JOÃO DAMASCENO

St. John of Damascus — OrthodoxWiki

Jean Damascène (650-750) — nosso site francês

Apresentação na Philokalia (inglesa) Sobre as Virtudes e os Vícios, um resumo conciso e claro dos ensinamentos ascéticos tradicionais, é atribuído por São Nicodimo a São João Damasceno (c. 675-c. 749), autor do célebre compêndio doutrinário “Sobre a Fé Ortodoxa”, mas também aparece entre as obras atribuídas a Santo Atanásio de Alexandria (c. 296-373) e a São Efrém, o Sírio (c. 306-373). Provavelmente não é de autoria de nenhum desses três, e sua data e proveniência continuam difíceis de determinar. Para sua análise da tentação, o autor está claramente em dívida com São Marcos, o Asceta (? início do século V) — a quem, de fato, ele cita pelo nome em outro contexto — e provavelmente também com São João Clímaco (? século VII). Ele adota o ensinamento de Evágrio sobre os três aspectos da alma e os oito pensamentos malignos, e suas observações sobre o amor-próprio sugerem familiaridade com os escritos de São Máximo. Tem-se argumentado que o início e o fim do tratado, sobre as virtudes da alma e do corpo, são de origem síria — o que explicaria a atribuição a Efrém — e possivelmente foram extraídos de João, o Solitário (c. 500). São Nicodimo elogia o tratado como “uma pedra de toque, que distingue com exatidão entre o ouro purificado das virtudes e a liga de cobre dos vícios”.


Apresentação na Philocalie (francesa)

Nosso Pai entre os Santos, João Damasceno, que, devido à graça resplandecente de seu ensinamento, foi chamado de “rio que corre de ouro”, viveu na época de Leão, o Isauriano, por volta do ano 730. Ele foi a musa sagrada da Igreja de Cristo. Deixou numerosos escritos repletos de prazer indescritível e de graça espiritual. Incluímos aqui o presente tratado, que faz parte de seus escritos, na medida em que contribui plenamente para o objetivo deste livro e pode ajudar aqueles que desejam adquirir o conhecimento das virtudes e dos vícios, que escapa à maioria. Pois ele ensina claramente quais são, em quantas espécies e gêneros se dividem e, por fim, como se pode possuir umas e se livrar das outras, sendo a pedra de toque distinguir, em todos os aspectos e com pleno conhecimento de causa, o ouro purificado das virtudes e o cobre falso dos vícios. Assim, aquele que depositar com exatidão no tesouro de seu coração esse conhecimento saberá rapidamente, de uma vez por todas, o que são as virtudes e as paixões.

A origem desse “discurso” sobre as virtudes e os vícios, atribuído a João Damasceno (675-749) e incluído em suas obras, é totalmente incerta. É possível que seja síria, pelo menos em parte, e que remonte a João, o Solitário (início do século VI). Seja como for, se nos limitarmos ao texto, não temos aqui nada além de uma compilação. Algumas das conquistas da reflexão e da experiência, desde Evágro, estão ali como que expostas e apresentadas de forma plana, sem aquela ruminação pessoal que torna viva e necessária a repetição.

No entanto, o quadro recapitulativo certamente tem sua utilidade. O compilador traça o mapa do campo onde se desenrola o combate espiritual. Ele expõe, em primeiro lugar, a longa lista dos protagonistas: as virtudes e os vícios da alma e do corpo. Em seguida, indica que o confronto mais acirrado entre eles ocorre nas três partes da alma: a razão, o ardor e o desejo. E mostra quais sequências de vícios e quais encadeamentos de virtudes levam às alienações e às curas. Por fim, ele lembra que, no cerne do combate espiritual, o discernimento — a “virtude das virtudes” — confere finalidade a todas as operações e permite evitar que qualquer outra virtude, exercida sem estar orientada para o fim último, dê errado. Pois tudo deve culminar na “contemplação do Criador” e na passagem da imagem à semelhança de Deus, que somente os compassivos alcançam: razão e desfecho da luta espiritual e, por fim, convite a transcender o próprio “discurso”.