A justiça Divina é celebrada como preservação do todo porque conserva cada ser em sua essência e ordem próprias, resgatando-o da queda para o pior.
A justiça Divina preserva e guarda a essência e a ordem de cada realidade, distintas e puras em relação ao restante.
Ela é causa genuína de cada ser cumprir sua própria função no todo.
Caso essa preservação seja celebrada como resgate salvífico do todo em relação ao pior, tal celebração deve ser inteiramente aceita como cântico da preservação multiforme.
Essa preservação principal do todo conserva todas as coisas em si mesmas, sem mudança, imperturbadas e sem inclinação para o pior.
Ela guarda todas as coisas sem discórdia e sem guerra, cada uma regulada por seus próprios modos.
Ela exclui do todo toda desigualdade e toda intromissão na função alheia.
Ela mantém as relações de cada coisa para que não caiam em contrários nem migrem.
Segundo a sagrada teologia, essa preservação pode ser celebrada como redenção de todos os seres existentes.
Pela bondade preservadora de tudo, ela redime cada ser da queda para fora de seus bens próprios, tanto quanto a natureza de cada preservado admite.
Por isso os Teólogos a chamam redenção.
Ela não permite que as coisas realmente existentes caiam na não existência.
Se algo se desviou para a discórdia e a desordem, ou sofreu diminuição da perfeição de seus bens próprios, também disso ela o redime.
Ela redime da paixão, da indolência e da perda.
Ela supre o deficiente e, de modo paternal, releva a frouxidão.
Ela ergue a partir do mal, ou antes, estabelece no bem.
Ela preenche o bem que se esvai.
Ela ordena e adorna a desordem e a deformidade.
Ela torna completo e liberta de todas as manchas.