si a Palavra.
Moisés disse: “eu, porém, sou álogos” — expressão que pode ser traduzida como “sem palavra” e “sem razão” — e, após confessá-lo, recebeu a razão e a palavra.
O povo de Israel no Egito, antes de receber a Lei, era de certo modo mudo; recebeu então a Palavra, cuja imagem foi Moisés.
Não poder dar conta dos preceitos da Lei e dos ditos proféticos equivale a uma confissão de estultícia.
A rejeição de Israel e a salvação das nações
Com o abandono de Israel pela Palavra, a salvação foi transferida às nações para que os judeus fossem incitados ao zelo, e está escrito em Isaías: “A filha de Sião será deixada como uma tenda na vinha, e como uma sentinela em um pepineiro, como uma cidade que é atacada.”
O afastamento de Israel serviu à salvação das nações, mas isso impõe que os cristãos estejam atentos para não serem também excluídos por sua própria causa.
Nada de indigno deve ser feito diante da adoção de Deus e de sua clemência, com a qual colocou os cristãos no lugar de seus filhos.
A doxologia encerra: “a quem pertencem a glória e o poder no século dos séculos. Amém.”