Jean Gouillard

Petite Philocalie de la Prière du Coeur

Da oração e da pureza do coração

  1. Deus é o Bem em si, a própria Misericórdia e um abismo de Bondade que excede todo nome e todo conceito, de modo que a obtenção de sua misericórdia se realiza pela união com ele mediante a participação nas virtudes e pela súplica orante que vincula a criatura racional ao Criador.
    • A participação nas virtudes dispõe o ser humano virtuoso a receber Deus por semelhança.
    • A oração opera essa recepção e consagra misticamente o impulso humano em direção ao divino, desde que ultrapasse as paixões e os pensamentos por meio de uma compunção ardente.
    • O espírito preso às paixões não alcança a união divina nem obtém misericórdia enquanto permanece nessa disposição.
    • Quanto mais os pensamentos são afastados, tanto mais cresce a compunção, e na medida dessa compunção participa-se da misericórdia e de suas consolações.
    • A perseverança humilde nesse estado transfigura inteiramente a parte passional da alma.
  2. O espírito se une à Mônada trinitária suprema quando sua unidade se torna trina sem deixar de ser una, pois então fecha todas as saídas para o erro, domina a carne, o mundo e o príncipe deste mundo, e permanece em si mesmo e em Deus na alegria espiritual que nele brota.
    • A unidade do espírito se torna trina quando o espírito se volta para si mesmo e sobe de si mesmo para Deus.
    • A conversão do espírito para si mesmo consiste em guardar-se a si próprio.
    • A ascensão do espírito para Deus realiza-se sobretudo pela oração, ora recolhida e concentrada, ora mais extensa e mais laboriosa.
    • A perseverança na concentração do espírito e no impulso para Deus, com contenção enérgica das fugas do pensamento, aproxima interiormente de Deus e faz possuir bens inefáveis.
    • O sentido espiritual permite provar o século futuro e conhecer a bondade do Senhor.
    • A palavra do salmista afirma: “Provai e vede como o Senhor é bom!” (Sl 34,9).
  3. A união da oração à guarda do espírito não é em si extremamente difícil, mas a permanência prolongada nesse estado gerador do inefável constitui a dificuldade própria da vida espiritual.
    • O labor de qualquer outra virtude permanece leve e insignificante em comparação com a perseverança nesse recolhimento.
    • Muitos abandonam o estreitamento próprio da virtude da oração e não chegam aos amplos espaços dos carismas.
    • Aos que perseveram, maiores auxílios divinos os sustentam, conduzem-nos alegremente adiante, tornam fácil a própria dificuldade e conferem à natureza humana uma aptidão quase angélica.
    • A natureza humana passa a viver na familiaridade das naturezas que a superam.
    • O profeta afirma: “Os que perseveram voam como águias, recebem novas forças” (Is 40,31).
  4. O espírito também designa sua própria energia, constituída por pensamentos e conceitos, bem como a potência que produz esses efeitos e que a Escritura chama coração, rainha das potências humanas e fundamento da alma racional.
    • A energia do espírito, isto é, seus pensamentos, regula-se e purifica-se facilmente pela dedicação à oração, especialmente à oração monológica.
    • A potência que produz essa energia só é purificada quando todas as demais potências também são purificadas.
    • A alma é uma essência dotada de múltiplas potências, e o mal surgido de uma delas mancha a alma inteira, pois todas se comunicam na mesma unidade.
    • Cada potência possui seu ato próprio, de modo que certo ato pode ser purificado por algum tempo mediante aplicação, sem que a potência correspondente seja plenamente purificada.
    • A potência permanece antes impura que pura quando continua comunicada às outras potências ainda não purificadas.
  5. A purificação parcial da energia do espírito pela oração não deve ser confundida com a pureza total do coração, pois a iluminação parcial da ciência ou do relâmpago espiritual pode tornar-se ocasião de presunção e engano.
    • Quem se julga purificado por uma iluminação parcial se ilude e abre largamente a porta ao enganador que aguarda ocasião para iludir.
    • Quem mede a impureza do próprio coração e transforma a pureza parcial em auxílio progride na humildade e amplia a compunção.
    • A impureza das outras potências da alma torna-se mais claramente visível quando a pureza parcial não alimenta a soberba.
    • Cada potência da alma exige remédios apropriados: pela ação purificam-se as faculdades ativas, pela ciência as faculdades de conhecimento, e pela oração a faculdade contemplativa.
