MATEUS O POBRE

Philokalia — Vida de Oração Ortodoxa

Orthodox Prayer Life: The Interior Way. St. Valdimir's Seminary Press, 2003.

Trata-se de uma tradução resumida de um grande livro, fruto de 55 anos de solidão de um monge contemporâneo, também conhecido como Padre Matta El-Meskeen.

Mateus o Pobre é um monge e Pai espiritual de 120 monges no Monastério de São Macário o Grande, Wadi El-Natroun, Egito.

- O livro não foi composto por um intelectual, mas nasceu do registro espontâneo de uma experiência transbordante, anotada a princípio como lembrete pessoal e sem qualquer intenção de publicação.

  1. A história tem início em agosto de 1948, quando o autor ingressa na vida solitária, possibilitada apenas pela intervenção direta de Deus, que o desonerou milagrosamente de todas as suas responsabilidades no mundo.
  2. O que atraía o autor à vida solitária era a ideia de transformar tudo em oração, e esse desejo, cultivado por quatro anos de súplica, foi plenamente realizado.
  3. Poucos dias antes da partida para o mosteiro, um jovem engenheiro trouxe de presente um manuscrito datilografado de 122 páginas contendo ditos dos Padres russos sobre a oração, traduzidos para o inglês por um peregrino britâneo que vivera na Rússia.
  4. O manuscrito foi incluído entre as bagagens sem ser aberto, pois o autor estava ocupado com os preparativos da longa viagem.
  5. Ao se instalar na nova residência, o autor reconheceu a grandiosidade da bênção recebida e agradeceu a Deus em lágrimas pela poderosa mão que o havia tirado do mundo; esse foi o primeiro impulso que acendeu seu espírito na oração.
  6. O autor deixou o mundo sem guardar nenhuma ligação com ele; seus pertences se resumiam a uma Bíblia, uma cópia de São Isaac, o Sírio, e cadernos em branco, e o mosteiro dispunha apenas de um único livro, O Paraíso dos Padres.
  7. A oração tornou-se a única profissão de sua vida, não por escolha mas por necessidade, sendo seu alimento, bebida, proteção e guia tanto de dia quanto de noite, na ausência de qualquer pai espiritual, amigo ou companheiro.
  8. A voz de Deus era a única resposta para todas as suas necessidades, e o que o coração ouve o tempo jamais apaga, ao contrário do que apenas os ouvidos percebem.
  9. Ao abrir o manuscrito do peregrino britânico e encontrar ditos sobre a oração, o autor experimentou grande alegria ao reconhecer neles sua própria experiência; passou a ler cada trecho repetidamente até memorizá-lo e transformá-lo em oração.
  10. As noites eram passadas em oração, recitando os trechos e visualizando os Padres citados; dessa prática nasceu um crescente conhecimento das etapas que o espírito humano atravessa na vida de oração.
  11. Ao ouvir de Deus em oração que o conhecimento recebido não era para si mesmo mas para os outros, o autor passou a traduzir e editar em árabe os ditos dos Padres, misturando-os com sua própria experiência e comentários, dividindo-os em capítulos com prelúdios.
  12. O espírito e o pensamento dos Padres foram de tal modo impressos em seu próprio espírito que o leitor atento dificilmente distinguirá a linguagem do autor da deles, resultado de uma veneração extrema por esses santos.
  13. Ao constatar que o manuscrito do peregrino britânico não cobria todo o panorama da oração, o autor passou a reunir ditos de Padres do Oriente e do Ocidente de todas as fontes disponíveis, sem jamais recorrer a uma autoria intelectual desvinculada da experiência vivida.
  14. O propósito do livro não é a leitura, mas a oração: o mistério da obra consiste em transformar os ditos sobre a oração em oração, e é por isso que as palavras vida de oração integram o título.