As essências intelectuais superiores e inferiores dos
anjos deiformes procedem da Causa de tudo.
As essências das almas e as naturezas do Cosmos inteiro procedem dela.
Também procedem dela todos os seres ditos existir em outros ou por reflexão.
As Potências santíssimas e digníssimas, verdadeiramente existentes e estabelecidas como no vestíbulo da Tríade superessencial, procedem dela e nela subsistem.
Essas Potências possuem o ser e o ser deiforme.
Depois delas, os
anjos subordinados possuem o ser de modo subordinado, e os mais remotos o possuem de modo remotíssimo.
Em relação a nós, essa participação ocorre de modo supramundano.
As almas e todos os demais seres possuem, segundo a mesma regra, seu ser e seu bem-ser.
Eles são e estão bem por receberem do Preexistente seu ser e seu bem-ser.
Nele estão o ser e o bem-ser; dele procede o começo; nele há guarda; para ele há termo.
Ele distribui as prerrogativas do ser aos seres superiores, que os Oráculos chamam até mesmo eternos.
O próprio ser jamais falta em tempo algum a todos os seres existentes.
Até mesmo o ser subsistente por si procede do Preexistente.
O ser pertence a ele, mas ele não pertence ao ser.
O ser está nele, mas ele não está no ser.
O ser o possui, mas ele não possui o ser.
Ele é era e princípio, medida do ser, Fonte essencializante, Meio e Fim da preessência, do ser, da era e de todas as coisas.
Por isso, os Oráculos representam o verdadeiro Preexistente sob muitas formas, segundo toda concepção dos seres.
O “Era”, o “É”, o “Será”, o “Tornou-se”, o “Torna-se” e o “Tornar-se-á” são celebrados propriamente a seu respeito.
Para quem pensa dignamente acerca de Deus, todas essas expressões significam seu ser superessencial segundo toda concepção e sua condição de Causa de todos os modos dos seres existentes.
Ele não é isto e não aquilo, nem é de um modo e não de outro.
Ele é todas as coisas enquanto Causa de tudo, contendo e retendo de antemão em si todos os governos e todos os controles de todos os seres existentes.
Ele está acima de tudo como Super-Ser superessencial antes de tudo.
Todas as coisas são predicadas dele simultaneamente, embora ele não seja nenhuma delas.
Ele é de toda figura e de toda espécie, sem forma e sem beleza.
Ele antecipa em si os começos, meios e fins dos seres existentes, de modo irresistível e eminente.
Ele irradia sem defeito o ser a todos, conforme convém a uma Causa una e superunida.
Se o sol sensível, sendo uno e derramando uma luz uniforme, renova as essências e qualidades das criaturas sensíveis, nutre-as, guarda-as, aperfeiçoa-as, distingue-as, une-as, favorece-as, torna-as produtivas, aumenta-as, transforma-as, estabelece-as, faze-as crescer, desperta-as e vivifica-as, muito mais deve isso ser concedido à Causa do sol e de todas as coisas.
Cada ser participa do mesmo e único sol de modo apropriado a si.
O único sol antecipa uniformemente em si as causas dos muitos participantes.
A Causa do sol e de todas as coisas preside de antemão a todos os exemplares dos seres existentes, conforme convém à Unidade superessencial.
Ela produz até mesmo as essências conforme convém à egressão a partir da essência.
Os exemplares são os métodos em Deus que dão essência aos seres e preexistem uniformemente.
A teologia chama esses exemplares de predeterminações e vontades Divinas e boas.
Tais predeterminações definem e produzem os seres existentes.
Segundo elas, o Superessencial predeterminou e trouxe à existência tudo o que existe.