    • Esse itinerário conduz à pureza perfeita, verdadeira e estável do coração e do espírito.
    • Ninguém alcança tal pureza sem a perfeição da ação, da contrição perpétua, da contemplação e da oração contemplativa.

A apologia dos santos hesicastas

  1. Alguns profissionais da cultura profana afirmam que seria equivocado recolher o espírito no corpo e que se deveria expulsá-lo dele a todo custo, censurando os que aconselham os iniciantes a voltar o olhar para si mesmos e a introduzir o espírito em si por meio da inspiração.
    • Esses adversários alegam que o espírito não está separado da alma e, por isso, não poderia ser introduzido em si aquilo que não está separado, mas unido.
    • Eles acrescentam caluniosamente que alguns hesicastas falariam de introduzir a graça em si pelas vias nasais.
    • Tal acusação é apresentada como calúnia, pois nada semelhante teria sido ouvido no meio hesicasta.
    • A deformação deliberada facilita a invenção e acrescenta malignidade às demais acusações.
  2. A questão dirigida ao pai espiritual pede a explicação de por que se procura introduzir o espírito no interior de si mesmo e por que não há erro em recolhê-lo dentro do corpo.
  3. O corpo nada tem de mau em si mesmo, pois é bom por natureza, e condenável é apenas o espírito carnal ou o corpo prostituído ao pecado.
    • O mal não procede da carne, mas daquilo que nela habita.
    • O problema não consiste no espírito habitar o corpo, mas na lei oposta à lei do espírito exercer-se nos membros.
    • A lei do pecado é combatida e expulsa do corpo para que nele seja introduzida a autoridade do espírito.
    • A autoridade do espírito fixa uma lei para cada potência da alma e para cada membro do corpo, dando a cada um o que lhe corresponde.
    • Aos sentidos são atribuídos sua natureza e seus limites de exercício, e essa obra da lei chama-se temperança.
    • À parte passional da alma é concedido o hábito excelente da caridade.
    • A parte racional é melhorada pela rejeição de tudo o que se opõe à ascensão do espírito para Deus, e essa parte da lei chama-se sobriedade.
    • Quem purifica o corpo pela temperança, transforma o irascível e o concupiscível em ocasiões de virtude pela caridade, e apresenta a Deus um espírito purificado pela oração, adquire e contempla em si a graça prometida aos corações puros.
    • A palavra apostólica afirma: “Trazemos este tesouro em vasos de barro” (2Cor 4,6-7), entendendo-se por vasos os corpos.
    • Reter o espírito dentro do corpo não ofende a nobreza sublime do espírito.
  4. A alma é uma essência provida de múltiplas potências e possui como órgão o corpo que ela anima, enquanto sua potência chamada espírito opera por meio de certos órgãos.
    • Ninguém supõe que o espírito tenha sede nas unhas, nas pálpebras, nas narinas ou nos lábios.
    • Há consenso em situar o espírito no interior do ser humano, embora haja divergência quanto ao órgão interior a ser designado.
    • Alguns colocam o espírito no cérebro como numa acrópole.
    • Outros atribuem ao espírito a região central do coração, pura de todo sopro animal.
    • A alma racional não está dentro do ser humano como se estivesse num vaso, pois é incorpórea, nem está fora dele, pois está unida ao corpo.
    • A alma racional está no coração como em seu órgão.
  5. A localização do coração como sede da razão apoia-se naquele que formou o ser humano e na tradição espiritual que reconhece ali o princípio das más ou boas disposições interiores.
    • Cristo afirma: “Não é o que entra pela boca que mancha o homem, mas o que sai dela… pois é do coração que vêm os maus pensamentos” (Mt 15,11.19).
    • Macário afirma que o coração preside a todo o organismo.
    • Macário afirma que, quando a graça se apodera das pastagens do coração, reina sobre todos os pensamentos e todos os membros.
    • Macário afirma que no coração se encontram o espírito e todos os pensamentos da alma.
    • O coração é, portanto, a sede da razão e seu principal órgão corpóreo.
    • A vigilância e a correção da razão pela sobriedade atenta exigem reunir o espírito disperso ao exterior pelas sensações e reconduzi-lo ao coração, sede dos pensamentos.
    • Macário ensina que é necessário olhar para o coração a fim de ver se a graça gravou nele as leis do Espírito.
