Orígenes é pioneiro ao expor a doutrina dos sentidos espirituais, ligando-a a um
conhecimento experimental das coisas divinas.
A alma é cativada pelos perfumes do Verbo e atraída a Ele.
Quando o Verbo ocupa todos os sentidos espirituais, a alma rejeita todo objeto caduco.
Exorta-se à mortificação dos sentidos carnais e ao despertar dos sentidos divinos do homem interior.
Centralidade do conceito de homem interior e do processo de interiorização.
A união ao Lógos realiza-se no interior mais profundo da alma.
Teologia da imagem: o homem é renovado à imagem de Cristo, que é a imagem de Deus.
Conformidade crescente com o Verbo permite a união e o deleite espiritual.
Doutrina dos sentidos espirituais opera uma interiorização do cosmos: transpõe objetos sensíveis para o domínio espiritual.
Objetos espirituais, por sua vez, pertencem à ordem do
noûs.
Eco do médio platonismo: a fonte do bem está no interior, a ser descoberta por escavação contínua.
A sensibilidade espiritual da própria Escritura guia esta busca interior.
Orígenes incentiva a ter
poço e fonte próprios para extrair inteligência das Escrituras do próprio fundo.
Aplica princípio ao cosmos: tudo o que há no mundo está também dentro de si.
Elementos materiais do Cântico pertencem simultaneamente aos mundos corpóreo e espiritual.
São apreendidos pelo homem espiritual via sentidos espirituais, povoando a inteligência do gnóstico em sua jornada para as regiões interiores da alma.