    • O órgão diretor, trono da graça e lugar do espírito e dos pensamentos da alma, é o coração.
    • Quem se decide a vigiar-se na quietude necessita reconduzir e recolher o espírito no corpo, sobretudo no corpo dentro do corpo chamado coração.
  6. O reino dos céus está dentro do ser humano, de modo que quem se aplica deliberadamente a fazer o espírito sair de si exclui-se do reino.
    • A palavra evangélica afirma: “O reino dos céus está dentro de nós” (Lc 17,21).
    • Salomão afirma: “O coração reto busca o sentido” (Pr 27,21).
    • Esse sentido é também chamado por Salomão de “espiritual e divino” (Pr 2,5).
    • Os Padres afirmam que o espírito, inteiramente espiritual, está envolvido por uma sensibilidade espiritual.
    • A busca desse sentido deve prosseguir tanto dentro quanto fora de si.
  7. A luta contra o pecado, a aquisição da virtude e a participação antecipada na recompensa do combate virtuoso exigem reconduzir o espírito ao interior do corpo e de si mesmo.
    • Querer fazer o espírito sair não apenas do pensamento carnal, mas do próprio corpo, para ir ao encontro de espetáculos espirituais, constitui o ápice do erro grego ou pagão.
    • O espírito deve ser reconduzido não apenas ao corpo e ao coração, mas também a si mesmo.
    • A objeção segundo a qual o espírito não poderia regressar por não estar separado ignora a distinção entre a essência do espírito e seu ato ou energia.
    • A confusão deliberada entre essência e energia do espírito abriga impostura sob aparência de equívoco.
    • O espírito não é como o olho, que vê outros objetos sem ver a si mesmo.
    • Segundo Dionísio, o espírito realiza exteriormente seus atos por um movimento longitudinal e retorna a si mesmo por um movimento circular.
    • O movimento circular é o ato mais excelente e próprio do espírito.
    • Por esse ato, o espírito por vezes se transcende para unir-se a Deus.
    • Dionísio trata desse movimento nos Nomes divinos, capítulo 4.
  8. Basílio e Dionísio confirmam que o espírito que não se dispersa ao exterior retorna a si mesmo e se eleva de si mesmo a Deus por caminho infalível, ao passo que o pai do erro suscita cúmplices para persuadir até os hesicastas de que seria melhor manter o espírito fora do corpo durante a oração.
    • Basílio afirma: “O espírito que não se derrama ao exterior retorna a si mesmo e se eleva de si mesmo a Deus por um caminho infalível.”
    • A formulação pressupõe que o espírito pode sair e que, por isso, deve retornar.
    • Dionísio é apresentado como testemunha infalível do mundo espiritual e como aquele que ensina que esse movimento do espírito não pode extraviar.
    • O pai do erro e da mentira continua tentando desviar o ser humano.
    • Certos escritos procuram convencer até os que abraçaram a vida superior da quietude de que convém manter o espírito fora do corpo durante a oração.
    • João, na Escada celeste, define: “O hesicasta é aquele que se esforça por circunscrever o incorpóreo no corpo.”
    • Todos os pais espirituais ensinaram a mesma doutrina.
  9. A razão se soma às considerações espirituais para demonstrar que quem aspira possuir-se verdadeiramente e tornar-se monge segundo o homem interior deve fazer o espírito regressar e permanecer dentro do corpo.
    • Não é inadequado convidar sobretudo os iniciantes a olhar para si mesmos e a introduzir o espírito em si juntamente com o sopro.
    • Não convém afastar dos procedimentos de recolhimento aquele que ainda não chegou à contemplação de si mesmo.
    • Nos que acabam de entrar na arena espiritual, o espírito escapa logo depois de ser reunido, e por isso é necessário insistir em reconduzi-lo.
    • Os noviços ainda não percebem que nada é mais rebelde ao exame de si nem mais pronto a dispersar-se do que o espírito.
    • Alguns recomendam controlar o movimento de entrada e saída do sopro, retendo-o um pouco, a fim de reter também o espírito enquanto permanecem na inspiração.
    • Com o auxílio de Deus, o progresso purifica o espírito, impede-o de voltar-se ao mundo exterior e permite reconduzi-lo perfeitamente numa concentração unificadora.
  10. A lentidão do movimento respiratório acompanha espontaneamente a atenção do espírito, sobretudo nos que praticam a quietude do espírito e do corpo.
    • Em todo ato de reflexão intensa, o vaivém do sopro se torna mais lento.
    • Os praticantes da quietude celebram verdadeiramente o sábado espiritual.
    • Suspendendo todas as obras pessoais, eles reduzem quanto possível a atividade móvel, mutável, dispersa e múltipla das potências cognitivas da alma.
    • Eles reduzem também toda atividade dos sentidos e toda atividade corporal dependente da vontade.
    • Atividades que não dependem inteiramente do ser humano, como a respiração, são reduzidas tanto quanto possível.
    • Nos avançados na prática hesicasta, tais efeitos se seguem espontaneamente e sem reflexão deliberada.
    • Na alma perfeitamente introvertida, esses efeitos ocorrem necessariamente e por si mesmos.
  11. Nos iniciantes, o recolhimento ligado à respiração exige esforço, assim como a paciência é buscada por todos os meios por ser fruto da caridade.
    • A Escritura afirma: “A caridade tudo suporta” (1Cor 13,7).
    • O mesmo princípio vale para o recolhimento do espírito, pois se empregam meios para obter aquilo que conduz ao fim maior.
    • Aqueles que possuem experiência riem das objeções provenientes da inexperiência.
    • O mestre deles não é o discurso abstrato, mas o esforço e a experiência por ele gerada.
    • A experiência produz fruto útil e derruba as palavras estéreis dos contestadores.
  12. Desde a transgressão, o homem interior se modela pelas formas exteriores, de modo que a atitude corporal pode ajudar a reconduzir o espírito do movimento longitudinal ao movimento circular e infalível.
    • Um grande doutor escreveu que “desde a transgressão, o homem interior se modela segundo as formas exteriores”.
    • Fixar o olhar no peito ou no umbigo pode aproveitar mais que deixá-lo vaguear de um lado para outro.
    • Ao recolher-se exteriormente em círculo, imita-se o movimento interior do espírito.
    • A atitude do corpo introduz no coração a potência do espírito que a visão dispersa para fora.
    • Se a potência da besta interior tem sua sede na região do umbigo e do ventre, onde a lei do pecado exerce domínio e encontra alimento, convém levar ali a lei oposta armada pela oração.
    • A oração impede que o espírito mau expulso pelo banho da regeneração retorne com sete espíritos piores e torne a condição posterior pior que a primeira.
    • A referência evangélica afirma a possibilidade de retorno do espírito impuro com sete espíritos piores (Lc 11,26).
  13. A ordem de Moisés para tomar cuidado consigo mesmo exige vigilância integral da alma e do corpo por meio do espírito, pois não existe outro meio de guardar a totalidade de si.
    • Moisés afirma: “Toma cuidado contigo mesmo” (Dt 15,9).
    • A guarda deve ser posta diante da alma e do corpo para libertá-los das más paixões.
    • Nenhuma parte da alma ou do corpo deve permanecer sem vigilância.
    • Assim se atravessa a zona das tentações inferiores e se comparece com confiança diante daquele que “escruta os rins e os corações”.
    • Aquele que antes escruta a si mesmo prepara-se para ser julgado sem temor.
    • A palavra apostólica afirma: “Julguemo-nos a nós mesmos e não seremos julgados” (1Cor 11,31).
    • Davi expressa essa experiência: “As trevas já não serão obscuras, a noite resplandece como o dia, porque formaste meus rins” (Sl 138,12).
    • A parte concupiscível da alma torna-se posse de Deus, e até o foco corporal do desejo é reconduzido à origem e elevado para unir-se a Deus.
    • Os que se apegam aos prazeres sensíveis da corrupção esgotam na carne toda a potência desiderativa da alma e tornam-se inteiramente carne.
    • O Espírito não pode permanecer nos que se tornam carne.
    • Os que elevam o espírito a Deus e estabelecem a alma no amor divino têm a carne transformada e participante do impulso do espírito e da comunhão divina.
    • A carne torna-se também domínio e morada de Deus, deixando de abrigar a inimizade contra Deus e de desejar contra o espírito.
  14. A carne é o lugar mais apropriado ao espírito da carne que sobe de baixo, e por isso ela não deve ser deixada sem vigilância enquanto nela não habitar a lei da vida.
    • O apóstolo afirma que nada de bom habita na carne enquanto nela não habita a lei da vida.
    • A carne só pode pertencer verdadeiramente ao ser humano e ser fechada ao inimigo mediante vigilância.
    • Quem ainda não possui a ciência espiritual suficiente para repelir os espíritos maus necessita exercitar a atenção também por meio de uma atitude exterior.
    • Não apenas os iniciantes, mas também pessoas mais perfeitas utilizam essa atitude na oração e assim inclinam a benevolência de Deus.
    • Essa prática ocorre tanto entre os que vieram depois da descida de Cristo quanto entre os que a precederam.
    • Elias, consumado na teoptia, apoia a cabeça nos joelhos, reúne vigorosamente o espírito em si mesmo e em Deus, e assim põe fim a uma seca de vários anos.
  15. Os adversários da prática hesicasta compartilham a doença do fariseu, pois desprezam a atitude de oração justificada do publicano e exortam outros a não imitá-la.
    • O Senhor afirma sobre o publicano: “Ele nem ousava levantar os olhos ao céu” (Lc 18,13).
    • Imitam o publicano aqueles que, ao orar, aplicam os olhos sobre si mesmos.
    • Os que chamam os hesicastas de onfalopsíquicos caluniam seus adversários, pois nenhum deles jamais colocou a alma no umbigo.
    • Esses acusadores agem como detratores de práticas louváveis, não como corretores de erros.
    • Eles escrevem movidos pela vaidade, não pela causa da vida hesicasta e da verdade.
    • Seu objetivo não é conduzir à sobriedade, mas afastar dela.
    • Por todos os meios procuram arruinar a obra hesicasta e aqueles que a praticam com zelo.
    • Eles poderiam igualmente chamar de ventropsíquico aquele que afirmou: “Meu ventre fremirá como uma harpa…” (Is 16,11).
    • A mesma calúnia poderia recair sobre todos os que representam, nomeiam e buscam realidades invisíveis por meio de símbolos corporais.
  16. A tradição de Simeão o Novo Teólogo, Nicéforo o Hagiorita, Teolepto de Filadélfia e Atanásio o Patriarca confirma aos iniciantes a prática combatida pelos novos mestres hostis ao hesicasmo.
    • Simeão o Novo Teólogo e seus escritos são apresentados como testemunhos conhecidos.
    • Nicéforo o Hagiorita ensina claramente aos iniciantes a mesma prática de recolhimento.
    • Teolepto, bispo de Filadélfia, e Atanásio, o Patriarca do fim do século XIII e início do século XIV, são invocados como homens aos quais a potência do Espírito Santo deu testemunho.
    • Muitos outros antes, com eles e depois deles, convidaram a guardar essa tradição.
    • Os novos mestres em hesicasmo desprezam, deformam e arruínam essa tradição sem proveito para seus ouvintes.
    • A convivência com alguns dos santos nomeados e o discipulado recebido deles fundamentam a adesão a essa tradição.
    • Aqueles que foram formados pela experiência unida à graça não podem ser desprezados em favor dos que pretendem ensinar apenas com base no orgulho.
  17. A fuga dos adversários do hesicasmo e a escuta dócil dos pais espirituais preservam a bênção interior e ensinam a maneira de fazer o espírito regressar a si.
    • Davi afirma: “Minha alma, bendize o Senhor, e tudo o que há em mim bendiga seu santo nome!” (Sl 102,1).
    • A escuta dos pais deve ser dócil, pois eles aconselham o modo de reconduzir o espírito ao interior.

O Tomo hagiorítico

  1. Quem trata como messalianos os que atribuem ao espírito sede no cérebro ou no coração ataca os santos, pois Atanásio situa a sede da razão no cérebro, Macário coloca a operação do espírito no coração, e Gregório de Nissa não contradiz essa tradição ao afirmar que o espírito não está nem dentro nem fora do corpo.
    • Santo Atanásio coloca a sede da razão no cérebro.
    • Macário, cujo brilho não é inferior, coloca no coração a operação do espírito.
    • Quase todos os santos concordam com Atanásio e Macário.
    • Gregório de Nissa afirma que o espírito não está nem dentro nem fora do corpo, mas não se opõe aos demais.
    • Os santos que colocam o espírito no corpo falam dele enquanto unido ao corpo.
    • As formulações variam segundo o ponto de vista adotado, sem estabelecer divergência real de doutrina.